quarta-feira, 28 de novembro de 2012

E quando a luz te toca..
Tão óbvio assim
Seu brilho por instantes rápidos retorna
E como uma lembrança viva
Faz bem, bem pelo bem passado
E quando a luz te toca..
Mesmo sem querer
Um acaso do bem querer
A lembrança viva se mostra viva
E te intriga..sim, te intriga.
Concorda, lembrança viva?

Atillas Felipe Pires
28/11/2012

domingo, 25 de novembro de 2012

A sorte quem sabe
Caminha ao meu lado
Sempre em paralelo
Sem cruzar o meu caminho
Não entendo!
E você o que sabe?

A sorte ao meu lado tem azar
Que vem que passa
Sem o meu caminho cruzar
Mas vem, mas passa
Mesmo assim
Sem nunca ser de graça
Vejo ao meu lado muito sucesso
Vejo também muita desgraça
Respiro todo tipo de ar
Sujo, santo, bonito, horrivel
Respiro todo o ar que passa
Com ou sem a santa graça

Dois, três, quase quatro anos
Quatro, três, dois, um
Fácil assim
Com você tudo resumido
É quase nenhum

Sinto que a renovação planejada
Significa muito mais que isso
Quem vai saber
O que isso tudo significa pra mim
Dores casuais
Exemplo em felizes casais
E tudo se traduz em fim
Tudo enfim se traduz o fim

O tempo é rei nesse tempo
Passa sem pedir licença
Te ganha te seduz, sai pela porta da frente
Apagando a luz
Levando a sua luz
E quando a mim?
Eu vejo assim
E você o que sabe?

Vamos para frente
Sen rumo, mas adiante..
Fantasiado bem-sucedido
Nem tudo esta perdido
Ser racional
Nesse mundo transvertido
Compre meu sorriso, meu amor
Leve minha vida, minha dor, meu terror
A sinceridade artistica
A fidelidade brilhante e intacta
Ou ao seu ver
Não leve nada
Ou quase nada.

Atillas Felipe Pires
25/11/2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sol da meia noite, vampiros, nada!

Sentados numa lanchonete, comendo batata frita e bebendo cerveja quente:
- sabe o cotidiano?
- o que?
- o cotidiano cara, essa coisa de fazer sempre a mesma coisa..entende?
-rotina?
-não cara, o cotidiano, o lance de deixar as coisas irem acontecendo, dançar conforme a musica, ser alegre com a vitoria da seleção, chorar com a morte da Webe essas coisas..
-você bebeu muito, melhor irmos pra casa!
-..então, eu estava pensando nisso, pensando nessa parada de cotidiano, você olha para as pessoas daqui, pra todo mundo nessas mesas, aquele ali, ali com aquela maleta na cadeira do lado mexendo no celular esperando seu café, esse cara deve ser um filha-da-puta que nem sabe que é um filha-da-puta, um cara que senta sozinho numa lanchonete só pode ser um grande filho-da-puta!
-eu já fiz isso, varias vezes..
-mas é diferente cara, você não entende? Olha pra ele..
-sim, o que tem?
-ele esta aqui por que não quer ir pra casa, ele poderia tomar café em casa se tivesse vontade de ir pra casa, são 20h da noite, que maluco com pinta de pai de família, estaria sozinho numa mesa? Ele só pode ser infeliz, e sua casa deve ser seu terror..não tem explicação cara!
-já pensou na hipótese de que ele quer tomar um café? Apenas?
-nada é simples..
-..as vezes é sim, nós que complicamos sem precisão, same times..
-prefiro acreditar que não..
-e por que falar disso? Você é louco..deixa o camarada fazer o que bem entender da vida dele..qual seu interesse num suposto advogado ou vendedor de seguros, sentado sozinho na porra de uma lanchonete suja?
-gosto de observar e analisar as inúmeras possibilidades quanto a vida das pessoas, pra eu ver o que não posso fazer..o que não posso me tornar!
-você decide o que vai ser ou não ser, por meio de uma observação imaginária, sustentada em possibilidades infinitas, das quais nunca terá a certeza de qual esta certa?
-...??? Porra! Me confundiu pra caralho agora..
-não, fui simples, fui óbvio..
-maybe!
-quando foi que começamos essa merda de colocar temos em inglês no meio das nossas conversas, que coisa gay!
-já esqueceu do seu suposto, advogado ou vendedor de seguros infeliz, que traí sua mulher ou que não quer voltar pra casa por que teve um dia supostamente ruim e que supostamente possa te ensinar o que supostamente você não deve ser?
- agora sim você me confundiu pra caralho!
-foi quando começamos e não terminamos aquele curso por correspondência no ano passado.
- o que?
-os termos!
-que termos porra?
-os termos em inglês no meio da frase!
-ahhh..certo! mas que porra..você não consegue manter a porra de uma conversa de cada vez!?
-sim!
-cotidiano! O que você dizia mesmo?
-não lembro!
-então por que diabos me pede para manter uma conversa  se você não consegue terminar merda nenhuma que começa a falar?
-tenho prova essa semana!
-qual matéria?
-não sei!
-very good!
- pára com essa merda cara!
-ok
-sabia que na Nova Zelândia em algumas épocas faz sol durante a noite?
-sabia!
-maneiro né!
-sim, interessante.
-certeza que vampiros iam se dar mal por lá, imagina só, criaturas noturnas vivendo num lugar onde não há noite, seria o fim pra eles.
-cara, os vampiros não existem!
-eu sei que não, mas se existissem cara..com certeza não escolheriam a Nova Zelândia para morar.
-acredito que não!
-nunca entendo por que os filmes de vampiros se passam em Los Angeles..
-pra mim eles deveriam viver no Pólo norte ou sul sei lá, onde em algumas época fica noite por dias..imagine só, poderiam ficar o tempo todo andando atoa, e como não dormem, eles tocariam o terror nos esquimós!! Kkk
-você é louco, a única explicação que me vem a cabeça nesse momento, louco pra caralho!
-of couse!
-não é assim que se fala idiota.
-ok! Thanks.
Atillas Felipe Pires
19/11/2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Cotidiano

Seja louco volto, inacabado ser
Seja sério, sincero, seja você
Ou o que quiser ser
Seja vida, seja morte, seja o que for
Mas seja pra valer

Todo resto é pouco
Mesmo sendo muito quando o muito sobra
Analítica postura, sincera e agradável
Não vá se esquecer do seu corpo maquiado
Nem da sua roupa bem passada
Tudo fachada
Barba bem feita, cabelo penteado, perfume um pouco caro
Pensamento afiado
Pouco, bem pouco vocabulário complicado


E ao seu lado alguém diz baixinho para todos ouvir:
Compre um carro novo
Sua aparência não convence, convença
Fale inglês
Vá enfrente, alegre burguês
Fique sem dormir, e apareça no outro dia
Sem se esquecer de sorrir
Vê se não bebe dessa vez
Te garanto no final, estará bem depositado
Na sua conta todo o salário combinado
E no seu coração uma esperança de um dia mandar
Enquanto isso..faça o que eu mandar
E não vá se atrasar

Tudo que é perfeito, nesse mundo imperfeito
É injusto, é caro, é raro e não tem na feira
Tudo que é perfeito, nesse mundo imperfeito
Se compra, se conquista no sangue na cobiça
Na correria, na canseira
Se vende, se apreende, se procura, localiza
Nessa minha reflexão não tenho mais razão
Apenas um pouquinho de inquietação
De Marx a Hitler, entre o certo e o errado
Há um pouco de alienação da sua parte
Eu sei, isso também faz parte
Dessa louca, e estranha oração
De tudo que procuro
Nada que encontro é o certo no momento certo
O tempo nos trai com pequenas frações
De amor, sabor, tem doce, amargo, frio, gelado
Sangue quente, saliva boa, olhe para mim
Olhe para ele, olhe para cá, olhe para outro lado
Ou não faça nada, assuma sua posição inicial
Fique aí parado


Eterno ser maldito, é fera é bandido
Não importa esse conceito
Se tudo que é preceito, o que deve ser feito
Nos é apresentado pela metade
E ao fim todos dizem, é só questão de idade
Perfeito, satisfeito, bem feito, pouco feito
Seu pedido não foi feito
Olhe bem, análise esse contexto
E é assim que seguimos nesse circulo imperfeito
Você viu bem as letras pequenas no final do cardápio?
É caro, é raro e não tem na feira
De feira em feira, você foi buscar trabalho
Salário, prato raso, sem comida por acaso
Na TV você pára e vê
Um gordo salafrário
E inveja o seu salário
Lendo as notícias urbanas, na tela do trabalho
Ocupando seu tempo ocupado
Com falta de produtividade
Otário mal pago, flagelado sorridente
Tem café, tem bolachinha
Tem circo, tem pão tem vinho
Mas a noite você chora no seu quarto
Pensando na conta bancário
Você tem, filhos, esposa
Mas esta sempre sozinho
Não importa, se seu reflexo no espelho estiver sorrindo
Mesmo refletindo o mundo ideal
E não o real
O ideal não o real
Entende, ou precisa participar de um bacanal?
Pararam de matar em São Paulo
Ou alteraram o Jornal?
Nada a ver eu sei
Foda-se.

Atillas Felipe Pires
14/11/2012

IDKnow

Ei, este é o meu melhor dia
Não sei, mas isto é tudo o que te diria
Vem, chega mais perto, me abrace e me diga:
“eu sou a razão para este seu melhor dia”
Não há o que dizer, nem o que pensar
Deixa prá lá então
Deixe o fim do mês chegar
Mas hoje, hoje é o meu melhor dia
Vem pra perto, chegue devagar
É assim que as coisas acontecem
É assim que devemos seguir
Seguir bem devagar, plantar e caminhar
E eu te digo, amor
Você me diz oi
E eu te digo, é cheiro, e dor, clamor passado
E a resposta vem num tom inflamado
Um beijo, um desejo
Um sussurro mal feito
Um feitiço produtivo, um zumbido no ouvido
Nada mais de flagelado
Eis o amor de um condenado
Que vive o seu melhor dia
Num melhor dia de alguém que vem
Simplesmente inexistente
Ei, esse é o meu melhor dia
Ele olhava em seus olhos e dizia:
Santidade massificada é corda de ouro em pescoço de espantalho
A perola aos porcos de uma parábola
Cruzificados ensinamentos
Textos antigos em frangalho
Ela respondia: E o amor!?
Nada tem a ver com isso meu amor
Mas é amor também
Quem diria, olha o que te convém
Retém, ou tem, não tem
Não importa, abra a porta e pra minha cama vem
E ele diz: Se é assim, tudo bem!
Sem maiores conversas, nem mais nada para impressionar
Foi suficiente, pra sentir seu ar
Balão no ar
Festa no bar
Nada mais importa, quando sua vida é toda torta
Mesmo assim
Ainda esta no seu melhor dia
Ei, este é o meu melhor dia
Que alegria, que fantasia
Que melancolia
Vamos nos cansar noite e dia
Sexo, maluquice sem fim, eterna orgia
E ela diz: Que abuso meu bem
Não importa, vidas secas meus irmãos
Se for assim, ok, pode entrar, vem
Mas eu não disse meu amor
Não importa, me cheire como flor
Não importa, eu quero sentir dor
Você não tem pudor
Eu sei
Você é pobre
Eu sei
Não tenho nada
Ou quase nada
Ou quase nada

Atillas Felipe Pires
14/11/2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

NADA

Tem sombra nessa noite
Há tem, tem sim
A vida vira noite em mim
Meio que de repente
Se é que me entende
Vira noite meio assim
E no uso abusivo das minhas drogas sociais
Me vejo perdido em conventos surreais
Outros loucos por aí
Participando dos mesmos sorrisos
Das mesmas noites sem nada a acrescentar
Sem nada a mais
Das reuniões de auto-ajuda
Onde há sempre algo no gelo
Ou no tempero
Há algo embalado quem sabe
Pra quem gosta, você sabe
E eu continuo indo
Como devo seguir sorrindo
Se é que me entende
Vira noite meio assim
E no uso abusivo das minhas drogas sociais
Um acréscimo na idéia
Só isso, e nada mais
E a anestesia que por fazer mal
Nos faz sentir bem
Que te invade sem permissão
Adormece e estremece
Depende do seu gosto
Do seu sabor quem sabe
Não escolha uma profissão
Antes de escolher a personalidade que lhe banha
O desejo material
Não importa
Quando sua mente trabalha no automático
Sem sentido real, ou sem sonho de metal
As escolhas certas nos momentos errados
Ou vai em frente na adolescência comovente
Ou para e pensa, sem se importar com mais nada
Que não seja
Responder a você mesmo: Quem você é?
Que tom alegremente
Que força no tridente
Queima, queima..
Mas você, que deve me entender
Lê, lê e não me entende
E eu estou aqui
Vira noite meio assim
E no uso abusivo das minhas drogas sociais
Me vejo perdido em conventos surreais
Esperando a minha vez
De contribuir com algo mais
Te ajudar quem sabe
Me ajudar, vai saber
E vem, vem me escolher
Saia dessa história que não é sua
Saia de casa
Freqüente um pouco mais a rua
E volte para entender
O que deixou tudo isso te prender
Da liberdade que emana do jovem periférico
Da liberdade da pobreza
Da liberdade que não tem preço
Não tem começo
Não tem fim e não tem meio
Não há conceito
Não há jurídico preceito
Eu faço com você, o que quiser
e essa minha escrita confusa
não te leva a nada
mas se pensarmos no nada
como apenas nada
há uma imensidão de espaço
livro aberto, papel em branco
e essa liberdade não se traduz
não tenho linhas a seguir
nem assunto traçado
tenho nada e isso é tudo
com meu nada que não diz nada
te digo bem mais do que imagina
quando não entende
mas se surpreende a cada rima
e nesse nada, de fato não há nada
nem história, nem conselho
nem amor, nem ódio
nada branco nada vermelho
é nada como deve ser
e desse nada, sua imaginação volta a existir
sem nada que a mude
apenas as palavras sem nexo
que desatrofia um pouco, esse emaranhado sem sucesso
que preenche sua cabeça
trabalho, carro, brinquedo caro, filme, série
livro, amor, ódio, calma, paz, mistério
tudo que há, do bom ao péssimo
e não há, neste fim nada
nada por que não falei nada
mesmo assim, pra você houve uma fagulha
pilha
e assim, chega o fim
assim, sem nada
do nada
eis o
fim.

Atillas Felipe Pires
12/11/2012

E quando a alma chora
Cansada, abandonada
E você olha pro lado
Não tem amor, não tem nem dor
Para o seu desespero
Não tem nada
E pede um surpiro divino
Sente aquela paz omeopática
Mas serve, sempre serve
E você olha pro lado
Não tem amor, não tem nem dor
Para o seu desespero
Não tem nada
Nada.

Atillas Felipe Pires
12/11/2012

domingo, 4 de novembro de 2012

Pare um pouco
Análise melhor
Olha essa correria
Olha sua vida indo sem dó
Pare para pensar, pare para andar
Pare de correr
Pare de se esconder
E viver como num teatro
Seu trabalho, sua família, sua namorada, seu namorado
Nem te conhecem, mas te consomem
Não sabe sequer o que passa na sua cabeça
Quando você pensa por pensar
Sem nada que vise te regrar
Pare por um minuto para ser você
E aprender que o importante não é cortar as asas
É se educar para saber voar
Ser livre sem peso
Ser livre e só
Ser livre sem ter dó
Flutuar sem pensar no que vai pisar quando aterrissar
Ser você, nem que for por um momento
Ser você sem impedimentos
Ser você como você é quando bebe
Mas é julgado e condenado sem direito a defesa
Moralmente inaceitável, ser você, mesmo que numa noite
Escondido sob luzes brilhantes
Sempre tem alguém de olhos faiscantes
Te olhando, te encarando
Tem alguém nesse instante
Em algum lugar esperando o seu sucesso
Que nada tem a ver com o seu sucesso
Mas você não sabe escolher
Prefere fingir, prefere deixar de ser
Prefere vencer
Vencer numa versão que não é a sua
N um conceito para o mundo perfeito
Mas para você cheio de defeito
Seu mundo não é seu
Mas é o mundo que você quer ganhar
Quando alguém se aproxima e diz
Não deixe de estudar
Não pare de trabalhar
Vá enfrente, ganha sua casa, compre uma mulher
Faça filhos, e tenha um altar onde descansar
E dentro da sua mente muitas coisas vão passar
A festa que não foi, o carro que não comprou
A viagem sem dinheiro
O amigo bêbado, o primo solteiro
Do bar, você lembrará apenas do cheiro
E aí, verá, que sua vida estava ali
E só você, por vontade própria deixou passar
Vai ver que não volta
Que nunca vai voltar
E você vai estar deitado, com dinheiro
E nada mais ao redor
Mais a vida
Sua vida você deixou passar sem dó
Por acumulo, por exagero
Deixou passar por passar
De qualquer jeito
E agora vê que não tem jeito
Fez as escolhas certas da época
Mas não foi o bastante
O caminho da esquerda era o melhor
Mas você sempre foi pela direita
Agora
Vê tudo passar, e sonha em ver um filme
De como seria se fosse pelo outro lado
Mas não,
Não da
Agora não da
Chega de planejar
Chega de comprar, chega de acumular
Vamos viver
Vamos viver
A vida passa bem rápido, sem ver ela pode passar
E quando você acordar
Eis, rápido e cortante
O fim.

Atillas Felipe Pires
04/11/2012