domingo, 3 de março de 2013

Eu sou de Moscow

Foi num canto escuro da cidade
Ruas com putas sem salário
Foi num beco sujo e bar cinzento
Que eu ouvi a poesia daquele velho
Daquele velho rabujento
Velho de pouca idade
Barba amarela
Fala simbólica com simplicidade

Era agosto e ventava
E ali parado ele tragava
Aquela fumaça branca
E eu dizia: Você me fascina
Você me fascina
O mundo me domina
Ele tinha olhos castanhos, péle branca
Parecia ter vindo do Brasil
Mesmo assim ele dizia:
Eu vivo em Moscow
Essa é minha fala mais franca
Eu vivo em Moscow
E parece que nada mudou, que nada mudou

O velho marinheiro de Moscow
Que estava longe do mar
Vivia de contar história, num beco mal falado
E morava num bar
Ele teve muitos amores, muitas flores
Teve alegrias, fantasias, teve afago
Ele teve muitas dores e sofreu amargos sabores
E eu dizia: você me fascina
O mundo me domina

E ali parado ele falava com o espelho
E dizia a si mesmo: você me fascina
Venerava a sua imagem
E lhe contava histórias antigas ou qualquer bobagem
Drogas, bebidas, sexo, amor, vagina
O velho marinheiro era dono de um bar
Mas fazia anos que nao via ninguém entrar
E parado ele dizia: eu sou de Moscow
E nada mudou
Eu sou de Moscow
E nada mudou

E repetia a si mesmo no espelho
Você me fascina
Você me fascina
E o mundo me domina
Eu sou de Moscow

Eu sou de Moscow.

Atillas Felipe Pires
04/03/2013

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