quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Não entendo quando dizem "trabalhe para ganhar a vida" ...como se as paredes pálidas de um escritório refletisse ou tivesse alguma coisa a ver com vida.

Atillas Felipe Pires
31/10/2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Feio

Essa noite estou aqui
E vejo nessa madrugada os lampejos me extorquir
O sono distante
A mente brilhante
E quando nada mais parece ser o que parece
Um fantasma sem sombra
Me acorda com uma corda
Eis em mim, uma rápida prece
Que de fé carece
Mas de medo a Deus entristece
Sigo em frente, num tom macabro
Amor, sincero, saudade, dor
Agora um pouco de diabo
Um pouco de terror
Eu falei de tudo, mas de quase nada
E tem sangue nesse sonho
Tem pimenta no sabor
Tenho de tudo mais não tenho nada
Que tal ascender a luz da minha mente
Mas nesse quarto não tem luz nesse quarto não tem mente
Corpo estarrecido
Não há nada desse mundo parecido
Quando se fala em tom noturno
Eu vejo um milhão de tons escuro
Eu vejo a noite em outro mundo
Sem sono me convenço
Que as vezes o que precisamos é de silencio
Pensar, andar sem sair do lugar
Não dormir por vontade própria
Sentir as juntas tremerem sem motivo
E sua boa esta toda torta
Que coisa estranha, que coisa mórbida
O espelho saiu pra voar
E reflete todo o resto
Eu me vejo, em todos os lugares
Que coisa estranha, que coisa mórbida
Sinto agora, os móveis me observar
Sempre estão ali
Parados no mesmo lugar
Imóveis solitários
E eu penso, como posso ter tantos tons de otários
Boa noite noite
Boa noite dia
Boa noite mente
Que coisa feia
Que coisa comovente

Atillas Felipe Pires
30/10/2012

Advogado inglês traduzido errado

Sem mentira
De fato as vezes a saudade bate forte
Trás lembranças
Que de tão boas fazem mal
Abre um pouco esse corte
Esse corte na alma
Que as vezes é cicatriz
As vezes se abre
E eu lembro do natal, das festas..
Do carnaval
Dói um pouco
E sinto falta por um triz
De sentir e de viver
De ouvir o que você me diz
Em pensamento
Quando na solidão momentânea
Também passa por esse momento
Sem falso julgamento
Sem mais nada de acalentos e afagos
Sem fazer antigos juramentos
Mas nesse momento
Apenas nesse momento
Te queria aqui
Por um momento
E sentir esse movimento
Sem saber que agora tanto faz
Tudo que passou
Já há tanto tempo ficou pra trás
Essa saudade repentina
Não traz nada em arte
Não traz amor, não traz calma
Não resolve e não acalma
Mas me toca fundo
E lembro que um dia
Senti a alma quente
Conheci do meu coração seu canto mais profundo
Resmungo, esqueço
E tudo passa outra vez
E mais uma vez
E outra
Só que dessa vez
Preciso de um momento
Mais um momento
Pra deixar tudo pra lá
Deixar tudo pra lá de vez
E me desmorono em insensatez
Sem admitir meu erro
Que é pensar que cometi um erro
Não, talvez não dessa vez
E quando os olhos não querem se fechar para dormir
A mente vai pra lá e pra cá
Visita lugares que o corpo já esteve
E tudo isso parece nunca ter fim
Eu tento dizer tanto mais não digo nada
Ou quase nada
Mas é nesse momento que vejo a magoa que há em mim
E tudo isso parece nunca ter fim
Mas lembro do vinho
Lembro da musica
Eu lembro do cheiro da madeira
Lembro da pinga caseira
Eu lembro dos almoços
E lembro dos esforços
Que em vão culminaram em mais uma decisão
A de não querer tomar decisão
E nessa hora eu não digo nada
Ou quase nada
Admito que chegou o fim
Não lutei, só chorei
Não voltei, não aceitei
Só entendi e não me surpreendi
Com o fim
Simples, rápido e num só golpe
O fim

Atillas Felipe Pires
29/10/2012

Novo tempo

Acertei o meu relógio com esse novo tempo
Hoje eu sei como andei por aí
Pensando estar ganhando, mas sempre perdendo tempo
Acertei meu relógio
E vivo agora num novo momento
Que não tem fim, que vem como o vento
O vento novo que vem por aí
Não existem mais perdas, nem ganhos
Existe vida sincera e pacata
Vivo com dois corações
Que têm amor vermelho não de sangue
De batom e unhas que não distribuem arranhões
Eu vivo agora, numa nova onda
Numa onda espiritual pacata
E que venham os novos dias
E que venham todos as novas coisas dessa era
E que venham as alegrias
Que sumam cada vez mais o que tinha de fera
E eu aceno sem olhar para minhas novas fantasias
Que venham
Que venham cada vez mais
Esses novos dias
Atillas Felipe Pires
29/10/2012

domingo, 28 de outubro de 2012

True love

Se for é de verdade
Não desiste, não machuca
Não se irrita
Não abandona, não dói
Se é verdadeiro
Não se importa com o cheiro
Não da valor para a falta de sabor
Nem do fraco tempeiro
Quando é de verdade
Tem na natureza
Toda cor, todo sabor
Não tem dor
Se é verdadeiro
Não falta sabor, não falta cheiro
É gostoso..
É cheio de tempero
Que seu amor seja assim
Forte, picante..
Sincero, saboroso
Desejo o melhor dos amores
O amor verdadeiro
A você, a mim
A todos nós
O amor sem fim
O amor verdadeiro.

Atillas Felipe Pires
28/10/2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Eu tenho sangue latino
Eu sou preto eu sou branco
Não tenho uma só cor
Sou feito de coração
Sou feito de amor.

Atillas Felipe Pires
25/10/2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Red fire

Kiss me, my girl
Kiss me, my little baby red fire
Vamos juntos, essa noite é noite de baile
Vem comigo, não olhe para trás vai
Não deixe de me olhar e me guiar
Não deixe de me guiar, mas bem alto vai
Kiss me, my little baby red fire
Essa noite é noite de baile
Então, passe seu batom vermelho
E use sua saia de litle baby fire
My little baby, baby fire
E saímos por aí, com moto e fogo
Cigarros, vodka, não importa o que importa
Jaqueta rasgada, teto sem forro
O paralama esta torno
Os adesivos sempre em esporro
Nirvana, Legião, ACDC
Todas as bandas pelas quais
Um louco diz “eu morro”
E ele diz “vinde a mim”
E ela diz, bem baixo no meu ouvido
Ei amor, não demore
Entre em mim
Me devore
Me trate como devo ser tratada
Faça o que quiser, mas não demore
E ele diz:
Kiss me, my little baby red fire
Kiss me, my little baby red fire
E a noite segue, e o vinho desce
E La vem a diversão
Não me procure em noites de verão
E aí, e as coisas como vão?
Ei oww..my little girl red fire
Ei oww my little girl red fire

E o vento bate, abastescendo a minha sede
E água surge, tocando bem meu rosto
Eu sinto a noite quente como dia frio
E lá vamos nós, nessa tremenda incompreensão
Então vem
Já estamos em noites de verão
Então vem
Vem comigo, vem
E então, vai ficar tudo bem eu sei
Que as vezes não há mais inspiração artística
Não há nada que saia dessa mente corroída
De tempos em tempos, a qualidade cai
E eu não tenho nada pra falar
Digo apenas
Vai vai..
My little baby red fire
Vai, vai, my little baby red fire
Então, vai vai..

Atillas Felipe Pires
22/10/2012


sábado, 20 de outubro de 2012

Produto da Noite Solitária

Sou alguém de hábitos noturnos
Eu sou assim, as vezes malicioso
As vezes ingênuo
Sabe-se lá o que procuro!
Procuro poesias que me toque com tons mudos
As vezes nem sei o que procuro
Eu sou assim, quero ver arte em toda parte
Eu não sei quando foi a ultima vez
A ultima vez que reli minha própria arte
Que voltei a ver meu realejo
Como sou assim, como fui como vou
Ver as coisas como eu mesmo vejo
Entre os portões que nos cercam
E a vida como passa sem parar pra pedir carona
Em um maluco cortejo
Temos tantas opções, para poucas certezas
Erguer o troféu com vontade
Ou sem perceber ir a lona
Tanto faz, pouco importa
Cigarros, bebidas, gasolina, carros.
Minha porta ainda é torta
As festas que passam como fleches
Luzes coloridas
Que tocam nossa pele e ilumina de forma distorcida a nossa vida
Guiando nosso caminho para o mesmo lugar de sempre
Ser ou não, não importa
Desde que tenha algo mais para beber
Se for para parar, parar para descer
Não teremos chão nem experiência
Atravesse essa porta, é assim que vai ser
Sem nexo, continuar complexo
Não há tantas razões
No espelho admiro as feições
Não tenho mais nada a dizer
Mas tenho ainda a vontade de dizer
E a noite segue
Sentado vou escrevendo como se estivesse andando por aí a pé
E o meu ritual solitário também, uma bolha
Fagulha em gulha
TV no mudo, criado mudo, café
O que sai não volta mais
Não entendo o que se passa
Passa, passa, e não entendo
Quanto mais, tanto faz
Quanto tempo mais
Agora de fato tanto faz
Nunca mais eu quero te ver
Sem perceber
Mudo o tom
E mudo pra valer
Confundindo quem vai ler
Talvez, voltado a todos
Depende do que você vai entender
Eu nunca mais quero te ver
Mas quero te ver
Eu não sei o que aconteceu
Estou confuso
Estou confuso pra valer
Não importa se não for pra valer
Brincar de faz de conta
Com sentimentos que torturam
Roleta-russa sentimental
Nada fora do normal
Suicídio emocional
Dores que nos fazem passar mal
 Dessa vez nada demais
Nada de mais, nenhuma vez
Nada de mais nunca mais
Nunca mais

Atillas Felipe Pires
21/10/2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

00:10h Estou deitado na minha cama esperando o sono, que pela agitação do dia demora um pouco pra chegar, quando de repente meu ser por inteiro é invadido por uma sensação de felicidade repentina, pensei na minha familia, na saúde das pessoas que amo, pensei na torneira da minha casa que sai água limpa, pensei que tenho uma casa.

Meu irmão dormindo na cama de cima me encheu de alegria também, sem saber, ele é saudável e isso é muito bom, todos nós somos e quase nunca agradecemos a Deus por isso.

Pensei que as vezes temos o paraíso ao nosso lado, sim o paraíso que milhões de pessoas ao redor do mundo queriam ter e as vezes o encaramos como o inferno com nossas infinitas reclamações.

Pensei no pai de um filho deficiênte, que nunca verá o filho independente, tendo familia, pensei em como ele daria tudo para que seu filho dormisse saudável na cama de cima como meu irmão dorme agora, pensei no morador de rua que busca um jornal velho para se esconder do vento que bate na minha janela e agradeci pelo meu edredon..

Pensei que os detalhes da nossa vida que passam escondidos pela rotina, pode ser o que falta para que outras pessoas alcancem a plena felicidade.

Conclui que sou feliz! Sim...eu sou feliz e tenho o meu paraíso.

Boa noite.

Atillas Felipe Pires
19/10/2011

Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei!...
Tudo estava igual
Como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei!...
Eu voltei!
Agora prá ficar
Porque aqui!
Aqui é meu lugar
Eu voltei pr'as coisas
Que eu deixei
Eu voltei!...
Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz
Entrar primeiro
Todo meu passado iluminei
E entrei!...
Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar
Por onde andei?
E eu falei!...
Onde andei!
Não deu para ficar
Porque aqui!
Aqui é meu lugar
Eu voltei!
Pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei!...
Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei!...
Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei!...
Eu voltei!
Agora prá ficar
Porque aqui!
Aqui é o meu lugar
Eu voltei!
Pr'as coisas que eu deixei
Eu voltei!..(2x)
Eu parei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo!
Roberto Carlos

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A cada novo um novo velho

A cada novo dia, uma nova fantasia
A cada momento, cada juramento um novo julgamento
Todo dia-a-dia, desse nosso louco dia-a-dia
É febre, é pouco, é rouco, é louco
É fria, é não a alegria e tem sempre louça na pia
Cada segundo mudo, sem pensar
Cada hora longa que não quer passar
Pra pensar
Cada pensamento, cada momento
E todo dia tem roupa na tábua de passar
É todo, é pouco, é muito é nada
Cada nova viagem sem sair do lugar
Cada nova reza, cada dia com pressa
Esse nosso estranho urbano altar
É louco, é pouco, é rouco, é porco
E na panela nunca tem carne pra fritar
A cada tarde com vento, cada dia no convento
Cada noite em Sodoma é pouco pra explicar
É fria, é quente e comove comovente o que tem dentro da gente
É choro, é reza é pressa e nada que de fato lhe interessa
E na minha frente tem sempre uma TV a me falar
Cada novo ser humano que nasce
Que nasce pra não pensar
Cada criança, desse nosso novo progresso
Já deixou de ser esperança e vai passar
É droga, é cola, é porra, é briga
E eu não tenho nada pra falar
E sofre, e chora, implora corre
Fuma, bebe, traga e escorre
E La de casa eu vejo esse mundo passar
Cada morte da vida, passa com o tempo
E deixa cicatrizada a ferida
Cada espírito, desse mundo subscrito
Cada respiro, cada cheiro é chiqueiro
Ou é banqueiro, “oi concurseiro”!
É chuva, é preto, espirro escorre
Chora, lembra, lamenta
Mas no fim
Todos agüenta, esse talvez, de tudo agüenta
E sustente para o resto da vida, essa linda rabugenta
A cada fim, cada ponto final
É saliva, é beijo amargo é sexo fatal
E me irrita ver que foi tudo tão banal
Eu paro, eu penso, respiro
Sustento
E sem mais nem menos
Estabeleço o meu final

Atillas Felipe Pires
17/10/2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

domingo, 14 de outubro de 2012

1969

Ele acordou numa geração que não era a sua
As pessoas tinham perdido a graça e a moral
Todos não se falavam, todos não se viam
Naquele tempo havia dores e pra ele tudo estava mal
Perguntou a si mesmo por quanto tempo havia dormido
Percebeu que ele era o ultimo
Era o ultimo dos românticos
E por isso se viu por um momento, um pouco
Just a litle, mas ali estava, estava deprimido

E no tempo que ele viu, que pensou que nunca existiu
Veio a tona uma realidade que era de verdade
Que ele estava fazendo parte
Apenas pela paralisia da sua idade
Veio ao mundo no dia e momento errado
Caiu sem querer, perdido e sozinho naquela estranha cidade
Ele olhou pro lado, sem ter um lado
Ele viu ao seu lado, alguém passando
E nem te viu, como se não tinha nada ao lado
Não se expressou, não fez nada
Olhou e só olhou, pensou e ficou calado
Ele viu, que ela era o ultimo
O ultimo dos sete candelabros
No fundo era apenas um ser figurado

E naquele tempo não havia tempo
Não havia luta, não havia luz, não havia lua
Era uma rua, que parecia uma só
Tudo acontecia, de uma forma aspiral
Ele lembra que havia prédios, haviam vitrolas cheias de pó
O blues havia morrido, o rock´n roll virou diversão colorida
Nada mais, apenas isso e só
E ele se debruçava num parapeito qualquer
Mas parece que tudo aquilo tinha sido refeito
Não encontrou as arvores do seu tempo
Nem as notas da canção mais bela
Tudo estava na contra-mão da qualidade
Da imperfeita qualidade da sua antiga idade
As notas distorcidas e o som rasgado
As medalhas naturalistas, o verde mascavo
O povo desse tempo não entendia, nem via
Para ele esse povo na verdade não vivia
Ele viu uma multidão de acorrentados, acorrentados como escravos
Eles iam sem pensar, iam devagar para a vida passar mais rápido
Eles ignoravam o relógio
Que as cinco da tarde chegue rápido
Mas nem percebiam que era a vida que passava de forma alucinante
Passavam na sua frente, bem adiante
E não viam, por que não queriam
Iam na mesma direção
Não havia som, não havia alegria
Naquele tempo tudo era nebuloso
A vida era fria
As pessoas não pensavam em poesia
Não havia nada
Nem a vida por ali, não havia
Ele acordou, ele acordou e ficou com medo
Com medo de tudo aquilo que sem querer ele via
E percebeu, era o ultimo, era o ultimo dos românticos
Não via amor, não via a fantasia, não haviam drogas boas
Como as que liberavam a arte no seu tempo
O que havia era morte, era dor, era gente sem o dom comovente
E todos iam acorrentados, continuavam na mesma direção
Oito horas forçadas eles faziam
Ele os viu, os viu como robôs
Em nenhum momento eles riam
Era tudo cinza, não havia cores
Ele viu prédio, viu comidas rápidas
Que não tinham sabores
Aquele tempo era o que seu tempo descreveu como fim dos tempos
Só que bem pior ele pensou
Os sentimentos foram digitalizados
As dores ignoradas pelas cifras
Aquilo não podia ser pior se não fosse o fim
Mas todos olhavam, e o viram como estranho
De repente eles perceberam
Que ele era alguém que não era dali
Foi julgado e condenado
Descobriu que por ali era proibido parar para pensar
Não, não podia
Não em via pública
“não pense que somos vagabundos seu vagabundo”
E sim, para ele aquele era o fim do mundo
Pensou que queria sua era de volta
Mas ela tinha ido e ele ficado
Foi um desespero se ver amedrontado
Sua mente parou de funcionar
Pela coletividade massificada e organizada
Queriam que ele fizesse parte do todo
Mas ele sabia, era o ultimo, o ultimo romântico
Se entregou por um momento
Sentiu a dor de ser desse tempo que é real
E quis voltar para o seu que para eles era surreal
Quando tudo estava ficando ruim
Quando tudo estava muito mal
Ele caiu da sua cama
Encima do seu jornal
Leu a data
Quinze de agosto de mil novecentos e sessenta e nove
Agradeceu por ser um sonho
Ligou Janis Joplin
Pensou por um tempo naquele sonho
Pensou que exagerou na ultima dose, ou sei lá, na ultima injeção
Pensou na sua geração, se tudo era bom ou não
Pensou que pior que aquele tempo que viu
Nada poderia ser
Ajoelhou no chão
E rezou por aquela gente
E desejou que seu sonho não fosse uma premonição

Atillas Felipe Pires
14/10/2012
 

Heróis do nosso tempo, heróis do meu tempo!

Eu vejo um herói sem identidade
Eu vejo um país cheio deles
Eu vejo pessoas de todas as idades
Eu vejo pessoas que vem e que vão todos os dias
Caminhando pelos becos da cidade
Eu vejo tantos, eu vejo demônios, vejo santidades
Heróis por aí, heróis do dia-a-dia macabro
Desse nosso cotidiano que nos tortura
Desse nosso pequeno universo camuflado
Eu vejo uma nuvem cinza que esconde as cores
Vejo pessoas indo todos os dias para os mesmo lugares
Pessoas que se alimentam de qualquer coisa pra esconder as dores
Enganá-las, tragá-las, transformar tudo em nada
Eu vejo ao longe, um bairro empresarial
Onde tem tudo do bom mais não do melhor, onde eu vejo a nata
Que pensa ter tudo, mas no fundo não tem nada
Eu vejo os donos que são donos de nada
Se parar pra pensar que o dinheiro não alimenta por si só
Tem tantas por aí, tantas heroínas que passam o dia na fila
Ou quem sabe nada de mais
Apenas uma mãe lutando pela vaga, ou comprando mais pó
Os verdadeiros ricos, os verdadeiros cheios do espírito
Não pensam em ter tudo, em ter mais e mais
Queremos amor, queremos paixão, queremos carinho e só
Os heróis do dia-a-dia estão vivendo como não devem
Tragam como não devem, ficam bêbados, e caem nas esquinas
As mães fazem o que podem, os pais quem sabe mais um drinque
A forma de sustento da família
Área, cimento, pele com manchas do sol, unhas mal-feitas depois da faxina
Nossos verdadeiros Deuses, nossos santos, nossas fadas, nossa alegria
Não há o que venerar por aí
Se não as pessoas que passam por tudo como passam
Mas passam e continuam passando
Se o mundo não nos segue como se deve
Devemos seguir em frente como da
Eu tenho meu titulo, eu tenho minha mente
Que tem tudo de tudo por dentro
Meus olhos são as portas da percepção
Que alimentam minha sofrida alma
Que acalentam meu pedregoso coração
Vejo passar os heróis do nosso tempo
Eu vejo tantos, eu os vejo no relento
Não tenho o que fazer, não tenho como temer
Nem pelo que, nem por ninguém
Eu sou assim, mas tudo bem
Se no fundo, acabo conseguindo sem querer
Tudo que eu sempre quis
Por vontade própria, ou pra alimentar ser
Que as vezes me acompanha em pensamentos
Que se foi, que veio, que se foi, que não veio
Eu não me importo que o frio me toque dessa forma
Quando sinto que sinto falta de todas as formas
Se a falta se traduz em arte
Se da minha vida, desde sempre
Tudo isso sempre fez parte
Eu crio, recrio, invento, faço meus próprios juramentos
E o mundo me mostra que não devo parar
Pois por aí, eles estão andando
De mãos dadas ou não
E nesse momento, quando os vejo
Eu sou o herói do cotidiano
Por fazer a força e ter a força
Pra não ver sangrar, mais uma vez, meu coração
Que escorre por si só, sem permissão
Mas nunca toca o chão sua dor
Para que meus passos não deixem pegadas de sangue
Na minha trajetória
Que as vezes é doce, as vezes amarga
As vezes de fracassos as vezes de gloria
Me confundo nas palavras e no contexto
Passa o tempo em um minuto
E fiz mais, mais dois, mais três
Todos sem ligação, todos sem complemento
Sem começo
Sem meio
Sem fim

Atillas Felipe Pires
14/10/2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sua vida

Ei, olhe para esse lado
Ei, siga em frente, olha para cá
Não importa o quanto você esta cansado
Não importa nada
Se você não seguir, e continuar indo
Se não seguir, e ir sorrindo
Sem motivo, sem perspectiva que lhe seja válida
O mundo te engole
E como te engole
Não fique parado, mas não corra em vão
Papel não te salva
Beijos e peles macias não te salvam
O espírito importa, nada mais
Vem vem, não vá passar em vão
Se você parar nada vai te ajudar
É só você deste lado
Se você parar eles vão te julgar
Não deixe de pensar, não pare de trabalhar
Mas como eu sei que funciona
Eu repito, nunca deixe de pensar
Acredite que o possível é assim
Eu sei, eu sei de tudo
Sei de você eu sei de mim
Eu repito o mesmo tom
Busco O TOM
Papel não te salva
Beijos e peles macias não te salvam
Não fique parado mais não corra em vão
Pense na vida, na sua vida
Pense na família
Pense nos amigos, ignore os inimigos

Criminalize-se

Mas não deixe vestigios
Corra o risco necessário
Não seja como todos, não fume, não beba
Não seja assim tão comum, fume, beba e meta
Não corra como otário
Mas não corra o risco de ser apenas um otário
Bebidas, álcool doce, fumaça cheirosa, maluco que seja
Vem vem mais não tão depressa
Não vá correr sem pensar em ter um porquê
Pense na vida, na sua vida
Pense na família
Pense nos amigos, corra mais não corra em vão
Senta por mais um minuto
Atrase um pouco o despertador programado para essa manhã
Não deixe ser apenas mais uma
Há tantas e quase não há nenhuma
Olhe para essa pessoa ao seu lado e dê um sorriso de verdade
Você sabe que há tantas e quase não há nenhuma
Se o dia passa lento quando deve correr
Se passa rápido no momento errado
Se passou rápido quando se era pra morrer
No seu final, olha só que coisa
Não há com você nada de errado
Mas sem entender ao seu lado
Tudo esta errado
Então, nesse momento, nesse momento
Não pense, não pare, não faça nada
Corra
Corra, corra, fuja dessa urbana masmorra
Papel não te salva
Beijos e peles macias não te salvam
Pense na sua vida, sua vida
Pense na família
Pense nos seus amigos, corra, mas não corra em vão
Se sentado deste lado
Você não consegue ver quase nada que esta La longe
Quase nada que esta lá do outro lado
Busque sua própria lei
Não vá esquecer de ser quem manda
Quando lhe convém
De ser quem manda no seu destino
Não o deixe na mão das pessoas que você mais odeia
Seu chefe, seus colegas chatos, seus professores
Seja quem for, um gênio ou qualquer cretino
Existem tantos, o cara que te diz ás horas
Que regra a velocidade dos seus passos
Qualquer um por aí, que na sua vida devem ser infratores
Vá em frente, sem desculpa
Vá e vá agora, sem demora
Ganhe a vida, pense na vida
Corra, corra e seja ágio, faça a lição

Viva em vão mas consiga uma bela familia

Um carro do ano, sucesso comprado

Quem sabe, uma boa mansão
Papel não te salva
Beijos e pele macia não te salvam

Atillas Felipe Pires
10/10/2012