sábado, 28 de dezembro de 2013

Noite

Muros, favelas, vielas, tropeços e acasos
As luzes dessa cidade sempre falham na parte mais escura
E a cada segundo que passa fecha-se mais uma janela
Becos, ratos, sarjeta, muleta, viela
E debaixo dos pontilhões existem mais de um Mandela
Os cães de rua dessa cidade vivem com fome
A carne preta que clama pelo calor na noite fria, congela
Se esconde embaixo dos carros para ficar com as sobras
E comer escondido depois de passada as horas
Desenhos nas paredes, barulho de moto do outro lado da cidade, um gato corre
Uma briga de gangues rivais, o sangue escorre
Da meia noite as seis da manha o cotidiano noturno impera
Ou mata e come, ou fraqueja e morre
A noite cai e os monstros saem por aí
Enquanto muitos dormem
Há uma outra vida, uma vida do avesso
E os moradores de rua se contorcem
Policias fazem seu trabalho do jeito certo
O certo é o sujo
Caminhando eu vejo, e não me orgulho
Quem eu sou no final das contas
A quais desse mundo eu pertenço?
Da parte suja dos dois
Eu me degelo assim sem ser singelo
Eu ligo quando louco estou, eu não deixo para depois
Acho que só assim sou sincero

Atillas Felipe Pires

28/12/2013

domingo, 22 de dezembro de 2013

Poetizando o poeta!

Me mandaram cortar a grama do jardim
No momento em que eu queria jogar futebol
Me disseram, quando não houver nenhum fiapo
Você poderá dizer que chegou ao fim

Eu errei e apanhei
Com o amolador de navalha
Pensei em usar não o amolador, mas a navalha
Na cara daquele canalha

Atillas Felipe Pires
22/12/2013

Henry Chinaski – Charles Bukowiski 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

katarina a velha sem hora


Ela se chama Katarina

Para mim é Katarina

Para os outros antecede senhora

Ela curte tomar chá as 5 horas

Mas nunca vê as horas, ela é sem hora

 

Uma velha mãe-de-lobo 

Que já viveu um século e meio

Em cinquenta anos apenas

O tempo na intensidade, muita calma não sou louco

Katarina, velha senhora

Que não conta os dias

Que não olha as horas

 

Nas trilhas do destino nos hotéis da vida

Naquela noite fria não tinha vinho

Eu desci para comprar cerveja mesmo quente na avenida

Na avenida logo em frente

Deveria ser tarde, horário que só quem sai a rua são os comoventes

Ou qualquer ser semovente

Nada assim, tão deprimente

Só quem saí por aí sem destino sente

 

E qualquer um que esteja de bar em bar sozinho é um ser da noite

Eu e ela somos seres noturnos e alcoólicos

Katarina é o que todos dizem, nunca perde as horas

Mesmo assim, Katarina é sem hora

E só os velhos conhecem verdadeiramente essa história

E sabem tudo que Katarina trás em sua mente

 

Dizem que veio de Moskow, fugindo da guerra

Junto com seu velho marinheiro, capitão da marinha

Era um casal do tipo que filho enterra

(na guerra as coisas não são brandas)

E naquele tempo, na frente havia gramas

Havia bombas

Aposentado dono de bar

E dizem que aquele casal sabia verdadeiramente amar

 

Katarina é um lenda no bairro dos pesares

Ao que dizem ele sabe da vida

Ela conhece os melhores bares

Ela senta sozinha na mesa e pede sempre a mesma bebida

Usa-a sempre para preencher de alguma coisa sua ferida

(pela dor do abandono, pela dor da vida)

 

Muitos dizem saber o que aconteceu

Outros dizem que ela surgiu do nada como surgem os andarilhos noturnos

Mas nem todos explicam suas jóias, seu dinheiro

Seu perfume clássico que preenche o ar

Que espalha seu nobre cheiro

Por onde quer que ele tenha meios de passar

Ela sempre ira passar, beber, andar e comprar

 

Cheguei no mesmo bar e a vi ali sentada

Fumando com uma pitadeira,  coisa antiga

Mas vi um sombrio olhar me fitar

Os olhos dela traziam a sensação de uma velha cantiga

"..um dia eu volto pro mar um dia eu volto pro meu lugar"

E diziam que ela sempre olhava para quem entrava

E que dizia que um dia seria seu velho lobo do mar

Seu amor tatuado de pele salgada

O velho contador de histórias de Moskow

E essa história sem precedente e comovente

Assim quase que do nada me cativou

Escrever ela me motivou

 

E o que dizem é que seu marido nunca teve porto

Um dia simplesmente do nada a deixou também sem porto

(que era ele)

E se desfez de todo o resto

Passou a viver em um bar abandonado contador de histórias em Moskow

Sua velha até hoje não acredita

Pensa que ele foi a esquina e que a cada segundo, com um maço de cigarro irá voltar

(mas ele nunca voltou)

Há quem diga que quase dez anos já se passou

Mas a persistência de quem ama nunca se vai

E ela sempre repete: Eu não vou o abandonar

Eu não vou o abandonar

 

Parado ali naquele bar

Resolvi não voltar pro quarto

Estava tendo uma aula de como a vida é triste pra quem sabe amar

A vida é triste pra quem sabe amar

E assim quase que sem querer pensei:

"..e ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez, uma vez"

Foi assim, assim que termino

De uma só vez!

 

Atillas Felipe Pires

16/12/2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

aleeue - ao contrário!

Eu quero encontrar alguém
Alguém que me cative pelo cheiro
Pelo jeito e forma dos cabelos
Pelo formato dos lábios
E pelo o que suas palavras e o tom da sua voz provocar em mim
Eu quero alguém que viva a cada dia
Como se amanhã fosse o fim
(eu te quero assim, é o que eu quero pra mim)

Eu vejo no horizonte das paredes do meu quarto
Adesivos em formato de corações distorcidos
Eu quero o futuro banhado de momentos
De momentos bem-vividos
Eu quero alguém, alguém que seja o que convém
No caso
Eu quero alguém, alguém que me queira bem
(e não apenas me queira)
Alguém que eu queira também
Que também eu queira por bem

Eu me desfaço da minha pose de noturno desajustado
O flagelo dos prazeres
Bem amado e mal amado
Quase ao mesmo tempo
Me viro em direção ao sol, alinho meus afazeres
Entro, bem pouco, em proeminente contento

Ela será do tipo que use colares em couro
Com pingentes significativos
Pulseiras de linha em cores pardas
Tatuagem não visível com ideológicos indicativos
Cores básicas nos cabelos, pontas claras
Anel no dedo indicador
E cheiro de liberdade com luz no olhar
(que brilhe em todo luar)
Alguém assim, perfeitamente desenhada pela imperfeição
De cada ser, que orgulha nosso criador
Que saiba o jeito certo de amar
E simplesmente do nada, me cativo sem falar!
Me cative pelo amor

Eu estou cada dia menos arrumado
Flutuei em ondas que não conheço
Achei melhor voltar no meu começo
Comprei uma nova tesoura
Novamente rasguei as golas
Estou no estilo: Pedindo esmolas
Sou desalinhado, não tenho penteado
Eu uso cordas no pescoço e sapado rasgado
Prazer: Estou de volta!
E agora é sem volta

Ela vai estar andando por aí distraída vendo um quadro numa feira a luz do luar
Te ver vibrar com uma estreia de cinema
Do tipo que diz quando acabar a força: Vamos fazer um lual, não tem problema
Eu não quero a beleza do corpo malhado
Eu despreso a garota de Ipanema
Meu gosto esta no jeito falado, no desenho esboçado
No quadro sem moldura
Com os pés no chão
Sem medo de sair sem gasolina
Viver uma aventura
Fugir da rotina

Eu sou um espelho quebrado
Me vejo distorcido e um pouco quadrado
As vezes me aproximo, e minha respiração tóxica
Deixa o vidro embaçado
E vejo tudo então neblinado
(só bebo, não sou drogado)
Não sou do tipo que vai curar sua cólica
Pelo teor alcoólico do momento
Minha pele fica mais sensível ao vento
Me desculpe
Meus textos não devem ser lidos num Convento
(Deus, por favor, não retire meu santuário minha santa providência meu provimento)

Ela vai na feira em busca de rasteiras ou chinelos
Fios e pingentes que prendem seus pés na minha direção
Assim eu te quero
Paixão, arte e violão
Alguém assim tão simples como o verão
Cantarolando The Doors, Arct Monkeys, Eller e Nando
(O ruivão)
Parece perfeito, mas nada é assim perfeito
E seus olhos verdes
O desenho do seu rosto deve ser assim tão bem-feito

Eu vou sonhando, escrevendo, analisando, viajando
Enquanto não alcanço utopicamente o que refresca minha mente
(que hoje não mente)
Me sinto assim, um cara assim sentimental
Oi, olha eu aqui, assim tão comovente
(quem diria que eu ia chegar assim)
Será que é o natal?
Na verdade, sou assim..desde quando minha mãe encarava fila
Para o pré-natal

Ela será do tipo que se alegra com as cores do pôr-do-sol
Quando o brilho da luz laranja tocar seu verde olhar
E nas  sombras dos seus cílios no seus olhos
Vou encontrar o meu lugar
Vai me ganhar, me alcoolizar, me inebriar
Vai causar de uma só vez
A realização das minhas vontades
Como ouro para dragões medievais
Inundarei de cores todos os prédios de todas as cidades
Quem sabe
Mandarei meus textos para os jornais

Eu e ela estamos por aí
E quem sabe um dia vamos nos conhecer
Se nossas linhas vitais se encontrarem
Se nossos corações se entrelaçarem
Eu vou ficar feliz em conhecer ela
E hoje eu sou um moribundo
E hoje eu to no mundo
E hoje eu me pergunto
Quem é ela?

Atillas Felipe Pires
13/12/2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Amigo!



Hey meu amigo
Cuidado com o tempo ele pode te vencer
Hey meu amigo
Cuidado com a forma como leva sua vida
Você pode concluir que nunca soube concluir e sofrer

Se a gente para e pensa de olhos fechados
Quando os abrimos se passaram dez sábados
Se você dorme quase sempre bem mal
Deitou e nem sonhou tampouco
Saiba que o tempo
Ah o tempo, passou e não foi pouco

Hey meu amigo
Cuidado com o tempo ele pode te vencer
Se você deixar passar
“Amanhã eu vou terminar”
Saiba que o amanhã não existe
E pra sempre, aquele quadro vai ficar sem pintar
Sua vida aos pedaços
E você se perguntando, onde é que tudo foi parar?
Pra onde foi, as paginas esquecidas
Daquele livro que foi interrompido
Das suas manchas de giz, aquelas borras amanhecidas
Pra onde foi, os planos não realizados
Os finais de semana que ficaram para o próximo
Foram sonhos não vividos, foram sonhos paralisados
E o tempo! Que nunca chegou
Quando se diz: “Preciso de tempo”
E aquele convide por falta de tempo você sempre recusou

Hey meu amigo
Cuidado com o tempo ele pode te vencer
E quando você olhar no espelho
Pela perspectiva atual
Pode ser que mais de uma vida na sua vida
Tenha passado num segundo
E você, se perdeu no seu mundo, seu falso ser intelectual
E dos 18 aos 29, tudo passou de forma tão banal
Todos os dias você vê o estado do trânsito no jornal
E ainda assim, esta tudo tão normal
E ainda assim, esta tudo tão normal

Hey amigo
Eu quero que me escute
Que me olhe bem nos olhos
Chegue mais perto e não se ilude
O tempo vai vencer se você não mudar
(a vida não vai te ajudar)
A vida existe pra te fazer desistir de lutar
E meu amigo eu vou te dizer
O tempo é a sua arma secreta
Contra tudo o que você planejou fazer
E tudo vai passar
Meu amigo infelizmente
Tudo vai passar

"Você meu amigo de fé meu irmão camarada, amigo de tantos caminhos
de tantas jornadas
Cabeça de homem mas o coração de menino, aquele que está do meu lado
em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro, você tantas vezes provou
que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas, amigo você é o
mais certo das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida, em que precisamos
de alguém para ajudar na saída
A sua palavra de força de fé e de carinho, me dá a certeza de que eu nunca
estive sozinho.."

Atillas Felipe Pires
09/12/2013

Meu petisco é a loucura!

Essa noite recebi um novo santo em minha pele
Nada além do estrutural ser que as vezes me salva do meu tédio
Alguma coisa do tipo: Sentimento bom
E de repente eu bebo o equivalente a um prédio
(inundado)
Vem do meu lado
Meu colírio noturno, minha dor sem sentido, me livra desse efêmero assédio

Eu tenho leitores, que petiscam minha loucura
Admiram minha arte, em parte
Até por que nem tudo faz parte
Quando a vitrola rola
E o som que me invade é BB King
Janis Joplin, Beatles, Hola hola..nada de lenga lenga
As vezes sou tipo Rocky Balboa no III, apanho feio de Clubber Lang
(mas a volta é mais forte, meu ritmo retorno, arisco como swing negro)
Eu sou desse jeito
Que tal um pouco mais de pimenta nesse tempero

Eu tenho leitores, que petiscam minha loucura
Não sei se por bem ou por mal
Se faz bem ou mal
Se pela curiosidade de ver exposta uma vida sem sentido
Que vaga pelas ruas dos condenados
(derrubei meu copo de vinho)
Puta-que-pariu, manchei meu terno de linho
Repartindo e dividindo, olha na esquina, quem vem vindo
(é meu espelho que agora esta distorcido)
Sei fingir muito bem
Olha em minhas rugas, sou sim
Eu sou um cara sofrido
Tenho um rosto lindo, sei bem disso também
Meu espelho interior me mostra o que eu quero ver
Me mostra apenas o que me convém
E o que por ser assim tão mal
Me faz sempre muito bem
Complexo ser que ignora o prazer
(quando não é comprado)
De todas as dores que se pode ter
Amar deve ser, a pior
A qual mais te faz sofrer
Tenho o corpo fechado, nada vai me abalar
Enquanto isso
Eu vou cantarolar
"...la la la la i dont wanna know!

I don't wanna know
if you're playing me, keep it on the low
cause my heart can't take it anymore
and if you're creeping, please don't let it show
oh baby I don't wanna know"

Por que a cada novo dia eu traiu a minha próprio carne
Fazendo das minhas falsas promessas
Meu motivos de lamúrias
Eu não quero saber
Digo a mim mesmo, eu não quero saber



Atillas Felipe Pires
06/12/2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Abra seus livros!

Ela vivia solitária

Vivendo uma vida apagada, uma vida sem graça

Por várias vezes, pensou em suicídio

Dada o tamanho da sua desgraça

Sem um amor que colorisse a sua vida

Sem cuidado vindo de alguém não da familia

Era tudo o que ela buscava

Era tudo o que ela queria

Ele tinha perdido a vontade de viver fazia algum tempo

Vivia de café em café diluindo a sua magoa

O tempo não foi bom com seu futuro

Tudo o que ele queria era ver o sol depois daquele muro

Que vivia entre ele e seus sonhos, entre ele e sua vida doce

Com o tempo, consigo mesmo, aprendeu a ser duro

Ela vivia vagando, caminhando, cantarolando cantigas tristes

Nas molhadas ruas de Barcelona

As vezes passava reto do lugar onde queria ir

No fundo ela não queria nunca ir a lugar algum

Sentia como se a qualquer segundo fosse provar o sabor da lona

Ele parecia cada dia mais triste com a sua sina

Para quem tem sonho de escritor

Ser ajudante de biblioteca é algo frustrante

"Coloque os livros por ordem de escritor na estante"

Quando ele queria ter escrito-os

No fundo, um intelectual sofredor

Vivendo de poesias autorias e contos em resquícios

Ela resolveu entrar num café qualquer

O primeiro que viu, pediu leite com açucar

Quis mudar aquele dia

Quem sabe adoçar um pouco toda a sua melancolia

E por trás da garçonete que a servia

Ela viu ele!

Ele resolveu sair a tarde para dar uma volta

Terminou de tirar a poeira dos livros e foi ao café mais próximo

Sabia que tanto faz, tanto fez, mais isso ele fez

Entrou e da porta

Sendo servida por uma garçonete

Ele viu ela!

Eles se olharam, de longe seus corações de cara se tocaram

Eles sentiram a mesma coisa sem saber

Eles viram um futuro pela frente

Talvez um motivo para parar de sofrer

Parecia que como mágica suas vidas se embalaram

Ela chegou em casa e não parava de pensar nele

Ele voltou ao trabalho e quis saber onde ela morava

Ela a muito não se arrumava, não se importava

Ele pensou que queria vê-la outra vez mais

Ela passou seu batom mais vermelho e usou sua echarpe que menos desbotava

Ele pensou num álibe que a fascinasse

Ela entrou na livraria e como estava linda

Ele a viu entrar e pensou - como ela é linda

Ela o viu trabalhar fingindo escolher algum livro

Ele se aproximou e um livro do alto ela a pegar ele ajudou

Ela nem viu o titulo, na verdade não gostava de ler

Ele viu e perguntou? Gosta de caracóis

Ela respondeu - O que?

Ele disse o livro que escolheu

Ele ficou com vergonha e quis correm para debaixo dos seus lençóis

Ela em casa não parava por um segundo de pensar na voz dele

Ele no trabalho dizia para si mesmo que ela era a pessoa

Nada sabiam dos sentimentos do outro, nem ela nem ele

Ela todos os dias no mesmo horário comprava um livro

Ele todos os dias no mesmo horário embalava um livro

Ela não tinha coragem de dizer que o amava

Ele não tinha coragem de dizer que a amava

Ela viu sua vida por uma lente colorida

Ele viu sua vida por um livro romântico

Ela se sentiu em seu corpo cada dia mais vida

Ele parecia ter em seu ser, um prazer balsâmico

Ela repetiu o ritual para vê-lo por semanas

Ele treinou no espelho

Uma forma de dizer tudo que sentia

Ela decidiu dizer um dia

Ela se arrumou como nunca antes

Ele tinha faltado ao trabalho naquela manhã

Ela chegou e por ele ao seu chefe perguntou

Ela ouviu não tinha mais ele

Ela viu seu sonho virar farelo de pão doce

Ele havia sofrido um acidente

Ela não acreditava e tremia de dor

Tremia os dentes

Ele havia partido, sem volta

Ela correu pelas molhadas ruas de Barcelona

Ela voltou a ser só ela

Ela viu sua visão focar cinza

Ela finalmente sentiu o gosto da lona

Ela chorou

Ela da mais pura e amarga dor finalmente provou

Ela voltou para casa e olhou para o nada

Viu no seu armário todos os livros que comprou

Como não lia, ainda embalados

Ela por impulso resolver abri-los

Ela ficou paralisada com o que olhou

A cada livro que abria um novo bilhetinho

"Oi, gostei de te ver no café ontem, como se chama?"

Ela se jogou na cama

"Oi, por que não me responde? Estava linda hoje"

Ela pensou em se matar

Ela abriu todos os livros

Ele não havia faltado com os recados em nenhum

Ela chorou lágrimas que encheriam um mar

"Oi, por favor me responda, vamos comer no Bar Vedum?"

Ela sentiu que poderia ter alguém a quem amar

Ela leu todos os bilhetes

Até o ultimo livro embalado

Ele havia escrito em todos, dizendo o quanto estava apaixonado

Ela leu o ultimo bilhete

"Acho que te amo"

Atillas Felipe Pires

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Meu Deus é negro!


Eu não acredito no seu Jesus de olhos azuis

Meu Deus é negro e veste humildade no lugar de linho vermelho

Eu não acredito na sua cruz de ouro no alto da sala

Nem no presépio lembrado na época da moda

Eu sigo meus instintos eu direciono meus joelhos

Pra bem longe das suas mentiras

Pra bem longe dessa sua loucura consumista, dessa roda
 
Dessa roda que esmaga as lembranças
 
Daquele que andou sobre a terra pregando mudanças
 
E não meios de aumentar seus meios de aumentar sua conta bancária mundial
 
Equilibrar suas finanças

 

Meu Deus é negro e veste humildade no lugar de linho vermelho

Eu não acredito no seu santo comprado de cerâmica e sem vida

Meu Deus é negro e tem espirito vivo e forte

Eu não preciso de provas, pra acreditar não preciso tocar em sua ferida

Pra crer sem ver

Exercício da fé, não é você quem vai me dizer quando devo lembrar

Não só no mês final

Mas do início ao final

(eu sei o objetivo do natal)

(eu sei o objetivo do natal)

 
Atillas Felipe Pires

01/12/2013

 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Agathōsunē Malitas!




Eu quero um lugar meio assim
Sei la!
Meu e seu
Como é que isso deve ser
Como é que isso será?

Um lugarzinho do tamanho ideal
Nem grande nem pequeno
Com flores cor de céu no quintal
Com ar despoluído no ar
E de longe um cantinho da tela cor de mar
Eu quero um lugar meio assim
Sei la
Feito só pra mim, feito só pra você
Só pra gente se amar

 Eu quero mais flores em minhas linhas
Mais tons coloridos na minha vida
Eu quero uma sala com tapete de bolinhas
Onde haja uma lareira pra no frio se esquentar
Onde a cada dia a luz do sol será bem vinda
Como é o meu amor por esse amor
Que é seu e nunca meu
Onde eu vou te encontrar doce mel de cor e sabor?

Prevejo em meus sonhos (quando não são medonhos)
Um lugar ideal para sentar e analisar
Pensar e repensar, para onde é que vão meus pensamentos
Quando não por obrigação, eu paro para pensar
Quero ver mais doce, mais pássaros no céu
Me cansei da minha fala com gosto de bordel
(Viajo o mundo inteiro, como se o mundo fosse a minha sala)
Sempre com arames farpados, hoje eu quero é mais amar
E você que me invade com essa alegria!
Quem deve ser, onde vou te encontrar!?

Me pego fazendo carinho com as palavras
Sem ninguém aqui do lado
E essa folha em branco recebe meu amor
(e não reclama)
Se estou certo ou errado não vou falar
Mas não vou parar, meu mérito é nunca estar parado
(pedras rolantes não criam musgos)
As vezes me desprendo do meu ser
Mês passado até pensei em criar músculos
E daí, qual a diferença
Bonito ou feio, quem vai dizer?

“Esperei por tanto tempo! Esse tempo agora acabou..

...demorou, mas fez sentido, fez sentido que PASSOU!”


E passou..

Um bom malandro, conquistador, tem pique de artista nipe de jogador
Esse meu estilo de “segue seu caminho, eu não vou ficar”
Se for pra transar, quem sabe, é só falar
Mas não me venha com esse lance de “amor te quero aqui comigo”
Não vou te amar, nada de eternizar
(Se é que me entende, agora xispa, ok! Vamos lá)

Ando sempre pela noite, nos ladrilhos do destino
As vezes o sereno me recolhe
E nos espelhos dos carros neblinados eu posso ver meu espirito
Quando menos percebo estou me despindo
No carro ou na lama, você escolhe
15 minutos de fama, as vezes 30, agora já tenho que ir

Nunca minto minha sina, sou assim e não vou mudar
Me derrapo e bato forte
Estou no fundo e quero afundar
Por que o mundo me escolheu assim
E assim acho que vai ser
Se eu te quero, não me queres
Se me queres, quem não te quer sou eu
E na neblina dessa noite eterna, acredito que pra sempre vou viver
(e pra mim isso é viver)
Nem mazocas conseguem me entender

Vejo o céu e conto estrelas
Levo uma a cada dia
(elas sempre me escolhem para descer, olha só, quem diria)
No meu quarto eu tenho amores
Sou seu santo e vejam só
O seu santo pensa odores
Mas exala o seu melhor
Batuco no volante, faço tipo
Sou cavalheiro “ open the door”
Te conquisto no estilo clássico
Fuja agora é bem melhor

“Estava bem longe noutro lugar, perdido distante na esfera lunar”

Eu desci..

Acordo cedo e vejo o sol
No meu quarto entra o calor
De propósito não fecho a janela
A luz que em meu rosto soca, nunca me trás dor
Hoje o dia vai ser diferente
Hoje vai ser bem melhor
Hoje vou seguir a diante
Olho no espelho, um brilho no olhar
(Sinto um ar de diamante)
Sozinho no meu lugar
Hoje é o dia de mudar

Estive pensando, num belo lugar
Me vem como se fosse um sonho
Um lugar meio assim sei la
Me confundo dentro de mim
Onde é que isso vai parar?
Escravo distante
Das correntes cortantes
Sou meu amor e assim não quero ficar

De repente me vem um gosto
De cores desse lugar
Um canto da tela cor de mar
Uma lareira pra esquentar
Será que foi um sonho
Ou agora tenho mesmo alguém para amar?
(Tipo assim ideal, puta-que-pariu fumaça vai virar)


Eu quero mais flores em minhas linhas
Mais tons coloridos na minha vida
Eu quero uma sala com tapete de bolinhas
Onde haja uma lareira pra no frio se esquentar
Onde a cada dia a luz do sol será bem vinda
Como é o meu amor por esse amor
Que é seu e nunca meu
Onde eu vou te encontrar doce mel de cor e sabor?

Quais de mim você vai querer?
Eu faço as vitrines
Corra não perca
É chegar e escolher!

Atillas Felipe Pires
25/11/2013