Eu provei do céu e do inferno
Flutuei na luz e beijei a cruz
Queimei e me reformulei
Eu cheguei tão baixo que do ponto onde estive só era possível subir
Eu subi, hoje caminho na luz
Na luz utópica do olhar distante de quem não existe
Porcelanas na minha estante
Não, não foi o que eu disse
Me dê mais cinco minutos
Pode ser o bastante
O bastante para o desenho de toda uma vida
Ou uma ferida
Que assim seja enquanto for
Alma minha
Minha alma ferida
O desenho da minha vida
Um preâmbulo em letras fáceis
Um desarranjo em desabafo
O enrosco da casca da ferida
De quem vive num bote sem direção
Na correnteza sem destino
A falta de alinhamento que torna sem destino o meu destino
E ainda assim sou feliz
Ainda sim vou indo
De noite a noite ganhando um só salário
Que de tanto que sobra, falta e me torna precário
Fazendo a cada dia o nó da gravata
O teatro e a farda
O uniforme de otario
E todos os dias vamos para os mesmos lugares
Exibindo meu sorriso, expondo meu sucesso e minha beleza
Maquiando a cada dia minha fortaleza
Até esquecer de vez
Tudo que de bom meu dedo polegar já fez
E escrever quem sabe uma bela história de era uma vez
Que termine em felicidade
Eterna felicidade
Que carrego desde o ventre
E poder dizer
Felizes para sempre
Atillas Felipe Pires
14/07/2014
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