Deitei pra dormir e acordei em outra época
Num dia eu era aquilo
Hoje depois de acordar sou isso
O tempo passou depressa
Deixando eu deixar de lado tudo o que me interessa
Passei muito tempo vendo o tempo passar
Hoje sinto em mim, a vontade de voltar
Me tranquei dentro de mim mesmo
E para as pessoas que me cercam
Me mostrei no sucesso
Alcancei o sucesso
Baladas, garotas de olhos azuis
Noites brilhantes que me seduz
O sol do sábado cedo, que ascende a luz da minha noite
Noite sem dormir, noite sem fim
Mas o tempo que passou levou e levou
Levou o que eu fui, o que eu de fato sou
Deixando eu deixar de lado tudo o que me interessa
Minha arte, minha reza
Minha parte de nobreza que vem do meu eu interior
Que cresceu na pobreza
Meus livros empoeirados, meus discos arranhados
Aquele quadro que eu não acabei de pintar
Aquela história de infância que meu irmão
Ainda me espera terminar de contar
Preciso me conter, preciso dar valor no ter, preciso correr
Preciso escrever, preciso vencer, preciso concorrer
Eu não tenho escolha, preciso perecer
Ao fadado mundo, dos engomados ajustados
Ao fadado mundo que me cerca por todos os lados
E por mais que eu fuja e volte a mim
Acabo sempre nesse túnel necessário, sem choro nem vela
Sem começo, sem meio, sem fim
Eu vou voltar
Eu vou voltar para aquele velho lugar
Já me cansei de escolher o melhor
Hoje quero escolher o que me vier do nada
O que o meu desejo por prazer mandar
Temos pouco tempo para pensar
Pouco tempo para definir
O quanto vamos deixar de lado
Para correr atrás do vento social
Imposto pelo meio habitual
Que como idiotas insistimos em lutar par viver
Ser animal irracional
Chorar para continuar na jaula
Desse dia-a-dia inacabado de todos os dias
Dessa sala fria com pessoas temerosas
Presas num mundo que não da pra julgar
É o nosso mundo pense você o que pensar
Eu vejo e as acho horrorosas
Mas estou aqui bem junto a elas
Não posso reclamar, também sou assim
Eu vou voltar
Eu vou voltar para aquele velho lugar
Já me cansei de escolher o melhor
Hoje quero escolher o que me vier do nada
O que o meu desejo por prazer mandar
Onde foi que me deixei
Em que parte da estrada me desfiz da minha essência
Hoje acordo tarde, já se foram as horas
Não tenho mais aquilo que pensei que teria
Quando como criança projetava esse dia
Que hoje passa depressa
Que hoje vai como rio em correnteza eu diria
Sem volta, sem volta
Quero o retorno, quero a vida
Eu quero alcançar o que deixei para traz
Eu olho minha vida, e essa vida não é minha
Minhas roupas, meu estilo
Minha menina, minha fantasia
Onde eu deixei de pensar em mim
Para agradar quem eu queria que me agradasse
O que não funcionou
Quem nunca agradou
Hoje tenho que dizer
Eu olho essa vida e essa vida não é minha
Acordei e olhei no espelho e vi um estranho
Me perdi nas rugas do meu futuro
E andando nessa estrada me machuco
Eu sinto as pedras pesados desse muro
Não sei se sou assim
Ou se fui e nem vi
Não sei se nunca fui e estou aqui
Mas estou aqui
E essa rua é sem dúvida sem fim
É o fim, que termina em dúvida
Eu vou voltar para tudo isso
Minha arte, minha reza
Minha parte de nobreza que vem do meu eu interior
Que cresceu na pobreza
Meus livros empoeirados, meus discos arranhados
Aquele quadro que eu não acabei de pintar
Aquela história de infância que meu irmão
Ainda me espera terminar de contar
Eu vou voltar
Eu vou voltar antes do fim.
Atillas Felipe Pires
11/12/2012
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