terça-feira, 28 de agosto de 2018

Contos do Tião para Pires, Sebastião



Aquele bar estava cheio de ricos fazendeiros, eu era apenas o cuidador de cavalos que por bondade do meu chefe sempre me solicitava a companhia, realmente nunca fui do tipo que me encantava por lugares daquele gênero. Lustres brilhantes, carpete vermelho, talheres de prata, copos com pegadores estranhos na parte de baixo, sempre fui um peão simples, o cheiro do celeiro sem me foi mais agradável.

No entanto, em detrimento da minha saudosa aguardente, esta eu ali bebendo champanhe “no alto meio da granfinagem”.  Foi quando entrou naquele bar um peão sujo da viagem, trazendo consigo todo o pó de dias de cavalgada. Com a chegada do inusitado visitante, o silêncio se fez mais do que presente, todos voltaram seus olhares para a porta que se fechava atrás do infeliz novo usuário daquele rico oxigênio. Em silêncio pediu um copo americano de pinga e sentou no balcão.

Na mesa ao meu lado levantou o almofadinha, filho de grande fazendeiro da região, famoso rei do café, sem medo de ser ouvido por todos pestanejou ao proprietário: - eu tenho má fé, quando um caboclo que não se enxerga, num lugar desse vem pôr os pés, senhor que é o proprietário deve barrar a entrada de qualquer e principalmente nessa ocasião, que está presente o rei do café!

Conhecido em toda a região, logo todos lhe salvaram palpas, “gritando viva pro fazendeiro, quem tem milhões de pés de café por esse rico chão brasileiro, sua safra é uma potência no nosso mercado e no estrangeiro” por isso disse: - esse ambiente não é pra qualquer tipo rapero.

Com um gesto bem cortês responde o peão pra rapaziada: - “essa riqueza não me assusta, topo e garanto qualquer parada! Pra cada pé desse café eu amarro um boi da minha invernada e pra encerrar o assunto eu garanto, que ainda me sobra uma boiada”

Foi um silêncio profundo peão deixou o povo mais pasmado, pagando a pinga com mil cruzeiro, disse ao garçom pra guardar o trocado!

“- quem quiser meu endereço que não se faça de arrogado e só chegar lá em Andradina e perguntar pelo Rei do Gado”

Atillas Felipe Pires – Uma homenagem!
28\08\2018

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Até a próxima parada



A partida do meu carro sempre demora pra pegar
Normalmente na terceira ou quarta vez
Mas quando o motor liga e a gasolina preenche o lugar
O v8 sai cantando pneu me fazendo flutuar

As curvas tortas das estradas que frequento
Quase sempre fazem meu motor antigo atingir potencia máxima
Eu acelero e vou além, sempre com o pé bem fundo
Esperando logo ali, todo o inesperado que se vem

Ao meu lado no banco do passageiro
Eu levo meu violão, meu caderno de anotações e quase nada em dinheiro
Amarrado no retrovisor meus amuletos
Apanhadores de sonho, Deuses brancos e Negros
No banco traseiro, um agasalho, um edredom um travesseiro
Eu paro em qualquer lugar, o céu é meu telhado, qualquer ponto fixo é passageiro

E quem irá dizer o que vou encontrar na próxima parada
Um amor, um novo Deus, vomito numa privada ou nada
O sol queima bem forte o asfalto, fazendo ondas de miragem
Sigo sempre em linha reta, sem destino, seguindo viagem
Minha preocupação é a contagem do traçado da estrada
O que me mantem lucido, além da minha água embriagada
No final da linha quem sabe, eu te encontre
E no céu da sua boca, eu vislumbre uma noite estrelada
Que termine numa manhã ensolarada
Posso encontrar isso, vomito numa privada, ou nada

Sinto o vento batendo forte, eu nunca fecho os vidros
Sozinho sigo pensando ligando o som
Tratando muito bem os meus ouvidos
Já que nunca fui do tipo que se preocupou muito com o fígado

Que minha alma proclame o meu querer
Enquanto eu mesmo desisto de saber o que vai ser
Que meu espirito livre não flutue em vão
Que seja leve para tocar as estrelas
Sem se desprender do chão

O cheiro de gasolina encharca minhas barras jeans rasgadas
Eu não ligo, eu sou assim, é assim que sou comigo
Quase nunca coloco faixas em minhas chagas
Que assim seja enquanto for
Se não
Que a privada esteja limpa na próxima parada

Atillas Felipe Pires
21\06\2018

quarta-feira, 6 de junho de 2018

A triste história do homem pedra





Era um homem     
Muito engraçado
Era tão duro
Vivia armado
Ninguém podia
Dar um abraço
Por que o homem
Não tinha um pedaço

Ninguém podia
Namorar ele não
Por que o que faltava
Era o coração
Ninguém podia
Lhe causar dor
Por que o homem
Não tinha amor

Mas era feito
Com muito esmero
Cimento forte
Na alma zero

Atillas Felipe Pires
06\06\2018

A triste história do homem de lata





Era um homem
Muito engraçado
Era magrinho
Vivia gripado
Ninguém podia
Amar ele não
Por que o coração
Era de latão

Ninguém podia
Sentir seu cheiro
Por que o homem
Era maloqueiro
Ninguém podia
Fazer carinho
Por que o homem
Era sozinho

Mas era feito
Com muito esmero
Na forja fogo
Na vida zero

Atillas Felipe Pires
06\06\2018



terça-feira, 5 de junho de 2018

Positivamente se move a minha mente



Cuidado para não se perder nas cinzas da rotina
Lembre-se de ver o sol
Essa luz que você não se lembra mais
Essa mesmo que se esconde atrás dessa cortina

Afaste para longe a nevoa cinza dessa neblina
De toda essa loucura que ocupa o seu dia
Que ofusca sua retina
Aperte o pause e olhe para o lado
Veja o verde sendo tocado por esse dia ensolarado
Agradeça pelas folhas no chão e pelo céu em constelação
Abra a janela e veja que dia lindo
Abra os olhos e sinta essa energia te colorindo
Por que o cinzeiro usual que ocupa o jornal
Só avança no caos e prega as armadilhas do mal
O mal esta no dia não vivido, no sol não visto
O mal está na falta de apreciação do banal
Aquilo que não se vê todos os dias pendurado no varal
Nessa linha esticada das oito as cinco
Preste atenção na pessoa na cadeira ao lado
Elogie o seu brinco lindo
Preste atenção nos dedos dela, e olhe que são cinco
Um abraço, um sorriso
Um oi, um bom dia
Pense você, como é bom ouvir isso
Um abraço, um sorriso
Um oi, um bom dia
Seja assim hoje
Seja assim todo dia

Atillas Felipe Pires
05\06\2018