segunda-feira, 20 de junho de 2011
Paradoxo
Amar é sofrer. Para evitar sofrer, não se pode amar. Mas, então, sofre-se por não se amar.
Woody Allen
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Um bêbado eu vi
Andando numa pouco movimentada travessa
Sem rumo
Sem pressa
Adiantando e evitando o que se preza
Gritando numa intrigante reza:
“Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço..
..vivo uma vida do avesso, mas sua bondade eu reconheço..
Por isso te digo com apresso, Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço”
Não sei se com ele aprendo
Ou por ele me entristeço
Onde foi que tudo ficou pra trás
Em que momento nesse mundo as pessoas deixaram de buscar a paz
Nada flutua mais, tudo se arrasta
Do vento todos vão atrás
Deixou-se de viver
O mundo sofre sem um óbvio porquê
Abro as janelas da percepção
Vendo deitado, um louco no chão
Viajo em pensamentos
Andando pelas ruas do imundo mas moderno centro
Um estranho movimento
E penso comigo:
“Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço..
..vivo uma vida do avesso, mas sua bondade eu reconheço..
Por isso te digo com apresso, Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço”
Não sei se comigo aprendo ou desaprendo
Nunca sei ao certo
O que esta realmente acontecendo
Me perdi onde tudo ficou pra trás
Não entendo quando foi que deixei de ter minha paz
Meu sonho não flutua mais, agora, apenas se arrasta
Parece que do vento estou atrás
Mas ainda assim quero viver
Mesmo há algum tempo não ter por isso um porquê
Hoje, parece, que aumentei minha percepção
Quando estou deitado, como louco no chão
Brota em mim, estranhos pensamentos
Quando busco entender o meu interior, meu centro
Parece um estranho movimento
Mas, repenso e consigo:
“Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço..
..vivo uma vida do avesso, mas sua bondade eu reconheço..
Por isso te digo com apresso, Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço”
Não sei se estamos vivendo ou sofrendo
Para entender temos que chegar mais perto
Um teia infinita de conhecimento ir tecendo
Entender, quem sabe, o que não volta mais
Indo em busca, da nossa própria paz
Devemos sonhar um pouco mais, deixar de dar valor ao que se arrasta
E viver, um do outro, sempre atrás
Mas juntos, ainda assim, sempre querer viver
Pois eu sei, há por tudo isso um porquê
Temos que evoluir, mudar nossa antiga percepção
E apreciar as marcas deixadas no chão
Revigorar nossos sanados pensamentos
E entender, nosso interior, nosso centro
Mudar nossa rotação, juntos, criar um novo movimento
Talvez, isso eu consigo:
“Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço..
..vivo uma vida do avesso, mas sua bondade eu reconheço..
Por isso te digo com apresso, Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço”
Um palhaço que é feliz, que não sabe se esta vivendo ou sofrendo
Ele pula, e anda em círculos, mas não sabe se da sanidade esta perto
Atribui risadas, conta piadas, uma teia de alegria vai tecendo
Mesmo sem saber, se o que foi, ainda vai, ou não volta mais
Vive em busca da fantasia, atrás da sua própria paz
Flutua na praça, sem graça ou com graça, flutua não se arrasta
Seu mundo não é seu, ele não sabe do que esta sempre atrás
Mesmo sem saber, ele sabe como ele deseja sempre viver
Ele deve fingir ser sempre feliz, sem ter por isso um porquê
Ele tenta evoluir, sair do mesmo lugar, aguçar dos outros, sua percepção
Sem sequer deixar uma bola de malabáris cair ao chão
Seu sorriso pintado esconde seus verdadeiros pensamentos
Quando no semáforo, pratica sua arte, parando o centro
Não há limites, nem objetivos, além de criar um novo movimento
Talvez eu consigo:
“Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço..
..vivo uma vida do avesso, mas sua bondade eu reconheço..
Por isso te digo com apresso, Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço”
Num hospício, os loucos dizem: Estamos vivendo ou sofrendo?
Eles mordem suas mangas, arrastam-se, pra longe ou pra perto
Vivem por ir vivendo, um mundo paralelo vão tecendo
Eles nunca sabem, se sua mente que foi, esta ali, ou não volta mais
Vivem num mundo diferente, em busca da perdida antiga paz
As vezes caem no banheiro, até a porta com esforço sem graça se arrasta
Num mundo que não entende, vive preso, sem saber do que esta atrás
Mesmo sem pensar, as vezes sem andar, ele sabe como é viver
Sua mente lhe sussurra noticias, palavras, sem óbvio porquê
Alimentam sua fantasia, destrói e ao mesmo tempo constrói sua atingida percepção
Sem medo sem dor, do alto, se atira no chão
Sua fala sem nexo, seu olhar no universo, sem sentido, esconde seus verdadeiros pensamentos
O mundo lhe é marginal, seu cérebro lhe da a direção do seu centro
Numa camisa de força, as vezes seu desejo é apenas um novo movimento
Talvez eu consigo:
“Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço..
..vivo uma vida do avesso, mas sua bondade eu reconheço..
Por isso te digo com apresso, Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço”
No cemitério sem mistério, o coveiro vê muita gente sofrendo
As famílias que vão e vem com dor, e ele ali, sempre por perto
Vendo tudo isso, vai aprendendo, uma linha de conhecimento vai tecendo
Vendo tanta gente que se foi, enterrado, que não volta mais
Deseja a todos eles: “Que alcancem a merecida paz”
Não tem medo, não vislumbra um pesadelo de um zumbi que se arrasta
Vendo tanta gente morrer ele agradece por saber como é bom viver
Muitos com tiro, outros atropelados, alguns, as vezes, sem um porquê
Ele treina sua mente, avalia os acontecimentos e altera sua percepção
Carrega um caixão, entrega a carne sem vida num buraco fundo no chão
Quase mudo, sem mundo, vive longe em seus pensamentos
Não se envolve em sentimentos alheios, vive apenas em seu próprio centro
Deseja chorar, mas sabe que não é bom se envolver, vira-se para o outro lado num rápido movimento
Talvez eu consigo:
“Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço..
..vivo uma vida do avesso, mas sua bondade eu reconheço..
Por isso te digo com apresso, Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço”
Deus lá do céu, avalia os humanos, e os vê sofrendo
O céu é tão longe, mas dizem que ele esta sempre tão perto
Num livro ele registra fatos, um material de julgamento vai tecendo
O soberano, o tudo sabe, vê os que dão menos e os que dão mais
Parece que ignora os milhões de pedidos de paz
Aos seus pés, pecadores maldosos, suplicam perdão, como a cobra se arrasta
Sua infinita sabedoria revela aos humanos a melhor forma de viver
Com base na fé, no ar, na terra, crer sem pedir um porquê
Treina dos homens sua visão, cria, modifica, uma nova velha percepção
Lá do alto, dita as regras num livro, as que devem ser seguidas aqui no chão
Lê mentes, lê corações, advinha pensamentos
É o motivo de muitos, a razão do viver de alguns, deseja ser o centro
Evolução, conspiração, seitas, religião, não importa, se o que vale é da fé o seu movimento
Talvez eu consigo:
“Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço..
..vivo uma vida do avesso, mas sua bondade eu reconheço..
Por isso te digo com apresso, Deus ó meu Deus, por esse lixo eu agradeço”
Atillas Felipe Pires
13/06/2011
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