Muros, favelas, vielas, tropeços e acasos
As luzes dessa cidade sempre falham na parte mais escura
E a cada segundo que passa fecha-se mais uma janela
Becos, ratos, sarjeta, muleta, viela
E debaixo dos pontilhões existem mais de um Mandela
Os cães de rua dessa cidade vivem com fome
A carne preta que clama pelo calor na noite fria, congela
Se esconde embaixo dos carros para ficar com as sobras
E comer escondido depois de passada as horas
Desenhos nas paredes, barulho de moto do outro lado da
cidade, um gato corre
Uma briga de gangues rivais, o sangue escorre
Da meia noite as seis da manha o cotidiano noturno impera
Ou mata e come, ou fraqueja e morre
A noite cai e os monstros saem por aí
Enquanto muitos dormem
Há uma outra vida, uma vida do avesso
E os moradores de rua se contorcem
Policias fazem seu trabalho do jeito certo
O certo é o sujo
Caminhando eu vejo, e não me orgulho
Quem eu sou no final das contas
A quais desse mundo eu pertenço?
Da parte suja dos dois
Eu me degelo assim sem ser singelo
Eu ligo quando louco estou, eu não deixo para depois
Acho que só assim sou sincero
Atillas Felipe Pires
28/12/2013
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