quarta-feira, 8 de julho de 2015

Fusca de motor pifado



Ainda me lembro e sempre vem do nada
Aquele fusca de pneus carecas
Aquele bagageiro sempre lotado
Quantas idas e vindas naquela nossa vida de estrada
Meu fusca velho com adesivos sobrepostos
O som chiado daquelas musicas que nós sempre colocávamos no  repeat
Nando Reis, Tim Maia, ou qualquer coisa beat

Enquanto o som rolava eu segurava sua mão
Acelerando sem destino enquanto acompanhava a canção
“pra você guardei o amor que nunca soube dar”
Até a próxima curva fechada quando a faixa pulava
Eu te via me olhar e pra mim aquilo era tudo
Te ouvir dizer que sua melhor parte era a que dizia me amar

Ótimo clima, até o motor pifar
A fumaça do carburador subia forte e branca
Aquela merda sempre deixando na mão
O meu mau humor sendo colorido com o seu bem-estar
Enquanto chutava a lataria te ouvia cantar:
“..você me faz correr demais..os riscos dessa highway”
E tudo passava e eu dizia hey: “..só mais um abraço”
Um beijo na testa correndo risco nessa highway

Nessa nossa estrada a viagem era sempre muito conturbada
Eu sempre desarrumado e atrasado
Você a organizada
Esquecia de abastecer enquanto parava para comprar mais álcool, meu negócio era beber
Sempre ouvia me dizer: « não esqueceu de nada »
Por fim era quase sempre o mesmo fim
Com o próximo começo sempre evidente
Até o dia que encontramos a ultima estação
Te deixei em casa com um olhar tão comovente e o coração na mão
E nossa viagem ficou no passado como algo que esta sempre presente

Mas meu fusca eterno anda só a casca
Esperando pela próxima ida sem destino a qualquer lugar
 E tem dias que encontro a solução:
« escute garota, o vento canta uma canção
Dessas que a gente nunca canta sem razão
Me diga, garota : « Será a estrada uma prisão?  »
Eu acho que sim, você finge que não
Mas nem por isso ficaremos parados
Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão
Tudo bem garota, não adianta mesmo ser livre
Se tanta gente vive sem ter como dizer »
Me sopra assim do nada, essa bela canção
« nessa infinita highway »

Escrevo memórias invento histórias
Dessas do tipo que nunca vale a penas escrever
Eu penso em conexões
Quase sempre sem sentido
Como confundir fuscas e corações
Num belo quadro que nunca existiu
Mas que fica muito belo para quem imaginou e assistiu
Enquanto isso vou deixando minhas marcas por aí
Desse pneu careca, desse motor pra fundir
Copiando alguns dos ídolos
Nessa "infinita highway"

Atillas Pires
08/07/2015

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