Seja louco volto, inacabado ser
Seja sério, sincero, seja você
Ou o que quiser ser
Seja vida, seja morte, seja o que for
Mas seja pra valer
Todo resto é pouco
Mesmo sendo muito quando o muito sobra
Analítica postura, sincera e agradável
Não vá se esquecer do seu corpo maquiado
Nem da sua roupa bem passada
Tudo fachada
Barba bem feita, cabelo penteado, perfume um pouco caro
Pensamento afiado
Pouco, bem pouco vocabulário complicado
E ao seu lado alguém diz baixinho para todos ouvir:
Compre um carro novo
Sua aparência não convence, convença
Fale inglês
Vá enfrente, alegre burguês
Fique sem dormir, e apareça no outro dia
Sem se esquecer de sorrir
Vê se não bebe dessa vez
Te garanto no final, estará bem depositado
Na sua conta todo o salário combinado
E no seu coração uma esperança de um dia mandar
Enquanto isso..faça o que eu mandar
E não vá se atrasar
Tudo que é perfeito, nesse mundo imperfeito
É injusto, é caro, é raro e não tem na feira
Tudo que é perfeito, nesse mundo imperfeito
Se compra, se conquista no sangue na cobiça
Na correria, na canseira
Se vende, se apreende, se procura, localiza
Nessa minha reflexão não tenho mais razão
Apenas um pouquinho de inquietação
De Marx a Hitler, entre o certo e o errado
Há um pouco de alienação da sua parte
Eu sei, isso também faz parte
Dessa louca, e estranha oração
De tudo que procuro
Nada que encontro é o certo no momento certo
O tempo nos trai com pequenas frações
De amor, sabor, tem doce, amargo, frio, gelado
Sangue quente, saliva boa, olhe para mim
Olhe para ele, olhe para cá, olhe para outro lado
Ou não faça nada, assuma sua posição inicial
Fique aí parado
Eterno ser maldito, é fera é bandido
Não importa esse conceito
Se tudo que é preceito, o que deve ser feito
Nos é apresentado pela metade
E ao fim todos dizem, é só questão de idade
Perfeito, satisfeito, bem feito, pouco feito
Seu pedido não foi feito
Olhe bem, análise esse contexto
E é assim que seguimos nesse circulo imperfeito
Você viu bem as letras pequenas no final do cardápio?
É caro, é raro e não tem na feira
De feira em feira, você foi buscar trabalho
Salário, prato raso, sem comida por acaso
Na TV você pára e vê
Um gordo salafrário
E inveja o seu salário
Lendo as notícias urbanas, na tela do trabalho
Ocupando seu tempo ocupado
Com falta de produtividade
Otário mal pago, flagelado sorridente
Tem café, tem bolachinha
Tem circo, tem pão tem vinho
Mas a noite você chora no seu quarto
Pensando na conta bancário
Você tem, filhos, esposa
Mas esta sempre sozinho
Não importa, se seu reflexo no espelho estiver sorrindo
Mesmo refletindo o mundo ideal
E não o real
O ideal não o real
Entende, ou precisa participar de um bacanal?
Pararam de matar em São Paulo
Ou alteraram o Jornal?
Nada a ver eu sei
Foda-se.
Atillas Felipe Pires
14/11/2012