domingo, 9 de dezembro de 2012

Marujo

Ele tinha muito a dizer
Para aquele jovem latino
Um velho lobo do mar
Sempre soube ensinar a vontade de aprender
Ele tinha barba, tatuagem no braço
Uma sereia nua cantando ao entardecer
Mas com o tempo o velho viu chegar o cansaço
Ele era sem dúvida o rei dos mares
Mas agora seu porto é fixo
E não tem mais a péle salgada
Com o tempo ele viu passar também sua vida passada
Sentindo distante ele raspa sua barba
Ele veleja pensamentos
Revivendo momentos
Ele era marujo
E gostava do mar
Hoje chora sozinho sem amor para amar
E vem que passa
E vem que passa
Ele piscou numa noite e acordou longe do mar
O seu tempo passou sem sabor nem piedade
O seu tempo passou sem ele mesmo notar
Hoje chora sozinho sem amor para amar
Ele teve donzelas, belas mulheres para casar
Teve também muitas putas faceis de pagar
Ele era o autêntico morador de nenhum lugar
Vivendo e vivendo
Indo e vindo alisando o mar
Não pensou que seu tempo fosse passar
Mas passou
Mas passou
E hoje conta histórias para jovens em Moscow
Ele mora bem longe
Bem longe do mar
E quem sabe algum dia ele possa voltar
Ou passar
Ou passar
Era ele ali naquele banco olhando no espelho
O latino escutando as histórias do velho lobo do mar
Latino sou eu, ou quem sabe seja você
Não sou do mar
Mas aprendi por ai a andar e andar
Velejar sem pensar, ao parar e pensar
Eu vou pensar
Eu vou pensar

Ele era marujo e gostava do mar
Hoje chora sozinho sem amor para amar
E vai passar
E vai passar

Atillas Felipe Pires
09/12/2012

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