segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Agathōsunē Malitas!




Eu quero um lugar meio assim
Sei la!
Meu e seu
Como é que isso deve ser
Como é que isso será?

Um lugarzinho do tamanho ideal
Nem grande nem pequeno
Com flores cor de céu no quintal
Com ar despoluído no ar
E de longe um cantinho da tela cor de mar
Eu quero um lugar meio assim
Sei la
Feito só pra mim, feito só pra você
Só pra gente se amar

 Eu quero mais flores em minhas linhas
Mais tons coloridos na minha vida
Eu quero uma sala com tapete de bolinhas
Onde haja uma lareira pra no frio se esquentar
Onde a cada dia a luz do sol será bem vinda
Como é o meu amor por esse amor
Que é seu e nunca meu
Onde eu vou te encontrar doce mel de cor e sabor?

Prevejo em meus sonhos (quando não são medonhos)
Um lugar ideal para sentar e analisar
Pensar e repensar, para onde é que vão meus pensamentos
Quando não por obrigação, eu paro para pensar
Quero ver mais doce, mais pássaros no céu
Me cansei da minha fala com gosto de bordel
(Viajo o mundo inteiro, como se o mundo fosse a minha sala)
Sempre com arames farpados, hoje eu quero é mais amar
E você que me invade com essa alegria!
Quem deve ser, onde vou te encontrar!?

Me pego fazendo carinho com as palavras
Sem ninguém aqui do lado
E essa folha em branco recebe meu amor
(e não reclama)
Se estou certo ou errado não vou falar
Mas não vou parar, meu mérito é nunca estar parado
(pedras rolantes não criam musgos)
As vezes me desprendo do meu ser
Mês passado até pensei em criar músculos
E daí, qual a diferença
Bonito ou feio, quem vai dizer?

“Esperei por tanto tempo! Esse tempo agora acabou..

...demorou, mas fez sentido, fez sentido que PASSOU!”


E passou..

Um bom malandro, conquistador, tem pique de artista nipe de jogador
Esse meu estilo de “segue seu caminho, eu não vou ficar”
Se for pra transar, quem sabe, é só falar
Mas não me venha com esse lance de “amor te quero aqui comigo”
Não vou te amar, nada de eternizar
(Se é que me entende, agora xispa, ok! Vamos lá)

Ando sempre pela noite, nos ladrilhos do destino
As vezes o sereno me recolhe
E nos espelhos dos carros neblinados eu posso ver meu espirito
Quando menos percebo estou me despindo
No carro ou na lama, você escolhe
15 minutos de fama, as vezes 30, agora já tenho que ir

Nunca minto minha sina, sou assim e não vou mudar
Me derrapo e bato forte
Estou no fundo e quero afundar
Por que o mundo me escolheu assim
E assim acho que vai ser
Se eu te quero, não me queres
Se me queres, quem não te quer sou eu
E na neblina dessa noite eterna, acredito que pra sempre vou viver
(e pra mim isso é viver)
Nem mazocas conseguem me entender

Vejo o céu e conto estrelas
Levo uma a cada dia
(elas sempre me escolhem para descer, olha só, quem diria)
No meu quarto eu tenho amores
Sou seu santo e vejam só
O seu santo pensa odores
Mas exala o seu melhor
Batuco no volante, faço tipo
Sou cavalheiro “ open the door”
Te conquisto no estilo clássico
Fuja agora é bem melhor

“Estava bem longe noutro lugar, perdido distante na esfera lunar”

Eu desci..

Acordo cedo e vejo o sol
No meu quarto entra o calor
De propósito não fecho a janela
A luz que em meu rosto soca, nunca me trás dor
Hoje o dia vai ser diferente
Hoje vai ser bem melhor
Hoje vou seguir a diante
Olho no espelho, um brilho no olhar
(Sinto um ar de diamante)
Sozinho no meu lugar
Hoje é o dia de mudar

Estive pensando, num belo lugar
Me vem como se fosse um sonho
Um lugar meio assim sei la
Me confundo dentro de mim
Onde é que isso vai parar?
Escravo distante
Das correntes cortantes
Sou meu amor e assim não quero ficar

De repente me vem um gosto
De cores desse lugar
Um canto da tela cor de mar
Uma lareira pra esquentar
Será que foi um sonho
Ou agora tenho mesmo alguém para amar?
(Tipo assim ideal, puta-que-pariu fumaça vai virar)


Eu quero mais flores em minhas linhas
Mais tons coloridos na minha vida
Eu quero uma sala com tapete de bolinhas
Onde haja uma lareira pra no frio se esquentar
Onde a cada dia a luz do sol será bem vinda
Como é o meu amor por esse amor
Que é seu e nunca meu
Onde eu vou te encontrar doce mel de cor e sabor?

Quais de mim você vai querer?
Eu faço as vitrines
Corra não perca
É chegar e escolher!

Atillas Felipe Pires
25/11/2013

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Chico

Juca foi autuado em flagrante como miliante
Pois sambava bem diante da janela de Maria
Bem no meu da alegria a noite virou dia
Sua luar de prata virou chuva fria
Sua serenata não acordou Maria

Juca ficou desapontado e declarou ao delegado
Não saber se amor é crime e que samba é pecado
E em legitima defesa batucou assim na mesa:
O delegado é bamba, na delegacia, mas nunca fez samba, nunca viu Maria
O delegado é bamba, na delegacia, mas nunca fez samba, nunca viu Maria

Meu canto lírico

Alô meu Brasil Baronil
Terra de sol forte
Terra de gente vil
Santa pátria amada das desgraças escondidas
Somos os melhores
Mas me diga o que se vê por detrás das cortinas
Quando o espetáculo ainda não esta armado
E o palco ainda não foi montado
Com adornos falsos
Calem a boca dessa gente com arame farpado
Com gosto de mel
(assim eles gostam, e lambem até os ossos dessa carne podre com sabor bem temperado)
E venha, olhe o cruzeiro no céu
Enquanto por debaixo dos panos sou rei e réu
Condenado e extirpado
Alô alô meu Brasil
Vamos comemorar meu segundo mandado
Terra de sol forte
Terra de gente vil
Lembra de mim? Na tv Globo você me viu
"Sou o candidato do povo, vamos lutar pela família"
E você quando olha para o barraco cheio de lama
Esta sozinho aqui, ou melhor, pobre metido, esta alone
E ele no castelo come melhor que dez mil pobre com fome
(Sou tipo Dom Corleone)
Não olhe não me encare
Segurança quero-o bem longe
Te pago para isso, protetor de agiota, Rocky Balboa encarne
(quero mais carne)
Só que sem luta, nem lute
Troque o A pelo O
No máximo luto
Quem me entende não se ilude
Sou rei dos pobre e dos ricos sou tipo candelabro
(Ilumino, estou sempre do lado)
E no meu retrovisor vejo um mendigo no frio, com fome e pelado
Cena forte
Motorista, por gentileza, vire para o outro lado
O lado da nobreza
Sou forte mais não force meu estômago
Vomito só de pensar em pobreza

"Oh senhorr..será que o sinhô se zangou e é só por isso que o sol se arretirô..
...fazendo chover, toda chuva que há"

E hoje meu bairro eu vejo alagar
Gente sendo levada, deixando a agua mais vermelha que marrom
Barro com sangue
Tudo bem bem, tudo bom bom
Aproveitamos a água, ela mesmo vai lavando
E seu lamento é um só e vem num carro de som
O de perder um ou dois votos para o próximo ano
Ser satânico do qual o próprio diabo não se vê encarnando
Do qual a própria maldade foge pelos becos podres dessa cidade

Alô alô jovens brasileiros
Venha vender sua mocidade
Aliste-se agora na junta militar da sua cidade
E sirva seu país
Na marinha, aeronáutica ou nos fuzileiros
Venham jovens brasileiros
Exercite o seu patriotismo
(ou seu "idiotismo")

Me cansei, vou ouvir meu cd lirico
Sou lirista
Curto lirismo

Atillas Felipe Pires
19/11/2013

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

NOSSA, QUE BAIXO!

Hey baby, me diz o que aconteceu com você?
Ia tudo tão bem, hoje não sei dizer
Hey baby, me diz o que aconteceu com você?
Se quando olho dentro da sua alma pelos seus olhos
O meu reflexo eu não consigo mais ver
Hey baby, me diz o que aconteceu com você?
Essa noite esta cada vez mais longa
Se o vinho acabar acho que tem wisky no frigobar
E enquanto isso os cigarros estão acesos
Não sou de fumar, mas a essa altura não quero pensar
E os seus cabelos loiros grudam no meu peito, paixão derradeira
Acho que estou chegando próximo as chamas do inferno
Hey baby, eu acho que quero me queimar
Hey baby, eu não me reconheço mais
Sou aquele cara dos vícios intermináveis
Eu nunca soube amar
Ou agora sou o mais triste dos poetas
Amor infinito em forma de arte
Eu acho que tudo isso vai passar

E estamos nessa sala com fumaça no ar
Tudo esta fechado, cortinas, lanchonetes
Nesse hotel não tem bar
Hey baby, estamos sozinhos nesse lugar
E enquanto houver bebidas, eu mesmo de longe
Do outro lado do sofá
Continuo a te amar
Hey baby, eu sei que você vai voltar
Sei que vai se aproximar
E as taças vão se acumular
Hey baby, estamos sozinhos nesse quarto
Nesse hotel não tem bar

E as vezes eu sinto como se houvesse uma espaço vazio em você
Hey baby, me diz o que aconteceu com você?
As drogas e os livros de paginas amarelas não te satisfazem mais
Ia tão bem, hoje não sei dizer
Esse conceito histórico referente as dores passadas, pra sempre fez ou tanto faz
Eu vou te provar a cada dia
O quanto seu tempo vale mais
E as taças vão se acumular
Vamos a cada dia numa velocidade incapaz de acompanhar
Hey baby, vamos nos amar
(ou transar)
Hey baby, me diz o que aconteceu com você?
Se quando olho dentro da sua alma pelos seus olhos
O meu reflexo eu não consigo mais me ver
(então vou beber)

Então vai
Se a cada dia nesse mundo que estamos
A cada dia tudo se vai
E vem, tanto faz para quem vive um segundo de cada vez
Outro dia bebi mais do que deveria
Hoje retraiu meus ensejos por que amanha tenho trabalho a fazer
Me aguente, apenas mais essa vez
Então vai
Se a cada dia nesse mundo que estamos
Somos obrigados a parar
(mas nunca para pensar)
Então vai
Se a companhia de alguém de pernas boas não te faz mais bem
E a  essa altura o que te convém?
Então vai
Se a cada momento o que se tem é nada além de tudo que sempre teve
Paradoxo escrito como bala pronta para matar
(matar é amar)
(matar é amar)

Libero de uma só vez a fera que reside em meu peito
Queimo mais um pouco meu espírito  nas chamas do inferno
E as vezes eu sinto minha alma gelada
Sinto como se em mim morasse apenas o inverno
Sem calor, sem dor, gelo que satisfaz
Gele que atrai
Escuto por aí que minha personalidade é dupla
Será talvez médico e monstro?
Chegue mais perto, abra suas pernas que eu te mostro
O que no dia de trabalho vai causar seu atraso
(ou te arraso)
Dessa vez eu vou por baixo
Por que sou assim
Sou baixo

Atillas Felipe Pires
02/10/2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Em meus pulmões rufam tambores


Sou forte por natureza

Tenho o sangue quente e a pele fervente

Sou carne pura, não sou gente

Meus pulmões rufam fumaça como rufam tambores

(como os que rufam quando se aproximam as minhas dores)

Sou forte por natureza

Animal belo, atlético, olhos pequenos e fundos

Espirito forte, virtude e nobreza

Sou forte por natureza

Mas esses dardos me penetram com furos fundos

De tantos que furam, me falta força me vem a fraqueza

(vejo meu espirito manchar o chão)

Não vou me deitar ante ao matador

E quanto mais eu aguento, mas vejo que os da plateia se inflamam

(num coro de terrível paixão)

Gritos de alegria que em meus ouvidos são de terror

Não vou me deitar ante ao matador

(mantenho-me em pé, quanto preciso for)

De tão forte que meu coração bate

De tão forte que sou

 

Atillas Felipe Pires

14/11/2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Afogar ou se jogar?



Quero voar, voar pro alto
Ir bem longe para te encontrar
Eu não vou parar
E deixar você desaparecer
O meu mundo é você
Meu sorriso é com você
E sem você não vou me acostumar
Eu não vou viver
Sem você não sei amar
Eu não sei continuar
Se ficar sem você for a única forma de viver
Eu prefiro engatar marcha lenta
Meu motor da vida estacionar
Eu prefiro iludir meu intelecto
Com esse falso ser
Esse ser ideal
Miragem no deserto
Me refresca na ilusão
Na ilusão de um dia te ter
E assim quase que do nada eu desperto
Desse sonho “pesade(lado)”
E fico feliz
Estou bêbado e pe(lado)
Com o ser inanimado que repousa ao meu (lado)
Fico feliz e encaro meu travesseiro ali parado
Por muito tempo, isso era tudo que queria
Doce sonho dentro de um pesadelo
Estou cantando poesias sem sentido
Intelecto apurado, pensamento prático
E olha só onde estou, quem diria
Ser ambíguo
Qual será o meu melhor (lado)?
Coração gelado
Sentimento nobre esfolado
Sozinho na vida, o maior enrolado
Me dê um pouco de vinho
E fique um pouco ao meu lado
E me responda
Qual é o meu melhor (lado)?


Minha definição de amor nos últimos tempos tem sido distorcida
Pelo meu estado de espirito, que é o pior possível
Mas por meus amigos eu fico feliz, estou na torcida
Sou um jogador solitário
Acerto o alvo de primeira, mas não comemoro
Faço parte da pior classe possível
Desperdiçador de opções
Ate não ter mais opções
Eu tenho bem mais que um, eu tenho vários corações
Que Deus me perdoe
Que Deus aceite meus poemas como apelações
Minha parede é um muro de metragem infinita
Eu não tenho mais o mesmo parecer notório
Não sei mais com quantos anos me perdi
Se ainda estou perdido ou se me encontrei e não percebi
(por que estava perdido)
Eu tenho um senso-critico, meu estado é sempre critico
Tenho um ego inflamado para o mundo que me cerca
Mas sou um ser meramente impuro
Abastecido pelas minhas noturnas lamentações
E até hoje, quantas foram?
Infinitas as opções
Para cada uma, mais de uma decepção
(decepções)

Sinto minha energia no saldo negativo no mundo espiritual
Eu queria emanar mais cores, mais arte
Mas eu sempre exponho o outro lado
Dark side
E te confesso aqui parado: Eu gosto disso!
Essa é minha outra parte

E bem mais que um desabafo filosófico
Com rimas e eufórico
As vezes eu fico ali parado
Olhando cada um dos cantos desse céu que nos imerge
Manto negro salpicado de alegria
E somos todos assim, sou colorido mas as vezes sou bege
E como o céu, negro e brilhante ao mesmo tempo
Eu quero ser
Só que em quanto tempo?
Minha escada moral não me eleva ao patamar mais alto
(não neste momento)
O mais perto do céu é se jogar sem medo no mar
O reflexo que nos trás
Eu posso sentir um pouco do ar
Do céu no mar
Do céu no mar
E sinto saudade de sentir amor
Sinto saudade de amar
E agora, onde você deve estar?
No céu ou no mar
A solução para os meus problemas
Se afogar ou se jogar?
Se afogar ou se jogar?

Atillas Felipe Pires
13/11/2013














terça-feira, 12 de novembro de 2013

Rainha do Cangaço



Maria Bonita era a menina mais querida da vila
Maria Bonita não tinha só no nome o adjetivo de elogio
Maria Bonita era bonita
Para todos os olhos masculinos era um colírio
Maria Bonita menina nova
Olhar e voz cativante, Maria Bonita não tinha diamante
Maria Bonita era o diamante
Domingo era dia de missa
Parava a praça
Para Maria Bonita ir receber a bençao e a graça
De nosso Senhor Padre Ciço
Maria Bonita era bonita
Para todos os olhos masculinos era um colírio

Naquele tempo rondava o boato
De um grupo de cangaceiro que aterrorizava o cerrado
Para alguns trazia sorte, para fazendeiros era sinônimo de mau-olhado
Pra mais de 50 homens, cabras da peste não tinham medo nem da peste
Seu líder era conhecido como o rei do Cangaço
Herói dos nordestinos, Virgulino terror dos donos de terraços
Naquele tempo rondava o boato
Um herói assassino, vingador dos podres miseráveis
Seu cavalo era bento, sua peixeira alguns diziam ser santa
Cultura nordestina, que voa longe, verdade ou boato
Ninguém queria pagar para ver
Ninguém se arriscaria a pagar o pato

Sou comedor de farinha com muito orgulho
Filhos dessa terra seca
Com a qual empoeiram os meus pés nordestinos
Sou devoto de meu Padim Padi Ciço!
A água cristalina que rolam em meus olhos ao lembrar
Que sou desse lugar
Sou daqui
E aqui é onde eu quero ficar, que nesse chão meus cumpadi cavem sete palmos
(para me enterrar ou para ouro encontrar)

Maria Bonita não se entregava a ninguém
“Sou de Deus, sou pra Deus, nem vem”
Mas seu destino havia sido cravado nos trilhos do cangaço
E mais cedo ou mais tarde seu futuro viria por mal ou por bem
Maria Bonita era a mais bonita e já havia sido escolhida
E por amor de um guerreiro de cores pardas
Que brandia rifles como espadas
E rondava o cerrado, justiceiro sem fronteiras
Assassino anti-herói
Das cobras rasteiras
Que humilhavam e esnobavam o seu povo

De cidade em cidade Virgulino liderava o seu grupo
Piratas da poeira, saqueando e distribuindo ao povo
Devolvendo seu suor em forma de papel
Sem dó na faca, mortes nas costas
Fazendeiros que acumulavam império até o céu
(não há perdão pelo perdão)
Sua gratidão era divina
Seu terço sempre no peito desviando-lhe das balas

Mas daquela bala seu terço não o desviou
Naquela direção na verdade ele te empurrou
Na direção daquele olhar brilhante de Maria Bonita
Atravessando a estrada com roupara para lavar
Seu coração de imediato se amarrou
De imediato o amor emanou
E Maria Bonita naquele mesmo momento Virgulino amou

Maria Bonita numa tarde se encontrou
Com alguém assim estranho, no alto de um cavalo
Ali parado na estrada e viu seu olhar lhe atingir
Sentiu como se uma faca no peito lhe enterrou
“Meu Deus, será isso amor”?
E naquele momento por Virgulino Maria bonita se enamorou

Sou comedor de farinha com muito orgulho
Filhos dessa terra seca
Com a qual empoeiram os meus pés nordestinos
Sou devoto de meu Padim Padi Ciço!
A água cristalina que rolam em meus olhos ao lembrar
Que sou desse lugar
Sou daqui
E aqui é onde eu quero ficar, que nesse chão meus cumpadi cavem sete palmos
(para me enterrar ou para ouro encontrar)

Foi a história de amor mais bonita que meu nordeste presenciou
A moça da cidade que abandonou seu vilarejo
E passou a ser nômade na aba de um cangaceiro
(ou justiceiro)
E havia quem dizia: Maria Bonita virou heroína
(também quem condenava a assassina)
E tinha na bata uma faca e na consciência mortes para lamentar
(Ou festejar)
Maria Bonita era agora a Rainha do Gangaço
Maria Bonita era agora a rainha do Cangaço
Maria Bonita ainda era bonita mas agora
Não tinha mais bíblia nos braços
Maria Bonita agora tinha na mira os traidores e caçadores de humanos
Maria Bonita empunhava rifles e portava facas, mantendo seus delicados traços

E até hoje quem se lembra diz: Virgulino perdeu para a milícia por que seu amor se foi
Um tiro pela culatra, bem antes dele
Maria Bonita virou o primeiro anjo atirador
Virgulino pelo que dizem não suportou a dor
E seu rastro ele deixou visível
Pego e condenado, decapitado em praça pública
E para quem acredita, lá no céu com seu amor ele se encontrou

Foi a história de amor mais bonita que meu nordeste presenciou
A moça da cidade que abandonou seu vilarejo
E passou a ser nômade na aba de um cangaceiro
(ou justiceiro)
E havia quem dizia: Maria Bonita virou heroína
(também quem condenava a assassina)
E tinha na bata uma faca e na consciência mortes para lamentar
(Ou festejar)
Maria Bonita era agora a Protetora do Cangaço.

Atillas Felipe Pires
11/11/2013




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

FDP



Porra essa filha-da-puta sempre consegue me foder
Direta, ou indiretamente, de verdade ou quando (mente)
Porra essa filha-da-puta é uma filha da puta que me faz enlouquecer
Diaria(mente), sublinar(mente) enquanto mente a minha mente
Não tente, se movi(mente) evolua, verdadeira(mente)

Enquanto passa essa vontade de ficar aqui mais um dia
Se é que se tem o que sempre teve
Enquanto nada é como se via
Nada era o que você queria
Essa vida, quem diria
Tendo em cada esquina uma flor pra regar
Mas sou o tipo de cara que para e olha em seu quintal no dia de chuva e não ter nenhum jardim pra cuidar

Que se foda seu filho da puta
Se tiver um pouco mais de whisky e puta
Não penso mais em você filha-da-puta
Enquanto pinto mais uma vez minha máscara
Em todos os sentidos, sou homem de fumaça
Maleável, mutável, triplico não duplo
Na vida de quem quer que seja, eterna desgraça
Com alma, com amor, com graça
Prazer sou mais um santo demoníaco na praça

Porra essa filha-da-puta sempre consegue me foder
Quando acho um perfume novo
Tudo fica outra vez cinza e começa a feder
Se é que vai ser assim, sem rosas, sem nada
Sem começo sem fim

Eu penso em repensar o começo e voltar para o mesmo lugar
Em parar analisar, sofrer e sorrir até chorar
Agonizar em meio a gargalhadas
Sou teatral, te faço muito bem
Só quando convém
Sou assim, se quiser me seguir estou aqui, então vem

Porra essa filha-da-puta sempre consegue me foder
E sabe-se lá quem é você?
Essa filha da puta dessa flor anônima que me faz ser quem eu sou
Desse ser ideal desenhado em minha retina
Algo assim, quase perfeito
Quanto as cores da capela cistina

E comparada a minha mente (que mente)
Nada chega perto
Ninguém se iguala
Apaixono-me por meus desenhos
Por mim, por meus quadros
Sou assim e sou feliz
Anjo caído, não meta o nariz
E quem diz:
Chega mais perto eu quero ficar?
Eu vou negar
Eu vou negar

Anjo caído, não meta o nariz
E quem diz:
Chegue mais perto eu quero ficar?
Eu vou negar
Eu vou negar

P.s: Para uma filha-da-puta que acompanha todos os bêbados e largados a quem empresto minha voz: a solidão que te acompanha na noite fria. A solidão de quem vive acompanhado a pior de todas, eu diria!

Atillas Felipe Pires
04/11/2013