quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A cada novo um novo velho

A cada novo dia, uma nova fantasia
A cada momento, cada juramento um novo julgamento
Todo dia-a-dia, desse nosso louco dia-a-dia
É febre, é pouco, é rouco, é louco
É fria, é não a alegria e tem sempre louça na pia
Cada segundo mudo, sem pensar
Cada hora longa que não quer passar
Pra pensar
Cada pensamento, cada momento
E todo dia tem roupa na tábua de passar
É todo, é pouco, é muito é nada
Cada nova viagem sem sair do lugar
Cada nova reza, cada dia com pressa
Esse nosso estranho urbano altar
É louco, é pouco, é rouco, é porco
E na panela nunca tem carne pra fritar
A cada tarde com vento, cada dia no convento
Cada noite em Sodoma é pouco pra explicar
É fria, é quente e comove comovente o que tem dentro da gente
É choro, é reza é pressa e nada que de fato lhe interessa
E na minha frente tem sempre uma TV a me falar
Cada novo ser humano que nasce
Que nasce pra não pensar
Cada criança, desse nosso novo progresso
Já deixou de ser esperança e vai passar
É droga, é cola, é porra, é briga
E eu não tenho nada pra falar
E sofre, e chora, implora corre
Fuma, bebe, traga e escorre
E La de casa eu vejo esse mundo passar
Cada morte da vida, passa com o tempo
E deixa cicatrizada a ferida
Cada espírito, desse mundo subscrito
Cada respiro, cada cheiro é chiqueiro
Ou é banqueiro, “oi concurseiro”!
É chuva, é preto, espirro escorre
Chora, lembra, lamenta
Mas no fim
Todos agüenta, esse talvez, de tudo agüenta
E sustente para o resto da vida, essa linda rabugenta
A cada fim, cada ponto final
É saliva, é beijo amargo é sexo fatal
E me irrita ver que foi tudo tão banal
Eu paro, eu penso, respiro
Sustento
E sem mais nem menos
Estabeleço o meu final

Atillas Felipe Pires
17/10/2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

domingo, 14 de outubro de 2012

1969

Ele acordou numa geração que não era a sua
As pessoas tinham perdido a graça e a moral
Todos não se falavam, todos não se viam
Naquele tempo havia dores e pra ele tudo estava mal
Perguntou a si mesmo por quanto tempo havia dormido
Percebeu que ele era o ultimo
Era o ultimo dos românticos
E por isso se viu por um momento, um pouco
Just a litle, mas ali estava, estava deprimido

E no tempo que ele viu, que pensou que nunca existiu
Veio a tona uma realidade que era de verdade
Que ele estava fazendo parte
Apenas pela paralisia da sua idade
Veio ao mundo no dia e momento errado
Caiu sem querer, perdido e sozinho naquela estranha cidade
Ele olhou pro lado, sem ter um lado
Ele viu ao seu lado, alguém passando
E nem te viu, como se não tinha nada ao lado
Não se expressou, não fez nada
Olhou e só olhou, pensou e ficou calado
Ele viu, que ela era o ultimo
O ultimo dos sete candelabros
No fundo era apenas um ser figurado

E naquele tempo não havia tempo
Não havia luta, não havia luz, não havia lua
Era uma rua, que parecia uma só
Tudo acontecia, de uma forma aspiral
Ele lembra que havia prédios, haviam vitrolas cheias de pó
O blues havia morrido, o rock´n roll virou diversão colorida
Nada mais, apenas isso e só
E ele se debruçava num parapeito qualquer
Mas parece que tudo aquilo tinha sido refeito
Não encontrou as arvores do seu tempo
Nem as notas da canção mais bela
Tudo estava na contra-mão da qualidade
Da imperfeita qualidade da sua antiga idade
As notas distorcidas e o som rasgado
As medalhas naturalistas, o verde mascavo
O povo desse tempo não entendia, nem via
Para ele esse povo na verdade não vivia
Ele viu uma multidão de acorrentados, acorrentados como escravos
Eles iam sem pensar, iam devagar para a vida passar mais rápido
Eles ignoravam o relógio
Que as cinco da tarde chegue rápido
Mas nem percebiam que era a vida que passava de forma alucinante
Passavam na sua frente, bem adiante
E não viam, por que não queriam
Iam na mesma direção
Não havia som, não havia alegria
Naquele tempo tudo era nebuloso
A vida era fria
As pessoas não pensavam em poesia
Não havia nada
Nem a vida por ali, não havia
Ele acordou, ele acordou e ficou com medo
Com medo de tudo aquilo que sem querer ele via
E percebeu, era o ultimo, era o ultimo dos românticos
Não via amor, não via a fantasia, não haviam drogas boas
Como as que liberavam a arte no seu tempo
O que havia era morte, era dor, era gente sem o dom comovente
E todos iam acorrentados, continuavam na mesma direção
Oito horas forçadas eles faziam
Ele os viu, os viu como robôs
Em nenhum momento eles riam
Era tudo cinza, não havia cores
Ele viu prédio, viu comidas rápidas
Que não tinham sabores
Aquele tempo era o que seu tempo descreveu como fim dos tempos
Só que bem pior ele pensou
Os sentimentos foram digitalizados
As dores ignoradas pelas cifras
Aquilo não podia ser pior se não fosse o fim
Mas todos olhavam, e o viram como estranho
De repente eles perceberam
Que ele era alguém que não era dali
Foi julgado e condenado
Descobriu que por ali era proibido parar para pensar
Não, não podia
Não em via pública
“não pense que somos vagabundos seu vagabundo”
E sim, para ele aquele era o fim do mundo
Pensou que queria sua era de volta
Mas ela tinha ido e ele ficado
Foi um desespero se ver amedrontado
Sua mente parou de funcionar
Pela coletividade massificada e organizada
Queriam que ele fizesse parte do todo
Mas ele sabia, era o ultimo, o ultimo romântico
Se entregou por um momento
Sentiu a dor de ser desse tempo que é real
E quis voltar para o seu que para eles era surreal
Quando tudo estava ficando ruim
Quando tudo estava muito mal
Ele caiu da sua cama
Encima do seu jornal
Leu a data
Quinze de agosto de mil novecentos e sessenta e nove
Agradeceu por ser um sonho
Ligou Janis Joplin
Pensou por um tempo naquele sonho
Pensou que exagerou na ultima dose, ou sei lá, na ultima injeção
Pensou na sua geração, se tudo era bom ou não
Pensou que pior que aquele tempo que viu
Nada poderia ser
Ajoelhou no chão
E rezou por aquela gente
E desejou que seu sonho não fosse uma premonição

Atillas Felipe Pires
14/10/2012
 

Heróis do nosso tempo, heróis do meu tempo!

Eu vejo um herói sem identidade
Eu vejo um país cheio deles
Eu vejo pessoas de todas as idades
Eu vejo pessoas que vem e que vão todos os dias
Caminhando pelos becos da cidade
Eu vejo tantos, eu vejo demônios, vejo santidades
Heróis por aí, heróis do dia-a-dia macabro
Desse nosso cotidiano que nos tortura
Desse nosso pequeno universo camuflado
Eu vejo uma nuvem cinza que esconde as cores
Vejo pessoas indo todos os dias para os mesmo lugares
Pessoas que se alimentam de qualquer coisa pra esconder as dores
Enganá-las, tragá-las, transformar tudo em nada
Eu vejo ao longe, um bairro empresarial
Onde tem tudo do bom mais não do melhor, onde eu vejo a nata
Que pensa ter tudo, mas no fundo não tem nada
Eu vejo os donos que são donos de nada
Se parar pra pensar que o dinheiro não alimenta por si só
Tem tantas por aí, tantas heroínas que passam o dia na fila
Ou quem sabe nada de mais
Apenas uma mãe lutando pela vaga, ou comprando mais pó
Os verdadeiros ricos, os verdadeiros cheios do espírito
Não pensam em ter tudo, em ter mais e mais
Queremos amor, queremos paixão, queremos carinho e só
Os heróis do dia-a-dia estão vivendo como não devem
Tragam como não devem, ficam bêbados, e caem nas esquinas
As mães fazem o que podem, os pais quem sabe mais um drinque
A forma de sustento da família
Área, cimento, pele com manchas do sol, unhas mal-feitas depois da faxina
Nossos verdadeiros Deuses, nossos santos, nossas fadas, nossa alegria
Não há o que venerar por aí
Se não as pessoas que passam por tudo como passam
Mas passam e continuam passando
Se o mundo não nos segue como se deve
Devemos seguir em frente como da
Eu tenho meu titulo, eu tenho minha mente
Que tem tudo de tudo por dentro
Meus olhos são as portas da percepção
Que alimentam minha sofrida alma
Que acalentam meu pedregoso coração
Vejo passar os heróis do nosso tempo
Eu vejo tantos, eu os vejo no relento
Não tenho o que fazer, não tenho como temer
Nem pelo que, nem por ninguém
Eu sou assim, mas tudo bem
Se no fundo, acabo conseguindo sem querer
Tudo que eu sempre quis
Por vontade própria, ou pra alimentar ser
Que as vezes me acompanha em pensamentos
Que se foi, que veio, que se foi, que não veio
Eu não me importo que o frio me toque dessa forma
Quando sinto que sinto falta de todas as formas
Se a falta se traduz em arte
Se da minha vida, desde sempre
Tudo isso sempre fez parte
Eu crio, recrio, invento, faço meus próprios juramentos
E o mundo me mostra que não devo parar
Pois por aí, eles estão andando
De mãos dadas ou não
E nesse momento, quando os vejo
Eu sou o herói do cotidiano
Por fazer a força e ter a força
Pra não ver sangrar, mais uma vez, meu coração
Que escorre por si só, sem permissão
Mas nunca toca o chão sua dor
Para que meus passos não deixem pegadas de sangue
Na minha trajetória
Que as vezes é doce, as vezes amarga
As vezes de fracassos as vezes de gloria
Me confundo nas palavras e no contexto
Passa o tempo em um minuto
E fiz mais, mais dois, mais três
Todos sem ligação, todos sem complemento
Sem começo
Sem meio
Sem fim

Atillas Felipe Pires
14/10/2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sua vida

Ei, olhe para esse lado
Ei, siga em frente, olha para cá
Não importa o quanto você esta cansado
Não importa nada
Se você não seguir, e continuar indo
Se não seguir, e ir sorrindo
Sem motivo, sem perspectiva que lhe seja válida
O mundo te engole
E como te engole
Não fique parado, mas não corra em vão
Papel não te salva
Beijos e peles macias não te salvam
O espírito importa, nada mais
Vem vem, não vá passar em vão
Se você parar nada vai te ajudar
É só você deste lado
Se você parar eles vão te julgar
Não deixe de pensar, não pare de trabalhar
Mas como eu sei que funciona
Eu repito, nunca deixe de pensar
Acredite que o possível é assim
Eu sei, eu sei de tudo
Sei de você eu sei de mim
Eu repito o mesmo tom
Busco O TOM
Papel não te salva
Beijos e peles macias não te salvam
Não fique parado mais não corra em vão
Pense na vida, na sua vida
Pense na família
Pense nos amigos, ignore os inimigos

Criminalize-se

Mas não deixe vestigios
Corra o risco necessário
Não seja como todos, não fume, não beba
Não seja assim tão comum, fume, beba e meta
Não corra como otário
Mas não corra o risco de ser apenas um otário
Bebidas, álcool doce, fumaça cheirosa, maluco que seja
Vem vem mais não tão depressa
Não vá correr sem pensar em ter um porquê
Pense na vida, na sua vida
Pense na família
Pense nos amigos, corra mais não corra em vão
Senta por mais um minuto
Atrase um pouco o despertador programado para essa manhã
Não deixe ser apenas mais uma
Há tantas e quase não há nenhuma
Olhe para essa pessoa ao seu lado e dê um sorriso de verdade
Você sabe que há tantas e quase não há nenhuma
Se o dia passa lento quando deve correr
Se passa rápido no momento errado
Se passou rápido quando se era pra morrer
No seu final, olha só que coisa
Não há com você nada de errado
Mas sem entender ao seu lado
Tudo esta errado
Então, nesse momento, nesse momento
Não pense, não pare, não faça nada
Corra
Corra, corra, fuja dessa urbana masmorra
Papel não te salva
Beijos e peles macias não te salvam
Pense na sua vida, sua vida
Pense na família
Pense nos seus amigos, corra, mas não corra em vão
Se sentado deste lado
Você não consegue ver quase nada que esta La longe
Quase nada que esta lá do outro lado
Busque sua própria lei
Não vá esquecer de ser quem manda
Quando lhe convém
De ser quem manda no seu destino
Não o deixe na mão das pessoas que você mais odeia
Seu chefe, seus colegas chatos, seus professores
Seja quem for, um gênio ou qualquer cretino
Existem tantos, o cara que te diz ás horas
Que regra a velocidade dos seus passos
Qualquer um por aí, que na sua vida devem ser infratores
Vá em frente, sem desculpa
Vá e vá agora, sem demora
Ganhe a vida, pense na vida
Corra, corra e seja ágio, faça a lição

Viva em vão mas consiga uma bela familia

Um carro do ano, sucesso comprado

Quem sabe, uma boa mansão
Papel não te salva
Beijos e pele macia não te salvam

Atillas Felipe Pires
10/10/2012

Se o tédio artistico te leva a loucura e sua produção parece brecar sem sentido, PÉ NA ESTRADA...





Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Aquárioimagináriosargitárioalopradopassaro!

Voa longe esse pássaro que passa
Mantenha a graça
Não tenha medo
Passe voando sem perder a sua graça
Me de um toque
Me de um abraço
Me veja ao longe que eu te abraço
Festa no bosque, festa a bodoque
Que coisa bela, noite fria
Estrela estela
Que coisa fria
Noite quente
Cavalo que corre sem cela
Vem me encontrar
Vem me abraçar
Não seja a bela do meu dia sem pensar
Venha correndo, venha sentir
Venha comigo e eu te faço acordar
Acordar
Eita que lua
Eita que noite
Vamos embora não é hora pra dormir
Vamos embora agora é hora de dormir
Me tenha certo, me tenha perto
Me tenha aqui me tenha hoje
Me tenha ali
Vem vamos sair
Vem vamos beber
Vem vamos ali
Vem vem vamos correr
Vamos correrr
A minha vida, é sua história
A sua história já é parte da minha vida
Venha querida, venha comigo
Se é comigo a história que é mais linda
Venha querida, venha comigo
Já que é assim que tapamos a ferida
Que coisa linda
Que coisa bela
Veja distante
A arvore que te espera
Que cresce rápido, que te da frutos
A noite quente
Me da sua vida
A noite fria vem que vem minha maravilha
É anormal, tão surreal
Essa história que é assim sem ter final
Que coisa bela, que noite fria
Tudo é possível que não se tem impossível
Tudo anormal
Abrace o surreal, candelabro de outro
Com um fogo que congela
Que noite bela, que coisa louca
Me venha bela traga saliva em sua boca
Em suaa boca
É tudo assim
Traga saliva em sua boca!
Atillas Felipe Pires
09/10/2012