quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Personagem 2

Personagem 1: Estive analisando seus gastos, e pelo que vejo você tem realmente se empenhado nesse negócio novo de doação aos pobres, não é mesmo meu Senhor.

Personagem 2: De fato, nobre banqueiro, agora que parei de trabalhar nas Indústrias e vendi minha participação aos Chineses, estou me voltando mais aos pobre e necessitados sim!

Personagem 1: Admiro a causa senhor, mas como seu consultor bancário tenho que lhe informar que como esta sem atividade financeira ativa, esse dinheiro doado não poderá ser revertido em diminuições no pagamento de imposto de renda do final do ano. É praticamente um investimento sem retorno algum.

Personagem 2: Não é um investimento!

Personagem 1: Não entendi senhor.

Personagem 2: Não é um investimento meu caro, não espero retorno algum desse dinheiro, apenas divino quem sabe.

Personagem 1: Mas meu senhor, de que vale ter construído um império em tantos anos de trabalho e dedicação se pensa agora em desfazer de seus acúmulos em peripécias sem sentido apenas para mostrar-se generoso com pessoas que nunca lhe trouxeram benefício algum?

Personagem 2: Meu caro, o senhor tem se mostrado de importante valor para mim todos esses anos, e creio que lhe dei o bastante por isso, mas vejo que sua visão quanto ao mundo ao qual vivemos, sua visão quanto a valor se restringe a cifrões, ações, juros e investimentos financeiros. Temo em lhe dizer, meu senhor, que existem nesse mundo, outras coisas que lhe tratam retorno, existem afazeres adversos ao mundo financeiro. Estamos em meio ao século dezenove, e vejo a aurora de um novo tempo, eu vejo o amanhecer de uma nova era.

Personagem 1: Vou ser mais claro com o senhor: VOCÊ PERDEU UM MILHÃO DE REAIS com essa merda de filantropia, e apenas no ultimo ano.

Personagem 2: E perderei mais um milhão no próximo ano, e no próximo depois dele, e no outro também! E nesse ritmo, acabará todo o meu dinheiro em mais ou menos uns 60 anos. Dei-me agora, meu senhor, um motivo para parar? Já que com sorte viverei apenas nos próximos 30 anos?

 Atillas Felipe Pires
16/01/2013

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