Houve um tempo em que eu frequentei uma casa
Uma casa pequena e profana em New Orleans
Nesse tempo eu vivia a pobreza e miséria
A pobreza e a miséria de muitos garotos de New Orleans
Nesse tempo a musica que tocava era The House of the Rising Sun
Meu tempo era vasto meu dinheiro restrito
O que eu podia fazer, era colocar The Animals na maquina de som
Enquanto esperava pelos serviços prestados, na geladeira mosquito e cerveja sempre quente
Os pratos eram sujos e os copos ensebados
As áreas comuns tinham um ar comovente
Enquanto isso, haviam garotos mal falados
Almas perdidas, na maior parte do tempo drogados
Houve um tempo em que eu frequentei uma casa
Uma casa pequena e profana em New Orleans
Eu me lembro do ventilador de teto, um barulho de rosca solta
Lembro da janela com o vidro quebrado na parte de baixo
Lembro também do ar cheio de perfume barato
Garotas pelos cantos com pelos, exibindo suas coxas e sua vida solta
Os anos passavam mais devagar
Meu moicano combinava com minha vida ingrata
As frases das tatuagens eram simbólicas e demoníacas
Nada além de uma ideologia barata
Uma cruz pendurada no pescoço me dava a falsa sensação de proteção
Deus não acompanha as almas entregues a perdição
Houve um tempo em que eu frequentei uma casa
Uma casa pequena e profana em New Orleans
Onde os olhares eram sem brilho
Onde todas as almas eram vazias como arvore oca
O espirito que vagava por ali era pagão
E eu estava sozinho
Eu também vagava, só que na magnitude da minha solidão
Naquele tempo eu costumava chorar antes de dormir
Enquanto ouvia no quarto ao lado
Alguém gemer e outro sorrir
As vezes eu olhava no espelho e me via ali também
Fazendo alguém gemer até eu mesmo sorrir
Eu não era eu mesmo, eu fedia a outrem
Naquele tempo eu costumava andar pelo vale
Eu não tinha medo de mal algum
Por que eu sempre fui o mais filho da puta do lugar
Eu trocava meu relógio por um góle
No final das contas eu sei que vale
Atillas Pires
16\10\2017
Nenhum comentário:
Postar um comentário