Você nunca andou no parapeito de um pontilhão
Nunca sentiu vontade de voar sem cair no chão
Você jamais teve coragem de embriagar-se de pensamento
A doce e dolorosa ilusão de acreditar que a vida é bem mais que um tiro curto
Um sussurro rápido
Um grito de lamento
A trilha sonora do seu filme favorito tocando, enquanto se é surdo
Noites cálidas e terríveis sensações de ação falha
Um corte profundo nessa carne
Tanto faz ou tanto fez
O que importa é ser o cara da navalha
O que importa é ser sempre o cara da vez ( o cara que fez)
E as faixas brancas desse asfalto escuro nunca terminam
Sempre iguais, sempre rápidas
Você nunca as percebeu por que sempre estão ali
Por isso a presença não deve ser constante
Hoje acordei com síndrome pugilista e vim para bater
No ritmo Mohamed Ali
Decisões precisas e repetidas
Hoje nem preciso mais escrever
É só sentar e assistir
Toda essa magoa pelas paredes descer
Daqui pra frente é assim que vai ser
Enquanto todos buscam encontrar uma razão
Eu só quero um pouco mais de bares 24h
Sou viajante de balcão
Levo comigo quase sempre as sujeiras dos lugares que frequento
Sem lamento
Sem sofrimento
Enquanto ali na esquina vejo pessoas tentarem entender o que não foi feito pra entender
Minha compreensão é limitada
Eu só quero mais uma pitada
E que dure bem mais esse ultimo trago
Ir sempre na contra-mão de qualquer tipo de sentimento
Até que chegue o meu momento
Liberdade antes que tardia
Escrevo em letras de mão nesse espelho imundo
Enquanto contemplo essa minha face arredia
E nas trilhas desse dia que nunca termina
Desenhei minha melhor forma
Desenhei minha vida como sempre sonhei
Desde então nunca me arrependi
E nunca irei
Eu não acertei
Eu não errei
Por que não existe certo ou errado
As coisas são o que são
No final estamos todos ferrados
E o término brindará um copo quebrado no chão
O cenário ideal para mais uma experiência sem igual
Ou tudo igual
Quebraram-se as amarras do meu varal
E até que chegue o que tem que chegar
Vou desbravando esse caminho virgem
Com minhas armas sempre a mão
E a cada nova luz que se apresenta
Sinto brilhar o castanho claro dos meus olhos
Como faz um filme, uma nova canção
O que me cativa pelo riso
Pelo riso que se mostra em meu rosto
Não no oposto
Atillas Felipe Pires
25/11/2014
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