sábado, 6 de outubro de 2012

Ele acorda bem cedo
Ele paga as contas e presta contas
Vive com eterno medo
Medo da fome
Medo de perder o emprego
Ele sonha em ter um carro
Fugir do aluguél
Ter dinheiro pra levar sua dona
Pra conhecer um motel
Ele esta cansado
Vive sem parar num ritmo alucinante
Esta quase sempre atrasado
Como ter tempo para arte?
Para ele, perda de tempo
Não para pra pensar
Como seria bom parar
E ficar atoa por um momento
Vendo o vento
Olhando nas nuvens
Um movimento
Ele prefere a correria
A esperança de um dia ser senhor
Faz com que a dominação seja suportável
Mas passaram 30 dias
E no fim do mês
Sua vida não esta confortavel
Vamos esperar ele diz
As coisas vão melhorar
Alimenta o mesmo sentimento
Para o mês que vem
Desde o ano passado
Sabe que nada é por um triz
Sabe que se parar vai chorar
Se pensar vai chorar
E no final de semana, tem carne pra queimar
Tem cerveja bem gelada
Não sobra espaço pra tristeza
Seu filho traz a namorada
Sua mãe lhe conta como foi na igreja
Não importa a dor
Se qualquer coisa ele festeja
Não importa nada
A vida é assim mesmo
Assim são as coisas ele diz
Nada é por um triz
Vem vamos embora
Esperar não faz a hora
Nesse caminho, vem comigo
Vem ser feliz!

Atillas Felipe Pires
06/10/2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sexus, Nexus e Plexus

Vêm comigo, vamos enfrente, cordeiros passageiros
Que tenhamos força para beber da água
Que desce da boca dos lobos traiçoeiros
Nosso grito é bem mais forte que essa dor
Tratados como bobos, vem comigo
Vem comigo cordeiros
Luz que brilha em infinitos quilates
Brandos na pele, mas por dentro eternos loucos
Nossa força foi criada pela falta
Estrutura precária, falta comida, falta água
Não temos como se orgulhar
Da nossa conta bancária
Mesmo assim, da contra-mão nos viramos
Estamos disputando de igual para igual
A corrida que desde a partida é desigual
Não importa, se para estar bem
Para nós não é difícil
Basta ignorar tudo que sempre esta mal
Falo por todos
Falo por mim
Por você
Dessa vez, acho que vamos conseguir!
Quem vai nos impedir?
Eu quero ver!
Vamos levantar esse exército
Que aprendeu a dar valor nas coisas simples
Como o rubi brilhante
Que foi dado aos pobres
Que limpou o curativo podre dos infratores
A vida estagnante, de um mero comerciante
Figurino traçado, vida esbanjada
E olhando para o lado eu paro e penso
Não entendo a dor daqueles que causam dor
Não entendo as lágrimas que descem daqueles que portam armas
Que querem te machucar
Ou procuram no amor, uma forma de transar
Não entendo a repugnância pelo odor
Daqueles que tragam a morte mal cheirosa
E jogam a vida para o ar
Na fumaça contagiosa, que invade sua alma
E escurece seu fôlego até a morte
Lentamente te leva pela vida inteira
Mas que no fim, faz seu corpo
Virar cinza, por inteiro, de uma só vez, numa fogueira
Não entendo o que quero entender
Quando paro como hoje para escrever
Sem óbvio porquê
As linhas vão saindo sem ritmo bonito
Sem arte contemplável
Enquanto isso você continua lendo
Continua indo
Buscando algo que acalente sua alma
Algo afável como este abraço literário
Que trás nas mangas esses espinhos enormes
Que invadem sua carne e criticam sua vida
Não importa, quem escreve
O que importa é o toque na ferida
Dessa sua vida mal vivida
Dessa sua jornada
Que diferente dos seus sonhos de criança
Nunca foi, e nunca será encantada
Encare talvez como mais uma cantada
Se interesse por mim
Por ser excêntrico
Assim vou ganhando a vida
Assim vou convencendo mais e mais
A vir para o meu lado
Sem nexo, complexo
Cito novamente
Passe mais tempo entre Sexus, Nexus e Plexus
Pela ronda do triplex dessa noite
Parei sem mais nem menos por aqui
Agora vejo na tv e paro para ver
Um negocio interessante
Sou maluco viajante
Sou maluco marginal
Vou ali, sentar num sofá velho
E ver se desse mundo complexo me desligo
Vou enfrente, passo a ver..
Que é melhor viver, melhor nunca se esconder
Mais um trago da morte mal cheirosa que não entendo
Mais um nó, na mente, de quem ta lendo
Bons góles meu amigo
Só não vem comigo!
Atillas Felipe Pires
02/10/2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

..." que legal ela é vocalista de uma banda!" "...pois é, e até que ela canta bem." "Bolacha?"


Arte! - um suspiro -

Cansado eu sei, de um jeito que não sei
Tentei buscar, tentei andar
Mas como tudo e todos eu também me cansei
Não encontrei ninguém com arte
Cadê a arte?
Não há mais o encanto
E todas as fumaças são cinzas
Quero encontrar, o colorido nesse mundo de pedra
Ouvir na janela ao lado, um bonito canto
Ver a voz rasgada de um vocal maluco
Tipo Raul assim, maluco de pedra
Sentado na santa ceia
Me vejo deslocado no mundo
Me vejo com gente estranha que me rodeia
Cadê a arte?
A decepção sempre vem desse mesmo lado
Na mesma forma, com a mesma dor
Acredito nos espíritos, em Deus e no Diabo
As vezes leio Saramago
Sei que tudo isso faz parte
Mas nesse momento, vem comigo, e me responda
Cadê a arte?
Não vi ninguém retirar as folhas secas
Nem a neve grossa
Para ver, o colorido do ramo que brota
Escondido no fundo da mente
Vamos em busca de cativar alguém
Em busca de sei lá, buscar o som
Sou assim, quase que diariamente
Mas me sinto tão só
Queria ter alguém
Pra tomar essa ultima dose
Pra tragar essa ultima brasa
Alguém que me dê remédio pra tosse
Alguém que como se eu fosse morrer
Bem forte me abraça
Procurei e não encontrei
Sai do corpo nos últimos dias
Flutuei, viajei, cogitei, analisei, me entreguei
Sacrifiquei, me calejei
Acho que sem perceber, me libertei
Hoje o espaço esta liberado
Não há nada em seu lugar
Espero que por algum tempo
Isso não se torne, medo de amar
Quero continuar minha caminhada
Da qual nunca devo parar
A não ser que seja pra sentar numa pedra
De frente pro mar
Sentir a brisa, ouvir você tocar
Uma bela canção
Espero também
Que por algum tempo, tudo isso demore pra tocar meu coração
Eis aqui, uma complexa contradição
Uma intrigante forma de deixar tudo passar
Tudo voar
Tudo se perder diante desse astro que é o mar
Eternamente eu sei dizer
Onde te encontrar, onde te beijar
Esse vento que surge, para me ajudar
Vem simplesmente, afim de provar
E te ajudar
Quero você
Mas quero só pra olhar
Diante do mar
Que bela cena
Olhando pro mar
Vamos enfrente
Sintonizar
Alegrar
Abraçar
Rasgar
Embriagar
Tragar
Gerar algo bom, pelo que
Vale a pena
Amar.

Atillas Felipe Pires
27/09/2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O que?

Ei garota, me da um beijo e me diga o que eu quero ouvir
Eu sei como é, sei de tudo, eu sei de você eu sei de mim
Ei garota, se for por você
Sabe como é, eu quero você aqui
Como a namorada chata no meu pé
Nem acredito nisso
Estou tipo São Tomé
Te convenso com intelectual generoso
Te mostro meu talento mitológico
Te fascina eu sei
Você me admira é lógico

Mas será que sim, vem, vem pra mim
Será que sim
Será você a destinada pra mim
Vamos voar, me aperte com força
Sem nenhuma pretenção de soltar
Então, o que há?
Acho que você acabou de entender
Me desculpe minha maravilha
Sou mesmo um cara ruim, um cara de doer
Tudo mentira, tudo falsidade
Eu queria transar
Queria fuder..sem perceber, acho que acabei por te fuder
Nos dois sentido, sim, foi de doer
Eii garota, e agora, como é que vai ser?
A realidade de pernas abertas
A verdade como puta exposta
O que vai querer?

Sem mentira, sem intriga
Todas iguais, carnivoras
Viboras carnais
Sem diferença
Cobras de uniformes
Salto alto, marca prada
Vinho bom, sapato alto
Cabelo liso
Sempre atrás da gozada espada
Mais que porra em?
Vem, vemm..olha o que tem!
Tudo o que convém

Atillas Felipe Pires
26/09/2012
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Qualquer coisa, foda-se!

E do ponto de vista de um ser superior
Nos ver é como ver algum filme ruim na tv
Algum filme que não foi digno do cinema
Alguma coisa assim sem nexo
Tipo uma espécie de teorema
Um emaranhado de falsidades com desfecho complexo
Nos ver deve ser algo assim, meio assim
Que se encaixa em tudo que se diz sem fim
Mas que como tudo, não tem fim
Eu digo sempre, há sim o fim
Deve ser como olhar para o mar
E imaginar beber toda essa água salgada
De um só vez
Venha provar agora, da minha lucidez
Ou quem sabe o gosto desse vinho forte
Dessa minha presente embriaguez
Eu sei, que não vou mais nos mesmos lugares
Não freqüento os mesmos bares
Mudei as musicas
Alterei as fotos
Vendi os presentes e escrevi a artistas comoventes
Passei a observar os olhares
Que perdido no vácuo
Se dirigem a alguém diferente
Alguém como é que se diz?
No inicio rebelde comunista
No meio, estagiário fingido
No fim, nada mais que importe a alguém
Seja lá quem!
Vem, vem, vem
Agora, com sua pele escura
Pelo texto do queime-se
Apague-se e chore!
Ou sinta e solte agora essa gargalhada entalada
Agora, eu sei
Agora eu, não sou nada
Nada que não seja glórias materias
Que não é tanto assim
Basta a lata gelada!

Atillas Felipe Pires
20/09/2012

Reascendeu? Queime-se!


O verdadeiro lugar de nosso nascimento
É aquele em que estamos
Quando lançamos um olhar inteligente
Sobre nós mesmos!