quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Seja anjo, seja criança, viva o presente, lembre a infância, encontre amores, valorize o passado, lembre os amores, eu penso calado.

Você disse que não era mais criança
Me disse que tinha planos
E que nem sempre eu aparecia neles
Me disse que em nosso amor perdeu as esperanças
Eu nem sempre entendia muito bem
Resolvia tudo num presente, e pra mim tudo bem
Mas no fundo eu sabia de tudo
Mesmo assim nunca lancei a minha lança
Eu nunca deixo que nenhuma solidão me acompanhe
Mesmo que dentro de alguém
Eu sei ser adulto sem perder o tom de anjo
De anjo como uma criança

Eu sempre soube que poderíamos ser bem mais que amigos
Você sabe, ir além
Mas no fundo eu traçava meu planos
E nunca conseguia te ver dentro deles
A inversão de amores, não sou mais criança
Não me encantava mais com os presentes, textos e brincos
Seu carinho e poema não mais me alcança
Mas no fundo eu sabia
Que era a sua lança que penetrava meu coração
Eu sempre soube disso, mas não havia tanta relevância
Mas no fundo eu sabia
Que era com você que eu voltava a ser um anjo
O anjo que se é apenas na infância
Eu cresci e perdi esse tom
Tom de anjo como uma criança

Hoje te vejo passar e te encaro como alguém que eu conheci
Como se fosse apenas mais uma em um milhão
E isso me atinge em cheio
Quando na sala de cinema eu sinto o seu cheiro
Não provei o chão, nem a pior dor de um coração
Mas a falta que me faz, ainda preenche alguma coisa
Como a idealização de algo perfeito
Meu poder, meu carma ou minha maldição
As lembranças fragmentadas de uma eterna paixão
E no fundo eu sei que em sonhos te alcanço
Eu ainda guardo bem la na ultima caixa de papelão
Na ultima divisória da carteira
Um papel amassado "pra sempre e sempre"
E o pior é saber que tudo esta onde deveria estar
Tudo esta certo
Demorei pra entender, mas hoje eu entendo
Liberdade, olhos brilhantes, coração que emana arte
Nada que se faz sofrendo
E o pior é saber que tudo esta onde deveria estar
Tudo esta certo


Ainda hoje eu penso em você
E imagino que me vê como alguém que você conheceu
E concluo que não faço tanta falta assim, devo ter sido uma em um milhão
E isso dói, me atinge em cheio
Parece estranho mais num estilo rasgado ainda vejo seu jeito
Não foi tão ruim, não sofri, nem parou meu coração
Mas ainda hoje, quando lembro, me estremece alguma coisa
Não foi algo perfeito
Mas ainda idealizo fragmentos daquela paixão
Pode ser pelo carinho, interesse, pode ser bom, pode ser ruim
Meu amor ou minha maldição
E as vezes vejo seus olhos em alguns sonhos
Pode parecer estranho depois de tanto tempo
Mas guardo todos os bilhetes, tickts de cinema
Eu ainda tenho as embalagens de bom-bom
Mas eu sei que tudo esta onde deveria estar
Não me vejo sofrendo, nem quando toca aquele som
Mas eu sei que tudo esta onde deveria estar
Tudo esta certo

Nós sabemos de tudo
Nunca deixamos de saber
O quanto nos dávamos bem e mal, quase ao mesmo tempo
E já se foi o nosso tempo
Nós sabemos de tudo
Nunca deixamos de saber
Mas sabemos também, que as vezes se lembrar faz bem
Por que no fundo também sabemos
Que nada se perde quando é sincero
Nem o tempo de brigas e discussões
Nem os beijos e abraços que perdemos
No fundo nós sabemos
Que a conexão e vibração não se esvai em meros momentos
E em algum lugar há uma ponta de saudade em nossos corações
Ainda hoje nós sabemos
Ainda hoje nós sabemos
Que os amores nunca são perdidos
Que os corações se alimentam de sentimentos e paixões
E em todo o tempo houve em todas as formas
Amores, pensamentos, dores, sabores, escuridão, luzes, sofrimentos
Houve movimento e intensidade, e nós éramos donos de todas as razões
As vezes nos lembramos e isso faz bem
Pode parece estranho mas nos trás boas vibrações
E sabemos também, que ainda hoje, balança muito os nossos corações
Pena que no fundo sabemos que tudo esta onde deveria estar
Tudo esta certo

Atillas Felipe Pires
30/01/2014


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Decadência

O mundo gira em decadência
A gente segue em decadência
Os carros batem em decadência
Generais saem em procissão
Cansados de bater continência
A vida clama por amor
A vida clama de terror
E a gente segue em decadência
O mundo gira em decadência
E ninguém percebe a situação
Que tem alguém na esquina te esperando
Eu quero deitar e sonhar
Mas por aqui nada acontece
Por aqui não tem mais saudade
Nem amor
Nem amor
E eu sigo a vida vou cantando
Esperando o fim desse filme
Em decadência
Decadência
Decadênciaaa

A vida clama por mais vida
O sol chora por mais luz
A lua não vê o seu reflexo no mar
E chora o céu ao observar
A decadência
A decadência
Decadência
Decadência

As flores gritam por amor
As flores sentem tantas dores
O mundo segue em decadência
Perdemos toda a condição
Humana, animal, racional ou não
Não temos mais o amor de ser alguém
Que tem amor
Que tem amor
Que tem amor

O mundo gira em continência
A gente segue em procissão
Os carros batem por amor
Os generais saem em decadência
Cansados de clamar por amor
E a gente segue nessa situação
O sol esta na esquina te esperando
Eu não quero mais deitar e sonhar
Mas por aqui tudo acontece
Tem amor
Tem amor

A lua clama por mais vida
A vida não vê seu reflexo
E chora o céu ao observar
A decadência
A decadência
A decadência

Atillas Felipe Pires
24-25/01/2014

Nada numa madrugada marrom vista do fundo de um copo de wisky do bom

Ainda me lembro vem a mente
Aquela noite quente
Nosso primeiro beijo
Na luz da lua que brilhava alto
E eu ali pensando em mil formas
De ser alguém melhor
Libertar todos os meus monstros
Só por você
Só pra te ter
E aquela brisa boa, ainda vem me visitar
Entrando pela porta aberta
Que você deixou
Quando decidiu me deixar
E eu sinto que seu olhar marcante
Brilho forte e diamante
Pra sempre vai me fascinar
Em lembranças que nem o tempo
Deus queira, pense em apagar
Me alimento desse tempo
Uma forma de acreditar
Que nem tudo nesse mundo
É digno de se reclamar
E se eu achar meu estilo outra vez
Se eu voltar meu disco retrô e alimentar meu novo ser
Quem vai saber o que daqui pra frente pode surgir
O que pode vir
Quem eu vou ser
O que vai ser de mim quando eu for eu mesmo
Desmascarar minhas fantasias
Desfazer meus ensejos mais infernais
E apenas viver por viver, vendo o mundo pelo fundo de uma garrafa
São palavras endiabradas
Curtidas no álcool
A formula certa de ser a pessoa incerta
E tão inconstante como eu mesmo
Eu falo de amor, ódio, paixão, traição
Escrevo, rap, poesia, cordel, prosa e maldição
Feitiços literários que alfineta seu coração
Não temo a mais ninguém
Sou meu único refém
Minhas viagens noturnas banhadas a vinho e desdém
Eis me aqui
Estou aqui
O que vem, o que me faz bem
Se meus dedos agem sem parar
E meu cerebro transfere a capacidade de pensar
Para a falange que tão rápido digitam sem cogitar
Sem rimar, sem amor, sem calma, com terror vomitando o que vem da alma
Sem estratégia artística eu vou deixar rolar
E que seja o que for, se não for o que tiver de ser
Eu quero encontrar um ser
Com asas brancas que me leve para o ar
Flutuar na leveza da fumaça proíbida
Proibida pra mim no wayy
Vem, vem comigo
Vem me encarar
Essa noite eu decidir escrever sem pensar
Andar, andar, andar sem sair do lugar
Meu santo é meu papel em branco
Minha fé minhas palavras
Acredito no que sou
Acredito em parabolas
Como a menina que jogava estrelas no mar agonizantes na praia
De volta para seu lar
Eu a vi passar e perguntei: Sua louca drogada, você jamais vai salvar todas!!
Não vai fazer a menor diferença
Sua loucura esta dando cãibra no meu cerebro
Ou já estou louco
O que estava dizendo agora pouco?
Ah sim..
Ah menina no mar
O que eu ia falar
Ah claro, das estrelas na areia
E a louca querendo as salvar
...cãibra no cerebro, algo assim
lembrei, eu perguntei:
Não vai fazer diferença, que droga você usou
Tem milhões nessa orla, o que vai adiantar?
Ela me olhou e nada disse
Pegou uma estrela e arremessou
"Para essa eu fiz a diferença"
Quebrou minha brisa, filha da puta
Destruiu minha crença
Agora esse mundo, de outra forma quem sabe eu possa enxergar
E eu vou remando, ao Sul de lugar nenhum
Navegando sem destino nesse papel infinito
Pelas coisas loucas que passam pela minha cabeça
Por tudo que um dia me fez ser o que sou e o que deixei de ser
Pelo caminho que percorri nesses vinte e poucos anos
E assim eu vou vivendo
Escrevendo e inventando
Já que não tenho muito mais a oferecer
A quem quer que seja
Eu fico aqui, sentando nessa cadeira de rodas
Esperando a madrugada acabar
Viajando nas histórias que as vezes vem me perturbar
Como a do cavalo no poço
Um dia caiu depois de tropeçar
Seu dono o amava, mas não tinha como o tirar
Com peso na alma e no coração
Decidiu enterrá-lo vivo então
E a terra foi descendo a cada nova pá do capataz
Caindo sobre o cavalo vivo
E a força que se tem, o amor em viver
Não te fará sofrer
Não te fará estremecer
Eu estava louco nessa parte da história
Por que acho que só assim eu sei viver
Não me lembro bem
Mas eu sei muito bem do final de tudo
A cada pá de terra
O nobre animal se sacudia e pisava na terra abaixo de si
Duas, três, quem sabe quatro horas depois
Foram tantas pás
Que o fundo do poço se encheu de terra pisada pelo cavalo
Ele não morreu, não encontrou a paz
Fez seu próprio chão se ergueu na sua força
E saiu correndo então
Passou por mim correndo me derrubando no chão
Cavalo filho-da-puta, derrubou meu copo de wisky
Agora, nesse momento
Sujei meu quarto
Que porra, acordei meu irmão
E a noite segue
Eu vou na contra-mão
A cada nova hora
Um pouco mais acordado
O que será de mim
Envelhecido rápido?

Atillas Felipe Pires
23-24/01/2014

Sr. Fulano



Não é tão simples Nicolas
Nada é simples Nicolas
Ficar rico, ganhar muito dinheiro
Construir uma casa
Um carro, conta cheia
Mármore no banheiro

Não é tão simples Nicolas
Nada é simples Nicolas
Mas vamos tentar
Não custa arriscar
Sonhar não é deitar e esperar
Se vem comigo então
Quem sabe onde podemos chegar
Quero 18 quilates
Não pedaço de latão
Cansei de esperar

A ideia é simples, sem erro
Não precisa ter medo
Nem hesitar em participar
Hoje em dia o negócio é quebrar as regras
O sistema encarar e bolar um plano pra burlar
De tantos cifrões disponíveis
Eu quero é mais
Eu quero é mais
Por que viver nesses olhares tão sofríveis?
Se é só chegar e pegar

Um assalto a banco estava pra acontecer
Dois malacos de rua, sem nada a perder
Dois demônios pertubados pelo ódio
E pela corrida incessante pela área de fumantes
Lucios, advogado calculista, raciocínio, amante do dinheiro
Pior tipo de gente, estilo trapaceiro
Nicolas o primo sem jeito, motorista nato
Vicky de Barcelona, saia curta e deslumbrante como um diamante
O álibi perfeito para cães famintos por carne e prazer
E por ultimo o rei do plano, aposentado simples
Sem nome para todos, se apresentou como Senhor Fulano
Esse era o time, era o esquema marcado
Tudo bem feito, plano bem bolado



O sistema é traído pelas próprias raízes
Pelo seu preconceito
Usou gravata ficou bonito, é advogado, é rico, ou quem sabe prefeito
Eis aí a falha a ser explorada
Cara estudado, como assim..
Quem vai acreditar
Então meu velho, senta aí e espera pra vê
Não quero nem saber, vamos lá
Vamos roubar
Vamos botar para foder!

Lucios tem a lábia, e sabe entreter
Entrou pegou a fila, sentou e esperou
Sabia exatamente tudo que tinha a fazer
O pouco que demorou começou a reclamar
Falou alto, chamando atenção
Ameaçou o caixa, vou te processar
Cansei de esperar
O segurança chegou e chamou todos os outros
"Meu senhor estamos com problema de pessoal"
Calma não é nada pessoal
Postos abandonados, advogado revoltado
Escolta toda junta acalmando o doutor

Vicky de Barcelona, saia curta tipo lona
Na porta de entrada soa um grito
"Saia seus vagabundos, saia seus drogados"
Perturbada estava sendo, pelos dois malacos
Um estilete nas mãos ameaçavam Vicky
Vagabunda sem vergonha, vamos te matar

Seguranças na sede, de bater em vagabundos
Saíram todos da agência
Já que estavam todos juntos
"Que burros"
Foi a deixa que precisava para o assalto anunciar
"Todo mundo pro chão, filhos da puta eu vim foi pra pegar"
Gritou lá de dentro o advogado
Começou a gravata afrouxar
Fez todos de refém
Lá fora a confusão foi contida
Vicky sorriu pelo canto da boca
Enquanto os malacos saiam em corrida
Os seguranças não entenderam nada
Agora já era, a ideia estava armada
Todos lá fora, não adiantou o treinamento
No posto de cada um, agora não tinha nada

A imprensa chegou, a policia também
"Vamos negociar, ninguém precisa se machucar"
Libere os reféns
Lá dentro o advogado feito cobra
Pegou só o ouro guardado na parte de penhora
Muito dinheiro, 700 milhões e fácil de carregar
Encheu duas bolsas com pesos iguais
Algo assim bem pensado, somos animais
"Você não vai se salvar, se renda agora"
Libere os reféns

Lá fora gritou Vicky "meus Deus meu avô"
Cardíaco la dentro
Salvo-o meu Senhor
Lá dentro Sr Fulano, começou a tossir
"Meu garoto por favor, eu preciso ir"
Liberado o velho, plano concluído
Debilitado aposentado
Ninguém ia notar
Entrou no carro com Vicky e sumiu do lugar

"Agora somos nós, você tem que se render"
"Sua situação já ta feia, eaí, o que vai fazer?"
Lucios era esperto e sabia proceder
Ganhou tempo e esperou, estava tudo no plano
"Ok! vou sair..mas quero um colete"
Com a imprensa toda ali, nada ia acontecer
Mas para tudo sair como tinha de ser
O relógio, quatro voltas, em torno de si
Tinha que dar
Estava tudo no esquema, nada ia falhar

Tudo bem vou me render
Mas sei meus direitos, se sofrer algum abuso
Pode crê, tudo vai feder
Saiu com a mochila, foi rendido pelos policiais
Que surpresos ficaram quando abriram a bolsa
Nenhuma nota nem ouro
Papel de campanha política picado
"Mas que porra é essa"?
Esse é o meu roubo, eis aqui meu protesto
Com seu chefe, eis aqui o meu rombo
Sem notas essenciais
“Me acuse pelo roubo de papéis tão banais”


Enquanto isso do outro lado da cidade
No aeroporto embarcando
Sr Fulano e Vicky rindo sozinhos
A segunda bolsa com ouro, brilhando nos pés
"Sou aposentado, sem revista por favor"
Sem nada dar errado, sem erro sem caô
Fim de plano
Tudo certo
Em Barcelona os Malacos, tomando champange e ouvindo Fulô
Estavam esperando sentados num bar
Aí que lindo estou
Aí que lindo ficou

Atillas Felipe Pires
24/01/2014

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Personagem 2

Personagem 1: Estive analisando seus gastos, e pelo que vejo você tem realmente se empenhado nesse negócio novo de doação aos pobres, não é mesmo meu Senhor.

Personagem 2: De fato, nobre banqueiro, agora que parei de trabalhar nas Indústrias e vendi minha participação aos Chineses, estou me voltando mais aos pobre e necessitados sim!

Personagem 1: Admiro a causa senhor, mas como seu consultor bancário tenho que lhe informar que como esta sem atividade financeira ativa, esse dinheiro doado não poderá ser revertido em diminuições no pagamento de imposto de renda do final do ano. É praticamente um investimento sem retorno algum.

Personagem 2: Não é um investimento!

Personagem 1: Não entendi senhor.

Personagem 2: Não é um investimento meu caro, não espero retorno algum desse dinheiro, apenas divino quem sabe.

Personagem 1: Mas meu senhor, de que vale ter construído um império em tantos anos de trabalho e dedicação se pensa agora em desfazer de seus acúmulos em peripécias sem sentido apenas para mostrar-se generoso com pessoas que nunca lhe trouxeram benefício algum?

Personagem 2: Meu caro, o senhor tem se mostrado de importante valor para mim todos esses anos, e creio que lhe dei o bastante por isso, mas vejo que sua visão quanto ao mundo ao qual vivemos, sua visão quanto a valor se restringe a cifrões, ações, juros e investimentos financeiros. Temo em lhe dizer, meu senhor, que existem nesse mundo, outras coisas que lhe tratam retorno, existem afazeres adversos ao mundo financeiro. Estamos em meio ao século dezenove, e vejo a aurora de um novo tempo, eu vejo o amanhecer de uma nova era.

Personagem 1: Vou ser mais claro com o senhor: VOCÊ PERDEU UM MILHÃO DE REAIS com essa merda de filantropia, e apenas no ultimo ano.

Personagem 2: E perderei mais um milhão no próximo ano, e no próximo depois dele, e no outro também! E nesse ritmo, acabará todo o meu dinheiro em mais ou menos uns 60 anos. Dei-me agora, meu senhor, um motivo para parar? Já que com sorte viverei apenas nos próximos 30 anos?

 Atillas Felipe Pires
16/01/2013

Oração

Eu estive em tantos lugares
Visitei tantos estados de espírito
As vezes me perco
As vezes acho que pra sempre estarei perdido
Tenho palavras na memória, que como um circulo sem fim eu repito
Eu já andei por aí sem rumo
Fluindo como uma pena a brisa noturna
Já tracei minha rota, quase sempre sem volta
E quase sempre acredito que a luz da noite é que me alimenta
Na minha vida normal, eu não vivo
Não vivo na vida diurna
Confesso meus pecados ao poucos
Por que não existe papel suficiente
Não me faço de rebelde, nem ateu sem vertente
Mas sei até onde meus erros são normais
E até onde são vícios que culposamente pratico
Tudo que me traz prazer, tudo que me satisfaz

"Já virei calçada maltratada e na virada quase nada, me restou a curtição"
Eu já estive mudo em tantos becos
E hoje vejo que no fundo o que me salva é minha indecisão
Já quis um novo começo, uma vida sincera
Eu já me apaixonei por uma imagem criada
Alguém com olhar que me invadia
Firme e forte, tipo o olhar de Era
E no fundo o passado surge e o que me resta é a espera
Eu já fui um ser que soube amar
Foi uma viagem sem volta, em nuvens mácias
Algo sim "tão curto quanto um sonho bom"
Eu ainda tento lembrar como é sonhar

Eu já me fiz de ser pensante, intelectual da moral
Alguém assim que sabe conquistar sem aparência apelativa
Uma palavra, um tri-jeito, um olhar
Um corpo feito para amar
Já balancei minhas pulseiras e como num transe
Trouxe tantas até mim, as fiz se apaixonar
Eu criei meu mundo e nele coloquei minhas regras
Entre carne e osso me fiz de pedras
Hoje estou colhendo erva daninha no lugar de rosas, no lugar de pétalas
Na minha própria lei meu erro foi deixar tanta gente passar
Na minha própria lei meu erro foi achar que eu sempre ia me sair bem
Por que não há erros para quem não distingue certo do errado
Mas eu estive errado
E sou condenado no presente pelos trilhos do passado
Confiei na minha fé
No meu jogo de cintura
Confiei no meu modo de ver
Quando minha visão era turva

Eu confesso meus pecados e que sumam os meus calos
Eu quero poder viver sem medo do erro de escolher
Eu quero a solidão ou a afeição, não meio termo estratégico
Não uma armadura no coração
"Vou na fé não na sorte"
E que meu caminho encontre a lama ou a corte
Mas que eu tenha um
E que meu nome seja lembrado pelas estrelas do meu lado
Pelas fadas que já me apareceram de todas as cores
Loiras, morenas, mulatas, ruivas
Eu quero um, pelo menos um, de tantos sabores
E que meu código avalie o que me faz bem
Para meu interior
Não para os olhos, não para os póros arrepiados
Quero mais amores
Em um só ser
Eu quero ser
Um ser que sabe viver
Que sabe gratificar o prazer

Peço mais paz e alegria
Peço juízo e bom saber
Peço sabedoria para alguém que ainda não aprendeu a viver
Eu peço um pouco mais de sinceridade
E na contra-mão de Cassia
"...eu só peço a Deus.." Que desfaça minha malandragem
Quero mais luz, mas amor
Eu quero mais beijo por acaso
Mais olhar no vácuo
Eu quero maquiar minha dor
Nessa minha, rápida, mas intensa passagem

E que assim seja em nome de todos os Santos e Deuses
E que assim seja

Atillas Felipe Pires
16/01/2014

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

EVOLUÇÃO INVERSA

Hoje vivemos em meio a um monte de coisas, uma verdadeira avalanche de informações - úteis ou inúteis - vivemos na época de informatização, ou quase no meio dela já, somos de uma geração que aprendeu a saber superficialmente, a saber de todos os títulos dos assuntos, mas não conhecer de fato nenhum, um mundo de cliques e leituras superficiais, sabemos o que esta acontecendo no mundo..mas não sabemos como, nem porquê, nem o que tudo isso vai gerar. Mas sabemos, ou achamos que sabemos!

As vezes eu fico pensando o que será do futuro, o que será de nossos filhos, o que será dos filhos dos nossos filhos, já que essa evolução para trás tende a piorar cada vez mais. Parar para pensar tem se tornado algo doloroso, algo que nos trás terror, diante de todas as dúvidas que o futuro nos espera, e o que antes era sinônimo de boas energias, de novidades, hoje é de incerteza e medo, o futuro..o que será no futuro!

Amor, educação, bom dia na rua, boa tarde ao senhor aposentado na praça, comprar o jornal na banca, tomar sorvete e deixar cair um pouco na camiseta branca, escolher um livro, um filme, com calma, com sabor, aproveitando o prazer de estar vivo, aproveitando o prazer de poder escolher ao vivo. O que houve com a materialidade das coisas? Uma capa de cd com as letras na parte de trás, com as fotos do artista preferido, um livro amarelo de sebo, o que aconteceu com a folha de sulfite em branco no desenho livre da sala de aula da terceira série? Onde foram parar todos os filmes da prateleira de lançamento da locadora? Empoeirados e abafados pelo tempo que não tem coisas, que apenas mostra fotos!

Estamos na era cinza, na era da fumaça, as pessoas perderam o tato, o olfato, ou a vontade de tocar, a vontade de cheirar, penderam os sentidos pelos quais vale a pena estar vivo, as pessoas se tocam pelo touch dos seus modernos celulares, não há caricias por vontade, nem encontros marcados para ir ao cinema, as pessoas estão parando de viver mesmo estando vivas.

Eu não consigo mais ser tão comum, por que estou no passado, eu tenho um quarto com mais livros que celulares, eu tenho uma tela de computador menor que meu quadro de capas de cds colados. Eu estou vivo! E não me sobreponho a ninguém, mas observo o desfecho dessa loucura, e tenho medo de pensar onde é que tudo isso irá parar!

Ainda ontem fiz um samba, escrevi sem pensar, deixei rolar, e hoje me pego extravasando um pensamento que me vêm ao ler que mesmo as crianças magras não são saudáveis e com certeza terão problemas sérios de saúde quando crescerem, me pergunto porquê e mesmo sem querer me ofereço a resposta. Estamos em processo de evolução inversa!

Como uma bola de ferro com lanças presas que apontam para todos os lados, o mundo girou na mesma direção por anos, e hoje temos imagem de televisão em perfeição, celulares robóticos que tem vida própria - tomada de seu dono - a única lança que se desenvolveu é aquela que aponta direto para os nossos corações, a lança do ócio, a lança do "não-faça-nada-a-não-ser-ganhar-seu-dinheiro-para gastar-na-internet. O mundo esta em declínio e não há absolutamente nada que possamos fazer por ele, mas há o que se pode fazer por nós mesmo! Temos que fazer!

Temos que voltar ao tempo do toque real, o tempo da emoção em comprar o cd em lançamento e sentir o prazer em colocá-lo para tocar e ouvir a primeira música folheando a capa como um livro de novidades, o prazer de ir a banca de jornal e ver o novo álbum de figurinhas de criança, comprar para ter e não para ver, ter e não apenas ler, temos que voltar ao tempo em que as pessoas se encontravam na rua e se cumprimentavam, ao tempo em que conhecíamos nossos vizinhos, ao tempo que as crianças ficavam sentadas na frente de casa até serem chamadas pelos pais para tomar banho, conversando - pessoalmente - com os amigos, vendo-os crescendo, e não apenas acompanhando seus status nas redes sociais.

Temos que voltar! Voltar por que logo a frente há um abismo social, e temos que mudar a trilha, escolher outro caminho para avançar.

Uma família que se comunica por celulares mesmo dentro de casa deve ser sinônimo de fracasso e não álibi de comercial de operadora de celular. Uma família de verdade se reúne em volta da mesa, uma família faz a oração em agradecimento pela refeição de mãos dadas, mãos livres dos celulares, mas prontas para receber a bênção e o calor HUMANO.

Somos humanos, não somos uma foto de perfil, uma frase de efeito, um check-in na balada! Somos seres que se movem e vivem, não que sentam-se e ficam apenas rolando a barra lateral de notícias alheias como um bando de zumbi moderno com força vital apenas nas pontas dos dedos, somos seres, e seres sentem, tocam, seres VIVEM.

Atillas Felipe Pires - esta se sentindo BESTIALIZADO!






13/01/2014

BR3

A gente corre
Na BR-3
E a gente morre
Na BR-3
Há um foguete
Rasgando o céu, cruzando o espaço
E um Jesus Cristo feito em aço
Crucificado outra vez
A gente corre
Na BR-3
A gente morre
Na BR-3
Há um sonho
Viagem multicolorida
Às vezes ponto de partida
E às vezes porto de um talvez
A gente corre
Na BR-3 (Na BR-3)
A gente morre (E a gente morre)
Na BR-3 (Na BR-3)
Há um crime
No longo asfalto dessa estrada
E uma notícia fabricada
Pro novo herói de cada mês
Na BR-3

Tony Furtado

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Copo americano

Ele passou, foi 
Nem veio como disse que viria 
Seu trabalho ele deixou 
Por fazer 
Parede pela metade 
E disse que ser peão - por Deus - nunca foi sua vontade 
Caiu, sangrou o joelho 
Saiu, bebeu, fumou mais um Malboro vermelho 
Sorriu, sentou, tossiu 

Ele deixou a noite chegar 
Esperou ali mesmo parado 
Naquela mesa de bar 
Com a pele ainda cheia de pó e cimento 
Não tomou banho 
Ainda estava com seu uniforme 
Embriaguez solitária, que momento 
Sabia que ao sair ao meio dia do trabalho 
Com certeza desempregado hoje ele dorme 

Pediu mais uma dose, dessa vez da sem cor 
Pura, num copo americano 
Enfeite no balcão do bar do Seu Graciliano 
Que pena que não Graciliano Ramos 
A tarde representou um fracasso 
Olhou no relógio passava das sete e o começo da noite chegou 
Eu não vou, nós não vamos! 
Ele conversa consigo mesmo 
Esqueceu das duas filhas em casa 
Se embriagou 

A filha mais velha fecha a janela para evitar a entrada dos pernilongos 
Seu pai precisa de uma boa noite de sono 
Ela olha pela fresta da porta, e não o vê descer do ônibus da firma 
Seu coração se aperta 
Seu antigo medo invariavelmente desperta 
E seu olhar no espelho após o banho ingênuo 
Se torna involuntariamente comovente 
Sim, ela já sabe o que aconteceu 
Já sabe o que vem pela frente 
Seu peito se estremeceu 
(em sua irmã um abraço ela deu) 

Duas crianças abandonadas pela mãe 
Traição pública, exposta na praça 
Um pai eternamente perfurado 
Eternamente sem divina graça 
E utilitário do santo mais liquido dos otário 
Alcoolicamente usuário 
Uma garrafa de vodka sempre escondida no armário 

A noite caiu e pra rua a mais velha saiu 
(irmã mais nova escondida no guarda-roupa) 
Na periféria central do futuro que nos espera 
Virgens em casa sozinhas são a meta dos bandidos contemporâneos 
Chegou o tempo que temíamos 
A coleção de caldo puro 
Coleção de crânios 

E eu vou cantar e eu vou te falar 
Enquanto houver motivos que nos impeçam de dançar 
Enquanto houver razões para não sorrir e chorar 
Eu vou cantar e eu vou te falar 
Enquanto houver razões para meu caminho eu não mudar 
Vou ficar e esperar 
E talvez eu morra no caminho desse santo urbano desgastado altar 
Onde não há oferendas 
Onde há, mentiras camufladas, dor maquiada, cordeiro voando em dragões 
E não houver mais amor em nossos corações 
Toda a dor for normalmente aceita como remédio da tortura 
O mal virar bem contra o que for mais mal ainda 
Flagelo do futuro, avanço do retrocesso 
Seguiremos caminhando em desalinho 
Usina da ordem e desprocesso 

Hey, você por acaso viu meu pai 
Hey me da um dinheiro 
Preciso pagar passagem 
Preciso ir de bar em bar 
Nosso Santo do Terreiro, me ajude 
Óh meu pai 
Me ajude a te achar 
Me ajude a te ajudar 

Sabe aquele fim de tarde laranja 
Fumacento, como se viesse chuva 
No metrô as pessoas se matam pela fila para poder matar 
E o lugar de alguém ocupar 
(e jogar pela janela) 
Uma criança, 13 anos, preza fácil 
Meu pai, onde eu vou te encontrar? 

Ele achou que era tarde, tentou se levantar 
Beber sentado, ficar tonto ao tentar de uma vez caminhar 
Meu Deus, minhas filhas 
Pediu dois vidros de leite, embrulhe, preciso levar 
Não reparou no degrau 
Caiu 
Não se preocupou, ainda estava sujo do trabalho 
Na verdade ele sorriu 
( o riso falso provocado no excesso nosso de cada dia) 
Pode ser melhor que a dor nossa 
Tijolos, e cimento nos olhos 
A lagrima que escorre fez virar massa 
Agora ele se viu cego 
A imagem de um corpo de meio metro 
Na sua direção 
Pai! 
Vamos, temos que ir pra casa! 
Um lamento, mais dor por um momento 
Se arrependeu de todos os seus almoço 
(não da bebida) 
Pois sua menina não o conseguiu arrastar para casa 
Ouviu: Me ajude moço! 

E outra noite irá passar 
Amanhã, o relógio irá despertar 
E tudo irá retornar 

Atillas Felipe Pires 
07/01/2014