Quando aparece e desperta, meu dom não desperta a conquista! Quando
cruza sem pedir passagem o meu caminho, no meu caminho não permanece,
quando mira em meus olhos o brilho desses olhos, nos meus olhos não
fica, quando quero que fique,
triplica a marcha veloz e corre, de tanto medo do pretérito não pratica
o futuro, quando eu miro o futuro, quem eu quero no presente me vê no
pretérito, quando interrompe meus planos, não há planos por baixo dos
panos, quando tento conquistar, não conquisto,
só sabe me amar quem eu não sei amar, quando paro pra pensar, minha
vida é apenas uma máquina de lembrar, quando peço pra ficar, toma rumo
diferente sem olhar pra trás, furtiva mente que me prega uma lição, que
se for pra eu querer não há quem vai me querer,
então é melhor eu não querer, quem sabe meu enredo seja arredondar por
aí as margens dessa triste sina, essa melancolia que me domina, quando
chega pra ficar, desperta em mim o famoso sal do a(mar), pra no fim me
deixar, se for pra eu querer ninguém vai me
querer, então é melhor eu não querer.
Atillas Felipe Pires
16/09/2016
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