Eu quero encontrar alguém
Alguém que me cative pelo cheiro
Pelo jeito e forma dos cabelos
Pelo formato dos lábios
E pelo o que suas palavras e o tom da sua voz provocar em mim
Eu quero alguém que viva a cada dia
Como se amanhã fosse o fim
(eu te quero assim, é o que eu quero pra mim)
Eu vejo no horizonte das paredes do meu quarto
Adesivos em formato de corações distorcidos
Eu quero o futuro banhado de momentos
De momentos bem-vividos
Eu quero alguém, alguém que seja o que convém
No caso
Eu quero alguém, alguém que me queira bem
(e não apenas me queira)
Alguém que eu queira também
Que também eu queira por bem
Eu me desfaço da minha pose de noturno desajustado
O flagelo dos prazeres
Bem amado e mal amado
Quase ao mesmo tempo
Me viro em direção ao sol, alinho meus afazeres
Entro, bem pouco, em proeminente contento
Ela será do tipo que use colares em couro
Com pingentes significativos
Pulseiras de linha em cores pardas
Tatuagem não visível com ideológicos indicativos
Cores básicas nos cabelos, pontas claras
Anel no dedo indicador
E cheiro de liberdade com luz no olhar
(que brilhe em todo luar)
Alguém assim, perfeitamente desenhada pela imperfeição
De cada ser, que orgulha nosso criador
Que saiba o jeito certo de amar
E simplesmente do nada, me cativo sem falar!
Me cative pelo amor
Eu estou cada dia menos arrumado
Flutuei em ondas que não conheço
Achei melhor voltar no meu começo
Comprei uma nova tesoura
Novamente rasguei as golas
Estou no estilo: Pedindo esmolas
Sou desalinhado, não tenho penteado
Eu uso cordas no pescoço e sapado rasgado
Prazer: Estou de volta!
E agora é sem volta
Ela vai estar andando por aí distraída vendo um quadro numa feira a luz do luar
Te ver vibrar com uma estreia de cinema
Do tipo que diz quando acabar a força: Vamos fazer um lual, não tem problema
Eu não quero a beleza do corpo malhado
Eu despreso a garota de Ipanema
Meu gosto esta no jeito falado, no desenho esboçado
No quadro sem moldura
Com os pés no chão
Sem medo de sair sem gasolina
Viver uma aventura
Fugir da rotina
Eu sou um espelho quebrado
Me vejo distorcido e um pouco quadrado
As vezes me aproximo, e minha respiração tóxica
Deixa o vidro embaçado
E vejo tudo então neblinado
(só bebo, não sou drogado)
Não sou do tipo que vai curar sua cólica
Pelo teor alcoólico do momento
Minha pele fica mais sensível ao vento
Me desculpe
Meus textos não devem ser lidos num Convento
(Deus, por favor, não retire meu santuário minha santa providência meu provimento)
Ela vai na feira em busca de rasteiras ou chinelos
Fios e pingentes que prendem seus pés na minha direção
Assim eu te quero
Paixão, arte e violão
Alguém assim tão simples como o verão
Cantarolando The Doors, Arct Monkeys, Eller e Nando
(O ruivão)
Parece perfeito, mas nada é assim perfeito
E seus olhos verdes
O desenho do seu rosto deve ser assim tão bem-feito
Eu vou sonhando, escrevendo, analisando, viajando
Enquanto não alcanço utopicamente o que refresca minha mente
(que hoje não mente)
Me sinto assim, um cara assim sentimental
Oi, olha eu aqui, assim tão comovente
(quem diria que eu ia chegar assim)
Será que é o natal?
Na verdade, sou assim..desde quando minha mãe encarava fila
Para o pré-natal
Ela será do tipo que se alegra com as cores do pôr-do-sol
Quando o brilho da luz laranja tocar seu verde olhar
E nas sombras dos seus cílios no seus olhos
Vou encontrar o meu lugar
Vai me ganhar, me alcoolizar, me inebriar
Vai causar de uma só vez
A realização das minhas vontades
Como ouro para dragões medievais
Inundarei de cores todos os prédios de todas as cidades
Quem sabe
Mandarei meus textos para os jornais
Eu e ela estamos por aí
E quem sabe um dia vamos nos conhecer
Se nossas linhas vitais se encontrarem
Se nossos corações se entrelaçarem
Eu vou ficar feliz em conhecer ela
E hoje eu sou um moribundo
E hoje eu to no mundo
E hoje eu me pergunto
Quem é ela?
Atillas Felipe Pires
13/12/2013