Ele acordou numa geração que não era a sua
As pessoas tinham perdido a graça e a moral
Todos não se falavam, todos não se viam
Naquele tempo havia dores e pra ele tudo estava mal
Perguntou a si mesmo por quanto tempo havia dormido
Percebeu que ele era o ultimo
Era o ultimo dos românticos
E por isso se viu por um momento, um pouco
Just a litle, mas ali estava, estava deprimido
E no tempo que ele viu, que pensou que nunca existiu
Veio a tona uma realidade que era de verdade
Que ele estava fazendo parte
Apenas pela paralisia da sua idade
Veio ao mundo no dia e momento errado
Caiu sem querer, perdido e sozinho naquela estranha cidade
Ele olhou pro lado, sem ter um lado
Ele viu ao seu lado, alguém passando
E nem te viu, como se não tinha nada ao lado
Não se expressou, não fez nada
Olhou e só olhou, pensou e ficou calado
Ele viu, que ela era o ultimo
O ultimo dos sete candelabros
No fundo era apenas um ser figurado
E naquele tempo não havia tempo
Não havia luta, não havia luz, não havia lua
Era uma rua, que parecia uma só
Tudo acontecia, de uma forma aspiral
Ele lembra que havia prédios, haviam vitrolas cheias de pó
O blues havia morrido, o rock´n roll virou diversão colorida
Nada mais, apenas isso e só
E ele se debruçava num parapeito qualquer
Mas parece que tudo aquilo tinha sido refeito
Não encontrou as arvores do seu tempo
Nem as notas da canção mais bela
Tudo estava na contra-mão da qualidade
Da imperfeita qualidade da sua antiga idade
As notas distorcidas e o som rasgado
As medalhas naturalistas, o verde mascavo
O povo desse tempo não entendia, nem via
Para ele esse povo na verdade não vivia
Ele viu uma multidão de acorrentados, acorrentados como escravos
Eles iam sem pensar, iam devagar para a vida passar mais rápido
Eles ignoravam o relógio
Que as cinco da tarde chegue rápido
Mas nem percebiam que era a vida que passava de forma alucinante
Passavam na sua frente, bem adiante
E não viam, por que não queriam
Iam na mesma direção
Não havia som, não havia alegria
Naquele tempo tudo era nebuloso
A vida era fria
As pessoas não pensavam em poesia
Não havia nada
Nem a vida por ali, não havia
Ele acordou, ele acordou e ficou com medo
Com medo de tudo aquilo que sem querer ele via
E percebeu, era o ultimo, era o ultimo dos românticos
Não via amor, não via a fantasia, não haviam drogas boas
Como as que liberavam a arte no seu tempo
O que havia era morte, era dor, era gente sem o dom comovente
E todos iam acorrentados, continuavam na mesma direção
Oito horas forçadas eles faziam
Ele os viu, os viu como robôs
Em nenhum momento eles riam
Era tudo cinza, não havia cores
Ele viu prédio, viu comidas rápidas
Que não tinham sabores
Aquele tempo era o que seu tempo descreveu como fim dos tempos
Só que bem pior ele pensou
Os sentimentos foram digitalizados
As dores ignoradas pelas cifras
Aquilo não podia ser pior se não fosse o fim
Mas todos olhavam, e o viram como estranho
De repente eles perceberam
Que ele era alguém que não era dali
Foi julgado e condenado
Descobriu que por ali era proibido parar para pensar
Não, não podia
Não em via pública
“não pense que somos vagabundos seu vagabundo”
E sim, para ele aquele era o fim do mundo
Pensou que queria sua era de volta
Mas ela tinha ido e ele ficado
Foi um desespero se ver amedrontado
Sua mente parou de funcionar
Pela coletividade massificada e organizada
Queriam que ele fizesse parte do todo
Mas ele sabia, era o ultimo, o ultimo romântico
Se entregou por um momento
Sentiu a dor de ser desse tempo que é real
E quis voltar para o seu que para eles era surreal
Quando tudo estava ficando ruim
Quando tudo estava muito mal
Ele caiu da sua cama
Encima do seu jornal
Leu a data
Quinze de agosto de mil novecentos e sessenta e nove
Agradeceu por ser um sonho
Ligou Janis Joplin
Pensou por um tempo naquele sonho
Pensou que exagerou na ultima dose, ou sei lá, na ultima injeção
Pensou na sua geração, se tudo era bom ou não
Pensou que pior que aquele tempo que viu
Nada poderia ser
Ajoelhou no chão
E rezou por aquela gente
E desejou que seu sonho não fosse uma premonição
Atillas Felipe Pires
14/10/2012