A partida do meu carro sempre demora pra pegar
Normalmente na terceira ou quarta vez
Mas quando o motor liga e a gasolina preenche o lugar
O v8 sai cantando pneu me fazendo flutuar
As curvas tortas das estradas que frequento
Quase sempre fazem meu motor antigo atingir potencia máxima
Eu acelero e vou além, sempre com o pé bem fundo
Esperando logo ali, todo o inesperado que se vem
Ao meu lado no banco do passageiro
Eu levo meu violão, meu caderno de anotações e quase nada em
dinheiro
Amarrado no retrovisor meus amuletos
Apanhadores de sonho, Deuses brancos e Negros
No banco traseiro, um agasalho, um edredom um travesseiro
Eu paro em qualquer lugar, o céu é meu telhado, qualquer
ponto fixo é passageiro
E quem irá dizer o que vou encontrar na próxima parada
Um amor, um novo Deus, vomito numa privada ou nada
O sol queima bem forte o asfalto, fazendo ondas de miragem
Sigo sempre em linha reta, sem destino, seguindo viagem
Minha preocupação é a contagem do traçado da estrada
O que me mantem lucido, além da minha água embriagada
No final da linha quem sabe, eu te encontre
E no céu da sua boca, eu vislumbre uma noite estrelada
Que termine numa manhã ensolarada
Posso encontrar isso, vomito numa privada, ou nada
Sinto o vento batendo forte, eu nunca fecho os vidros
Sozinho sigo pensando ligando o som
Tratando muito bem os meus ouvidos
Já que nunca fui do tipo que se preocupou muito com o fígado
Que minha alma proclame o meu querer
Enquanto eu mesmo desisto de saber o que vai ser
Que meu espirito livre não flutue em vão
Que seja leve para tocar as estrelas
Sem se desprender do chão
O cheiro de gasolina encharca minhas barras jeans rasgadas
Eu não ligo, eu sou assim, é assim que sou comigo
Quase nunca coloco faixas em minhas chagas
Que assim seja enquanto for
Se não
Que a privada esteja limpa na próxima parada
Atillas Felipe Pires
21\06\2018