Experimentei o retorno
dos meus fones de ouvido
Depois de um tempo que
os tinha perdido
Resolvi desempoeirar
minhas antigas melodias esquecidas
No fundo da gaveta
trancada com as chaves da minha rotina
Mirei para o lado
esquerdo a minha retina
Minhas botas
desamarradas graças a Deus ainda estão velhas
E o couro desbotado
Hoje experimentei meu
outro lado
Aquele que ainda não
foi furtado
Então levante-se
menina e vem pra rua
O sol esta quente mais
nossos pais nos deixam sair depois das 16h
Ficar sem fazer nada,
andar sem pretensão
Apenas pelo prazer da
ação de não ter obrigação
E nossos dias não
podem mais ser contados
As horas não valem
nada quando não se faz nada
E o valor nunca mais
estará no tempo apontado na planilha de controle
Estou no controle
Então venha comigo
menina
Levanta e vem pra rua
Essa liberdade é minha
Assim como minhas
calças rasgadas
Mas também é sua
Assim como meus
desenhos na calçada
Hoje eu amarrei uma
nova pulseira velha
Daquelas que não tiro
E me veio esse estalo
como um tiro
Por isso não me retiro
Não vou sair nem ficar
Hoje experimentei o
retorno dos meus fones de ouvido
O que mais terás a me
dizer
Nesse conto sem ponto
Nessa costura sem
linha
Desse meu eu que nunca
esta na linha, nem deveria
Sentei no sol com meu
novo chapéu estilo blues
Rasguei minhas mangas
mais uma vez
Na melhor posição de
todas, como sempre me pus
Minha liberdade esta
na minha santidade
No meu caderno de “
não quero mais”
Que não carrega mágoas
nem insanidades
Apenas as necessárias
Eu não sou daqui, da
humildade retirei minhas sandálias
Meu amor sempre será
só meu e de mais ninguém
Aquele que me apetece
quando olho no espelho
É quem cuido é quem me
espelho
Minhas botas continuam
velhas
Minhas camisetas
rasgadas
E meus fones nunca me
falaram tantas soluções
Estou de volta a
melhor forma
Estou em forma
Atillas Felipe Pires
01/01/2015
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