Julio parou sem sentido
Sentindo seu instinto ser removido
Lançou um olhar clínico
Na direção daquele olhar verde
Não pensou nem agiu
Apenas parou e assistiu
O desfile natural daquela menina
O peito queimou
A paixão mais sincera ele sentiu
Marta achava aquela festa chata
No banheiro não havia espelho
Seu falso olho verde ardia
Aquela lente vagabunda ela dizia
Que a sua pouca grana lhe dava
Por essa mixaria as vezes ela pensava
Por essa mixaria quase não compensava ser vadia
Quase não compensava ser puta
Julio ficou ali parado
Pensando em um jeito
Um jeito de parar de ser parado
E conquistar aquela menina
Quando a noite esta mais escura
Vem a luz do dia
Ele queria ganhar aquele olhar, tentar um beijo roubado
Esse amor ele queria viver
Não tinha nada a perder
Ele pretendia pagar pra ver
Marta já estava cansada
De ficar esperando cliente
Estava quase bebada e afim de dar uma trepada
Nada de bom naquela festa
"Um puto uma boquete meu camarada"
Pensou "pirar na cocaína é o que me resta"
Vou fazer minha festa
Julio tomou mais uma dose
E pensou ter criado coragem
Mas a beleza daquela menina
Travou suas pernas, parou sua abordagem
Ele pensou "ja estou cansado dessa viadagem"
Tomou de uma vez aquele góle
Andou sem pensar para ela
Pena que agora já de pórre
Marta saiu do banheiro
Sua briza foi vem bem rápida
De uma só, nariz sangrando, mais um cheiro
A festa ficou boa
A essa altura ainda mais sem pudor
"Vou dar pra um coroa"
As vezes pensa na vida
Mas isso passa rapido
Agora sua mente voa
Julio chegou perto
Bebado não reparou nas cicatrizes
Disse sem mais voltas
"Você é a mais bela"
Seu olho neblinou em turvo véu
"Eu quero te levar pro céu"
Ela deu seu preço
Bebado ele nem reparou
Se foi para o quarto
Pensando que a primeira vista
Ela também o amou
Mas no fim, sozinho ele acordou
Naquele quarto de hotel
Sua carteira sumiu ele notou
Pensou "pelo menos o quarto é alto, estou mais perto do céu"
De amor nao morreu
De saudade chorou.
Atillas Felipe Pires
10/03/13
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