terça-feira, 12 de novembro de 2013
Rainha do Cangaço
Maria Bonita era a menina mais querida da vila
Maria Bonita não tinha só no nome o adjetivo de elogio
Maria Bonita era bonita
Para todos os olhos masculinos era um colírio
Maria Bonita menina nova
Olhar e voz cativante, Maria Bonita não tinha diamante
Maria Bonita era o diamante
Domingo era dia de missa
Parava a praça
Para Maria Bonita ir receber a bençao e a graça
De nosso Senhor Padre Ciço
Maria Bonita era bonita
Para todos os olhos masculinos era um colírio
Naquele tempo rondava o boato
De um grupo de cangaceiro que aterrorizava o cerrado
Para alguns trazia sorte, para fazendeiros era sinônimo de mau-olhado
Pra mais de 50 homens, cabras da peste não tinham medo nem da peste
Seu líder era conhecido como o rei do Cangaço
Herói dos nordestinos, Virgulino terror dos donos de terraços
Naquele tempo rondava o boato
Um herói assassino, vingador dos podres miseráveis
Seu cavalo era bento, sua peixeira alguns diziam ser santa
Cultura nordestina, que voa longe, verdade ou boato
Ninguém queria pagar para ver
Ninguém se arriscaria a pagar o pato
Sou comedor de farinha com muito orgulho
Filhos dessa terra seca
Com a qual empoeiram os meus pés nordestinos
Sou devoto de meu Padim Padi Ciço!
A água cristalina que rolam em meus olhos ao lembrar
Que sou desse lugar
Sou daqui
E aqui é onde eu quero ficar, que nesse chão meus cumpadi cavem sete palmos
(para me enterrar ou para ouro encontrar)
Maria Bonita não se entregava a ninguém
“Sou de Deus, sou pra Deus, nem vem”
Mas seu destino havia sido cravado nos trilhos do cangaço
E mais cedo ou mais tarde seu futuro viria por mal ou por bem
Maria Bonita era a mais bonita e já havia sido escolhida
E por amor de um guerreiro de cores pardas
Que brandia rifles como espadas
E rondava o cerrado, justiceiro sem fronteiras
Assassino anti-herói
Das cobras rasteiras
Que humilhavam e esnobavam o seu povo
De cidade em cidade Virgulino liderava o seu grupo
Piratas da poeira, saqueando e distribuindo ao povo
Devolvendo seu suor em forma de papel
Sem dó na faca, mortes nas costas
Fazendeiros que acumulavam império até o céu
(não há perdão pelo perdão)
Sua gratidão era divina
Seu terço sempre no peito desviando-lhe das balas
Mas daquela bala seu terço não o desviou
Naquela direção na verdade ele te empurrou
Na direção daquele olhar brilhante de Maria Bonita
Atravessando a estrada com roupara para lavar
Seu coração de imediato se amarrou
De imediato o amor emanou
E Maria Bonita naquele mesmo momento Virgulino amou
Maria Bonita numa tarde se encontrou
Com alguém assim estranho, no alto de um cavalo
Ali parado na estrada e viu seu olhar lhe atingir
Sentiu como se uma faca no peito lhe enterrou
“Meu Deus, será isso amor”?
E naquele momento por Virgulino Maria bonita se enamorou
Sou comedor de farinha com muito orgulho
Filhos dessa terra seca
Com a qual empoeiram os meus pés nordestinos
Sou devoto de meu Padim Padi Ciço!
A água cristalina que rolam em meus olhos ao lembrar
Que sou desse lugar
Sou daqui
E aqui é onde eu quero ficar, que nesse chão meus cumpadi cavem sete palmos
(para me enterrar ou para ouro encontrar)
Foi a história de amor mais bonita que meu nordeste presenciou
A moça da cidade que abandonou seu vilarejo
E passou a ser nômade na aba de um cangaceiro
(ou justiceiro)
E havia quem dizia: Maria Bonita virou heroína
(também quem condenava a assassina)
E tinha na bata uma faca e na consciência mortes para lamentar
(Ou festejar)
Maria Bonita era agora a Rainha do Gangaço
Maria Bonita era agora a rainha do Cangaço
Maria Bonita ainda era bonita mas agora
Não tinha mais bíblia nos braços
Maria Bonita agora tinha na mira os traidores e caçadores de humanos
Maria Bonita empunhava rifles e portava facas, mantendo seus delicados traços
E até hoje quem se lembra diz: Virgulino perdeu para a milícia por que seu amor se foi
Um tiro pela culatra, bem antes dele
Maria Bonita virou o primeiro anjo atirador
Virgulino pelo que dizem não suportou a dor
E seu rastro ele deixou visível
Pego e condenado, decapitado em praça pública
E para quem acredita, lá no céu com seu amor ele se encontrou
Foi a história de amor mais bonita que meu nordeste presenciou
A moça da cidade que abandonou seu vilarejo
E passou a ser nômade na aba de um cangaceiro
(ou justiceiro)
E havia quem dizia: Maria Bonita virou heroína
(também quem condenava a assassina)
E tinha na bata uma faca e na consciência mortes para lamentar
(Ou festejar)
Maria Bonita era agora a Protetora do Cangaço.
Atillas Felipe Pires
11/11/2013
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