terça-feira, 28 de abril de 2015

Uma placa em uma curva qualquer

Ele parou diante de uma placa na estrada
Com um anúncio colado já apagado
Aquela folha amarela exposta como outdoor
O lugar ideal pra expressar sua dor
O lugar ideal pra expressar seu amor
De uma caminhada de fazer dó

Uma história registrada em letras de forma
Uma história escrita em giz feito de tijolo
Tantas emoções transcritas naquele rabisco
Que faz o mais sábio dos intelectuais agir como um tolo
Essa caminhada sem destino já a muito o tem cansado
Mas os postos que aparecem na beira da estrada
Não o cativa, não o deixa animado
Ele vai continuar a deixar marcas nas curvas que encontrar
Enquanto seu coração ele continuar a guardar
Envolto em arame farpado
Imune a todas as mazelas das falsas donzelas
(estou desconte mais ainda acredito nelas)

Ele ficou ali parado pensando
Olhando para aquela placa na sua estrada
Qual seria a mensagem que deixaria
Qual seria a linha de pensamento que seguiria
Uma vez que já provou tantos sabores nessa jornada
Qual será o melhor agrado a seu paladar
Qual seria a história a contar
Ele ficou ali parado pensando
Quantas vidas já viveu enquanto em círculos esteve andando
(ou diversificando seu gosto, saboreando)
Ele ficou em dúvida
Qual seria a história a contar
(quem sabe o desenho ideal daquela feita para amar)
O desenho ideal daquele encaixe perfeito ao beijar
Qual história ele iria contar?

Uma história registrada em letras itálicas
Com voltas excessivas nas extremidades
Uma história que atravesse as idades
Que descreva a pessoa que o melhor lhe fará
O ser ideal que permeia seus mais distantes pensamentos
A vontade do envolvimento sem nada em troca
O mais puro dos sentimentos
Apenas pelo prazer de sentir o tocar na boca
O arrepio que desprende os pés do chão da realidade
O toque perfeito do ser imperfeito
Que no olhar brilhante e tocante pode ser sua outra metade
Sentir o calor da alma
Que nessa época anda distante
Sentir no cheiro natural
O afago perfeito da presença da sua ideal amante
(algo assim tão lindo e fascinante)

Ele apertou um pouco mais o giz em seus dedos
Pensou em quantas superfícies diferentes já tocou
Lembrou da textura de cada um daqueles momentos
Voltou para aquela placa na curva da estrada
Começou sua arte que não é linear
As vezes pintada
As vezes escrita as vezes falada
Ele sempre pensa muito antes de tudo
Mas no fundo seu lugar quem sabe
É fazer poemas no papel toalha na mesa do bar
Vivendo a vida por meio da visão turva do fundo da garrafa vazia
E quantas noites já se foram?
Quantos carnavais já passaram?
Ele tenta não pensar, hoje a noite esta tão solitária
Hoje a noite esta tão fria
Ele esta desenhando o amor sem perceber
Quem diria
O poeta que com o tempo desaprendeu a amar
Sentimentos bons voltou a desenhar

Enquanto isso as cores da placa não mudaram
Aquele papel branco e velho colado e esquecido
Pedindo um pouco mais de vida
Não querendo ser mais a placa naquele canto envelhecido
No canto esquecido daquela pouco usada estrada
Ele olhou para trás e contemplou sua ultima parada
Que estava logo ali na ultima virada
Já que o destino lhe deu sempre rotas em quadrilátero
Um roteiro quase sempre muito bem escrito
Enquanto em seu interior ecoa um silencioso grito
A alta gama de opções de tema para sua história
O faz não ter opções de temas
Nessas frases arredondadas, esse antigo teorema
Preenchendo o espaço
Já que não há nada para dizer

Ao fim do dia o giz não perdeu muito da sua cor
Ele não concluiu sua obra
Aquela folha branca ganhou parcialmente uma vida
Apenas um desenho para não passar em branco
(ou deixar o branco)
Distribuir toda a dor atribuída
Um coração até a metade
Ele parou no meio
Olhou para os lados
Agradeceu aos céus e a todas as divindades
Não escolheu uma frase ou alguém
Deixou no máximo uma mensagem a quem vem

"Vou seguindo desenhando minha história
...entre as paisagens que visitam meus olhos e
as imagens que tento guardar na memória
Desejando a cada dia que fique gravado em minha retina
Apenas o que me trará boas energias
..é tudo o que mais quero
Que o amor me alcance
Que o bom seu hálito doce me alcance, vem
Entre você e todos os santos
Eu peço licença e me retiro
Amém."


Atillas Felipe Pires
27/04/2015

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