domingo, 14 de outubro de 2012

Heróis do nosso tempo, heróis do meu tempo!

Eu vejo um herói sem identidade
Eu vejo um país cheio deles
Eu vejo pessoas de todas as idades
Eu vejo pessoas que vem e que vão todos os dias
Caminhando pelos becos da cidade
Eu vejo tantos, eu vejo demônios, vejo santidades
Heróis por aí, heróis do dia-a-dia macabro
Desse nosso cotidiano que nos tortura
Desse nosso pequeno universo camuflado
Eu vejo uma nuvem cinza que esconde as cores
Vejo pessoas indo todos os dias para os mesmo lugares
Pessoas que se alimentam de qualquer coisa pra esconder as dores
Enganá-las, tragá-las, transformar tudo em nada
Eu vejo ao longe, um bairro empresarial
Onde tem tudo do bom mais não do melhor, onde eu vejo a nata
Que pensa ter tudo, mas no fundo não tem nada
Eu vejo os donos que são donos de nada
Se parar pra pensar que o dinheiro não alimenta por si só
Tem tantas por aí, tantas heroínas que passam o dia na fila
Ou quem sabe nada de mais
Apenas uma mãe lutando pela vaga, ou comprando mais pó
Os verdadeiros ricos, os verdadeiros cheios do espírito
Não pensam em ter tudo, em ter mais e mais
Queremos amor, queremos paixão, queremos carinho e só
Os heróis do dia-a-dia estão vivendo como não devem
Tragam como não devem, ficam bêbados, e caem nas esquinas
As mães fazem o que podem, os pais quem sabe mais um drinque
A forma de sustento da família
Área, cimento, pele com manchas do sol, unhas mal-feitas depois da faxina
Nossos verdadeiros Deuses, nossos santos, nossas fadas, nossa alegria
Não há o que venerar por aí
Se não as pessoas que passam por tudo como passam
Mas passam e continuam passando
Se o mundo não nos segue como se deve
Devemos seguir em frente como da
Eu tenho meu titulo, eu tenho minha mente
Que tem tudo de tudo por dentro
Meus olhos são as portas da percepção
Que alimentam minha sofrida alma
Que acalentam meu pedregoso coração
Vejo passar os heróis do nosso tempo
Eu vejo tantos, eu os vejo no relento
Não tenho o que fazer, não tenho como temer
Nem pelo que, nem por ninguém
Eu sou assim, mas tudo bem
Se no fundo, acabo conseguindo sem querer
Tudo que eu sempre quis
Por vontade própria, ou pra alimentar ser
Que as vezes me acompanha em pensamentos
Que se foi, que veio, que se foi, que não veio
Eu não me importo que o frio me toque dessa forma
Quando sinto que sinto falta de todas as formas
Se a falta se traduz em arte
Se da minha vida, desde sempre
Tudo isso sempre fez parte
Eu crio, recrio, invento, faço meus próprios juramentos
E o mundo me mostra que não devo parar
Pois por aí, eles estão andando
De mãos dadas ou não
E nesse momento, quando os vejo
Eu sou o herói do cotidiano
Por fazer a força e ter a força
Pra não ver sangrar, mais uma vez, meu coração
Que escorre por si só, sem permissão
Mas nunca toca o chão sua dor
Para que meus passos não deixem pegadas de sangue
Na minha trajetória
Que as vezes é doce, as vezes amarga
As vezes de fracassos as vezes de gloria
Me confundo nas palavras e no contexto
Passa o tempo em um minuto
E fiz mais, mais dois, mais três
Todos sem ligação, todos sem complemento
Sem começo
Sem meio
Sem fim

Atillas Felipe Pires
14/10/2012

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