segunda-feira, 10 de junho de 2013

Para onde vai?



E agora o que me diz
Tanta coisa que já passei
Todos os lados desse quadrado macabro
Eu engoli, sem tempero eu provei
Meu passado é recente
Meu passado ainda é meu presente
De todas as coisas que já vivi
Dos meus fantasmas vivos
Eu não tenho mais o que dizer
A esperança sempre esteve no horizonte
E quanto mais eu me aproximo
Mais distante parece ser
E no caminho eu vou mudando
Estou anos luz a frente do meu tempo
Sem amor, agora eu sei viver
Mas quanto mais me aproximo
Mas distante parece ser
Flores são para te dar num vago e distante olhar
E que ficou ali, morreram sem água sem cuidados
E o que me resta nesse sentido contrário
É contrair os músculos que controlo
E o mais importante nunca pára
Pulsando resquícios de uma vida pelas minhas veias
Congelante calor, suor e sabor
E isso nunca pára
Não que eu queira como sempre quis
Minha confusão tem nome, local, endereço
Tem sua própria confusão
Tem alguém ali parado
Com o coração na mão
Alguém ali parado
Fingindo não entender nada
Enquanto tudo esta mais uma vez visível
Previsível, plausível, sensível ao seu ao meu ao nosso toque
E nesse quadro rasgado, desbotado sem moldura
Nada ficou como deveria ficar
E estou forçado a dar um retoque
E mais uma noite estou aqui
Com alguém ao meu lado, alguém que não é ninguém
Doces feições de pessoas que não existem
Carne saborosa que alimenta meu ego
Abastece meu autoestima
Mas vem e vai do mesmo jeito
Do nada para o nada
E não me engano, meu filme é branco no preto
Mas é um filme e me entretém
E depois do fim, algo sempre vêm
Por enquanto eu sei, não tem fim
E meu passado, futuro, presente sem acaso esta aqui
E acho que por um tempo não vai sair
E a cada noite, cada nova manhã, um novo envolvimento
Sem cheiro, sem sabor, sem cor, sem sentimento
Vai contra meu estilo, contra meus argumentos
Mas como um remédio para dormir
Deita ao meu lado
E com carinho sempre me fazem dormir
E enquanto eu durmo eu esqueço
Dormindo meus sonhos são passado
E neles quero viver para sempre
Onde tudo esta intacto
Tudo do mesmo jeito, como se o tempo tivesse parado
Mas eu sei que não parou
Ou quem vai saber, nada andou, nem eu nem você
Nem o mundo, nem o tempo!
Sinceramente, acho que nunca me amou
Sinceramente, vou te dizer
Você sempre me amou
E onde vai? Como vai?
Nada se transformou
Mas e daí, eu repito como sempre
Agora tanto faz!
E aí? Para onde vai?

Atillas Felipe Pires
10/07/2013



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