terça-feira, 20 de março de 2012

ARTISTA


Ela foi feita, sem pretensão
Num carnaval qualquer, num beco ou qualquer breu
Seu pai, nunca foi seu
Sua mãe se esqueceu
Água e educação nunca lhe deu.
Assim cresceu e viveu, sem rumo nesse mundo sofreu
Viveu, se aborreceu, seu mundo, sem Deus do céu
Veio e se foi, transgrediu o espírito sem véu
Uma artista perfeita, uma voz com efeito violeta
 Ela correu e se escondeu, num muro mal feito
Tirou dum buraco perfeito, o prego que lhe serviu de arma
Passou os cães, farejando, buscando
Sua vida, sua energia, sua droga na sola
Nessa guerra sem pistola
Ela sobreviveu, ajudada por demônios noturnos
Vermes perigosos, maldito carniceiros
Ela viu a noite brilhar, sem teto naquele lugar
Conheceu em volta de uma fogueira, mágicos feiticeiros
Lhe deram algo, lhe deram vida, lhe deram luz no escuro
Aquela bebida desceu rápido e doce
Sem ver, sem sentir, viu-se num mundo impuro
Rejeitou o aceitável, e num golpe um furo
Correu e mais uma vez se escondeu
Cães latem, correntes quentes de ódio, a construção invadem
Ela esta no alto, vendo o baixo lá embaixo
Olha para o lado, os feiticeiros a olham com olhos de fogo
Sem rumo sem forro, o céu se apresenta negro e brilhante
Com a pele branca que lhe veio dos pais ingratos
Cabelos vermelhos pela rebeldia, e olhos como diamante
De um lado o impuro, do outro mordidas
Na sola a saída, no ar solução
Deitou-se para cair, mas ao contrário subiu
Algo se foi, ela nem viu
O vento fez voar seus cabelos lisos pela tecnologia
A tatuagem do equilíbrio em letras gregas
Pegou fogo em sua pele branca
Mais quente que dez mil fogueiras
Um grito de dor, com sabor
Um vôo mitológico, ao mundo não acreditado
Os feiticeiros urraram
Os cães mais alto, não latiram, bradaram!
Aquela luz veio do céu
Seus olhos de diamante, virou mel
Certeiro e flamejante
Ela voltou-se para o chão, com seu olhar
Que dessa fez, sem medo foi cortante
As vibrações, tentações, alucinações
Os magos viraram fumaça e só
Os cães, se transformaram numa mesa cheia do branco pó
Ela se viu num quarto de hotel
Onde o teto abria-se e mostrava-se o céu
Aquela jarra cheia dum liquido forte
Estava quase vazia
Mais uma vez, mais um dia, extravasou demais sua alegria
Era tudo fantasia
Ela voltou-se para as letras do show
Mais 15 min ali, quase uma hora se atrasaria
Entrou e cantou
Todo mundo vibrou
E do seu chato mundo real, ela mais uma vez provou.

Atillas Felipe Pires
05/03/2012

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