sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Intelectual banal



Me desculpe mas não vou me escutar
Na verdade eu não quero ouvir mais nada
Nem quero saber de tanto que sempre tenho a me falar
Por que meu estilo não vai mudar
E se estou errado é assim que essa vida maluca e gorda eu vou levar

Não me leva a crer que essa trilha vai girar sem parar
Enquanto eu estiver sentado a beira do meu sonho central
Com o copo transbordando e a lábia ainda fascinando
Meus carinhos mais de um alguém faiscando
Eu sou contemporâneo, luterano, eu sou um cara intelectual e banal
Eu não leio jornal mas sei decorado os gritos de James Brown

Não adianta eu me dizer o que fazer
Se eu sempre vou correr na contramão do meu dizer
Levando por aí o instinto animal banalizando o pulsar do coração
Minha meta é não criar raízes mas ainda assim pisar no mesmo chão
Desde que toque sem querer minha alma e deturpe minha razão
Eu frequento a selva dos amores sou bicho solto atrás dos sabores dessa vida
Sou fera ferida
Animal arisco quando domesticado esquece o risco
E acaba por se perder na partida

Enquanto isso escrevo sobre minha vida como minha querida
Faz parte da minha história todo esse escarro deixado em cada esquina
Das curvas desse corpo que me contempla com sua presença
Só por essa noite
Mas uma magia em pleno açoite
Obrigado pelos elogios
Mas eu costumo apagar todos os textos mentirosos
Nesse momento apenas me passe os fósforos
Meus anéis e correntes tão meticulosos
Perfeitos para um estilo tão performático e teatral
Como minhas rimas e versos falsamente glamorosos
Eu sou contemporâneo, luterano, eu sou um cara intelectual e banal
Eu não leio jornal mas sei decorado os gritos de James Brown

Eu não vou me ouvir já é hora de dormir
Não tente me entender meu amor
Já é hora de ir

Atillas Felipe Pires
06/11/2015