sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Sr. Fulano



Não é tão simples Nicolas
Nada é simples Nicolas
Ficar rico, ganhar muito dinheiro
Construir uma casa
Um carro, conta cheia
Mármore no banheiro

Não é tão simples Nicolas
Nada é simples Nicolas
Mas vamos tentar
Não custa arriscar
Sonhar não é deitar e esperar
Se vem comigo então
Quem sabe onde podemos chegar
Quero 18 quilates
Não pedaço de latão
Cansei de esperar

A ideia é simples, sem erro
Não precisa ter medo
Nem hesitar em participar
Hoje em dia o negócio é quebrar as regras
O sistema encarar e bolar um plano pra burlar
De tantos cifrões disponíveis
Eu quero é mais
Eu quero é mais
Por que viver nesses olhares tão sofríveis?
Se é só chegar e pegar

Um assalto a banco estava pra acontecer
Dois malacos de rua, sem nada a perder
Dois demônios pertubados pelo ódio
E pela corrida incessante pela área de fumantes
Lucios, advogado calculista, raciocínio, amante do dinheiro
Pior tipo de gente, estilo trapaceiro
Nicolas o primo sem jeito, motorista nato
Vicky de Barcelona, saia curta e deslumbrante como um diamante
O álibi perfeito para cães famintos por carne e prazer
E por ultimo o rei do plano, aposentado simples
Sem nome para todos, se apresentou como Senhor Fulano
Esse era o time, era o esquema marcado
Tudo bem feito, plano bem bolado



O sistema é traído pelas próprias raízes
Pelo seu preconceito
Usou gravata ficou bonito, é advogado, é rico, ou quem sabe prefeito
Eis aí a falha a ser explorada
Cara estudado, como assim..
Quem vai acreditar
Então meu velho, senta aí e espera pra vê
Não quero nem saber, vamos lá
Vamos roubar
Vamos botar para foder!

Lucios tem a lábia, e sabe entreter
Entrou pegou a fila, sentou e esperou
Sabia exatamente tudo que tinha a fazer
O pouco que demorou começou a reclamar
Falou alto, chamando atenção
Ameaçou o caixa, vou te processar
Cansei de esperar
O segurança chegou e chamou todos os outros
"Meu senhor estamos com problema de pessoal"
Calma não é nada pessoal
Postos abandonados, advogado revoltado
Escolta toda junta acalmando o doutor

Vicky de Barcelona, saia curta tipo lona
Na porta de entrada soa um grito
"Saia seus vagabundos, saia seus drogados"
Perturbada estava sendo, pelos dois malacos
Um estilete nas mãos ameaçavam Vicky
Vagabunda sem vergonha, vamos te matar

Seguranças na sede, de bater em vagabundos
Saíram todos da agência
Já que estavam todos juntos
"Que burros"
Foi a deixa que precisava para o assalto anunciar
"Todo mundo pro chão, filhos da puta eu vim foi pra pegar"
Gritou lá de dentro o advogado
Começou a gravata afrouxar
Fez todos de refém
Lá fora a confusão foi contida
Vicky sorriu pelo canto da boca
Enquanto os malacos saiam em corrida
Os seguranças não entenderam nada
Agora já era, a ideia estava armada
Todos lá fora, não adiantou o treinamento
No posto de cada um, agora não tinha nada

A imprensa chegou, a policia também
"Vamos negociar, ninguém precisa se machucar"
Libere os reféns
Lá dentro o advogado feito cobra
Pegou só o ouro guardado na parte de penhora
Muito dinheiro, 700 milhões e fácil de carregar
Encheu duas bolsas com pesos iguais
Algo assim bem pensado, somos animais
"Você não vai se salvar, se renda agora"
Libere os reféns

Lá fora gritou Vicky "meus Deus meu avô"
Cardíaco la dentro
Salvo-o meu Senhor
Lá dentro Sr Fulano, começou a tossir
"Meu garoto por favor, eu preciso ir"
Liberado o velho, plano concluído
Debilitado aposentado
Ninguém ia notar
Entrou no carro com Vicky e sumiu do lugar

"Agora somos nós, você tem que se render"
"Sua situação já ta feia, eaí, o que vai fazer?"
Lucios era esperto e sabia proceder
Ganhou tempo e esperou, estava tudo no plano
"Ok! vou sair..mas quero um colete"
Com a imprensa toda ali, nada ia acontecer
Mas para tudo sair como tinha de ser
O relógio, quatro voltas, em torno de si
Tinha que dar
Estava tudo no esquema, nada ia falhar

Tudo bem vou me render
Mas sei meus direitos, se sofrer algum abuso
Pode crê, tudo vai feder
Saiu com a mochila, foi rendido pelos policiais
Que surpresos ficaram quando abriram a bolsa
Nenhuma nota nem ouro
Papel de campanha política picado
"Mas que porra é essa"?
Esse é o meu roubo, eis aqui meu protesto
Com seu chefe, eis aqui o meu rombo
Sem notas essenciais
“Me acuse pelo roubo de papéis tão banais”


Enquanto isso do outro lado da cidade
No aeroporto embarcando
Sr Fulano e Vicky rindo sozinhos
A segunda bolsa com ouro, brilhando nos pés
"Sou aposentado, sem revista por favor"
Sem nada dar errado, sem erro sem caô
Fim de plano
Tudo certo
Em Barcelona os Malacos, tomando champange e ouvindo Fulô
Estavam esperando sentados num bar
Aí que lindo estou
Aí que lindo ficou

Atillas Felipe Pires
24/01/2014

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