Olha o pó do chão sem asfalto logo ali
Olha a placa do velho-oeste dessa terra sem fim
1800 e alguma coisa, no Estado do Teenesee
Escravidão de dar dó
Um vilarejo de uma única rua principal
Um xerife, dois ladrões, o padeiro, o padre e só
O forasteiro entrou naquele bar de luz baixa
Bateu as botas espantando a poeira da viagem
Sentou no balcão como quem não teme a morte
Sem colete, sem chapeú, sem cavalo, sem blindagem
Apenas o brilho constante de um estrela no peito
Pediu wisky puro sem gelo, sem viadagem
Aquele lustre de cordas longas tremeu no teto do lugar
Reluzindo o brilho da patente do recém-chegado
Refletindo de relance bem nos olhos do tal Jack Faz - Sangrar
O demoníaco perturbador daquela região
Colecionar de estrelas de xerifes
Ao todo sete deixou no chão
Levantou do fundo do bar e cuspiu o tabaco que mastigava
Andou lentamente na direção daquele homem sem chapeu
As expectativas ao redor fizeram tremer o lugar
Os olhos pequenos daqueles vaqueiros
Seres sedentos ao mesmo tempo medrosos e atrozes
Tornaram a cena coisa de cinema
A intensidade dos olhares criou o clima de holofotes
Mentalmente as apostas quem tem os braços mais fortes
Quem tem o dedo mais veloz
Estou disposto a ouvir sua história
Antes de decidir como vou te matar
Já que estou tendencioso a acreditar que é maluco ou esta quase a ficar
Nunca ouviu falar desse lugar?
Onde a lei não chega
Aqui quem manda e desmanda é esse que vos vem falar
Jack Faz Sangrar
As expectativas aumentaram nos seres imóveis
O oxigênio pareceu faltar
Na terra do pó o balcão é o altar
O silêncio perdurou
Lá fora o som do vento se fez ouvir
Enquanto passava através dos sete furos na placa do bar
Que Jack Faz Sangrar para cada xerife furou
Dizem que uma meta bem difícil de alcançar
Tenho aqui minha pistola
Nela tenho apenas uma bala
O chumbo forjado
A justiceira solitária
Para cada um dos sete que matou
Senhor Jack Faz Sangrar
Em nome da divina santidade
Essa única bala irá vingar
Mas antes quero saber sua história
Foi seu pai ou sua mãe que te estuprou na infância
Que te fez o pior dos seres dessa escória
Perdoe-me a petulância
Se for assunto pessoal não precisa responder
Não me importa na verdade
A história de um verme que em minutos vai morrer
O som do silêncio fez da madeira um piso gelado
O tom do lugar pareceu mudar em segundos
Os olhos inexpressivos e pequenos saltaram-se num grunhido contido
A plateia outrora imóvel se movimentou nas cadeiras velhas
O clima em minutos pareceu mais gélido
O vento continuou a bater lá fora, agora com mais força
Balançou num assopro as cortinas como se fossem velas
Esta aí duas coisas que eu não sabia
Uma que eu tinha sido estuprado
E outra "..que difunto falava"
Não me perco em palavras meu dicionário é rural
Mas quero que olhe firme para aquela placa
Que esta bordada de estrelas como a sua
Onde eu fiz o meu mural
Faça seu convite para o próprio funeral
Não tenho medo da sua única bala
No meu tambor tem espaço para seis e estou sem espaço
Se é que me entende meu senhor metido a burguês
Já disse e vou repetir aqui a lei não tem nada para falar
Quem manda é Jack Faz Sangr...
Uma adaga surgiu quase que do nada
Saiu de entre as mangas daquele desconhecido forasteiro
Voou para entre os olhos do tal Jack num golpe certeiro
A pistola que brilhava a luz do lustre
Veio para selar o caixão com um tiro entre o tórax e o coração
Uma única bala
A marca registrada de um caçador de recompensas
Para calar a voz de um falastrão que estava no cartaz de procurado
Aquele sombrio homem retirou a estrela do peito
E jogou sobre o corpo que sangrava ali deitado
Não sou xerife meu senhor, apenas ouvi histórias a seu respeito
Mais um trabalho concluído
Mais um trato feito
O silêncio do lugar explodiu num grito de torcida
Como que numa festa em comemoração
Muitos não acreditavam o que tinha acabado de presenciar
Lá se foi a era do Senhor Jack Faz Sangrar
O forasteiro olhou ao seu redor deu um suspiro e voltou a se sentar
Pediu outra dose de wisky puro sem gelo
Sentiu um pouco de fome
Pediu também uma costela de carneiro com muito tempero
Terminou sua refeição
Levantou tirou seu cinto e amarrou ao pé do cadáver
Sem nenhum tipo de cerimônia ou aflição
Perguntou aos curiosos que a essa altura estavam todos em pé
Sabem a origem dessa palavra? Cadáver?
CArne DAda aos VERmes
Se não sabiam, agora sabe qual é
Carne dada aos Vermes
Levantou e foi embora arrastando aquele peso pelo chão
O único ócio da sua profissão
Atillas Felipe Pires
15/05/2015
Nenhum comentário:
Postar um comentário