Quem dera ter a vida que se teve no passado
Quem dera ter a vida que se busca no futuro
E lembrar que entre o ontem e o amanha
O tempo nos é dado de presente
Entre o céu e o inferno de cada dia
E a som que me cerca não produz em mim nenhuma poesia
Enquanto as cinzas da rotina cinza me cobre em pó pesado
Sinto o peso do mundo em meu eu poético
E esqueço totalmente dos objetivos da arte que me foi dada
Sinto o pulsar da bomba atômica bater em meu peito
A convivência entre prédios e asfaltos, a subalterna alegria
Distante da que originalmente me foi dada
Meus desenhos mal-traçados pelo tempo que se esgota rápido
Minhas falsas melodias em assobios até a próxima porta automática
Minha tatuagem que não foi feita
E meu estilo pragmático de levar meus relacionamentos ao fim já inicialmente programado
Enquanto me desvencilho da máscara de menino bom
De menino bem amado
Meu ar demoníaco que te alcança como som de trombetas angelicais
Corações conquistados em rebeliões sentimentais
Nada menos, nada mais
Para todas que chegam e que vão, um fim que se reproduz num uníssono "tanto faz"
Um exército formado pelos mesmo motivos
Igualitárias desconhecidas
Sentimentais absolvidas para o purgatório que eu mesmo criei
E meu castelo no lado norte, o lado mais quente da parte de baixo
Já esta quase completo, idêntico ao que imaginei
Entre os falsetes melodramáticos do meu tom convincente
Não me toco no meu próprio ser interior
Minha arte que me pede um pouco mais de exposição
Que roga pela vida que só eu posso lhe dar
Todos os papéis em branco que cercam minha mente
Uma mera ideia que deixei passar, a falta de regar a semente
Enquanto isso é só seguir sem pensar
E quem poderá dizer onde essa estrada sinuosa vai me levar
Na vala comum dos empalados na curva da rotina?
No distorcido universo paralelo dos artistas incompreendidos?
Uma estrela, um pop-star
Ou a tristeza fria dos degraus da igreja que me levaram ao altar
Proferir promessas mentirosas para toda a vida
Não lavar e não remediar, apenas tapar a ferida
Ter uma vida comum
Ir a piknicks numa tarde de domingo
Chorar num filme triste
Comemorar sete de setembro
Ir ao parque brincar com os pombos, jogar alpiste
Sinceramente eu acho que não foi para isso que o homem veio ao mundo
Não ao mundo que venero
A mesa suja de um bar com letreiro piscante falhando
Ou o som da vitrola chiado no fim do vinil
Apenas mais um jovem viril
Que esteve deste e do outro lado
Santo e safado
Rua de ouro e caminho lameado
E pra onde vou de onde venho
Minha rua é a mesma
Meu paradeiro nunca muda
Minha ideia é muda
Atillas Felipe Pires
24/09/2014
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Carros velhos também contam histórias
Violino nas costas e um maço de cigarro pelo meio
Uma highway inter-estadual com um carro quebrado
Sentado no capô, sem medo e sem dor
Sentido o cheiro da fumaça que sai do motor
Até que me agrada
O sol e a estrada
Dando graças pela bateria que não pifou
Escutando o som com o ruído chiado da minha fita preferida
Vai e volta, Bob Dylan entre a morte e a vida
Meu jeans batido e rasgado na barra esquerda
E toda essa minha fala que remexe meu passado
Mas uma história de idas e vindas, mas uma viagem com poucos trocados
Com minhas botas velhas e meus cadarços desamarrados
E na bolsa levo comigo minha alma solitária
Meus amuletos sem sorte e minhas pulseiras de nó eterno
Enquanto agradeço pelo sol e pelo dia
Pelo calor interno que em mim se fez cada dia mais fraterno
Minhas respiração sadia
Eu levo comigo uma porção de magia num saco embalado
E quando reviro meus olhos não há ninguém ao lado
Mas nunca estou sozinho
Eu ando comigo e sou a melhor companhia que poderia ter
Sou minha principal fonte de prazer
Sou minha principal fonte de prazer
E assim vou vivendo, flutuando como quem não tem raízes
Alcançando o céu e tocando as estrelas sem me desprender do chão
Afogando sem pensar as mágoas do coração
E conhecendo quase sempre uma nova canção
Que fale de coisas da vida
De mim e te ti
De um cara tão sentimental
No domingo de sol, minhas roupas no varal
Cada dia num lugar
E vou como uma pena, seguindo o sentido do vento
Vou pra onde a vida me levar
Atillas Felipe Pires
05/09/2014
Uma highway inter-estadual com um carro quebrado
Sentado no capô, sem medo e sem dor
Sentido o cheiro da fumaça que sai do motor
Até que me agrada
O sol e a estrada
Dando graças pela bateria que não pifou
Escutando o som com o ruído chiado da minha fita preferida
Vai e volta, Bob Dylan entre a morte e a vida
Meu jeans batido e rasgado na barra esquerda
E toda essa minha fala que remexe meu passado
Mas uma história de idas e vindas, mas uma viagem com poucos trocados
Com minhas botas velhas e meus cadarços desamarrados
E na bolsa levo comigo minha alma solitária
Meus amuletos sem sorte e minhas pulseiras de nó eterno
Enquanto agradeço pelo sol e pelo dia
Pelo calor interno que em mim se fez cada dia mais fraterno
Minhas respiração sadia
Eu levo comigo uma porção de magia num saco embalado
E quando reviro meus olhos não há ninguém ao lado
Mas nunca estou sozinho
Eu ando comigo e sou a melhor companhia que poderia ter
Sou minha principal fonte de prazer
Sou minha principal fonte de prazer
E assim vou vivendo, flutuando como quem não tem raízes
Alcançando o céu e tocando as estrelas sem me desprender do chão
Afogando sem pensar as mágoas do coração
E conhecendo quase sempre uma nova canção
Que fale de coisas da vida
De mim e te ti
De um cara tão sentimental
No domingo de sol, minhas roupas no varal
Cada dia num lugar
E vou como uma pena, seguindo o sentido do vento
Vou pra onde a vida me levar
Atillas Felipe Pires
05/09/2014
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Pacta sunt servanda
E se eu achar meu caminho na direção de uma cordilheira
Que em queda livre me leve para dentro do seu coração
Assim seja
Assim seja a vida dessa minha alma guerreira
Dos seus olhos castanhos claros cortados pela sombras dos seus cílios
Onde quero ver minha imagem
Num vislumbre ou num martírio
E que sua saliva me atinja como faria um rio
Sua correnteza me levando para o meu profundo eu
Se tudo isso eu encontrar
E deixar rolar, dar trela ao sonho
Fudeu!
Atillas Felipe Pires
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Ele
Naquela manhã o sol bateu forte como todos os outros dias, socou a janela, brilhou no retrovisor do ônibus que pára sempre no mesmo horário no mesmo ponto. Provavelmente o padeiro já estava parando para a hora do almoço, o carteiro já havia passado, já se ouvia as crianças voltando da escola. Era mais um belo dia, um dia que nasceu, nenhum ataque terrorista nos jornais, nenhuma morte de famoso pelo excesso do uso de drogas, não havia nada de novo naquele dia, era apenas mais um dia, pelo qual muitos religiosos já haviam feito suas orações de agradecimento.
Ele levantou, olhou em volta, viu suas meias jogadas no tapete da sala, e uma garrafa vazia rolando na parte do piso frio. Ele não quis continuar levantando, se jogou para trás e ficou olhando para o teto, parecia uma tarefa extremamente difícil, mas já estava incomodado com àquela situação, finalmente levantou, não podia continuar daquele jeito. Foi até a janela e fechou aquela miserável fresta que deixava um fio fino de sol atingir-lhe bem o rosto em cheio, que maldita situação que o incomodava, o fez, voltou para a cama e se deitou novamente, resolveu o problema, e dormiu novamente, sentindo o cheiro do seu próprio hálito bêbado.
Já passará das 15h daquele mesmo dia, ele abriu novamente os olhos, o corpo estava dolorido, e sua dor de cabeça matinal o lembrava da noite anterior. Seu dia começava sempre entre as 15h e as 16h, nunca antes, as vezes depois, abriu uma garrafa de cerveja, estava um pouco quente, mas era apenas para matar o tempo enquanto procurava alguma coisa para comer. Andou até a cozinha, olhou em volta, pensou em como as coisas parecem bem mais interessantes durante a noite, pensou que o dia era para o tipo de pessoas que vivem em busca de dinheiro para viver a vida a noite, ele nunca gostou do dia, nunca se adaptou ao dia, a luz o incomodava. A visão da sua cozinha o fez perder a fome, abriu outra cerveja e voltou para o sofá, sentou encima do seu maço de cigarro, ficou feliz em ver que ainda tinha dois, ascendeu um, deu um trago fundo. Bebeu e fumou, os únicos prazeres que se alcança durante a estadia do sol ao seu mundo.
A vida estava passando rápido demais, desde seu último grande sucesso de vendas, já havia passado quase dois anos, e o dinheiro estava acabando. No ritmo que estava indo suas finanças acabariam em nove, talvez dez meses, pensou que talvez fosse a hora de começar a escrever novamente. Ascendeu o segundo cigarro, ficou puto em lembrar que era o último, a ideia de ter que sair de casa para comprar mais o tirava um pouco do humor, que sempre era ruim. Levantou e quase caiu, havia se tornado comum essas tonturas depois de um ou dois cigarros, alguma coisa estava fora do normal, depois de tantos anos fumando seguidos cigarros em seguidos dias, seu corpo já não era o mesmo.
Vestiu seu roupão xadrez e uma pantufa que achou por perto, desceu até o bar do hotel que vivia, comprou dois maços de cigarro, e mais três fardos de haineeken quente que era mais barata, e duas separadas geladas para ir bebendo até que os fardos gelassem, escutou a musica do elevador, olhando para o espelho e contemplando sua face que um dia forá motivo de amores diversos, hoje apenas o lembrava que não escovou os dentes e já era quase 18h da tarde.
A noite estava chegando, quase 19h, e ele estava se animando. A noite torna as cores mais vivas, o brilho dos letreiros são mais interessantes que pássaros cantando, os bêbados no auge da loucura do dia deixa tudo mais vibrante e a vida se torna como que num mundo paralelo, como se a noite fosse a parte boa do dia. Ele abriu a janela do 16o andar, olhou para o mais longe que conseguiu, abriu um dos maços de cigarro ascendeu mais um e deixou a fumaça ir quase que sem tragar, apenas pelo prazer de imaginar as imagens que se formam no alucinante movimento daquela névoa branca, cavalos cavalgando em sua volta. Ficou feliz por um momento em estar ali sozinho contemplando o céu e a fumaça indo fazia seus poucos problemas desaparecerem.
Deixou a janela aberta e voltou para a geladeira, abriu outra cerveja, agora já geladas, olhou para a cozinha e gostou do ambiente, o jornal do dia anterior aberto na mezinha de jantar, a taça de vinho com o fundo ainda vermelho da sua ultima refeição acompanhado ainda no mesmo lugar, os lembretes que foram esquecidos presos na porta do armário, e todas as coisas inúteis daquele sagrado e inutilizado local. Gostou da sua vida, gostou de ser um desajustado noturno!
Voltou para a janela e o céu continuava lá, ficou pensando no possível personagem de seu próximo livro, tomou mais um gole, jogou o cigarro fora, ascendeu outro e deu, como de praxe, um trago forte, olhou a fumaça e pensou mais uma vez nos cavalos que a forma como ela se vai formam em sua volta, ele realmente se sentia bem com àquilo, pensou que talvez pudesse falar de cavalos de fumaça. Realmente aquilo lhe pareceu uma ótima ideia, cavalos de fumaça parecei um bom título, poderia quem sabe se desprender das histórias da vida real e escrever sobre o mundo da fumaça que sai da ponta do cigarro de um fumante solitário. Deu mais um trago, bebeu mais um gole, pensou em que poderia escrever, qual poderia ser o personagem do seu próximo livro, soltou mais uma vez fumaça, viu seus cavalos, pensou que talvez pudesse falar da vida de um pai de família que perdia o dinheiro da família apostando em cavalos. Ele se esqueceu da primeira ideia depois da quinta garrafa, talvez não lembrasse mais nem da segunda, nunca mais teria a mesma ideia. Fumou e olhou para a noite!
Voltou o olhar para dentro do seu apartamento, incrível como esses hotéis de luxo te fazem sentir em casa, o sofá estava ainda desarrumado, assim como sua cara, voltou para a cozinha para pegar outra cerveja, a quinta ou sexta ou terceira, quem vai saber, parou na entrada da porta, que visão incrível, tudo estava bem mais interessante, pensou que poderia escrever um livro sobre sua cozinha, um livro sobre um cara que vivia numa cozinha, que tinha seu colchão embaixo da pia e que a goteira que o incomodava era por causa da louça que ele nunca lavava, deu risada sozinho, mas continuou mirabolante naquela loucura, imagina só, um cara que vive numa cozinha, seria ótimo, geladeira com cerveja, armário com uísque, e seu colchão velho embaixo da pia, puta que pariu que viagem. Pegou outra cerveja e voltou para a janela.
Até hoje ele não entende por que resolveu sair de casa naquela noite, seus pensamentos eram o bastante para o entreter até o amanhecer, mas naquele dia resolveu sair atoa. Foi até o suas caixas de papelão e procurou alguma roupa aceitável, foi por exclusão e pegou a qual estava menos amarrotada, uma camisa de botões com as mangas largas e uma calça jeans levis com a borda rasgada. Pegou outra cerveja na geladeira e passou pelo cara que dormia embaixo da pia, riu sozinho novamente, ascendeu outro cigarro..disse tchau aos cavalos e ao pai de família viciado e entrou no elevador. Sua face no espelho estava amável.
Apesar da época fria a noite estava boa, o vento batia mais batia leve, ou talvez a sensibilidade da sua pele já não era a mesma. Eis aí a resposta para a sobrevivência dos moradores de rua, ele pensou, riu novamente, seu humor era sempre bom. Andou na avenida do hotel, tinha alguns bares no caminho, escolheu o letreiro mais interessante, gostou de um que dizia "Seu lugar não é aqui". Entrou!
Foi direto em direção ao balcão, sentou e pediu um uísque com água, ascendeu um cigarro, o garçom veio e lhe disse que não era permitido fumar lá dentro, realmente fazia tempo que ele não saia de casa. Apagou o cigarro na língua olhando fundo nos olhos do garçom com a expressão mais demoníaca possível e respondeu lentamente, OK! Pegou seu uísque e tomou todo de uma vez só, pediu outro, agora sem água, aprovou a qualidade da madeira, ficou por um tempo bebendo e olhando para seu uísque, analisando o movimento maluco daquele liquido marrom enquanto o balança, o reflexo nas laterais do copo parecia uma história a ser contada, tipo, um bando de sereias bêbadas loucas para fazer sexo com você, imaginou um monte de sereias bêbadas cantando desafinadas, sorriu sozinho, pensou que talvez pudesse escrever sobre aquilo, sereias bêbadas era um bom título.
HEY! Aquela voz fina o tirou da sua viagem das sereias!
Aí já era demais pra ele, contato social feminino? Resolveu voltar para seu quarto de hotel.
Abriu a geladeira da sua cozinha interessante com taça de vinho amanhecida, leu a noticia de três dias atrás, falou para o cara que dorme embaixo da pia de como o mundo é uma merda, abriu outra cerveja, ascendeu outro cigarro falou com os cavalos aconselhou o viciado em corridas, abriu a janela e olhou para o mais longe possível, começou a ver os primeiros raios do sol, fechou a janela, dessa vez amarrou bem a cortina, e foi dormir, esperando acordar com hálito bêbado lá pelas 15h ou 16h.
Atillas Felipe Pires
14/08/2014
Ele levantou, olhou em volta, viu suas meias jogadas no tapete da sala, e uma garrafa vazia rolando na parte do piso frio. Ele não quis continuar levantando, se jogou para trás e ficou olhando para o teto, parecia uma tarefa extremamente difícil, mas já estava incomodado com àquela situação, finalmente levantou, não podia continuar daquele jeito. Foi até a janela e fechou aquela miserável fresta que deixava um fio fino de sol atingir-lhe bem o rosto em cheio, que maldita situação que o incomodava, o fez, voltou para a cama e se deitou novamente, resolveu o problema, e dormiu novamente, sentindo o cheiro do seu próprio hálito bêbado.
Já passará das 15h daquele mesmo dia, ele abriu novamente os olhos, o corpo estava dolorido, e sua dor de cabeça matinal o lembrava da noite anterior. Seu dia começava sempre entre as 15h e as 16h, nunca antes, as vezes depois, abriu uma garrafa de cerveja, estava um pouco quente, mas era apenas para matar o tempo enquanto procurava alguma coisa para comer. Andou até a cozinha, olhou em volta, pensou em como as coisas parecem bem mais interessantes durante a noite, pensou que o dia era para o tipo de pessoas que vivem em busca de dinheiro para viver a vida a noite, ele nunca gostou do dia, nunca se adaptou ao dia, a luz o incomodava. A visão da sua cozinha o fez perder a fome, abriu outra cerveja e voltou para o sofá, sentou encima do seu maço de cigarro, ficou feliz em ver que ainda tinha dois, ascendeu um, deu um trago fundo. Bebeu e fumou, os únicos prazeres que se alcança durante a estadia do sol ao seu mundo.
A vida estava passando rápido demais, desde seu último grande sucesso de vendas, já havia passado quase dois anos, e o dinheiro estava acabando. No ritmo que estava indo suas finanças acabariam em nove, talvez dez meses, pensou que talvez fosse a hora de começar a escrever novamente. Ascendeu o segundo cigarro, ficou puto em lembrar que era o último, a ideia de ter que sair de casa para comprar mais o tirava um pouco do humor, que sempre era ruim. Levantou e quase caiu, havia se tornado comum essas tonturas depois de um ou dois cigarros, alguma coisa estava fora do normal, depois de tantos anos fumando seguidos cigarros em seguidos dias, seu corpo já não era o mesmo.
Vestiu seu roupão xadrez e uma pantufa que achou por perto, desceu até o bar do hotel que vivia, comprou dois maços de cigarro, e mais três fardos de haineeken quente que era mais barata, e duas separadas geladas para ir bebendo até que os fardos gelassem, escutou a musica do elevador, olhando para o espelho e contemplando sua face que um dia forá motivo de amores diversos, hoje apenas o lembrava que não escovou os dentes e já era quase 18h da tarde.
A noite estava chegando, quase 19h, e ele estava se animando. A noite torna as cores mais vivas, o brilho dos letreiros são mais interessantes que pássaros cantando, os bêbados no auge da loucura do dia deixa tudo mais vibrante e a vida se torna como que num mundo paralelo, como se a noite fosse a parte boa do dia. Ele abriu a janela do 16o andar, olhou para o mais longe que conseguiu, abriu um dos maços de cigarro ascendeu mais um e deixou a fumaça ir quase que sem tragar, apenas pelo prazer de imaginar as imagens que se formam no alucinante movimento daquela névoa branca, cavalos cavalgando em sua volta. Ficou feliz por um momento em estar ali sozinho contemplando o céu e a fumaça indo fazia seus poucos problemas desaparecerem.
Deixou a janela aberta e voltou para a geladeira, abriu outra cerveja, agora já geladas, olhou para a cozinha e gostou do ambiente, o jornal do dia anterior aberto na mezinha de jantar, a taça de vinho com o fundo ainda vermelho da sua ultima refeição acompanhado ainda no mesmo lugar, os lembretes que foram esquecidos presos na porta do armário, e todas as coisas inúteis daquele sagrado e inutilizado local. Gostou da sua vida, gostou de ser um desajustado noturno!
Voltou para a janela e o céu continuava lá, ficou pensando no possível personagem de seu próximo livro, tomou mais um gole, jogou o cigarro fora, ascendeu outro e deu, como de praxe, um trago forte, olhou a fumaça e pensou mais uma vez nos cavalos que a forma como ela se vai formam em sua volta, ele realmente se sentia bem com àquilo, pensou que talvez pudesse falar de cavalos de fumaça. Realmente aquilo lhe pareceu uma ótima ideia, cavalos de fumaça parecei um bom título, poderia quem sabe se desprender das histórias da vida real e escrever sobre o mundo da fumaça que sai da ponta do cigarro de um fumante solitário. Deu mais um trago, bebeu mais um gole, pensou em que poderia escrever, qual poderia ser o personagem do seu próximo livro, soltou mais uma vez fumaça, viu seus cavalos, pensou que talvez pudesse falar da vida de um pai de família que perdia o dinheiro da família apostando em cavalos. Ele se esqueceu da primeira ideia depois da quinta garrafa, talvez não lembrasse mais nem da segunda, nunca mais teria a mesma ideia. Fumou e olhou para a noite!
Voltou o olhar para dentro do seu apartamento, incrível como esses hotéis de luxo te fazem sentir em casa, o sofá estava ainda desarrumado, assim como sua cara, voltou para a cozinha para pegar outra cerveja, a quinta ou sexta ou terceira, quem vai saber, parou na entrada da porta, que visão incrível, tudo estava bem mais interessante, pensou que poderia escrever um livro sobre sua cozinha, um livro sobre um cara que vivia numa cozinha, que tinha seu colchão embaixo da pia e que a goteira que o incomodava era por causa da louça que ele nunca lavava, deu risada sozinho, mas continuou mirabolante naquela loucura, imagina só, um cara que vive numa cozinha, seria ótimo, geladeira com cerveja, armário com uísque, e seu colchão velho embaixo da pia, puta que pariu que viagem. Pegou outra cerveja e voltou para a janela.
Até hoje ele não entende por que resolveu sair de casa naquela noite, seus pensamentos eram o bastante para o entreter até o amanhecer, mas naquele dia resolveu sair atoa. Foi até o suas caixas de papelão e procurou alguma roupa aceitável, foi por exclusão e pegou a qual estava menos amarrotada, uma camisa de botões com as mangas largas e uma calça jeans levis com a borda rasgada. Pegou outra cerveja na geladeira e passou pelo cara que dormia embaixo da pia, riu sozinho novamente, ascendeu outro cigarro..disse tchau aos cavalos e ao pai de família viciado e entrou no elevador. Sua face no espelho estava amável.
Apesar da época fria a noite estava boa, o vento batia mais batia leve, ou talvez a sensibilidade da sua pele já não era a mesma. Eis aí a resposta para a sobrevivência dos moradores de rua, ele pensou, riu novamente, seu humor era sempre bom. Andou na avenida do hotel, tinha alguns bares no caminho, escolheu o letreiro mais interessante, gostou de um que dizia "Seu lugar não é aqui". Entrou!
Foi direto em direção ao balcão, sentou e pediu um uísque com água, ascendeu um cigarro, o garçom veio e lhe disse que não era permitido fumar lá dentro, realmente fazia tempo que ele não saia de casa. Apagou o cigarro na língua olhando fundo nos olhos do garçom com a expressão mais demoníaca possível e respondeu lentamente, OK! Pegou seu uísque e tomou todo de uma vez só, pediu outro, agora sem água, aprovou a qualidade da madeira, ficou por um tempo bebendo e olhando para seu uísque, analisando o movimento maluco daquele liquido marrom enquanto o balança, o reflexo nas laterais do copo parecia uma história a ser contada, tipo, um bando de sereias bêbadas loucas para fazer sexo com você, imaginou um monte de sereias bêbadas cantando desafinadas, sorriu sozinho, pensou que talvez pudesse escrever sobre aquilo, sereias bêbadas era um bom título.
HEY! Aquela voz fina o tirou da sua viagem das sereias!
Aí já era demais pra ele, contato social feminino? Resolveu voltar para seu quarto de hotel.
Abriu a geladeira da sua cozinha interessante com taça de vinho amanhecida, leu a noticia de três dias atrás, falou para o cara que dorme embaixo da pia de como o mundo é uma merda, abriu outra cerveja, ascendeu outro cigarro falou com os cavalos aconselhou o viciado em corridas, abriu a janela e olhou para o mais longe possível, começou a ver os primeiros raios do sol, fechou a janela, dessa vez amarrou bem a cortina, e foi dormir, esperando acordar com hálito bêbado lá pelas 15h ou 16h.
Atillas Felipe Pires
14/08/2014
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
30%
Hoje acordei meio que 30%
Me movi em passos lentos
Meio com o senso de humor embolorado
No meio fio do banheiro cambaleante
Como ando enquanto estou embriagado
Me movi em passos lentos
Meio com o senso de humor embolorado
No meio fio do banheiro cambaleante
Como ando enquanto estou embriagado
No espelho até gosto dos meus olhos
Mas a profundidade que alcança meu pensamento fica podre meus órgãos
Minha beleza ainda me mantém vivo
Esconde meu solitário sofrimento
Mas a profundidade que alcança meu pensamento fica podre meus órgãos
Minha beleza ainda me mantém vivo
Esconde meu solitário sofrimento
Hoje mais do que nunca eu te quis aqui
No fundo dos meus olhos você é o único brilho fraco que eu encontro
E as sombras dos meus cílios te ofuscam
Quase sem querer mudam as cores da minha alma que te buscam
Mudam a direção do meu viver
Ou mal viver
No fundo dos meus olhos você é o único brilho fraco que eu encontro
E as sombras dos meus cílios te ofuscam
Quase sem querer mudam as cores da minha alma que te buscam
Mudam a direção do meu viver
Ou mal viver
Eu volto pro banheiro
E demoro no chuveiro
Porque não quero o começo do meu dia
Minha rotina engomada
Sempre erro o nó da gravata
E demoro no chuveiro
Porque não quero o começo do meu dia
Minha rotina engomada
Sempre erro o nó da gravata
Hoje eu acordei 30%
Me peguei pensando em todos os meus envolvimentos
Perguntas do tipo: para onde vai meus relacionamentos
Sem resposta pronta, apenas mais um dia quem diria
Me peguei pensando em todos os meus envolvimentos
Perguntas do tipo: para onde vai meus relacionamentos
Sem resposta pronta, apenas mais um dia quem diria
Enquanto isso eu sou sucesso
O caso lembrado, o cara bem falado
Superfícies de flores plantadas em terra de moribundo
Não é exagero
No autodespreso mergulho fundo
O caso lembrado, o cara bem falado
Superfícies de flores plantadas em terra de moribundo
Não é exagero
No autodespreso mergulho fundo
As vezes do nada desenho um paralelo mundo
Hoje acordei 30%
Welcome to my life
Fuja do meu mundo
Hoje acordei 30%
Welcome to my life
Fuja do meu mundo
Atillas Felipe Pires
06/08/2014
06/08/2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Cúmulo da Saudade
Depois que eu vim pra cá
Quase todos me esqueceram
Eu sei que é uma história sem fim
Ainda mais pra mim
Mano da rua que aprendeu morrer por ela
Se eu pudesse voltar no tempo
Não tinha pego àquela arma
Não tinha a imagem de sangue escorrendo na viela
Não faria uma família ascender mensalmente uma vela
Mas eu me perdi, não sei por onde
Quando penso nos motivos não encontro a solução
E de carros em carros, carreiras em carreiras
A vida me levou pra onde eu nunca imaginei
Eu me deixei seguir e ser seduzido pelo brilho dourado da corrente
Esquecendo tudo que aprendi
Deixando de lado tudo que sonhei
Hoje estou aqui e meu sol não é redondo
A imagem do outro mundo me parece o paraíso
Onde a vida é ditada pela sirene que serve de relógio
Eu não nasci pra isso
O tempo é rei, meu pai já me dizia
Meu filho seja forte
Esconda a faca e feche o corte
E quando a noite chega e os gritos do pátio interno me assustam
Eu debruço em sofrimento
E meu soluço acorda mais de um detento
E de cigarro em cigarro lembranças meus olhos embaça
A liberdade dignidade são conquistadas na marra
E a saudade invade na velocidade do tempo que passa
E ai pode crer um dia vou estar com vocês
Nessa carta vão sentimentos e lágrimas
Saudade do tempo que passou e que não volta mais
Quando das noites e altas madrugadas
Me lembro dos carros e das cervejas gelada
É nessa hora que a saudade me mata
A preocupação daqui é outra parada
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
O futebol de domingo e aos altas risadas
Das minas que ficaram no tempo
De repente meus dias se tornam negros
E é só sofrimento
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
E de cigarro em cigarro lembranças meus olhos embaça
A liberdade dignidade são conquistadas na marra
E a saudade invade na velocidade do tempo que passa
E ai pode crer um dia vou estar com vocês
Peço desculpas pela caneta falhada
Pela borda da folha que não foi tirada
Mas por aqui eu não encontro outro meio de dizer o que sinto minha rapaziada
Mas uma hora que passa, uma hora a mais de vida
Aqui o relógio conta três em um
Eu sonho um dia em poder dizer que o tempo esta passando depressa
Do inicio ao fim da festa quando as horas voavam
Por aqui o dia dura mais de um mês
E a saudade aperta
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
Não quero me estender, espero que estejam todos bem
Quero que lembrem que a vida é curta e que as decisões importantes
Melhor o calor da lareira da sala que o frio do beco cortante
E que todos alcancem a mais profunda paz
No frio gélido da noite que não acaba
Deixo meus sentimentos aos que se foram
Minhas letra vai ficando ruim
Aqui as 20:h a luz se apaga.
Atillas Felipe Pires
30/07/2014
Quase todos me esqueceram
Eu sei que é uma história sem fim
Ainda mais pra mim
Mano da rua que aprendeu morrer por ela
Se eu pudesse voltar no tempo
Não tinha pego àquela arma
Não tinha a imagem de sangue escorrendo na viela
Não faria uma família ascender mensalmente uma vela
Mas eu me perdi, não sei por onde
Quando penso nos motivos não encontro a solução
E de carros em carros, carreiras em carreiras
A vida me levou pra onde eu nunca imaginei
Eu me deixei seguir e ser seduzido pelo brilho dourado da corrente
Esquecendo tudo que aprendi
Deixando de lado tudo que sonhei
Hoje estou aqui e meu sol não é redondo
A imagem do outro mundo me parece o paraíso
Onde a vida é ditada pela sirene que serve de relógio
Eu não nasci pra isso
O tempo é rei, meu pai já me dizia
Meu filho seja forte
Esconda a faca e feche o corte
E quando a noite chega e os gritos do pátio interno me assustam
Eu debruço em sofrimento
E meu soluço acorda mais de um detento
E de cigarro em cigarro lembranças meus olhos embaça
A liberdade dignidade são conquistadas na marra
E a saudade invade na velocidade do tempo que passa
E ai pode crer um dia vou estar com vocês
Nessa carta vão sentimentos e lágrimas
Saudade do tempo que passou e que não volta mais
Quando das noites e altas madrugadas
Me lembro dos carros e das cervejas gelada
É nessa hora que a saudade me mata
A preocupação daqui é outra parada
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
O futebol de domingo e aos altas risadas
Das minas que ficaram no tempo
De repente meus dias se tornam negros
E é só sofrimento
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
E de cigarro em cigarro lembranças meus olhos embaça
A liberdade dignidade são conquistadas na marra
E a saudade invade na velocidade do tempo que passa
E ai pode crer um dia vou estar com vocês
Peço desculpas pela caneta falhada
Pela borda da folha que não foi tirada
Mas por aqui eu não encontro outro meio de dizer o que sinto minha rapaziada
Mas uma hora que passa, uma hora a mais de vida
Aqui o relógio conta três em um
Eu sonho um dia em poder dizer que o tempo esta passando depressa
Do inicio ao fim da festa quando as horas voavam
Por aqui o dia dura mais de um mês
E a saudade aperta
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
Não quero me estender, espero que estejam todos bem
Quero que lembrem que a vida é curta e que as decisões importantes
Melhor o calor da lareira da sala que o frio do beco cortante
E que todos alcancem a mais profunda paz
No frio gélido da noite que não acaba
Deixo meus sentimentos aos que se foram
Minhas letra vai ficando ruim
Aqui as 20:h a luz se apaga.
Atillas Felipe Pires
30/07/2014
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