Nós somos uma geração de idiotas, telefones inteligentes e pessoas burras!
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Volte
Eu to voltando pra casa
Depois de uma temporada entre asfalto e concreto cinza
Eu estou colorindo meu mundo
Fazendo meu chá com calma
Como faz na sala de visitas o velho ranzinsa
Preocupado apenas com o alimento da alma
Gestos lentos milímetros pensados
Paciência que transborda
Não bata em uma parede
Esperando abrir a porta
Não tente
Faça!
Atillas Felipe Pires
23/05/2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
O brilho em meu olhar
Que entendam de cór o meu prefácio
As pessoas de alma reluzente
Que me encantam a distância
Que estrangule meu bloqueio ou ao menos tente
Que pelo prazer de dar prazer esteja pronta para amar
Por que eu sei que olhando no olho da pessoa certa
O reflexo em minha retina
Pode ser o eterno brilho do meu olhar
Quem me vê talvez não acredite
Mas minha maneira desajustada esconde a verdade de um ser
Que nas nuvens do tédio busca esse olhar, busca esse jeito de amar
Esquecendo ao relento o que o passado escreveu uma vez
Procurando no vácuo da noite algum ato de acalento
Delineando linhas tortas pelas vidas que frequento
Nem amizade, nem afinidade
Ao final repitido, sempre a cópia de um mesmo momento
Um ponto final sem abraço
O nó cego no laço
Minha trilha é me embriagar de sensatez
Agir na contra-mão do filósofo
Que surrando me diz: que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez
Uma vez!
19/05/2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
Os bobos
Era uma casa muito engraçada
Na rua esgoto na mesa nada
No sol na casa ninguém ficava não
Porque a casa era de latão
Ninguém podia dormir na rede
Por que a policia descia o cacete
Ninguém podia fazer pipi
Por que o esgoto passava ali
Mas era feita com muito esmero
País dos bobo
Na conta zero
Atillas Felipe Pires
Vinicius de Moraes
06/05/2014
Tão colorido
Diga hey diga rol novo personagem pro Chico Anysio show
Ele passa
Ele olha
Ele encara
Ele trola
Nova geração perdida e é droga toda hora
Do alto da minha janela vejo pessoas coloridas
Nova função da sociedade imaculada
Sem trilha sem caminho, sem futuro parados na estrada
Pessoas perdidas
Exército vencido por cérebro atrofiado
Ele veleja num rio de mijo e ainda se afoga
Ele passa
Ele vem e vai
Ele engoli sem mastigar
Ele fuma
Ele cheira
Ele quer mais cola
Ele não quer parar
Se vangloriar é a cota do malandro
Hey gatinha escrevo "to nu fluxo"
Evandro, Alexandreson, Kleberson, Alecsandro
Somos todos iguais
Olhem todos para mim
Eu sou foda, eu to na moda
Eu saí da escola
Minha estupidez é sem fim
E é droga toda hora
Verde, amarelo, azul claro, azul escuro, vermelho sangue
Tem de todas as cores
Escolha seu aparelho dentário pra otario e entre para nossa gangue
Pigmentos variados num asfalto cinza
O contraste perfeito entre o frio e o perdido
E a idéia principal esta num novo drink de energético bull power com vodka barata
E quem sabe um troço de merda bem diluido
Foda-se a qualidade o importante é manter a briza
Ficou louco bateu na namorada
Filha da puta, vadia, estuprada
E assim vai indo
E é droga toda hora
Minha opinião é que muito busto ainda vai pegar fogo
Mas não pela ideologia
Quem sabe pelo excesso
Desse povo que não sabe as regras do jogo
Beijos em três, sexo deturpado
Agora é minha vez, juventude regada a lança perfume e pó branco cheirado
Ele vem de casa já ereto
Naturalmente um tarado
E que haja orgia
Eu por outro lado
Me sinto grato
Nunca fui de me perder com as vadia
Junt a little be
Do you understand me
E enquanto houver auto-destruição gratuitamente
Não evolui esse povo que vive ao pé de quem mente
Levemente alterado
Altamente prejudicado
Infinitamente manipulado
Enquanto isso chora pela mente
E o único brilhos dos olhos é o vermelho do baseado
Atillas Felipe Pires
06/05/2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Profissão perigo
Era uma mesa de mógno
Atrás a figura gorda de um homem grande
Espalhado pelo chão se via copos descartáveis
O café daquele bule ainda estava morno
Ele contava os ossos de setenta vezes sete miseráveis
Um prédio escuro numa ala nobre
Era uma parede grande de mármore
Atrás a figura de um quadro caro
Arte vendida sem valor mas cara
Espalhado pelo chão um tapete persa
O wisky que me ofereceram ainda estava forte
Vamos em frente é o que me resta
Já não sou o que fui em outra era
A triste história de um rei moderno
Diretor da casa da moeda num país
Num país onde a morte por fome impera
Esse podia ser meu último trabalho
Mas ainda sentia prazer naquilo
Minha desert eagle tremeu em meu coutre
Vendi minha alma a tanto tempo que já não me importo
Já que vou pro inferno vou deixar meu corpo podre
Mais um trago
Fiz mira e disparei
Mais um que embalei no sono eterno
Contrato pago
A música do elavador é sempre a mesma
Desci com calma
Mais um trago
Caminhei sozinho pelas ruas
Fiz minhas contas
Me vi por aí
Contando em cada paralelepípedo da rua as almas que já levei
Setenta vezes sete eu contei
Agora estou vago
Entre em contato
Dei mais um trago
Atillas Felipe Pires
06/05/2014
sábado, 3 de maio de 2014
BR 140
No fundo o que eu preciso é de um banho de chuva
Encontrar uma cachoeira que lave minha alma
O que eu preciso é de um novo som
Pegar a BR 140 às três da manhã
Sentir o asfalto ficando pra trás
Indo com calma
O barulho leve dos pneus me levando embora
Tratando com calma a minha alma
Sentir meus olhos marejados
Água salgada carregada de sentimentos
Hoje quase do nada minha beleza chora
Quero cheiro, amores, louveres, momentos
Pegar a BR 140 às três da manhã
Sentir o asfalto ficando pra trás
Indo com calma
O barulho leve dos pneus me levando embora.
Atillas Felipe Pires
03/05/2014