Saiu do nada, como quem não quer nada
Encontrou no meu peito um buraco inflamado
Chegou sem dizer nada, de diferente não fez nada
Mais de tão tocante esse ser, acalentou o meu ser
E tapou minhas angustias com seu toque de querer
Curou minhas dores, com nada, além de coloridos sabores
E assim, foi chegando, tomando conta de mim
Foi chegando, tão discreta trazendo algo sem fim
Algo que como remédio inevitável ao toque, tocou minha dores
Salvou-me do fim, do fim dos amores
Chegou como chega quem nunca chega
A minha eterna espera por aquilo que sempre demora
Mas sempre chega e como chega
É tudo de um pouco, é pouco de um tudo, ou quase nada
Dependendo da forma como encarei essa sua repentina chegada
Meu modo turbulento, meu coração barulhento
E com as minhas cores cinzas eu te invadi
Fui diminuindo seu sabor, fui abafando até apagar
Toda a luz que me ilumina
Não combino com seu dito coração colorido
Meu som não é melodia, meu som é um zunido
E assim fui me aproximando de mais um fim
Que sempre representa um novo começo
Que já tem desenhado o próximo fim
E assim vai sendo, enquanto for sendo
Mesmo que não pareça tão lógico
Essa é minha vida, e assim vou vivendo
Um varal me mostra todos os dias minha coleção
Eu tenho guardado o seu, o meu, e de varias outras
Secando morto no sol quente
Uma coleção, uma coleção de coração
Mórbido ser, que é assim que tem que ser
Ser que deve ser, de tanto ser talvez o meu ser
Tenha esquecido de ser
Ser algo bem mais forte do que isso
E como essa venda, acho que vou indo
Vou indo direto para um precipício.
Atillas Felipe Pires
15/05/2013
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