quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Quase sem querer

Quando aparece e desperta, meu dom não desperta a conquista! Quando cruza sem pedir passagem o meu caminho, no meu caminho não permanece, quando mira em meus olhos o brilho desses olhos, nos meus olhos não fica, quando quero que fique, triplica a marcha veloz e corre, de tanto medo do pretérito não pratica o futuro, quando eu miro o futuro, quem eu quero no presente me vê no pretérito, quando interrompe meus planos, não há planos por baixo dos panos, quando tento conquistar, não conquisto, só sabe me amar quem eu não sei amar, quando paro pra pensar, minha vida é apenas uma máquina de lembrar, quando peço pra ficar, toma rumo diferente sem olhar pra trás, furtiva mente que me prega uma lição, que se for pra eu querer não há quem vai me querer, então é melhor eu não querer, quem sabe meu enredo seja arredondar por aí as margens dessa triste sina, essa melancolia que me domina, quando chega pra ficar, desperta em mim o famoso sal do a(mar), pra no fim me deixar, se for pra eu querer ninguém vai me querer, então é melhor eu não querer.

Atillas Felipe Pires
16/09/2016

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