Era uma mesa de mógno
Atrás a figura gorda de um homem grande
Espalhado pelo chão se via copos descartáveis
O café daquele bule ainda estava morno
Ele contava os ossos de setenta vezes sete miseráveis
Um prédio escuro numa ala nobre
Era uma parede grande de mármore
Atrás a figura de um quadro caro
Arte vendida sem valor mas cara
Espalhado pelo chão um tapete persa
O wisky que me ofereceram ainda estava forte
Vamos em frente é o que me resta
Já não sou o que fui em outra era
A triste história de um rei moderno
Diretor da casa da moeda num país
Num país onde a morte por fome impera
Esse podia ser meu último trabalho
Mas ainda sentia prazer naquilo
Minha desert eagle tremeu em meu coutre
Vendi minha alma a tanto tempo que já não me importo
Já que vou pro inferno vou deixar meu corpo podre
Mais um trago
Fiz mira e disparei
Mais um que embalei no sono eterno
Contrato pago
A música do elavador é sempre a mesma
Desci com calma
Mais um trago
Caminhei sozinho pelas ruas
Fiz minhas contas
Me vi por aí
Contando em cada paralelepípedo da rua as almas que já levei
Setenta vezes sete eu contei
Agora estou vago
Entre em contato
Dei mais um trago
Atillas Felipe Pires
06/05/2014
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