quarta-feira, 30 de julho de 2014
Cúmulo da Saudade
Quase todos me esqueceram
Eu sei que é uma história sem fim
Ainda mais pra mim
Mano da rua que aprendeu morrer por ela
Se eu pudesse voltar no tempo
Não tinha pego àquela arma
Não tinha a imagem de sangue escorrendo na viela
Não faria uma família ascender mensalmente uma vela
Mas eu me perdi, não sei por onde
Quando penso nos motivos não encontro a solução
E de carros em carros, carreiras em carreiras
A vida me levou pra onde eu nunca imaginei
Eu me deixei seguir e ser seduzido pelo brilho dourado da corrente
Esquecendo tudo que aprendi
Deixando de lado tudo que sonhei
Hoje estou aqui e meu sol não é redondo
A imagem do outro mundo me parece o paraíso
Onde a vida é ditada pela sirene que serve de relógio
Eu não nasci pra isso
O tempo é rei, meu pai já me dizia
Meu filho seja forte
Esconda a faca e feche o corte
E quando a noite chega e os gritos do pátio interno me assustam
Eu debruço em sofrimento
E meu soluço acorda mais de um detento
E de cigarro em cigarro lembranças meus olhos embaça
A liberdade dignidade são conquistadas na marra
E a saudade invade na velocidade do tempo que passa
E ai pode crer um dia vou estar com vocês
Nessa carta vão sentimentos e lágrimas
Saudade do tempo que passou e que não volta mais
Quando das noites e altas madrugadas
Me lembro dos carros e das cervejas gelada
É nessa hora que a saudade me mata
A preocupação daqui é outra parada
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
O futebol de domingo e aos altas risadas
Das minas que ficaram no tempo
De repente meus dias se tornam negros
E é só sofrimento
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
E de cigarro em cigarro lembranças meus olhos embaça
A liberdade dignidade são conquistadas na marra
E a saudade invade na velocidade do tempo que passa
E ai pode crer um dia vou estar com vocês
Peço desculpas pela caneta falhada
Pela borda da folha que não foi tirada
Mas por aqui eu não encontro outro meio de dizer o que sinto minha rapaziada
Mas uma hora que passa, uma hora a mais de vida
Aqui o relógio conta três em um
Eu sonho um dia em poder dizer que o tempo esta passando depressa
Do inicio ao fim da festa quando as horas voavam
Por aqui o dia dura mais de um mês
E a saudade aperta
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
Não quero me estender, espero que estejam todos bem
Quero que lembrem que a vida é curta e que as decisões importantes
Melhor o calor da lareira da sala que o frio do beco cortante
E que todos alcancem a mais profunda paz
No frio gélido da noite que não acaba
Deixo meus sentimentos aos que se foram
Minhas letra vai ficando ruim
Aqui as 20:h a luz se apaga.
Atillas Felipe Pires
30/07/2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Oração
Por que em algum lugar escondido na rotina
Em algum canto que foge do esquadro da minha retina
O meu melhor lado eu sei que vou encontrar
Minha parte mais reluzente
Que não só na mostra dos dentes
Mas também por dentro
Eu esteja verdadeiramente
Verdadeiramente contente
E que meu pesar seja pela dor do cansaço pelo excesso de vida
Meu amor nas pessoas que me cativaram no decorrer do envelhecimento
Que eu alcance a perfeição e a contradição juntas no mesmo lugar
E da minha arte expire meu próprio reconhecimento
Que minha riqueza seja de amizades
E minha crise de saudades
Peço que minhas lágrimas venham da formatura
Da formatura de uma filha
E meu cansaço do futebol de domingo
Ou de aprender de cor a cartilha
Do ensino fundamental novamente
Para criar em minha vida
Eu mesmo no meu descendente
Que eu encontre o meu lugar
E que no final da minha vida
Eu esteja deitado no campo
Como que eu um altar
Olhando para o céu feliz por tudo que fiz
E que meus arrependimentos sejam pelo o que não fiz
Que meus erros tenham formado meus anticorpos
E que dessa para a outra vida eu parta
Eu parta feliz
Feliz
Que assim seja
Enquanto for
Que seu olhar divino me encontre, vém
A Deus e a todos os santos
Amém!
Atillas Felipe Pires
28/07/2014
SELE
Ela já esqueceu por quem se apaixonou
Ele deixou de usar estiletes para tirar mangas e fazer coletes
Ela já não recebe desenhos de caveiras e vespas
Ele deixou de correr atrás do vento sem sentido
Ela percebe que a cada dia sua vida e ideologia esta diminuindo
Ele esqueceu da tatuagem que planejou fazer
Ela já não encontra prazer em sentar na laje a noite para beber
Ele já não conta histórias indigenas sobre as estrelas
Ela já não lembra mais dos poemas ciganos que se viciou em ler
Ele já deixou de lado sua tinta óleo e suas telas
Ela sente falta da paisagem colorida nas paredes
Ele parou de fumar
Ela parou de tragar
Ele não se embriaga e causa brigas
Ela sente falta do antigo idiota
Ele despregou o apanhador de sonhos da porta
Ela passou a ter pesadelos
Ele já não sente arrepio ao toque em seus pelos
Ela encontra na cômoda todas as pulseiras de linha e couro
Ele comprou um relógio de ouro
Ela não vai mais aos sábados a feira
Ele só vive de segunda a sexta-feira
Ela espana a poeira dos cds de rock´n roll
Ele perde tempo na tv vendo talk show
Ela procura no espelho o reflexo das calças rasgadas
Ele pegou apreço por baladas
Ela achou que seu estilo hippie rap hard core beat era eterno
Ele se rendeu ao trabalho e como Pedro usa sempre o mesmo terno
Ela achou que o pensamento under e as palavras rápidas eram de verdade
Ele deixou de ler Bukowiski abandonou na estrada Jack Kerouak
Ela tem na gaveta On The Road e Misto Quente
Ele esqueceu dos seus livros favoritos
Ela sonha com o dia que ele vai perguntar dos seus livros já lidos
Ele chegou ao pior ponto da vida
Ela sabe que o perdeu
Ele não sabe onde se perdeu
Ela tenta resgatá-lo
Ele já a esqueceu
Ela nunca deixou de amar seu plebeu
Ele dormiu sem dizer boa noite
Ela sonhou com aquele que um dia foi seu
Ele sonhou com seu passado que não é mais seu
Ela dormiu sem vontade de acordar
Ele dormiu sem vontade de acordar
Eles tiveram esse único momento em comum
Eles são um casal comum
Atilllas Felipe Pires
28/07/2014
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Corvo
As vezes sinto o peso sombrio em meus ombros
Desse corvo invisível que insiste em me acompanhar
Que de todas as coisas boas faz força e medita alto
Só afim de me privar
Meu próprio eu em dualismo
Meu suicídio emocional
Minha parte irracional
O cara que não pensa, banhado e bem cortido
Perdido no alcoolismo
Só mais um pedido
Por favor, pare com isso
Que esse corvo voe
Que eu construa meu altruísmo
Me cansei das ruas que frequentei
Dos lugares que meu coração partido me convida a visitar
Hoje sou alguém sem sentido
Sem fé, sem calor
Sem amor
Sem ninguém para amar
Eu ainda sou um garoto
Que cresceu mas esqueceu de amadurecer as veias fortes do coração
E lá se foi mais um pouco do meu mel
Meu último suspiro
Minha libertação
Meu ritmo de me sacrificar
No meu próprio altar
E do alto desse muro eu vejo minha vida passar
Enquanto esse corvo invisível é quem me faz companhia
Vem de longe, me aterrorizar
Atillas Felipe Pires
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Era uma vez..felizes para sempre
Eu provei do céu e do inferno
Flutuei na luz e beijei a cruz
Queimei e me reformulei
Eu cheguei tão baixo que do ponto onde estive só era possível subir
Eu subi, hoje caminho na luz
Na luz utópica do olhar distante de quem não existe
Porcelanas na minha estante
Não, não foi o que eu disse
Me dê mais cinco minutos
Pode ser o bastante
O bastante para o desenho de toda uma vida
Ou uma ferida
Que assim seja enquanto for
Alma minha
Minha alma ferida
O desenho da minha vida
Um preâmbulo em letras fáceis
Um desarranjo em desabafo
O enrosco da casca da ferida
De quem vive num bote sem direção
Na correnteza sem destino
A falta de alinhamento que torna sem destino o meu destino
E ainda assim sou feliz
Ainda sim vou indo
De noite a noite ganhando um só salário
Que de tanto que sobra, falta e me torna precário
Fazendo a cada dia o nó da gravata
O teatro e a farda
O uniforme de otario
E todos os dias vamos para os mesmos lugares
Exibindo meu sorriso, expondo meu sucesso e minha beleza
Maquiando a cada dia minha fortaleza
Até esquecer de vez
Tudo que de bom meu dedo polegar já fez
E escrever quem sabe uma bela história de era uma vez
Que termine em felicidade
Eterna felicidade
Que carrego desde o ventre
E poder dizer
Felizes para sempre
Atillas Felipe Pires
14/07/2014
terça-feira, 8 de julho de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Um suspiro rápido e cortante
Apago a luz do meu mistério
E sinto o cheiro desse tédio
Eu completo o copo e viro e sopro
Apenas mais trago
Garganta corta e pulmão arde
Sou meu labirinto
Me perco sem alarde
E tudo que falei enquanto sonhei
Foi reflexo do meu dia sem nexo
Minha obra numérica sem cor
De complemento exato tão complexo
E na minha retina ainda mora a sua imagem
Que corre marginal em mim
Que desenha minha margem
Não sou tão sério
Não sou noturno nem diurno
Nem clássico, nem da libertinagem
Eu sou o meu próprio labirinto
Me perco sem alarde
Atillas Felipe Pires
03/06/2014