segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

EVOLUÇÃO INVERSA

Hoje vivemos em meio a um monte de coisas, uma verdadeira avalanche de informações - úteis ou inúteis - vivemos na época de informatização, ou quase no meio dela já, somos de uma geração que aprendeu a saber superficialmente, a saber de todos os títulos dos assuntos, mas não conhecer de fato nenhum, um mundo de cliques e leituras superficiais, sabemos o que esta acontecendo no mundo..mas não sabemos como, nem porquê, nem o que tudo isso vai gerar. Mas sabemos, ou achamos que sabemos!

As vezes eu fico pensando o que será do futuro, o que será de nossos filhos, o que será dos filhos dos nossos filhos, já que essa evolução para trás tende a piorar cada vez mais. Parar para pensar tem se tornado algo doloroso, algo que nos trás terror, diante de todas as dúvidas que o futuro nos espera, e o que antes era sinônimo de boas energias, de novidades, hoje é de incerteza e medo, o futuro..o que será no futuro!

Amor, educação, bom dia na rua, boa tarde ao senhor aposentado na praça, comprar o jornal na banca, tomar sorvete e deixar cair um pouco na camiseta branca, escolher um livro, um filme, com calma, com sabor, aproveitando o prazer de estar vivo, aproveitando o prazer de poder escolher ao vivo. O que houve com a materialidade das coisas? Uma capa de cd com as letras na parte de trás, com as fotos do artista preferido, um livro amarelo de sebo, o que aconteceu com a folha de sulfite em branco no desenho livre da sala de aula da terceira série? Onde foram parar todos os filmes da prateleira de lançamento da locadora? Empoeirados e abafados pelo tempo que não tem coisas, que apenas mostra fotos!

Estamos na era cinza, na era da fumaça, as pessoas perderam o tato, o olfato, ou a vontade de tocar, a vontade de cheirar, penderam os sentidos pelos quais vale a pena estar vivo, as pessoas se tocam pelo touch dos seus modernos celulares, não há caricias por vontade, nem encontros marcados para ir ao cinema, as pessoas estão parando de viver mesmo estando vivas.

Eu não consigo mais ser tão comum, por que estou no passado, eu tenho um quarto com mais livros que celulares, eu tenho uma tela de computador menor que meu quadro de capas de cds colados. Eu estou vivo! E não me sobreponho a ninguém, mas observo o desfecho dessa loucura, e tenho medo de pensar onde é que tudo isso irá parar!

Ainda ontem fiz um samba, escrevi sem pensar, deixei rolar, e hoje me pego extravasando um pensamento que me vêm ao ler que mesmo as crianças magras não são saudáveis e com certeza terão problemas sérios de saúde quando crescerem, me pergunto porquê e mesmo sem querer me ofereço a resposta. Estamos em processo de evolução inversa!

Como uma bola de ferro com lanças presas que apontam para todos os lados, o mundo girou na mesma direção por anos, e hoje temos imagem de televisão em perfeição, celulares robóticos que tem vida própria - tomada de seu dono - a única lança que se desenvolveu é aquela que aponta direto para os nossos corações, a lança do ócio, a lança do "não-faça-nada-a-não-ser-ganhar-seu-dinheiro-para gastar-na-internet. O mundo esta em declínio e não há absolutamente nada que possamos fazer por ele, mas há o que se pode fazer por nós mesmo! Temos que fazer!

Temos que voltar ao tempo do toque real, o tempo da emoção em comprar o cd em lançamento e sentir o prazer em colocá-lo para tocar e ouvir a primeira música folheando a capa como um livro de novidades, o prazer de ir a banca de jornal e ver o novo álbum de figurinhas de criança, comprar para ter e não para ver, ter e não apenas ler, temos que voltar ao tempo em que as pessoas se encontravam na rua e se cumprimentavam, ao tempo em que conhecíamos nossos vizinhos, ao tempo que as crianças ficavam sentadas na frente de casa até serem chamadas pelos pais para tomar banho, conversando - pessoalmente - com os amigos, vendo-os crescendo, e não apenas acompanhando seus status nas redes sociais.

Temos que voltar! Voltar por que logo a frente há um abismo social, e temos que mudar a trilha, escolher outro caminho para avançar.

Uma família que se comunica por celulares mesmo dentro de casa deve ser sinônimo de fracasso e não álibi de comercial de operadora de celular. Uma família de verdade se reúne em volta da mesa, uma família faz a oração em agradecimento pela refeição de mãos dadas, mãos livres dos celulares, mas prontas para receber a bênção e o calor HUMANO.

Somos humanos, não somos uma foto de perfil, uma frase de efeito, um check-in na balada! Somos seres que se movem e vivem, não que sentam-se e ficam apenas rolando a barra lateral de notícias alheias como um bando de zumbi moderno com força vital apenas nas pontas dos dedos, somos seres, e seres sentem, tocam, seres VIVEM.

Atillas Felipe Pires - esta se sentindo BESTIALIZADO!






13/01/2014

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