quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ritmo Mohamed Ali

Você nunca andou no parapeito de um pontilhão 
Nunca sentiu vontade de voar sem cair no chão 
Você jamais teve coragem de embriagar-se de pensamento 
A doce e dolorosa ilusão de acreditar que a vida é bem mais que um tiro curto 
Um sussurro rápido 
Um grito de lamento 
A trilha sonora do seu filme favorito tocando, enquanto se é surdo 

Noites cálidas e terríveis sensações de ação falha 
Um corte profundo nessa carne 
Tanto faz ou tanto fez 
O que importa é ser o cara da navalha 
O que importa é ser sempre o cara da vez ( o cara que fez) 

E as faixas brancas desse asfalto escuro nunca terminam 
Sempre iguais, sempre rápidas 
Você nunca as percebeu por que sempre estão ali 
Por isso a presença não deve ser constante 
Hoje acordei com síndrome pugilista e vim para bater 
No ritmo Mohamed Ali 
Decisões precisas e repetidas 
Hoje nem preciso mais escrever 
É só sentar e assistir 
Toda essa magoa pelas paredes descer 
Daqui pra frente é assim que vai ser 

Enquanto todos buscam encontrar uma razão 
Eu só quero um pouco mais de bares 24h 
Sou viajante de balcão 
Levo comigo quase sempre as sujeiras dos lugares que frequento 
Sem lamento 
Sem sofrimento 
Enquanto ali na esquina vejo pessoas tentarem entender o que não foi feito pra entender 
Minha compreensão é limitada 
Eu só quero mais uma pitada 
E que dure bem mais esse ultimo trago 
Ir sempre na contra-mão de qualquer tipo de sentimento 
Até que chegue o meu momento 
Liberdade antes que tardia 
Escrevo em letras de mão nesse espelho imundo 
Enquanto contemplo essa minha face arredia 

E nas trilhas desse dia que nunca termina 
Desenhei minha melhor forma 
Desenhei minha vida como sempre sonhei 
Desde então nunca me arrependi 
E nunca irei 
Eu não acertei 
Eu não errei 
Por que não existe certo ou errado 
As coisas são o que são 
No final estamos todos ferrados 
E o término brindará um copo quebrado no chão 
O cenário ideal para mais uma experiência sem igual 
Ou tudo igual 
Quebraram-se as amarras do meu varal 

E até que chegue o que tem que chegar 
Vou desbravando esse caminho virgem 
Com minhas armas sempre a mão 
E a cada nova luz que se apresenta 
Sinto brilhar o castanho claro dos meus olhos 
Como faz um filme, uma nova canção 
O que me cativa pelo riso 
Pelo riso que se mostra em meu rosto 
Não no oposto 

Atillas Felipe Pires 
25/11/2014 

Nenhum comentário:

Postar um comentário