Tem sombra nessa noite
Há tem, tem sim
A vida vira noite em mim
Meio que de repente
Se é que me entende
Vira noite meio assim
E no uso abusivo das minhas drogas sociais
Me vejo perdido em conventos surreais
Outros loucos por aí
Participando dos mesmos sorrisos
Das mesmas noites sem nada a acrescentar
Sem nada a mais
Das reuniões de auto-ajuda
Onde há sempre algo no gelo
Ou no tempero
Há algo embalado quem sabe
Pra quem gosta, você sabe
E eu continuo indo
Como devo seguir sorrindo
Se é que me entende
Vira noite meio assim
E no uso abusivo das minhas drogas sociais
Um acréscimo na idéia
Só isso, e nada mais
E a anestesia que por fazer mal
Nos faz sentir bem
Que te invade sem permissão
Adormece e estremece
Depende do seu gosto
Do seu sabor quem sabe
Não escolha uma profissão
Antes de escolher a personalidade que lhe banha
O desejo material
Não importa
Quando sua mente trabalha no automático
Sem sentido real, ou sem sonho de metal
As escolhas certas nos momentos errados
Ou vai em frente na adolescência comovente
Ou para e pensa, sem se importar com mais nada
Que não seja
Responder a você mesmo: Quem você é?
Que tom alegremente
Que força no tridente
Queima, queima..
Mas você, que deve me entender
Lê, lê e não me entende
E eu estou aqui
Vira noite meio assim
E no uso abusivo das minhas drogas sociais
Me vejo perdido em conventos surreais
Esperando a minha vez
De contribuir com algo mais
Te ajudar quem sabe
Me ajudar, vai saber
E vem, vem me escolher
Saia dessa história que não é sua
Saia de casa
Freqüente um pouco mais a rua
E volte para entender
O que deixou tudo isso te prender
Da liberdade que emana do jovem periférico
Da liberdade da pobreza
Da liberdade que não tem preço
Não tem começo
Não tem fim e não tem meio
Não há conceito
Não há jurídico preceito
Eu faço com você, o que quiser
e essa minha escrita confusa
não te leva a nada
mas se pensarmos no nada
como apenas nada
há uma imensidão de espaço
livro aberto, papel em branco
e essa liberdade não se traduz
não tenho linhas a seguir
nem assunto traçado
tenho nada e isso é tudo
com meu nada que não diz nada
te digo bem mais do que imagina
quando não entende
mas se surpreende a cada rima
e nesse nada, de fato não há nada
nem história, nem conselho
nem amor, nem ódio
nada branco nada vermelho
é nada como deve ser
e desse nada, sua imaginação volta a existir
sem nada que a mude
apenas as palavras sem nexo
que desatrofia um pouco, esse emaranhado sem sucesso
que preenche sua cabeça
trabalho, carro, brinquedo caro, filme, série
livro, amor, ódio, calma, paz, mistério
tudo que há, do bom ao péssimo
e não há, neste fim nada
nada por que não falei nada
mesmo assim, pra você houve uma fagulha
pilha
e assim, chega o fim
assim, sem nada
do nada
eis o
fim.
Atillas Felipe Pires
12/11/2012
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