quinta-feira, 24 de abril de 2014

Beco molhado

Eu lembro que era um beco
Lembro de um chão molhado
Acho até que haviam olhos na minha direção
Olhos brilhantes,  eram magros gatos
Criaturas noturnas
Eu estava sendo observado

Saí de uma porta dos fundos
E me vi ali
Tinha ainda na mão direita uma garrafa
Lembro que era vinho
Coisa de classe, não era meu estilo
Não sei de onde saiu aquilo
Perdi meu conhaque
Acho que roubei na cozinha daquele bar
Na correria da fuga
Quando percebi que não tinha um puto no bolso
Um soco no segurança,  eu saí sem pagar

Por décadas essa foi minha vida
Era minha insana distração
Minha sede alcoólica desenfreada
Caminhando na noite de bar em bar
Levando a vida sem pudor até a próxima parada
Sempre tive minha lei interna
Fui meu rei, meu Deus, minha própria autoridade
Fui tudo o que tive que ser
Minha retina mira o mesmo alvo
Meu próprio prazer
Causei minha vitória e minha calamidade
Minha regra é viver

Quando olhei pra cima vi as longas paredes dos prédios que formavam aquela viela
Beco molhado
Lá no alto alguns fios se cruzavam e cortavam minha visão do céu
Eu vi a lua distante uma luz pequena como a chama de uma vela
Lembrei dos tempos dos meus vinte e poucos anos
Naquele tempo minha visão turva pelo wisky não diminuía a lua
Talvez essas décadas me transformaram
Mas ainda hoje eu penso nela

Lembrei de repente do vinho de classe
Tomei um trago
Desceu doce e fácil
Tinha me esquecido do gosto suave das bebidas sociais
Me acostumei com o tempo, a góles baratos cercado de trapaceiros de balcão em conversões  tão banais
Olhei pra frente e vi a rua deserta logo ali
E pensei comigo e com meu próprio deus, já se foram quantos carnavais?
Apenas caminhei
Afundei o pé esquerdo numa poça
Estive por muito tempo um trapo
Nem liguei

Aqui estava a vida que eu sempre sonhei
Tudo que eu engoli não me matou, me fortaleceu
Eu sorri, corri, cai,  apanhei eu chorei
E tudo que eu fiz me fez mais forte
Fui habitante do beco e da côrte
No espelho do quarto dos que viveram eu me vi

Essa noite estava fria e o chão molhado dava um ar de inverno
Mas era verão
Parecia uma eternidade desde a hora que sai daquele bar
O beco molhado era o meu habitat natural
Que bom que demorou, eu vi pessoas na rua
Eu só gostava das pessoas que me cativavam pela assinatura no final dos seus textos
Por tanto tempo eu vaguei sem sentido fugindo dos contatos
Sem fé sem amor, vivendo de pretexto
(E de texto)

Hoje me desejo paz
Hoje me desejo amor
Com ou sem dor
Hoje eu quero minha paz
Mas a quero com amor

Atillas Felipe Pires
23/04/2014

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ir ver o mar

Tem lá no alto um lugar guardado
Que só pode ser visto daqui numa noite sem nuvens
Num céu estrelado
Há lá no alto uma mensagem gravada
Uma promessa de amor, de pra sempre estar lado a lado
E na lua cheia seu coração se abala e lembra
E sempre vem a tona todas as brilhantes lembranças do passado
Coisas que as coloridas luzes da sua nova noite nunca apaga
Sua noite abaixo de tetos cada dia mais vibrantes
E sua visão bêbada fica turva nas luzes da balada
Parecem te deixar cada dia menos completo, cada dia menos confiante
Em si mesmo, em alguém, em algo que lhe mostre um mundo mais além
Que te de forças para no único campo faltante da sua vida ir adiante
Qual será o dia que voltará a lustrar o seu mais belo diamante

Hoje ele sai sempre depois da faculdade
Lacrou seu coração partiu pra perdição
Manteve a humildade, conheceu outra cidade, fez nova tatuagem
Acelerou a rotação desenhou sua geração
E a cada nova segunda-feira lhe vem o mesmo pensamento
O que fazer com o próximo passo da minha idade?
E lhe vem a resposta: É só deixar rolar!
Manter o movimento, nunca correr sempre caminhar
Pedras rolantes não criam musgos
Partir para o próximo bar ou deixar tudo e ir ver o mar

Atillas Felipe Pires
11/04/2014

EU VOU SAIR DAQUI

Eu vou seguir para o outro lado da cidade
Sem um puto no bolso
Gasolina no cheiro, e algumas latas de cerveja
Esbanjar minha atrativa vaidade
Eu vou sozinho com meu santo no pescoço
Eu vou partir daqui
Eu vou seguir meu sonho de ser artista
Mais uma noite em que coloco minha fantasia
Meus ídolos de Sparrow a Charlie Sheen
De palhaço a malabarista
A noite quase sempre me anestesia
Eu vou atrás do vento sem direção
Ou quem sabe, vou apenas atrás da próxima perdição
Atração, oração, rendição ou uma simples e vulgar ereção
Eu vou sair daqui

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Ao vivo sem coreetor as 02:34 no Posto

Acordei coloquei a porra da cara amarrada na janela, tava sol! Sol forte..acordei tarde, outra vez e bêbado outra vez. Já passará do meio dia então eu já podia beber, abri uma cerveja e vi que só tinha mais duas na geladeira. ..pensei em sair pra comprar mais..precisava de algo pra passar aquela tarde comum de terça feira, fiquei com preguiça e preferi terminar primeiro as que tinham na geladeira. .estavam geladas, bebi todas, escondi a ressaca dentro das garrafas vazias que foram se acumulando. Quando eu vi já era noite, eu estava bêbado e com a cara amarrada, pensando no que fazer naquela sexta feira comum. O tempo passou!