sexta-feira, 22 de junho de 2012

Proíbido! Não fale..


…troquei cinco cigarros num copo de pinga
Analisei mais a fundo essa noite escura
De bar em bar
Buscando, mais álcool, qualquer coisa sem nexo
Sentimentos complexos demais
Para um mero espectador sonhador

Me falaram que era proibido sem dar um porquê
Despertei de repente, abandonei o uso do pente
Deixei crescer a barba
Curei as rugas com creme de nuvens quentes
Tomei o caminho largo
Segui as placas que estavam apagadas

A madrugada revela seus ares
Quando você esquece da falta que te cerca
E se preocupa apenas em conhecer novos bares
Mais uma dose de uísque..
Traga a saídeira bem gelada
Alegra aí, galera drogada
Alegra aí, minha maluca rapaziada

Num sussuro maluco, sem tom bem feito
Escutei sem saber o que queria dizer:
Tá proibido, proibir
O que foi dito foi dito
Beber sem dirigir
Transar com a mulher do vizinho
Fumar em lugar fechado
A ponta do dedo do diabo

Me mandaram pagar meus pecados
“reze 10 pai-nosso e 15 ave Maria”
Mais que coisa tia
Deus é burro e não entende só uma vez?
“não repita isso menino”
Acho que você deve ser o exorcizado da vez!
Finja muito bem
Diga que não esta bem
Que sente a alma pesada
E que precisa da liberdade santa
Sente na capela, entre o que tem
Jure eternamente, não vou pensar
Não vou jurar
Fé move montanhas, mais não pode me mover para um bar

 Pague adiantado a prestação pro paraíso
Não coma da fruta errada
Gaste de uma forma melhor a sua brisa
Vem cá, entre, e sinta-se a vontade
A balada sem nexo, vem nessa e se localiza

Depois desse texto
Rezei 5 pai nosso e 3 ave Maria
Não preciso de mais nada
Nem joelho dobrado no caco de vidro
Nem sacrifício de romaria

Minha prestação do paraíso ta paga!

Atillas Felipe Pires
06/06/2012

No beral de nuvens


Sentei aqui nesse beral feito de nuvens
Eu sempre tentei, encontrar a frase perfeita
Mas hoje, a idéia era tocar sem rumo
Correr em linhas mais completas mas não sei, a imperfeição me parece tão correta

Tentei entender algumas coisas que me pergunto quase sempre
Aqui sentado, vi o mundo passar, girar sem parar
A quanto tempo estamos parados aqui?
Não sei, a inércia me parece tão discreta

Julguei que estava certo em criticar nossa idade
O mundo tem mudado, passou uma ave carregando bombas ao meu lado
Ela voou, a mais nova invenção humana, os inimigos não vão desconfiar
Mas uma ave me parece tão sincera

Continuei ali sentado, continuei nessa avaliação sem sentido
Pensei no céu, e na sua imensidão
Vi um anúncio brilhando, alguém comprou mais um pedaço
A inutilidade me parece tão completa

Entrei dentro de mim, cansei de pensar
Mas em mim encontrei alguém, que não anda não fala, apenas pensa
Pensei, e não teve jeito, continuei
Mas as vezes me parece que é melhor ser atleta


Voltei do interior viajante
Um bêbado passou ao meu lado
Redirecionei meus ímpetos nesse instante
Mas não sei, estar bêbado sempre faz a festa

Pensei na festa, e que festa
Lembrei das bebidas, pensei nos cigarros
Lembrei dos jovens, pensei nos carros
Sei la, quase sempre o fim da linha é o que resta

Fiquei triste por pensar nos jovens
Liguei apenas com carros, bebidas, festas, cigarros
Isso não foi legal
Mas como disse, a estes o fim da festa é o que resta

Concordo, não foi um pensamento otimista
Deveria escrever coisas com mais nexo, mas não vejo nexo nisso
Não entendo, prefiro ler sobre economistas
Na verdade esqueci de falar sobre o sexo, ainda assim a eles o negocio é a festa

Quanta hipocrisia, na minha fantasia
Afinal de contas, sou jovem ainda
Nessa verdade preferi não acreditar
Como posso usar meu sangue de outra forma, sem sentar escrever e apenas reclamar?


Pensei na hipocrisia
Lembre da fantasia que não existia
Pensei nos meus dedos, e eles disseram:
Escreve sem parar e sem pensar

Olhei para o lado e vi a chuva que caía
Seu choque no concreto mortífero era quente
Ouvi as gotas gritarem por atenção
Não importa, lá pra cima o sol racha o chão

Critiquei o sol
Pensei no calor e sua ligação com a dor
Atribui a ele a nossa culpa
Não importa, pra abrir o forno é só usar luva

Se dona Maria é assim tão santa
Pensei no dinheiro na fonte
Joguei minha moeda também
Mas pelo jeito aos pobres o pedido comprado não adianta

Atingi um grau sem rumo
Afundei cada vez mais num texto sem nexo
Sem cor, sem arte, sem pretexto
Não importa, quem vai ler?

No lado fundo do bairro
Sentar e desejar que esse momento nunca acabe
Sentar e dar um privilégio ao uísque
Tirar onda sem motivo
Criar onda por ter vários motivos

Sentei mais uma vez e fiquei olhando a rua
As arvores criam o clima
A cerveja me coloca no clima
Cigarros queimam
Assim como minha mão nesse copo
Julgo, mais não me julgo
Falo o errado, mais sou errado

Agora isso não importa
Se o que temos é nós mesmos
Dentro de uma casca que vai ficar velha



Quem disse que tem que ser assim, tão bonitinho?
Desarrumei o arrumado e passei a ser não perfumado
Aluguei as drogas do momento
E vomitei nos meus próprios juramentos
Sinceridade, quanta vaidade, sem idade
Nesse mundo não resta a saudade
O fogo veio e se foi, trouxe e levou do barro a sua forma
Sem forma, sem dor, sem calor, sem humor, sem ler sem escrever
Essa multidão foi passando, acenando para o burro
O burro, olhou e mijou
As oliveiras voaram
Ele se foi sem entender nem passar o amor ao povo dos ramos
Deixei bem claro que não consegui
O tempo foi passando e tudo foi mudando
A cruz de madeira apodreceu na sala
Um símbolo de morte, tortura e dor
Mesmo assim, milenarmente motivo de clamor
Poder, de poder
Poder de poder ser quem tem poder
Não te faz ser melhor
Não te fazer tentar atrás da vitoria, gritar, sair, chorar, correr
A cina eterna é, comer mal, ganhar mal
Mais o suficiente para sobreviver
E jamais se esquecer da missa no domingo
Tem que ter fé, tem que crer
Vamos lá, meu povo...basta não entristecer
Ver os filmes americanos de motivação
E ser feliz,
E esquecer que é triste..
Que triste!

Atillas Felipe Pires
20/06/2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Capitulação - 2



Hoje eu comecei a ler um novo livro
Comprei um lançamento de blues..
Arrumei minhas revistas políticas
Li meus jornais antigos

Acordei diferente, no meu novo quarto colorido
Hoje eu contemplei por mais tempo um pouco de mim
No espelho que tenho na parede, com o adesivo “nada tem fim”
Me encarei, chorei, sorri, babei e me deu sede
Contemplei a parede, as imperfeições, e a arte comovente

Nessa onda eu sei que vou por algum tempo
Sem curtir, mais alguma coisa nova sentir
Sem viver tão bem assim, mais produzir e produzir
Hoje eu comecei a ler um novo livro
Comprei um lançamento de blues
Arrumei minhas revistas políticas
Li meus jornais antigos

Hoje eu fiz um novo corte no cabelo
Fiz mais um rasgo no jeans velho
O velho, com ar de novo
O novo, que é novo por ser velho
E nessa onda, eu vou surfando
Vou vivendo, vou chorando
E nessa onda eu vou surfando
Sentindo a brisa
Calibrando a mente
Sobrevoando meu interior, analisando quão bom eu sou

Hoje eu comecei um novo desenho
Minha arte em parte
Hoje eu colori sem sentido
Deixei a cabeça voar
Deixei de pensar
Em como sofro com esse terror
Esse terror que é amar
Hoje eu acordei e tive a certeza
Vi mais uma vez o terror se realizar

Passei em uma loja de livros usados
Comprei o qual me parecia mais velho
Henry Miller com sua obra complexa e com nexo
O cheiro das paginas amarelas me fascina
Crucificação encarnada, Sexu, Plexus e Nexus

Enfeitei minha estante com mais um brilhante
Que não reluz na luz
Mais que me trás a luz na mente
Inebriante como diamante
São meus livros, minha coleção
De quem sou fiel amante
Agora sou mais sincero comigo mesmo
Só agora acho que encontrei o que há de bom em mim
Sem a necessidade de alguém me mostrar o caminho errado
Que termina na placa, rua sem fim,
Que serve apenas para mostrar o fim da rua que sim, tem fim
Comprei mais tinta, mais pincéis
Analisei meu conteúdo, estabeleci minha estrutura
Gravei um filme, sou um novo ser figurado
Vem aqui, minha nova, sinta meu cheiro..
Sente-se ao meu lado

Aprendi que nessa vida, que as vezes nos mostra a ferida
Temos que lutar pelo bem, sem esquecer o nosso bem
Que mesmo com o sentimento mais puro
O que realmente vai importar ao fim de tudo
Vai ser o quanto nosso coração consegue ser duro
Não combina eu sei
Duro com algo sempre tão puro
Mais é preciso
Assim como é, mandar o cupido para guerra
Quando faltarem soldados para garantir a paz
Essa é a minha guerra, não posso mais liberar minha fera
Preciso me controlar
Preciso me policiar
Só assim talvez, esse sentimento não vai me matar

Só por hoje e a partir de hoje
Começarei a inovar minhas firulas
Procurei poetas beat
Estabeleci romances neutros
Terminei Bukoswisk
Comecei Miller
E nessa onda eu vou surfando
Liberando espaço na mente
Preenchendo com as palavras dos antigos
Nada mais quero comovente
Parece, mais nem é assim tão difícil
Me realizei, nos últimos tempos
Abrirei a janela do meu interior, pra queimar fogos de artifício

Um brilho perverso mais perfeito
Sem maldade, sem igualdade
Sem beleza
Sem idade, nas ruas molhadas dessa cidade
Caminho em vão
Vendo as pessoas sem alma sem face
Que vão caminhando também em vão
Assim as vejo
Todos como robôs que vem vão
E eu, os sigo como análise
Sem perceber que sou exatamente igual
Com nosso trabalho, nossos estudos
Em busca de papel verde
Em busca de mais nada
Um carro novo, uma casa grande
Família realizada e bem estruturada
Mais na sua cabeça, uma mente sem nada
Com nosso trabalho, nossos estudos
Não sabemos provar
Dos sentimentos mais profundos
Exceto pelo amor
Que entra sem permissão
Nesse momento, ranque sua bomba pulsante
Esmague se for preciso
Jogue seu coração
No chão, que é molhado dessa cidade
Manche todo esse chão
Assim, sua idade agradece


Hoje eu comecei a ler um novo livro
Comprei um lançamento de blues..
Arrumei minhas revistas políticas
Li meus jornais antigos

Acordei diferente, no meu novo quarto colorido
Hoje eu contemplei por mais tempo um pouco de mim
No espelho que tenho na parede, com o adesivo “nada tem fim”
Me encarei, chorei, sorri, babei e me deu sede
Contemplei a parede, as imperfeições, e a arte comovente

 “..hoje você sai as 18h? Posso passar pra te pegar..”

Atillas Felipe Pires
06/07/2012