quarta-feira, 6 de junho de 2012

Capitulação - 2



Hoje eu comecei a ler um novo livro
Comprei um lançamento de blues..
Arrumei minhas revistas políticas
Li meus jornais antigos

Acordei diferente, no meu novo quarto colorido
Hoje eu contemplei por mais tempo um pouco de mim
No espelho que tenho na parede, com o adesivo “nada tem fim”
Me encarei, chorei, sorri, babei e me deu sede
Contemplei a parede, as imperfeições, e a arte comovente

Nessa onda eu sei que vou por algum tempo
Sem curtir, mais alguma coisa nova sentir
Sem viver tão bem assim, mais produzir e produzir
Hoje eu comecei a ler um novo livro
Comprei um lançamento de blues
Arrumei minhas revistas políticas
Li meus jornais antigos

Hoje eu fiz um novo corte no cabelo
Fiz mais um rasgo no jeans velho
O velho, com ar de novo
O novo, que é novo por ser velho
E nessa onda, eu vou surfando
Vou vivendo, vou chorando
E nessa onda eu vou surfando
Sentindo a brisa
Calibrando a mente
Sobrevoando meu interior, analisando quão bom eu sou

Hoje eu comecei um novo desenho
Minha arte em parte
Hoje eu colori sem sentido
Deixei a cabeça voar
Deixei de pensar
Em como sofro com esse terror
Esse terror que é amar
Hoje eu acordei e tive a certeza
Vi mais uma vez o terror se realizar

Passei em uma loja de livros usados
Comprei o qual me parecia mais velho
Henry Miller com sua obra complexa e com nexo
O cheiro das paginas amarelas me fascina
Crucificação encarnada, Sexu, Plexus e Nexus

Enfeitei minha estante com mais um brilhante
Que não reluz na luz
Mais que me trás a luz na mente
Inebriante como diamante
São meus livros, minha coleção
De quem sou fiel amante
Agora sou mais sincero comigo mesmo
Só agora acho que encontrei o que há de bom em mim
Sem a necessidade de alguém me mostrar o caminho errado
Que termina na placa, rua sem fim,
Que serve apenas para mostrar o fim da rua que sim, tem fim
Comprei mais tinta, mais pincéis
Analisei meu conteúdo, estabeleci minha estrutura
Gravei um filme, sou um novo ser figurado
Vem aqui, minha nova, sinta meu cheiro..
Sente-se ao meu lado

Aprendi que nessa vida, que as vezes nos mostra a ferida
Temos que lutar pelo bem, sem esquecer o nosso bem
Que mesmo com o sentimento mais puro
O que realmente vai importar ao fim de tudo
Vai ser o quanto nosso coração consegue ser duro
Não combina eu sei
Duro com algo sempre tão puro
Mais é preciso
Assim como é, mandar o cupido para guerra
Quando faltarem soldados para garantir a paz
Essa é a minha guerra, não posso mais liberar minha fera
Preciso me controlar
Preciso me policiar
Só assim talvez, esse sentimento não vai me matar

Só por hoje e a partir de hoje
Começarei a inovar minhas firulas
Procurei poetas beat
Estabeleci romances neutros
Terminei Bukoswisk
Comecei Miller
E nessa onda eu vou surfando
Liberando espaço na mente
Preenchendo com as palavras dos antigos
Nada mais quero comovente
Parece, mais nem é assim tão difícil
Me realizei, nos últimos tempos
Abrirei a janela do meu interior, pra queimar fogos de artifício

Um brilho perverso mais perfeito
Sem maldade, sem igualdade
Sem beleza
Sem idade, nas ruas molhadas dessa cidade
Caminho em vão
Vendo as pessoas sem alma sem face
Que vão caminhando também em vão
Assim as vejo
Todos como robôs que vem vão
E eu, os sigo como análise
Sem perceber que sou exatamente igual
Com nosso trabalho, nossos estudos
Em busca de papel verde
Em busca de mais nada
Um carro novo, uma casa grande
Família realizada e bem estruturada
Mais na sua cabeça, uma mente sem nada
Com nosso trabalho, nossos estudos
Não sabemos provar
Dos sentimentos mais profundos
Exceto pelo amor
Que entra sem permissão
Nesse momento, ranque sua bomba pulsante
Esmague se for preciso
Jogue seu coração
No chão, que é molhado dessa cidade
Manche todo esse chão
Assim, sua idade agradece


Hoje eu comecei a ler um novo livro
Comprei um lançamento de blues..
Arrumei minhas revistas políticas
Li meus jornais antigos

Acordei diferente, no meu novo quarto colorido
Hoje eu contemplei por mais tempo um pouco de mim
No espelho que tenho na parede, com o adesivo “nada tem fim”
Me encarei, chorei, sorri, babei e me deu sede
Contemplei a parede, as imperfeições, e a arte comovente

 “..hoje você sai as 18h? Posso passar pra te pegar..”

Atillas Felipe Pires
06/07/2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Ancêios! Nunca controlei..nem pro bem, nem pro mal.



Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

O tempo passa, a vida passa tão rápido
E a gente aqui, nesse falso furor
Eu não, talvez não saiba jamais
O que a vida sempre me reservou

Eu queria ter, nascido melhor
Ter sido um anjo de luz, sem plantar em mim nenhum terror
Deveria ter, sido um cara comum
Sem tratar com a dor, o que se trata com amor
Eu me via certo, mais quando não estou perto
Vejo tudo o que não sou
Me vejo aqui, sem ter onde ir
Me vejo aqui, sonhando de amor
Deveria ser, um garoto sensato
Pela ultima vez
Eu queria ter, uma chance quem sabe
Pra provar que não foi dessa vez
Mas viver um momento
Com certeza, isso vale a pena

Eu vou lutar, vou me conquistar
Vou viajar sem ter onde ir
Quero um dia comum, um dia de sol
Acordar, e ter um motivo pra sorrir

Por que o passado me faz ver o futuro
Em linha erradas, texto sem sentido
Mais um confuso momento
Nesse imenso paraíso perdido
Eu prometi, mais menti
Eu fiquei bem, mais estava mal
Só assim liberto, a dor no final

Eu não queria ser, assim tão banal
Mas me vejo assim
Um tolo total
Eu queria ter, um motivo novo
Uma mente brilhante
Num corpo flácido como o meu
O que tenho apenas, não sei se vale a pena
São os dedos bem rápido
Que pensam por si,
E transbordam no mundo sem vida, quadrado e branco

Deveria ser, só um cara normal
Sem sofrer no final
Sem temer coisa alguma
Mais me vejo, na dolorosa posição
Dos flagelados culpados

Quero ao menos, minha percepção
Quero de volta, minha razão
Que volte minha paixão..
Para dentro de mim
Para vir ser aqui, e me fazer bem
E ser o que sempre foi, antes de sair
Ao assim, eterno sem fim!
Eu vi, sem querer
Alguém me ver
Numa tela qualquer, cogitei mencionar
Mais me vi sem pensar
E um beijo, sem graça
Aconteceu.
Atillas Felipe Pires
29/05/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sim! Outra vez galera.

"Você nunca sabe quanto tempo você tem com alguém, então não esqueça de dizer eu te amo enquanto você pode."- Michael Jackson

...só assim sua alma se manterá em paz
Se manterá em paz mesmo na guerra
Se manterá lúcida e não rendida
Com a mesma essência que páriu trechos meigos
Se mantém lúcida, em meio ao holocausto urbano
Curando, inesperadamente a dor, e segurando os ânceios.

Atillas Felipe Pires
21/05/2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

NÃO SEI

O que te faz por um jeans rasgado e sair para rua?
Mas não reclamar enquanto todos te fazem clamar?
O que te faz ser rebelde assim, aqui ou ali, fumar e não se vestir na saída?
Mas não protestar, contra aqueles que te impedem de cantar? E te fazem trabalhar!
Como o sol te toca, toca a todos, como a lua brilha, brilha em todos
O que te faz correr desajustado na penumbra noturna?
E não produzir qualquer idéia numa maquina velha de escrever
E sei lá, de repente fazer alguém sorrir!
Sem resposta sem medo, de joelho de repente um pente sem dente
Sem medo sem receio, essa rua é sem fim
Esse não é o caminho, jovem, sem idéias, ateu sem Deus
Sem sentido, sem memória, sem nada em fim
Quando veio aquele momento você fraquejou
Te recrutaram e você não retrucou
Perdeu sua essência sem lutar, e foi chamado para lutar
Disseram: Cabelos longos não usa mais, nem toca a sua guitarra e sim...
A outra parte causa morte, causa barulho
Um susto, um furo que causa bem mais que uma morte
Sua alma se foi com o som da mesma nota Ra ta t a ta
Seu violão ganhou novos formatos, frio e cinza
As meninas não podem acreditar
Seu jeans costuraram, seus broches agora são medalhas
A língua vermelha para fora
Que costumava usar como símbolo da adolescência
Se perdeu no meio do que dizem ser decência
Mas representa a sua eminente decadência
Agora se tem uma bandeira
Sua guerra não é sua, mas é você quem a faz
Jovem solicitado, entregue sem dó a outra fronteira
Longe das bandeiras que cercam quintais
Você olha para o alto é vê a sombra sonora de um jato atirador
Fala um para o outro
Nossas crianças estão longe daqui, e de repente eu vi você cair
Nunca mais vou pode te ouvir
Nunca mais vai poder me dizer o que você sentiu
Quando pela primeira vez cantou sobre a liberdade
De como era bom viver lendo livros da Janis, Led Zeppelin, Beatles e dos RollingStones
Quem vai saber o que você sentiu
Quando passava a tarde inteira fingindo ser soldado
Agora nesse campo, não vê amigos nem mais garotas
Sente vindo ao lado
Sangue em gotas
Sangue em gotas
E aquele orvalho que costuma existir no fim de setembro
Não vai mais poder te acordar
Me perdoe amigo, mas não posso te deixar dormir até o fim de setembro
O senhor da guerra odeia o sono das crianças
O seu sonho é voltar e encontrar as meninas, o bar da esquina cheio
Mas esse sonho não realizará
...pois nessa guerra apenas o seu corpo vai voltar
E vão atirar ao alto em sua memória
Seu coração não vai estar
Mais suas medalhas sim
Suas medalhas sim..
Atillas Felipe Pires
09/01/2011

terça-feira, 20 de março de 2012

ARTISTA


Ela foi feita, sem pretensão
Num carnaval qualquer, num beco ou qualquer breu
Seu pai, nunca foi seu
Sua mãe se esqueceu
Água e educação nunca lhe deu.
Assim cresceu e viveu, sem rumo nesse mundo sofreu
Viveu, se aborreceu, seu mundo, sem Deus do céu
Veio e se foi, transgrediu o espírito sem véu
Uma artista perfeita, uma voz com efeito violeta
 Ela correu e se escondeu, num muro mal feito
Tirou dum buraco perfeito, o prego que lhe serviu de arma
Passou os cães, farejando, buscando
Sua vida, sua energia, sua droga na sola
Nessa guerra sem pistola
Ela sobreviveu, ajudada por demônios noturnos
Vermes perigosos, maldito carniceiros
Ela viu a noite brilhar, sem teto naquele lugar
Conheceu em volta de uma fogueira, mágicos feiticeiros
Lhe deram algo, lhe deram vida, lhe deram luz no escuro
Aquela bebida desceu rápido e doce
Sem ver, sem sentir, viu-se num mundo impuro
Rejeitou o aceitável, e num golpe um furo
Correu e mais uma vez se escondeu
Cães latem, correntes quentes de ódio, a construção invadem
Ela esta no alto, vendo o baixo lá embaixo
Olha para o lado, os feiticeiros a olham com olhos de fogo
Sem rumo sem forro, o céu se apresenta negro e brilhante
Com a pele branca que lhe veio dos pais ingratos
Cabelos vermelhos pela rebeldia, e olhos como diamante
De um lado o impuro, do outro mordidas
Na sola a saída, no ar solução
Deitou-se para cair, mas ao contrário subiu
Algo se foi, ela nem viu
O vento fez voar seus cabelos lisos pela tecnologia
A tatuagem do equilíbrio em letras gregas
Pegou fogo em sua pele branca
Mais quente que dez mil fogueiras
Um grito de dor, com sabor
Um vôo mitológico, ao mundo não acreditado
Os feiticeiros urraram
Os cães mais alto, não latiram, bradaram!
Aquela luz veio do céu
Seus olhos de diamante, virou mel
Certeiro e flamejante
Ela voltou-se para o chão, com seu olhar
Que dessa fez, sem medo foi cortante
As vibrações, tentações, alucinações
Os magos viraram fumaça e só
Os cães, se transformaram numa mesa cheia do branco pó
Ela se viu num quarto de hotel
Onde o teto abria-se e mostrava-se o céu
Aquela jarra cheia dum liquido forte
Estava quase vazia
Mais uma vez, mais um dia, extravasou demais sua alegria
Era tudo fantasia
Ela voltou-se para as letras do show
Mais 15 min ali, quase uma hora se atrasaria
Entrou e cantou
Todo mundo vibrou
E do seu chato mundo real, ela mais uma vez provou.

Atillas Felipe Pires
05/03/2012