quarta-feira, 14 de novembro de 2012

IDKnow

Ei, este é o meu melhor dia
Não sei, mas isto é tudo o que te diria
Vem, chega mais perto, me abrace e me diga:
“eu sou a razão para este seu melhor dia”
Não há o que dizer, nem o que pensar
Deixa prá lá então
Deixe o fim do mês chegar
Mas hoje, hoje é o meu melhor dia
Vem pra perto, chegue devagar
É assim que as coisas acontecem
É assim que devemos seguir
Seguir bem devagar, plantar e caminhar
E eu te digo, amor
Você me diz oi
E eu te digo, é cheiro, e dor, clamor passado
E a resposta vem num tom inflamado
Um beijo, um desejo
Um sussurro mal feito
Um feitiço produtivo, um zumbido no ouvido
Nada mais de flagelado
Eis o amor de um condenado
Que vive o seu melhor dia
Num melhor dia de alguém que vem
Simplesmente inexistente
Ei, esse é o meu melhor dia
Ele olhava em seus olhos e dizia:
Santidade massificada é corda de ouro em pescoço de espantalho
A perola aos porcos de uma parábola
Cruzificados ensinamentos
Textos antigos em frangalho
Ela respondia: E o amor!?
Nada tem a ver com isso meu amor
Mas é amor também
Quem diria, olha o que te convém
Retém, ou tem, não tem
Não importa, abra a porta e pra minha cama vem
E ele diz: Se é assim, tudo bem!
Sem maiores conversas, nem mais nada para impressionar
Foi suficiente, pra sentir seu ar
Balão no ar
Festa no bar
Nada mais importa, quando sua vida é toda torta
Mesmo assim
Ainda esta no seu melhor dia
Ei, este é o meu melhor dia
Que alegria, que fantasia
Que melancolia
Vamos nos cansar noite e dia
Sexo, maluquice sem fim, eterna orgia
E ela diz: Que abuso meu bem
Não importa, vidas secas meus irmãos
Se for assim, ok, pode entrar, vem
Mas eu não disse meu amor
Não importa, me cheire como flor
Não importa, eu quero sentir dor
Você não tem pudor
Eu sei
Você é pobre
Eu sei
Não tenho nada
Ou quase nada
Ou quase nada

Atillas Felipe Pires
14/11/2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

NADA

Tem sombra nessa noite
Há tem, tem sim
A vida vira noite em mim
Meio que de repente
Se é que me entende
Vira noite meio assim
E no uso abusivo das minhas drogas sociais
Me vejo perdido em conventos surreais
Outros loucos por aí
Participando dos mesmos sorrisos
Das mesmas noites sem nada a acrescentar
Sem nada a mais
Das reuniões de auto-ajuda
Onde há sempre algo no gelo
Ou no tempero
Há algo embalado quem sabe
Pra quem gosta, você sabe
E eu continuo indo
Como devo seguir sorrindo
Se é que me entende
Vira noite meio assim
E no uso abusivo das minhas drogas sociais
Um acréscimo na idéia
Só isso, e nada mais
E a anestesia que por fazer mal
Nos faz sentir bem
Que te invade sem permissão
Adormece e estremece
Depende do seu gosto
Do seu sabor quem sabe
Não escolha uma profissão
Antes de escolher a personalidade que lhe banha
O desejo material
Não importa
Quando sua mente trabalha no automático
Sem sentido real, ou sem sonho de metal
As escolhas certas nos momentos errados
Ou vai em frente na adolescência comovente
Ou para e pensa, sem se importar com mais nada
Que não seja
Responder a você mesmo: Quem você é?
Que tom alegremente
Que força no tridente
Queima, queima..
Mas você, que deve me entender
Lê, lê e não me entende
E eu estou aqui
Vira noite meio assim
E no uso abusivo das minhas drogas sociais
Me vejo perdido em conventos surreais
Esperando a minha vez
De contribuir com algo mais
Te ajudar quem sabe
Me ajudar, vai saber
E vem, vem me escolher
Saia dessa história que não é sua
Saia de casa
Freqüente um pouco mais a rua
E volte para entender
O que deixou tudo isso te prender
Da liberdade que emana do jovem periférico
Da liberdade da pobreza
Da liberdade que não tem preço
Não tem começo
Não tem fim e não tem meio
Não há conceito
Não há jurídico preceito
Eu faço com você, o que quiser
e essa minha escrita confusa
não te leva a nada
mas se pensarmos no nada
como apenas nada
há uma imensidão de espaço
livro aberto, papel em branco
e essa liberdade não se traduz
não tenho linhas a seguir
nem assunto traçado
tenho nada e isso é tudo
com meu nada que não diz nada
te digo bem mais do que imagina
quando não entende
mas se surpreende a cada rima
e nesse nada, de fato não há nada
nem história, nem conselho
nem amor, nem ódio
nada branco nada vermelho
é nada como deve ser
e desse nada, sua imaginação volta a existir
sem nada que a mude
apenas as palavras sem nexo
que desatrofia um pouco, esse emaranhado sem sucesso
que preenche sua cabeça
trabalho, carro, brinquedo caro, filme, série
livro, amor, ódio, calma, paz, mistério
tudo que há, do bom ao péssimo
e não há, neste fim nada
nada por que não falei nada
mesmo assim, pra você houve uma fagulha
pilha
e assim, chega o fim
assim, sem nada
do nada
eis o
fim.

Atillas Felipe Pires
12/11/2012

E quando a alma chora
Cansada, abandonada
E você olha pro lado
Não tem amor, não tem nem dor
Para o seu desespero
Não tem nada
E pede um surpiro divino
Sente aquela paz omeopática
Mas serve, sempre serve
E você olha pro lado
Não tem amor, não tem nem dor
Para o seu desespero
Não tem nada
Nada.

Atillas Felipe Pires
12/11/2012

domingo, 4 de novembro de 2012

Pare um pouco
Análise melhor
Olha essa correria
Olha sua vida indo sem dó
Pare para pensar, pare para andar
Pare de correr
Pare de se esconder
E viver como num teatro
Seu trabalho, sua família, sua namorada, seu namorado
Nem te conhecem, mas te consomem
Não sabe sequer o que passa na sua cabeça
Quando você pensa por pensar
Sem nada que vise te regrar
Pare por um minuto para ser você
E aprender que o importante não é cortar as asas
É se educar para saber voar
Ser livre sem peso
Ser livre e só
Ser livre sem ter dó
Flutuar sem pensar no que vai pisar quando aterrissar
Ser você, nem que for por um momento
Ser você sem impedimentos
Ser você como você é quando bebe
Mas é julgado e condenado sem direito a defesa
Moralmente inaceitável, ser você, mesmo que numa noite
Escondido sob luzes brilhantes
Sempre tem alguém de olhos faiscantes
Te olhando, te encarando
Tem alguém nesse instante
Em algum lugar esperando o seu sucesso
Que nada tem a ver com o seu sucesso
Mas você não sabe escolher
Prefere fingir, prefere deixar de ser
Prefere vencer
Vencer numa versão que não é a sua
N um conceito para o mundo perfeito
Mas para você cheio de defeito
Seu mundo não é seu
Mas é o mundo que você quer ganhar
Quando alguém se aproxima e diz
Não deixe de estudar
Não pare de trabalhar
Vá enfrente, ganha sua casa, compre uma mulher
Faça filhos, e tenha um altar onde descansar
E dentro da sua mente muitas coisas vão passar
A festa que não foi, o carro que não comprou
A viagem sem dinheiro
O amigo bêbado, o primo solteiro
Do bar, você lembrará apenas do cheiro
E aí, verá, que sua vida estava ali
E só você, por vontade própria deixou passar
Vai ver que não volta
Que nunca vai voltar
E você vai estar deitado, com dinheiro
E nada mais ao redor
Mais a vida
Sua vida você deixou passar sem dó
Por acumulo, por exagero
Deixou passar por passar
De qualquer jeito
E agora vê que não tem jeito
Fez as escolhas certas da época
Mas não foi o bastante
O caminho da esquerda era o melhor
Mas você sempre foi pela direita
Agora
Vê tudo passar, e sonha em ver um filme
De como seria se fosse pelo outro lado
Mas não,
Não da
Agora não da
Chega de planejar
Chega de comprar, chega de acumular
Vamos viver
Vamos viver
A vida passa bem rápido, sem ver ela pode passar
E quando você acordar
Eis, rápido e cortante
O fim.

Atillas Felipe Pires
04/11/2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Não entendo quando dizem "trabalhe para ganhar a vida" ...como se as paredes pálidas de um escritório refletisse ou tivesse alguma coisa a ver com vida.

Atillas Felipe Pires
31/10/2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Feio

Essa noite estou aqui
E vejo nessa madrugada os lampejos me extorquir
O sono distante
A mente brilhante
E quando nada mais parece ser o que parece
Um fantasma sem sombra
Me acorda com uma corda
Eis em mim, uma rápida prece
Que de fé carece
Mas de medo a Deus entristece
Sigo em frente, num tom macabro
Amor, sincero, saudade, dor
Agora um pouco de diabo
Um pouco de terror
Eu falei de tudo, mas de quase nada
E tem sangue nesse sonho
Tem pimenta no sabor
Tenho de tudo mais não tenho nada
Que tal ascender a luz da minha mente
Mas nesse quarto não tem luz nesse quarto não tem mente
Corpo estarrecido
Não há nada desse mundo parecido
Quando se fala em tom noturno
Eu vejo um milhão de tons escuro
Eu vejo a noite em outro mundo
Sem sono me convenço
Que as vezes o que precisamos é de silencio
Pensar, andar sem sair do lugar
Não dormir por vontade própria
Sentir as juntas tremerem sem motivo
E sua boa esta toda torta
Que coisa estranha, que coisa mórbida
O espelho saiu pra voar
E reflete todo o resto
Eu me vejo, em todos os lugares
Que coisa estranha, que coisa mórbida
Sinto agora, os móveis me observar
Sempre estão ali
Parados no mesmo lugar
Imóveis solitários
E eu penso, como posso ter tantos tons de otários
Boa noite noite
Boa noite dia
Boa noite mente
Que coisa feia
Que coisa comovente

Atillas Felipe Pires
30/10/2012

Advogado inglês traduzido errado

Sem mentira
De fato as vezes a saudade bate forte
Trás lembranças
Que de tão boas fazem mal
Abre um pouco esse corte
Esse corte na alma
Que as vezes é cicatriz
As vezes se abre
E eu lembro do natal, das festas..
Do carnaval
Dói um pouco
E sinto falta por um triz
De sentir e de viver
De ouvir o que você me diz
Em pensamento
Quando na solidão momentânea
Também passa por esse momento
Sem falso julgamento
Sem mais nada de acalentos e afagos
Sem fazer antigos juramentos
Mas nesse momento
Apenas nesse momento
Te queria aqui
Por um momento
E sentir esse movimento
Sem saber que agora tanto faz
Tudo que passou
Já há tanto tempo ficou pra trás
Essa saudade repentina
Não traz nada em arte
Não traz amor, não traz calma
Não resolve e não acalma
Mas me toca fundo
E lembro que um dia
Senti a alma quente
Conheci do meu coração seu canto mais profundo
Resmungo, esqueço
E tudo passa outra vez
E mais uma vez
E outra
Só que dessa vez
Preciso de um momento
Mais um momento
Pra deixar tudo pra lá
Deixar tudo pra lá de vez
E me desmorono em insensatez
Sem admitir meu erro
Que é pensar que cometi um erro
Não, talvez não dessa vez
E quando os olhos não querem se fechar para dormir
A mente vai pra lá e pra cá
Visita lugares que o corpo já esteve
E tudo isso parece nunca ter fim
Eu tento dizer tanto mais não digo nada
Ou quase nada
Mas é nesse momento que vejo a magoa que há em mim
E tudo isso parece nunca ter fim
Mas lembro do vinho
Lembro da musica
Eu lembro do cheiro da madeira
Lembro da pinga caseira
Eu lembro dos almoços
E lembro dos esforços
Que em vão culminaram em mais uma decisão
A de não querer tomar decisão
E nessa hora eu não digo nada
Ou quase nada
Admito que chegou o fim
Não lutei, só chorei
Não voltei, não aceitei
Só entendi e não me surpreendi
Com o fim
Simples, rápido e num só golpe
O fim

Atillas Felipe Pires
29/10/2012