Sentei aqui nesse
beral feito de nuvens
Eu sempre tentei,
encontrar a frase perfeita
Mas hoje, a idéia
era tocar sem rumo
Correr em linhas
mais completas mas não sei, a imperfeição me parece tão correta
Tentei entender
algumas coisas que me pergunto quase sempre
Aqui sentado, vi o
mundo passar, girar sem parar
A quanto tempo
estamos parados aqui?
Não sei, a inércia
me parece tão discreta
Julguei que estava certo
em criticar nossa idade
O mundo tem mudado,
passou uma ave carregando bombas ao meu lado
Ela voou, a mais
nova invenção humana, os inimigos não vão desconfiar
Mas uma ave me
parece tão sincera
Continuei ali
sentado, continuei nessa avaliação sem sentido
Pensei no céu, e na
sua imensidão
Vi um anúncio
brilhando, alguém comprou mais um pedaço
A inutilidade me
parece tão completa
Entrei dentro de
mim, cansei de pensar
Mas em mim encontrei
alguém, que não anda não fala, apenas pensa
Pensei, e não teve jeito,
continuei
Mas as vezes me
parece que é melhor ser atleta
Voltei do interior
viajante
Um bêbado passou ao
meu lado
Redirecionei meus
ímpetos nesse instante
Mas não sei, estar
bêbado sempre faz a festa
Pensei na festa, e
que festa
Lembrei das bebidas,
pensei nos cigarros
Lembrei dos jovens,
pensei nos carros
Sei la, quase sempre
o fim da linha é o que resta
Fiquei triste por
pensar nos jovens
Liguei apenas com
carros, bebidas, festas, cigarros
Isso não foi legal
Mas como disse, a
estes o fim da festa é o que resta
Concordo, não foi um
pensamento otimista
Deveria escrever
coisas com mais nexo, mas não vejo nexo nisso
Não entendo, prefiro
ler sobre economistas
Na verdade esqueci
de falar sobre o sexo, ainda assim a eles o negocio é a festa
Quanta hipocrisia,
na minha fantasia
Afinal de contas,
sou jovem ainda
Nessa verdade
preferi não acreditar
Como posso usar meu
sangue de outra forma, sem sentar escrever e apenas reclamar?
Pensei na hipocrisia
Lembre da fantasia
que não existia
Pensei nos meus
dedos, e eles disseram:
Escreve sem parar e
sem pensar
Olhei para o lado e
vi a chuva que caía
Seu choque no
concreto mortífero era quente
Ouvi as gotas
gritarem por atenção
Não importa, lá pra
cima o sol racha o chão
Critiquei o sol
Pensei no calor e
sua ligação com a dor
Atribui a ele a
nossa culpa
Não importa, pra
abrir o forno é só usar luva
Se dona Maria é
assim tão santa
Pensei no dinheiro
na fonte
Joguei minha moeda
também
Mas pelo jeito aos
pobres o pedido comprado não adianta
Atingi um grau sem
rumo
Afundei cada vez
mais num texto sem nexo
Sem cor, sem arte,
sem pretexto
Não importa, quem
vai ler?
No lado fundo do
bairro
Sentar e desejar que
esse momento nunca acabe
Sentar e dar um
privilégio ao uísque
Tirar onda sem
motivo
Criar onda por ter
vários motivos
Sentei mais uma vez
e fiquei olhando a rua
As arvores criam o
clima
A cerveja me coloca
no clima
Cigarros queimam
Assim como minha mão
nesse copo
Julgo, mais não me
julgo
Falo o errado, mais
sou errado
Agora isso não
importa
Se o que temos é nós
mesmos
Dentro de uma casca
que vai ficar velha
Quem disse que tem
que ser assim, tão bonitinho?
Desarrumei o
arrumado e passei a ser não perfumado
Aluguei as drogas do
momento
E vomitei nos meus
próprios juramentos
Sinceridade, quanta
vaidade, sem idade
Nesse mundo não
resta a saudade
O fogo veio e se
foi, trouxe e levou do barro a sua forma
Sem forma, sem dor,
sem calor, sem humor, sem ler sem escrever
Essa multidão foi
passando, acenando para o burro
O burro, olhou e
mijou
As oliveiras voaram
Ele se foi sem
entender nem passar o amor ao povo dos ramos
Deixei bem claro que
não consegui
O tempo foi passando
e tudo foi mudando
A cruz de madeira
apodreceu na sala
Um símbolo de morte,
tortura e dor
Mesmo assim,
milenarmente motivo de clamor
Poder, de poder
Poder de poder ser
quem tem poder
Não te faz ser
melhor
Não te fazer tentar
atrás da vitoria, gritar, sair, chorar, correr
A cina eterna é,
comer mal, ganhar mal
Mais o suficiente
para sobreviver
E jamais se esquecer
da missa no domingo
Tem que ter fé, tem
que crer
Vamos lá, meu
povo...basta não entristecer
Ver os filmes
americanos de motivação
E ser feliz,
E esquecer que é
triste..
Que triste!
Atillas Felipe Pires
20/06/2012
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