Eu estive em tantos lugares
Visitei tantos estados de espírito
As vezes me perco
As vezes acho que pra sempre estarei perdido
Tenho palavras na memória, que como um circulo sem fim eu repito
Eu já andei por aí sem rumo
Fluindo como uma pena a brisa noturna
Já tracei minha rota, quase sempre sem volta
E quase sempre acredito que a luz da noite é que me alimenta
Na minha vida normal, eu não vivo
Não vivo na vida diurna
Confesso meus pecados ao poucos
Por que não existe papel suficiente
Não me faço de rebelde, nem ateu sem vertente
Mas sei até onde meus erros são normais
E até onde são vícios que culposamente pratico
Tudo que me traz prazer, tudo que me satisfaz
"Já virei calçada maltratada e na virada quase nada, me restou a curtição"
Eu já estive mudo em tantos becos
E hoje vejo que no fundo o que me salva é minha indecisão
Já quis um novo começo, uma vida sincera
Eu já me apaixonei por uma imagem criada
Alguém com olhar que me invadia
Firme e forte, tipo o olhar de Era
E no fundo o passado surge e o que me resta é a espera
Eu já fui um ser que soube amar
Foi uma viagem sem volta, em nuvens mácias
Algo sim "tão curto quanto um sonho bom"
Eu ainda tento lembrar como é sonhar
Eu já me fiz de ser pensante, intelectual da moral
Alguém assim que sabe conquistar sem aparência apelativa
Uma palavra, um tri-jeito, um olhar
Um corpo feito para amar
Já balancei minhas pulseiras e como num transe
Trouxe tantas até mim, as fiz se apaixonar
Eu criei meu mundo e nele coloquei minhas regras
Entre carne e osso me fiz de pedras
Hoje estou colhendo erva daninha no lugar de rosas, no lugar de pétalas
Na minha própria lei meu erro foi deixar tanta gente passar
Na minha própria lei meu erro foi achar que eu sempre ia me sair bem
Por que não há erros para quem não distingue certo do errado
Mas eu estive errado
E sou condenado no presente pelos trilhos do passado
Confiei na minha fé
No meu jogo de cintura
Confiei no meu modo de ver
Quando minha visão era turva
Eu confesso meus pecados e que sumam os meus calos
Eu quero poder viver sem medo do erro de escolher
Eu quero a solidão ou a afeição, não meio termo estratégico
Não uma armadura no coração
"Vou na fé não na sorte"
E que meu caminho encontre a lama ou a corte
Mas que eu tenha um
E que meu nome seja lembrado pelas estrelas do meu lado
Pelas fadas que já me apareceram de todas as cores
Loiras, morenas, mulatas, ruivas
Eu quero um, pelo menos um, de tantos sabores
E que meu código avalie o que me faz bem
Para meu interior
Não para os olhos, não para os póros arrepiados
Quero mais amores
Em um só ser
Eu quero ser
Um ser que sabe viver
Que sabe gratificar o prazer
Peço mais paz e alegria
Peço juízo e bom saber
Peço sabedoria para alguém que ainda não aprendeu a viver
Eu peço um pouco mais de sinceridade
E na contra-mão de Cassia
"...eu só peço a Deus.." Que desfaça minha malandragem
Quero mais luz, mas amor
Eu quero mais beijo por acaso
Mais olhar no vácuo
Eu quero maquiar minha dor
Nessa minha, rápida, mas intensa passagem
E que assim seja em nome de todos os Santos e Deuses
E que assim seja
Atillas Felipe Pires
16/01/2014
Nenhum comentário:
Postar um comentário