segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O comediante

É tudo uma grande piada
Tudo uma grande piada
E quando você descobre que tudo é uma piada
Ser comediante é a única coisa que faz sentido
Nesse labirinto vivo
Neste tom mais brando de palhaço aborrecido
Sua maquiagem escorre com o choro
Lamentos noturnos banhados de fumaça tóxica
E la longe você escuta o uivar rouco de um cachorro
Feche a porta e finja um só sorriso para mim
Leve sua vida direto para a gargalhada perfeita
Assim terá um sorriso estampado em sua face
Quando o proeminente e doloroso fim chegar ao fim
E do alto sente seu corpo flutuar
La embaixo a calçada é dura e estreita..

Andando pelas ruas vejo um país repleto de repelente vencido
As moscas carniceiras tomam conta dos becos mal falados
Não vejo os bruxos sociais pelo caminho
Tão pouco as voadoras feiticeiras
As calçadas estão cheias de sangue colhado
E aquele homem, como em toda a sua vida
Morreu com um sorriso estampado no rosto
Pena que sua dor
Foi apenas presenciada pelos ratos de esgoto
Nem cheiro, nem cor, nem sabor nem rancor
Onde esta o amor?
Onde esta o amor?

...o baque é seco, o baque é mortal
Mas no caminho entre a janela e o chão
Há um longo caminho a percorrer
Seus pensamentos, suas lembranças dessa vida
Não deixam espaço para sua mente sofrer
O vento até que é suave
A queda parece uma ponte para a liberdade
Estranho gosto de morte na saliva
E é assim que termina? Me diga!

Um comediante que vê graça até na morte
Que assim seja. Ele tira sarro!
De face a face ele evapora fumaça de charuto
E sorri pela ultima vez
Conta sua ultima piada com o olhar
Com 67 anos, corpo cheio de wisky, até que o fim não veio tão abrupto
Esperado ele diz: Finalmente
Seu espelho de vida é quebrado, ele sangra pela mente
Mesmo assim, sempre rindo
Nunca comovente

E quem vigiara os guardiões?

Atillas Felipe Pires
02/09/2013

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