quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Perspectivas



Aquele corredor nunca foi tão longo
A amargura que o aguardava atrás daquela porta tornava aquele o caminho para a dor
Ele tentou lembrar onde foi que esqueceu todo aquele amor
Como as coisas puderam mudar tanto
O que antes o fazia feliz
Agora o faria chorar
Ele já não sentia-se mais feliz ali
Era como estar sozinho mesmo estando acompanhado
Atrás daquela porta estava seu antigo amor
A decisão pra ele foi dura
Mas era hora de acabar
O que mudou tanto assim ele tentou lembrar
Esperava que o fim do corredor não chegasse
Quem sabe ele ainda a amasse
Pensou nos filhos e nos cachorros
Pensou nos hotéis e no seu carro sempre sujo
Havia uma confusão filosófica
Uma espécie de confissão catastrófica
Era o fim

Ela ainda não tinha entendido por que a luz do forno não ascendeu
Já tinha passado os cinco minutos programados
Não suportava a ansiedade pela chegado do seu amor
Passou a tarde preparando um jantar para comemorar o dia dos namorados
Mesmo sendo casados
Desempoeirou o velho livro de receitas
Preparou uma carne com ameixas
Pediu a mãe para ficar com as crianças
Hoje ela era quem queria voltar a infância
Para o dia em que o conheceu
Naquele parque de bairro com 14 anos
A melhor coisa que lhe aconteceu
Ah como ela está feliz
O vinho está gelado o queijo já vem cortado
Jantar a luz de velas para seu amado
Que em 5 ou 10 minutos já está para chegar
Quanta ansiedade que vontade louca de o abraçar e o beijar
Sentir na pele a magia doce que é amar
Como ela ama amar
Aliás quem não ama amar
O sabor doce do toque ao beijar
As brigas bobas que faz tudo ficar melhor quando acaba
O ciumes de brincadeira
As músicas que marcam
A felicidade verdadeira
Ela deixou tudo como ele gosta
Programou do zero ao infinito a noite perfeita
Tanto amor pra ela ele acredita que ela seja a eleita
(ela é a mulher perfeita)

O corredor continua longo
A dor e os pensamentos cinzas o provocam com força
Sente-se como na fila pra forca
Mas já desenhou todas as possibilidades
E o fim é a única saída a única opção que não lhe perfura a blindagem
Nesse ponto ele para no meio do corredor
Encosta a cabeça na parede
Sua garganta parece secar
Mais estranhamente não parece ser sede
Duas batidas seguidas de leve
O que estou fazendo
Algum anjo bom pelo amor me leve
E a caminhada curta e longa continua
A porta cada vez mais próxima
A paixão antes vestida de brilhantes e ouro
Agora está surrada e nua
Os olhos marejados de lágrima
Um toque na maçaneta
O começo do fim, que lástima

O apito do forno tocou
A carne assim como na receita dourou
Tudo caminhando muito bem
Quando o barulho da porta da sala se faz ouvir
Meu Deus chegou o meu motivo de sorrir
Uma corrida até a mesa o prato principal no centro
Um ajuste na rosa de enfeite
Ele entrou
Consigo uma garrafa de vinho
Um sorriso nos rosto
No rótulo do vinho uma colagem especial
O ticket de entrada daquele antigo parquinho
Um abraço longo e apertado
Como eu te amo meu amado
Como com você me sinto amado
Meu sonho dourado
Minha infinita alegria
Que seja essa alegria pra sempre infinita

A maçaneta rolou para o lado esquerdo
Lentamente a chave ele girou
Num impulso quase sem pensar ele entrou
Lá estava ela deitada no sofá
Cabelo desajustado
Com a roupa que acordou
Nada mudou desde cedo, tudo no mesmo lugar
E aí, o que trouxe pro jantar?
Sente aí amor, precisamos conversar
Aquele contexto tornou mais fácil o que tinha pra falar
Chegou só fim
Eu quero terminar

Eles estão por aí
Não existe uma regra nas formas de amar
Só existe aqueles que amam e os que não amam
Que seja feliz
Que seja forte
Enquanto vier para amar

Atillas Felipe Pires
11/08/2015


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