domingo, 11 de janeiro de 2015

O retorno dos meus fones



Experimentei o retorno dos meus fones de ouvido
Depois de um tempo que os tinha perdido
Resolvi desempoeirar minhas antigas melodias esquecidas
No fundo da gaveta trancada com as chaves da minha rotina
Mirei para o lado esquerdo a minha retina
Minhas botas desamarradas graças a Deus ainda estão velhas
E o couro desbotado
Hoje experimentei meu outro lado
Aquele que ainda não foi furtado

Então levante-se menina e vem pra rua
O sol esta quente mais nossos pais nos deixam sair depois das 16h
Ficar sem fazer nada, andar sem pretensão
Apenas pelo prazer da ação de não ter obrigação
E nossos dias não podem mais ser contados
As horas não valem nada quando não se faz nada
E o valor nunca mais estará no tempo apontado na planilha de controle
Estou no controle
Então venha comigo menina
Levanta e vem pra rua
Essa liberdade é minha
Assim como minhas calças rasgadas
Mas também é sua
Assim como meus desenhos na calçada
Hoje eu amarrei uma nova pulseira velha
Daquelas que não tiro
E me veio esse estalo como um tiro
Por isso não me retiro
Não vou sair nem ficar
Hoje experimentei o retorno dos meus fones de ouvido

O que mais terás a me dizer
Nesse conto sem ponto
Nessa costura sem linha
Desse meu eu que nunca esta na linha, nem deveria
Sentei no sol com meu novo chapéu estilo blues
Rasguei minhas mangas mais uma vez
Na melhor posição de todas, como sempre me pus
Minha liberdade esta na minha santidade
No meu caderno de “ não quero mais”
Que não carrega mágoas nem insanidades
Apenas as necessárias
Eu não sou daqui, da humildade retirei minhas sandálias
Meu amor sempre será só meu e de mais ninguém
Aquele que me apetece quando olho no espelho
É quem cuido é quem me espelho
Minhas botas continuam velhas
Minhas camisetas rasgadas
E meus fones nunca me falaram tantas soluções
Estou de volta a melhor forma
Estou em forma

Atillas Felipe Pires
01/01/2015

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Little Girl

Acalme seu coração little girl
Respire fundo e proteja-se da chuva
Acalme seu coração little girl 
Não é fácil e nunca será
Mas em alguns momentos temos que deixar a onda levar
Se preocupar apenas com quantos copos já bebeu
Deixar de lado se você deve ou não amar
Acalme seu coração little girl 
Você nunca estará sozinha
Enquanto estivermos aqui
Eu prometo que nada lhe acontecerá garotinha

Se o mar vem cada dia mais forte
E as ondas te acertam em cheio
Não se deixe abalar
Respire fundo, prenda sua respiração com o que há de bom
E aprenda a boiar
Feche seus punhos e morda esse lábio inferior
Você é forte e tudo irá passar
Trabalhe seu equilibrio e fortaleça seu interior
Seu peito é de aço
E você alcançara o que quiser seja o que for
Agora levanta e anda
Estique esses braços
E saia do lugar
Com suor
Sem dor

Acalme seu coração little girl 
Pinte um quadro com as cores que sobraram
E descubra uma nova arte
Descubra sua nova parte
E saiba que ela também faz parte
Um novo filme velho
Um livro amarelo
Um vinil que ainda não ouviu
A porta esta aberta
Desamarre suas asas que há tanto estão fechadas
Voe little girl  vem dançar com as estrelas
O medo força as amarras o salto te liberta
A porta esta aberta
Descubra em cada nova curva do caminho
Um novo envolvimento na próxima esquina
No fim de tudo
Nunca estamos sozinho
Acalme seu coração little girl 
Desprenda-se do chão e flutue sem destino como uma pena ao vento
Manipule sua personalidade
Vá da balada ao convento
Sem regras
Vida
Viva
Seja
Alma
Viva
Não
Alma
Ferida


Atillas Felipe Pires
28/11/2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Dont try

Dont try do it 
Levanta e vai 
Não pense que não vai dar 
Só assim vai dar 

Dont try do it 
Não deixe que a incerteza do que é ou não possível 
Sufoque os ideais 
Desenterre suas vontades que ficaram para trás 
Todos os planos que não foram realizados 
Que ficaram para depois 
Levanta e faz 
Vista seu mais belo vestido e vem dançar 
Não se trata de tentar 
Levanta e faz 

Retome todos os planos que foram consumidos pela falta de vontade 
Todos os desejos escondidos na conta bancária em baixa 
Tudo que deixou de ser feito por que estava frio, ou muito sol 
As cores do quadro que não foi pintado 
Ou os lugares que não se frequentou quando não se tinha idade 
Volte atrás 
Levanta e faz 

Troque os móveis de lugar 
Pinte a parede do quarto de cores diferente 
Desalinhe seus livros 
Empilhe seus dvds 
Faça parte do grupo dos seres vivos 
Não dos empalados eternamente nas curvas da rotina 
A hipocrisia que só de pensar 
Lacrimeja minha retina 
Levanta e faz 
A impulsão tem que ser pra frente 
Sua perna é feita para andar 
Levanta e vai 
Não se trata de tentar 


Atillas Felipe Pires 
21/11/2014 

Ritmo Mohamed Ali

Você nunca andou no parapeito de um pontilhão 
Nunca sentiu vontade de voar sem cair no chão 
Você jamais teve coragem de embriagar-se de pensamento 
A doce e dolorosa ilusão de acreditar que a vida é bem mais que um tiro curto 
Um sussurro rápido 
Um grito de lamento 
A trilha sonora do seu filme favorito tocando, enquanto se é surdo 

Noites cálidas e terríveis sensações de ação falha 
Um corte profundo nessa carne 
Tanto faz ou tanto fez 
O que importa é ser o cara da navalha 
O que importa é ser sempre o cara da vez ( o cara que fez) 

E as faixas brancas desse asfalto escuro nunca terminam 
Sempre iguais, sempre rápidas 
Você nunca as percebeu por que sempre estão ali 
Por isso a presença não deve ser constante 
Hoje acordei com síndrome pugilista e vim para bater 
No ritmo Mohamed Ali 
Decisões precisas e repetidas 
Hoje nem preciso mais escrever 
É só sentar e assistir 
Toda essa magoa pelas paredes descer 
Daqui pra frente é assim que vai ser 

Enquanto todos buscam encontrar uma razão 
Eu só quero um pouco mais de bares 24h 
Sou viajante de balcão 
Levo comigo quase sempre as sujeiras dos lugares que frequento 
Sem lamento 
Sem sofrimento 
Enquanto ali na esquina vejo pessoas tentarem entender o que não foi feito pra entender 
Minha compreensão é limitada 
Eu só quero mais uma pitada 
E que dure bem mais esse ultimo trago 
Ir sempre na contra-mão de qualquer tipo de sentimento 
Até que chegue o meu momento 
Liberdade antes que tardia 
Escrevo em letras de mão nesse espelho imundo 
Enquanto contemplo essa minha face arredia 

E nas trilhas desse dia que nunca termina 
Desenhei minha melhor forma 
Desenhei minha vida como sempre sonhei 
Desde então nunca me arrependi 
E nunca irei 
Eu não acertei 
Eu não errei 
Por que não existe certo ou errado 
As coisas são o que são 
No final estamos todos ferrados 
E o término brindará um copo quebrado no chão 
O cenário ideal para mais uma experiência sem igual 
Ou tudo igual 
Quebraram-se as amarras do meu varal 

E até que chegue o que tem que chegar 
Vou desbravando esse caminho virgem 
Com minhas armas sempre a mão 
E a cada nova luz que se apresenta 
Sinto brilhar o castanho claro dos meus olhos 
Como faz um filme, uma nova canção 
O que me cativa pelo riso 
Pelo riso que se mostra em meu rosto 
Não no oposto 

Atillas Felipe Pires 
25/11/2014 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Rio de Janeiro

Morena linda, morena bela
Nela trás consigo tudo que é belo, tudo que eu quero
Morena do Rio
Morena que do nada sorrio
Minha moça mais linda, praia e sol, seu nome é Ana a Bela
Morena linda, morena bela
Que na subida do morro faz parar toda a favela
É quem eu quero é quem eu amo
Vem pra cá, Morena Bela

Malandro que é malandro não paga de mané
Chapéu de lado, sobe no jeito, não perde o rebolado
Não esquece o ponto certo, não desajeita o samba no pé
Anda só no passo devagarinho sem muita pressa
Camisa da seleção, alô alô time canarinho
Jamais se estressa
No peito o brasão rubro-negro na tatuagem gritante
O Maracanã sempre lotado
Oxalá sempre na estante

Só no sapatinho quem tem fé sabe o que quer
E no Rio tem mais de uma
Tem a capela, tem o terreiro, eu tenho a fé de um guerreiro
Eu tenho ali, logo na esquina
O samba maroto, eu sou Salgueiro

Quem não gosta não conhece
Quem conhece e não gosta não sabe do que gosta e nem conhece
O pulsar desse coração bate no som desse pandeiro
Pode vir que a roda não tem preconceito
Vem o negro, vem mulata, vem padre, vem boleiro
Tem o gari, tem a sambista, tem seu José, Dona Maria
Tem o advogado, Amarildo, tem Pedro Paulo, tem pedreiro

E nas cores dessa escada vou subir sem desistir
Eis aqui minha homenagem
Para o Rio meu belo Rio
Nunca mais só pela televisão vou te assistir

Atillas Felipe Pires
18/11/2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Seção Menina Mulher - Primeiro ato: Aquele Sorriso

"Quando vejo aquele sorriso eu perco o chão
Fico flutuando..
Quando vejo aquele sorriso tenho a sensação de que tudo dará certo
Enquanto aquele sorriso continuar sorrindo para mim - MSG"

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Rua de ouro..caminho lameado

Quem dera ter a vida que se teve no passado
Quem dera ter a vida que se busca no futuro
E lembrar que entre o ontem e o amanha
O tempo nos é dado de presente
Entre o céu e o inferno de cada dia
E a som que me cerca não produz em mim nenhuma poesia
Enquanto as cinzas da rotina cinza me cobre em pó pesado
Sinto o peso do mundo em meu eu poético
E esqueço totalmente dos objetivos da arte que me foi dada
Sinto o pulsar da bomba atômica bater em meu peito
A convivência entre prédios e asfaltos, a subalterna alegria
Distante da que originalmente me foi dada

Meus desenhos mal-traçados pelo tempo que se esgota rápido
Minhas falsas melodias em assobios até a próxima porta automática
Minha tatuagem que não foi feita
E meu estilo pragmático de levar meus relacionamentos ao fim já inicialmente programado
Enquanto me desvencilho da máscara de menino bom
De menino bem amado
Meu ar demoníaco que te alcança como som de trombetas angelicais
Corações conquistados em rebeliões sentimentais
Nada menos, nada mais
Para todas que chegam e que vão, um fim que se reproduz num uníssono "tanto faz"

Um exército formado pelos mesmo motivos
Igualitárias desconhecidas
Sentimentais absolvidas para o purgatório que eu mesmo criei
E meu castelo no lado norte, o lado mais quente da parte de baixo
Já esta quase completo, idêntico ao que imaginei

Entre os falsetes melodramáticos do meu tom convincente
Não me toco no meu próprio ser interior
Minha arte que me pede um pouco mais de exposição
Que roga pela vida que só eu posso lhe dar
Todos os papéis em branco que cercam minha mente
Uma mera ideia que deixei passar, a falta de regar a semente
Enquanto isso é só seguir sem pensar
E quem poderá dizer onde essa estrada sinuosa vai me levar
Na vala comum dos empalados na curva da rotina?
No distorcido universo paralelo dos artistas incompreendidos?
Uma estrela, um pop-star
Ou a tristeza fria dos degraus da igreja que me levaram ao altar
Proferir promessas mentirosas para toda a vida
Não lavar e não remediar, apenas tapar a ferida
Ter uma vida comum
Ir a piknicks numa tarde de domingo
Chorar num filme triste
Comemorar sete de setembro
Ir ao parque brincar com os pombos, jogar alpiste
Sinceramente eu acho que não foi para isso que o homem veio ao mundo
Não ao mundo que venero
A mesa suja de um bar com letreiro  piscante falhando
Ou o som da vitrola chiado no fim do vinil
Apenas mais um jovem viril
Que esteve deste e do outro lado
Santo e safado
Rua de ouro e caminho lameado

E pra onde vou de onde venho
Minha rua é a mesma
Meu paradeiro nunca muda
Minha ideia é muda

Atillas Felipe Pires
24/09/2014