Não há muito tempo atrás
Havia num bar, um velho que contava histórias
Um aposentado marinheiro, longe do mar
Ele não tinha propósito
Mas sem querer, dava imaginação a escórea
Naquele tempo era dificil pensar
Alguns não tinham emprego
Outros nenhum motivo para amar
Naquele tempo não havia mais nada
Era a garrafa de rum
Um pouco de tabaco
Agindo numa antiga mente envenenada
Era o velho marinheiro longe do mar
Que conheci numa taverna em Moscow
E nunca me esqueço de mencionar
O velho contador de histórias
O velho marinheiro das Ilhas Malvinas
O velho marinheiro que ja tevepilhagens que ja teve mulheres
Hoje vive em ruínas, hoje vive de férias
Cuido do tempo e da vida ele diz
O tempo por que te toma
A vida por que lhe é tomada
E quando olhar para traz, tudo passou por um triz
O que hoje te faz bem, o que te convém?
O que hoje parece eterno e te faz sorrir
Amanhã pode te fazer mal
Ou muito bem, por nao mais existir
E tudo passa numa velocidade que as vezes te assusta
Que hoje te faz ter vaidade
Mas que amanhã será simbolo
Do tempo da sua antiga mocidade
Do que já se foi, do que passou
E o velho olha para o céu
Procurando o mar, procurando amor
E vê, o que veiu, veiu e já se foi
Em pouco tempo e nada ficou
E nada sobrou
Velho marinheiro
Que solitário conta histórias para o espelho
Sozinho num bar abandonado
Com o estoque cheio
Seu atual tesouro
O alimento do seu corpo cheio de alcool
Seu velho corpo salgado por natureza
Encharcado pela nobreza
Da sua alma nova
E la no fundo, cheio de poeira
Sempre tem uma velha nova garrafa
E assim vai, bebendo e comendo sujeira
Que assim seja enquanto seja.
Atillas Felipe Pires
10/04/13
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