Me desculpe mas não
vou me escutar
Na verdade eu não
quero ouvir mais nada
Nem quero saber de tanto
que sempre tenho a me falar
Por que meu estilo não
vai mudar
E se estou errado é
assim que essa vida maluca e gorda eu vou levar
Não me leva a crer que
essa trilha vai girar sem parar
Enquanto eu estiver
sentado a beira do meu sonho central
Com o copo
transbordando e a lábia ainda fascinando
Meus carinhos mais de
um alguém faiscando
Eu sou contemporâneo,
luterano, eu sou um cara intelectual e banal
Eu não leio jornal mas
sei decorado os gritos de James Brown
Não adianta eu me
dizer o que fazer
Se eu sempre vou
correr na contramão do meu dizer
Levando por aí o
instinto animal banalizando o pulsar do coração
Minha meta é não criar
raízes mas ainda assim pisar no mesmo chão
Desde que toque sem
querer minha alma e deturpe minha razão
Eu frequento a selva
dos amores sou bicho solto atrás dos sabores dessa vida
Sou fera ferida
Animal arisco quando
domesticado esquece o risco
E acaba por se perder
na partida
Enquanto isso escrevo
sobre minha vida como minha querida
Faz parte da minha
história todo esse escarro deixado em cada esquina
Das curvas desse corpo
que me contempla com sua presença
Só por essa noite
Mas uma magia em pleno
açoite
Obrigado pelos elogios
Mas eu costumo apagar
todos os textos mentirosos
Nesse momento apenas
me passe os fósforos
Meus anéis e correntes
tão meticulosos
Perfeitos para um
estilo tão performático e teatral
Como minhas rimas e
versos falsamente glamorosos
Eu sou contemporâneo,
luterano, eu sou um cara intelectual e banal
Eu não leio jornal mas
sei decorado os gritos de James Brown
Eu não vou me ouvir já
é hora de dormir
Não tente me entender
meu amor
Já é hora de ir
Atillas Felipe Pires
06/11/2015