terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Com amor e loucura

Como é doce esse olhar refletindo o mais belo luar
Eu me sinto em casa como não me sentia em mil anos
Esse é e nunca deixou de ser o meu lugar
Aprendi que só se conhece o brilho real das estrelas quando se propõem a amar
Sentindo o banho da lua nova, naquele belo luar
O mais belo luar

Por favor traga mais uma dose e um cigarro sem filtro
Malboro Vermelho
Meus olhos estão trêmulos diante do espelho
Mas não ligo, eu vou continuar
As vezes a missão da noite é só transar (ou vomitar)
Sinceramente? Eu não vou parar

As vezes numa noite quente de verão
Eu tive o prazer de entrar na parte de dentro do meu coração
Aprendi te vendo passar sem pretenção com livros na mão
Que o que nos faz ver as cores dessa vida pode estar escondido no nosso antigo olhar cinza
Aprendi que o sabor do calor e o cheiro do olhar no ar é o que nos faz querer estar
Estar em qualquer lugar
Eu vou ficar aqui para sempre
Eu vou ficar e te esperar passar

A merda do motor nunca pega direito no frio
Quando me sinto assim eu preciso pisar fundo
Nessa altura eu dou um trago ainda mais profundo
Essa mesa esta imunda, cadê a garçonete!?
(tremenda piriguete)
Sempre somem nessas horas
A desse bar parece ser surda (mas que bunda)
Hoje não estou com animo para flertar
Mas se continuar com esse olhar
Vai conhecer o capô do meu carro
Me vendo por cima e apreciando o luar sangrar
(pare de gritar)

Essa foi sem dúvida a melhor noite da minha vida
Uma noite que durou bem mais do que até raiar o dia
Há anos que não tinha calafrios ao beijar
Eu escuto ao longe uma bela melodia
Que nunca termine essa trilha sonora, muito menos esse luar
Que esteja sempre em mim enquanto durar
Paz, amor e sanidade intelectual
Com você nada esta fora do normal

Acelero meu carro na direção contrária
Eu sou o par perfeito pra quem ama um canalha
Se achar pesado, posso mudar de posição
Eu nunca vou estar cansado
 Não vai perceber e estarei indo embora
A saída tão sútil como a chegada
Eu nunca fico parado
Talvez eu seja um dos seus  melhores pratos
Nesse beco sujo e mal frequentado
Nos divertindo como ratos
Não acredito no que sussurram sobre mim
São meros e incabidos boatos
Posso ser um rato
Mas sou o rei dos ratos

Foi um toque do Cúpido diretamente em mim
Uma flexa sem direção que acertou em cheio seu alvo
Coloriu meu calejado coração
Aparentemente e surpreendentemente me fez perder a razão
Enquanto isso aquele mais belo luar não acaba
Que seja enquanto for
O mais belo e claro luar
Eu regando a mais bela flor
(com amor)
Com quase todo o meu amor

Nunca gostei de barulhos internos no meu carro
Essas latas sacudindo o interior estão me irritando
(já disse para parar de gritar)
Enquanto isso eu vou guiando
Pra mim nunca tem mal-tempo
(vamos fazendo isso e aquilo ao mesmo tempo)
Não sou a melhor amostra do gênero, não sou o melhor do sexo
Mas o transe da voz de Allan Jackson
Me deixa quase um profissional
Não tenho papel higiênico, tome aqui esse jornal
(quanto brutalidade)
Não vou te contar histórias de princesas
Você já não tem mais idade
Agora prove um pouco mais do meu gosto
Do gosto dessa tremenda insanidade
(a melhor fase da sua idade)

Enquanto isso vamos enfrente ouvindo o ronco do motor
Eu deixo o vidro aberto e o sol atinge meus óculos escuros
Vamos juntos na mesma trilha descobrir esse e outros mundos
Vamos juntos, meu amor
O céu laranja me trás uma cena de cinema
Acho que vou levantar a capota, vamos sentir o vento
No retrovisor vejo ficando para trás tudo que nunca me fez bem
(que nunca me ajudou)
O som do toca-fitas velho, nos dizendo coisas de liberdade
(você esta na melhor idade)
A percussão por conta do contato quente da borracha no asfalto
Pra mim não tem mal-tempo, agora não se preocupe em tirar o salto
Eu não ligo que coloquem o pé na parte de cima do assoalho
Enquanto isso
Vamos sempre juntos meu amor
Até a próxima cidade, por favor!
(a melhor fase da sua idade)

Como amor e loucura

Atillas Felipe Pires
07/12/2015








quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Naquele quarto

Naquele quarto eu costumava ficar parado sentado numa cadeira velha, com uma cerveja nas mãos ficava horas olhando pela janela, sempre fui uma pessoa um pouco solitária, não daqueles solitários de não ter ninguém por perto, isso as vezes eu tinha até demais, mas aqueles solitário de não ter ninguém na parte de dentro, minha alma era vazia de presenças alheias, eu não sentia o calor de um sentimento em meu peito, eu parecia ser alguém oco, como uma arvore verde e bonita só que com o tronco podre e prestes a cair.

 Naquele quarto eu costumava manter o frigobar sempre cheio de alguma coisa, na verdade, eu me sentia desesperado quando precisava ficar uma ou duas horas sem cerveja ou uísque, eram minhas companhias, sim, eram minhas melhores companhias, não que seja algo simples assim, mas acredito que somos os nossos melhores interlocutores e ouvintes ao mesmo tempo, e quando estamos com um trago ou dois na mente, nos tornamos melhores oradores e ainda melhores ouvintes, eu sempre fui minha melhor companhia.

Sei que isso parece extremamente melancólico e quem sabe um pouco perturbador, mas desenvolvi meus anos assim e confesso que não me arrependi do que vivi, nunca me faltou companhia acessória, quase sempre algo bem superficial, exceto por algumas pessoas que se aventuraram um pouco mais na trilha confusa e perigosa do meu arredio coração - todas em vão! Mesmo assim, as companhias que me rodearam em todo esse tempo me fizeram muito bem, foram pequenas doses de diversão e depravação, povoaram de muita agitação a fita cassete da minha vida, eu não poderia fazer um filme melhor se voltasse no tempo, eu realmente não me arrependo.

Naquele quarto eu tinha todas as minhas paginas amarelas num canto úmido, minha única preocupação era perder aqueles escritos para as malditas traças que teimavam em me visitar, todos os outros campos da minha vida estavam exatamente onde deveriam estar, minha conta bancária, meu carro, a gasolina, o banheiro e o jantar, tudo estava exatamente onde deveria estar, inclusive eu naquela cadeira velha olhando aquela rua mal frequentada.  As vezes eu era tomado por algum espírito negativo, e imaginava uma caveira imóvel naquela posição estática, integrando-se ao estilo dos móveis velhos e gastos - assim como eu mesmo - daquele quarto de hotel barato, mas só por um tempo, logo depois eu ascendia um cigarro e abria outra garrafa nos dentes, gostava de dias assim, normalmente rendia um ou dois capítulos para meus inacabados textos, experimentava a sensação de um pouco menos de solidão interna quando escrevia, eu criava um mundo novo, um mundo que nada tem a ver com o meu, e virava amigo daquele ser que movimentava minhas histórias, as pessoas me confundiam com ele, mas nunca tivemos quaisquer eventuais similaridade, ele era o oposto a mim.

Naquele quarto eu convivi com algumas histórias passageiras, eu as vi chegar e as vi partir, quase com a mesma sutileza, lembro de todas as tentativas inúteis de cravar memórias mais fundas em minha alma, das desesperadas loucuras de marcar mais fundo em minha hepiderme alguma tatuagem permanente, mas aquilo sempre passava, na verdade, tudo sempre passa. É isso, tudo sempre passa!! Nunca gostei de ser confundido com águas paradas, sempre fiz parte de uma correnteza nessa vida, permeando, beijando, convivendo e passando pelas pedras sólidas que encontrei no leito desse meu agitado rio.

Parece estranho, mas sinto que naquele quarto eu podia ir longe e ao mesmo tempo me manter parado no mesmo lugar, eu viajava distante, até cair a brasa do cigarro em meus braços cruzados, essas marcas eram perigosas, por que elas sim eram permanentes, por isso, colecionei marcas de cigarro em meus braços, nenhuma mais, essas doem bem menos para serem feitas, eu não me arrependo das minhas dores emocionais que fiz questão de minimizar, eu não me arrependo das minhas marcas de cigarro que fiz questão de expor.

Sempre senti que mesmo que eu me esforçasse, essa realmente era a vida a qual eu estava destinado, algumas pessoas vieram a esse mundo com um propósito traçado - ou todos, quem sabe - e o meu talvez fosse mostrar para aquelas que tiveram o desprazer de cruzar minha história, (sempre paralelamente e nunca circular) que existem coisas bem melhores por aí, que existem algumas almas perdidas por aí que trazem muito mais cor e solidez, algumas almas que no seu processo de criação não desenvolveram asas que voam, no lugar criaram um coração. As vezes fico pasmo em como é possível pulsar sangue em minhas veias.

Naquele quarto eu refiz e fiz algumas dezenas de vezes muitas reflexões, algumas tão famintas de sensatez que cortejei a loucura quase que diariamente, eu tinha a mania anormal de me manter sempre fora do normal, pra ser sincero, eu realmente nunca fui um cara muito normal, todos na real..somos forçados a desenvolver personagens e levar essa vida de modo teatral, indo ao trabalho todos os dias, tomando banho na hora, desligando a televisão para dormir, comendo de 3 em 3 horas, lendo por obrigação, esperando nossa vez na fila do pão e falando com alguém sobre o clima do dia, sempre em cena nessa vida, sempre com o roteiro nas mãos, eu cometi talvez, o erro de as vezes fugir do personagem - não fui um bom ator (a essa altura me convenço, que nem escritor), "algumas pessoas nunca enlouquecem, que vida de merda elas devem ter". Naquele quarto em alguns lapsos bem rápidos, eu tive o prazer sexual de ser eu mesmo, é sempre um orgasmo lembrar desses momentos.

Eu costumava expor alguns dos meus escritos para uma seleta freguesia, que incessantemente me consumia como quem seca um vinho velho que se confundi com um bom, eu brincava de confundir com meus produtos, causar algumas poucas cãibras cerebrais que as tirava do mundo real por alguns minutos, eu era como uma droga altamente recomendável para àqueles que não têm problemas com vícios, eu não me arrependo das minhas exposição periódicas. Eu fiz meus próprios filmes de comédia!

Naquela cadeira antiga, eu estabeleci minha estadia, não era muito confortável, mas me trazia uma estranha sensação de intelectualidade, por vezes me sentia o próprio Don Corleone em seus melhores anos, com meus cigarros, livros e vinil, todos velhos, aquele era meu mundo e eu realmente gostava dele. Eu conquistei rosas de todas as cores apenas apresentando minha capa bege e desbotada, eu não me arrependo.

Por vezes eu ouvia a campanhia do quarto tocar - a recepção era uma merda - e ficava imaginando qual seria a novela que entraria dessa vez, eu vivi de reprises de séries a capítulos únicos, eu desenhei e colori e também fiz alguns rascunhos sem acabamento.

Por fim, naquele quarto onde cabia uma vida (ou era uma vida) as coisas passaram muito mais rápido do que eu imaginei, o tempo que passei sentado naquela cadeira foi realmente muito bom, e considerando a relatividade do tempo, acho que continuo sem me arrepender. Sou grato pelas histórias que vivi, sou grato pelas dores que senti, sou até mesmo grato pelas dores que causei - eu nunca matei ninguém.

Eu nunca matei ninguém!

Atillas Felipe Pires

Ela é pura utopia

Ela é da atmosfera mais bela
Nem parece ser um ser aqui da terra
Ela me brinda com seu amor
Ela domina meu ser com seu jeito de ser
Fiquei viciado no seu sabor
Ela é linda, cabelos escuros, olhos claros
As sombras dos seus cílios na cor da sua retina me coloca em transe
Como a sua tatuagem que começa bem baixo e vai subindo
Ela me fascina de noite ou de dia, acordada ou dormindo
Meu pulsar acelerado faz todas as outras dores irem sumindo
Corpo de musa, pele elétrica, arma do prazer
Seu olhar verde me atinge em cheio e eu já não sei o que fazer
Ela é do tipo que hipnotiza o espelho
As luzes se ascendem quando ela chega
Do tipo diamante que sempre diz a que veio
Já quebrei minhas regras por ela
Por que quando se esbarra com anjos deve-se criar asas para tocá-los e sair aqui da terra
O certo é flutuar e dançar sentindo o brilho que emana dela
Preencher meu ser vazio
Habitar os andares pouco utilizados do meu corpo flácido e arrogante
Ela lapidou sem querer meu principal diamante
Se ela não estiver ao meu lado sinto que não vou seguir a diante
Ela surgiu como que do nada pelos caminhos da vida
Eu já a conhecia nas minhas projeções de a ver algum dia
E por fim valeu esperar até o fim
De tudo que há em mim, ela é tudo que deveria sempre estar aqui
O hoje, o amanhã e o que esta por vim
Ela me mostrou as faces ocultas do amor
Eu malandrão pensei que era o bom
Hoje aqui estou
Ela é tudo eu paro na estrada
Ela vê o mundo com cores diferentes para cada caminhada
Eu nunca soube valorizar quase nada
Ela me mostrou o que eu não sou
E que na verdade é tudo isso que sou
Ela veio do nada quem diria
Ela é pura utopia
Ela me trás as melhores cores do meu dia
Ela sabe como anestesiar minhas dores
Ela não tenta me conquistar
E seu jeito de me notar sem me deixar notar me prendeu no seu olhar
Eu já perdi as rédeas do meu tão bem traçado plano
Hoje apenas vou viajando enquanto ela brinca de "não estou te conquistando"
Ela me deixou a mercê
Do mar de amor que guardei
Achou o caminho pra luz que sempre ignorei
Ela é bem mais que aquilo que eu sonhei
Ela me mostra os segredos dos mistérios
Da paz do Hindu ao radical da Opus Day
Ao gosto do vinho e o limite dos estéreos
‎Nada mal nem tão sério de tudo isso que falei
Ela me veio tão rápido enquanto eu dormia
Ela é pura utopia

Atillas Felipe Pires
02/12/15

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Intelectual banal



Me desculpe mas não vou me escutar
Na verdade eu não quero ouvir mais nada
Nem quero saber de tanto que sempre tenho a me falar
Por que meu estilo não vai mudar
E se estou errado é assim que essa vida maluca e gorda eu vou levar

Não me leva a crer que essa trilha vai girar sem parar
Enquanto eu estiver sentado a beira do meu sonho central
Com o copo transbordando e a lábia ainda fascinando
Meus carinhos mais de um alguém faiscando
Eu sou contemporâneo, luterano, eu sou um cara intelectual e banal
Eu não leio jornal mas sei decorado os gritos de James Brown

Não adianta eu me dizer o que fazer
Se eu sempre vou correr na contramão do meu dizer
Levando por aí o instinto animal banalizando o pulsar do coração
Minha meta é não criar raízes mas ainda assim pisar no mesmo chão
Desde que toque sem querer minha alma e deturpe minha razão
Eu frequento a selva dos amores sou bicho solto atrás dos sabores dessa vida
Sou fera ferida
Animal arisco quando domesticado esquece o risco
E acaba por se perder na partida

Enquanto isso escrevo sobre minha vida como minha querida
Faz parte da minha história todo esse escarro deixado em cada esquina
Das curvas desse corpo que me contempla com sua presença
Só por essa noite
Mas uma magia em pleno açoite
Obrigado pelos elogios
Mas eu costumo apagar todos os textos mentirosos
Nesse momento apenas me passe os fósforos
Meus anéis e correntes tão meticulosos
Perfeitos para um estilo tão performático e teatral
Como minhas rimas e versos falsamente glamorosos
Eu sou contemporâneo, luterano, eu sou um cara intelectual e banal
Eu não leio jornal mas sei decorado os gritos de James Brown

Eu não vou me ouvir já é hora de dormir
Não tente me entender meu amor
Já é hora de ir

Atillas Felipe Pires
06/11/2015


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Perspectivas



Aquele corredor nunca foi tão longo
A amargura que o aguardava atrás daquela porta tornava aquele o caminho para a dor
Ele tentou lembrar onde foi que esqueceu todo aquele amor
Como as coisas puderam mudar tanto
O que antes o fazia feliz
Agora o faria chorar
Ele já não sentia-se mais feliz ali
Era como estar sozinho mesmo estando acompanhado
Atrás daquela porta estava seu antigo amor
A decisão pra ele foi dura
Mas era hora de acabar
O que mudou tanto assim ele tentou lembrar
Esperava que o fim do corredor não chegasse
Quem sabe ele ainda a amasse
Pensou nos filhos e nos cachorros
Pensou nos hotéis e no seu carro sempre sujo
Havia uma confusão filosófica
Uma espécie de confissão catastrófica
Era o fim

Ela ainda não tinha entendido por que a luz do forno não ascendeu
Já tinha passado os cinco minutos programados
Não suportava a ansiedade pela chegado do seu amor
Passou a tarde preparando um jantar para comemorar o dia dos namorados
Mesmo sendo casados
Desempoeirou o velho livro de receitas
Preparou uma carne com ameixas
Pediu a mãe para ficar com as crianças
Hoje ela era quem queria voltar a infância
Para o dia em que o conheceu
Naquele parque de bairro com 14 anos
A melhor coisa que lhe aconteceu
Ah como ela está feliz
O vinho está gelado o queijo já vem cortado
Jantar a luz de velas para seu amado
Que em 5 ou 10 minutos já está para chegar
Quanta ansiedade que vontade louca de o abraçar e o beijar
Sentir na pele a magia doce que é amar
Como ela ama amar
Aliás quem não ama amar
O sabor doce do toque ao beijar
As brigas bobas que faz tudo ficar melhor quando acaba
O ciumes de brincadeira
As músicas que marcam
A felicidade verdadeira
Ela deixou tudo como ele gosta
Programou do zero ao infinito a noite perfeita
Tanto amor pra ela ele acredita que ela seja a eleita
(ela é a mulher perfeita)

O corredor continua longo
A dor e os pensamentos cinzas o provocam com força
Sente-se como na fila pra forca
Mas já desenhou todas as possibilidades
E o fim é a única saída a única opção que não lhe perfura a blindagem
Nesse ponto ele para no meio do corredor
Encosta a cabeça na parede
Sua garganta parece secar
Mais estranhamente não parece ser sede
Duas batidas seguidas de leve
O que estou fazendo
Algum anjo bom pelo amor me leve
E a caminhada curta e longa continua
A porta cada vez mais próxima
A paixão antes vestida de brilhantes e ouro
Agora está surrada e nua
Os olhos marejados de lágrima
Um toque na maçaneta
O começo do fim, que lástima

O apito do forno tocou
A carne assim como na receita dourou
Tudo caminhando muito bem
Quando o barulho da porta da sala se faz ouvir
Meu Deus chegou o meu motivo de sorrir
Uma corrida até a mesa o prato principal no centro
Um ajuste na rosa de enfeite
Ele entrou
Consigo uma garrafa de vinho
Um sorriso nos rosto
No rótulo do vinho uma colagem especial
O ticket de entrada daquele antigo parquinho
Um abraço longo e apertado
Como eu te amo meu amado
Como com você me sinto amado
Meu sonho dourado
Minha infinita alegria
Que seja essa alegria pra sempre infinita

A maçaneta rolou para o lado esquerdo
Lentamente a chave ele girou
Num impulso quase sem pensar ele entrou
Lá estava ela deitada no sofá
Cabelo desajustado
Com a roupa que acordou
Nada mudou desde cedo, tudo no mesmo lugar
E aí, o que trouxe pro jantar?
Sente aí amor, precisamos conversar
Aquele contexto tornou mais fácil o que tinha pra falar
Chegou só fim
Eu quero terminar

Eles estão por aí
Não existe uma regra nas formas de amar
Só existe aqueles que amam e os que não amam
Que seja feliz
Que seja forte
Enquanto vier para amar

Atillas Felipe Pires
11/08/2015


Breves..calafrios

Que tal você virar na direção do sol
Enquadrar o seu olhar nas estrelas mais  brilhantes
Não se iluda com o brilho do anzol
Dê valor as coisas belas  que curve seus lábios
Aos tons de pele mais sentilantes
O toque que arrepie seus pelos do braço
Como num dia de frio na falta de agasalho
O magnetismo dos opostos lhe causando calafrios
A luz da manha refletida por entre os pingos de orvalho
Peça a Deus que te dê asas para voar
Permita-se flutuar na fé de que  não irá cair
E sinta  as mãos do seu amor te fazer voar sem sair do lugar
No amor tudo é capaz
Mesmo que seja uma amor de tanto faz
Se for amor
Tanto faz

Atillas Felipe Pires
12/08/2015

Noite curta

Hey cara me escute muito bem
Estamos faz algumas horas nesse bar sujo
O que vamos fazer se  tão pouco temos para fazer
Eu peço mais uma dose e  me embriago sem perceber
Não sei se já notou mas todas as merdas que fazemos
É quase sempre sem querer
Uma encrenca sem pensar
Uma briga de bar
São tacos e garrafas espalhadas pelo ar
E agora o que vamos fazer?

Eu tenho uma ideia eu não sei o que vai dizer
Mas na minha opinião poderíamos continuar a beber
Vidas vividas histórias contadas
A cada nova hora nesses bancos desconfortáveis
Ninguém nunca nota que não há relógio nos bares
Tudo certo eu não tenho compromisso
Na verdade meu compromisso é com isso
Sem ter medo, sem ter obrigação o que devemos é viver

Mas escute bem meu caro
O que vamos fazer se tão pouco temos para fazer
Saímos sem pagar correndo pra outro lugar
A merda da partida nunca pega de primeira
E quando ligar é só acelerar

Outra vida, outra avenida, luzes de qualquer lugar
Preste bem atenção acho que eu vou parar
Já não consigo sentir meus dedos no lugar
Na verdade acho que vou vomitar
Olha camarada isso aqui é para poucos
Mas se quiser ficar eu não vou te acompanhar
Estamos muito loucos e tem cerveja pra comprar
A festa vai começar e eu não quero me atrasar

Tudo bem malandro, vamos correr
Vamos viver, então vamos correr e quem sabe por aí
Vamos encontrar
Alguma outra loucura que me faça flutuar

Eu nem percebi que não estou vestido para festa
Cheguei e nem notei, tinha barro na barra e um galo na testa
Puta que pariu, mas que tenso mas que barra
Finjo que é estilo e pego outra dose
Nunca se sabe o que vamos encontrar
Dentro de um copo ou de um corpo a desfilar
Depende de você
Se quer ou não explorar
Ok garota o que vai ser
Você acha que vai dar?
Por favor não me entenda mal
Na verdade não estou falando de transar
Eu só queria te dizer
Acho que quero um cigarro
Esqueci lá fora no porta-luva do meu carro

Vem comigo, vamos viver, é só correr e então o que vamos fazer
O que vamos fazer se temos tão pouco a fazer
Essa vida passa rápido e onde é que vai parar
Não me importo nem de longe enquanto a cerveja estiver gelada
Outro dia, outro lugar, outra festa, outro bar
Nessa corrida que não parece acabar
O que eu quero quem sabe é a noite terminar
Sentado na varanda olhando para o mar
Quem sabe cara, vamos correr!
O sol já esta para nascer

''Entre o ontem  e o amanhã  o tempo é dado de presente"

Cara, ontem estávamos no bar sujo
E acordamos de frente pro mar
Que viagem literalmente
As vezes sinto como se tomasse um soco na mente
Aqui ao meu lado, dormindo sentada
Tem alguém que não sei quem é
Latinhas espalhadas e uma garrafa de vodka no meu pé
Essa é a vida que pedi a Deus
Enquanto não encontrar numa mesa de bar
Minha sorte que trás azar

Atillas Pires
08/07/2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Na madrugada todos os gatos são pardos

Na madrugada todos os loucos se confundem
Perambulando por aí a procura de algo mais
Apenas mais uma virada nessa história
Uma guinada na direção correta
Os reis da escória
Na madrugada os becos são iguais
Os semáforos nunca piscam
O mundo pertence aos habitantes do subsolo social
Aqueles que durante o dia buscam trocados no farol
Os donos das ruas quando todos dormem
Que rezam em prol do seu estilete individual
Quando as luzes dos prédios se apagam
Os gatos pardos saem sem destino
Desviando dos cachorros que em forma de sirene barulhenta
Surgem latindo
O mundo que todos desconhecem
A vida não contada nos jornais
São todos seres imortais
Em busca de algo mais
Seguem desviando do plano infernal
Pulando das armadilhas do inimigo
Lembrando que  não é por que sonham
Que estão dormindo
Ignorando as estatísticas
Se mantendo longe das manchetes de jornal
Que as seis da manhã sempre mostra um irmão
Que não driblou os caminhos do mal
São todos seres  da noite com visão noturna
Seres noturnos não pelo turno
Sobrevivendo no calabouço da cidadania
Invisíveis ao seu, ao meu, aos nossos olhos
Que teimam em acreditar
Que a solução é virar a direção e não olhar
Na madrugada todos os gatos são pardos


Atillas Felipe Pires
04/07/2014

Estadia temporária

Diga-se de passagem quando estiver de passagem
Por uma antiga e mal-cuidada estalagem
Na beira de uma estrada de deslumbrante paisagem
Com os pneus quentes, cansados e  rodados
Uma zumbido no motor indicando manutenção
Um bom dia ao recepcionista desajustado
Um afetuoso aperto de mão
As roupas no varal finalmente uma parada confortável
Quantos dias se passaram dessa viagem inesgotável
Estou de volta a melhor forma, a minha forma ideal
Já é tarde, vou tirar as roupas do varal

Mais alguns tragos sentado na cadeira de madeira externa
Olhando para a floresta logo em frente
Uma placa apagada indicando a decadência da região
Nada além do que imaginei, nada além do que mais me deixa contente
Um dia a mais ou um dia a menos
Entre a terra e Vênus
Meus nervos de aço continuam fortes para acelerar mais e mais
Com o tanque sempre cheio o destino tanto faz

Um violino nas costas preso por cadarços
Logo hoje meu foninho esquerdo esta falhando
Gosto do meu som perfeito
Viajar viajando
Ainda ontem pisei sem querer numa poça de barro
Minhas botas a cada dia contam  novas histórias
Entre derrotas e desapegos, visíveis vitórias
Colocando novas pessoas no meu livro diário
A única marcação que preciso
Pintando meu destino com novas cores
Muito prazer meu nome é otário

A garrafa sempre cheia no porta-luvas
Não aconselhável mas profundamente agradável
Uma dose a cada curva  quando não encontro chuvas
Dentro do controle para não perder o controle
Com os vidros abertos sentindo o vento local
No toca-fitas uma parada qualquer
Percorro entre Cassia Eller a James Brown
Passando pelas batidas simples  qualquer porra banal  

Nas minhas viagens encontro varias personagens
Me apaixono e desapaixono como quem  lubrifica as engrenagens
Vivendo de estrofes em estrofes
Apenas a cada dia encaixando novas rimas
Provando o sabor de novas salivas
Doces, amargas, cativantes, inebriantes
Diabólicas, desajustadas, apaixonantes
As vezes apenas piso um pouco mais fundo
E coloco meu pé na estrada
Sozinho e nulo, conhecendo o mundo
Ansioso apenas com a próxima parada
Uma vida em looping

Diga-se de passagem quando estiver de passagem
Por uma antiga e mal-cuidada estalagem
Na beira de uma estrada de deslumbrante paisagem
Com os pneus quentes, cansados e  rodados
Uma zumbido no motor indicando manutenção
Uma bom dia ao recepcionista desajustado
Um afetuoso aperto de mão
As roupas no varal finalmente uma parada confortável
Quantos dias se passaram dessa viagem inesgotável
Estou de volta a melhor forma, a minha forma ideal
Já é tarde, vou tirar as roupas do varal

Atillas Felipe Pires
04/07/2015