sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Little Girl

Acalme seu coração little girl
Respire fundo e proteja-se da chuva
Acalme seu coração little girl 
Não é fácil e nunca será
Mas em alguns momentos temos que deixar a onda levar
Se preocupar apenas com quantos copos já bebeu
Deixar de lado se você deve ou não amar
Acalme seu coração little girl 
Você nunca estará sozinha
Enquanto estivermos aqui
Eu prometo que nada lhe acontecerá garotinha

Se o mar vem cada dia mais forte
E as ondas te acertam em cheio
Não se deixe abalar
Respire fundo, prenda sua respiração com o que há de bom
E aprenda a boiar
Feche seus punhos e morda esse lábio inferior
Você é forte e tudo irá passar
Trabalhe seu equilibrio e fortaleça seu interior
Seu peito é de aço
E você alcançara o que quiser seja o que for
Agora levanta e anda
Estique esses braços
E saia do lugar
Com suor
Sem dor

Acalme seu coração little girl 
Pinte um quadro com as cores que sobraram
E descubra uma nova arte
Descubra sua nova parte
E saiba que ela também faz parte
Um novo filme velho
Um livro amarelo
Um vinil que ainda não ouviu
A porta esta aberta
Desamarre suas asas que há tanto estão fechadas
Voe little girl  vem dançar com as estrelas
O medo força as amarras o salto te liberta
A porta esta aberta
Descubra em cada nova curva do caminho
Um novo envolvimento na próxima esquina
No fim de tudo
Nunca estamos sozinho
Acalme seu coração little girl 
Desprenda-se do chão e flutue sem destino como uma pena ao vento
Manipule sua personalidade
Vá da balada ao convento
Sem regras
Vida
Viva
Seja
Alma
Viva
Não
Alma
Ferida


Atillas Felipe Pires
28/11/2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Dont try

Dont try do it 
Levanta e vai 
Não pense que não vai dar 
Só assim vai dar 

Dont try do it 
Não deixe que a incerteza do que é ou não possível 
Sufoque os ideais 
Desenterre suas vontades que ficaram para trás 
Todos os planos que não foram realizados 
Que ficaram para depois 
Levanta e faz 
Vista seu mais belo vestido e vem dançar 
Não se trata de tentar 
Levanta e faz 

Retome todos os planos que foram consumidos pela falta de vontade 
Todos os desejos escondidos na conta bancária em baixa 
Tudo que deixou de ser feito por que estava frio, ou muito sol 
As cores do quadro que não foi pintado 
Ou os lugares que não se frequentou quando não se tinha idade 
Volte atrás 
Levanta e faz 

Troque os móveis de lugar 
Pinte a parede do quarto de cores diferente 
Desalinhe seus livros 
Empilhe seus dvds 
Faça parte do grupo dos seres vivos 
Não dos empalados eternamente nas curvas da rotina 
A hipocrisia que só de pensar 
Lacrimeja minha retina 
Levanta e faz 
A impulsão tem que ser pra frente 
Sua perna é feita para andar 
Levanta e vai 
Não se trata de tentar 


Atillas Felipe Pires 
21/11/2014 

Ritmo Mohamed Ali

Você nunca andou no parapeito de um pontilhão 
Nunca sentiu vontade de voar sem cair no chão 
Você jamais teve coragem de embriagar-se de pensamento 
A doce e dolorosa ilusão de acreditar que a vida é bem mais que um tiro curto 
Um sussurro rápido 
Um grito de lamento 
A trilha sonora do seu filme favorito tocando, enquanto se é surdo 

Noites cálidas e terríveis sensações de ação falha 
Um corte profundo nessa carne 
Tanto faz ou tanto fez 
O que importa é ser o cara da navalha 
O que importa é ser sempre o cara da vez ( o cara que fez) 

E as faixas brancas desse asfalto escuro nunca terminam 
Sempre iguais, sempre rápidas 
Você nunca as percebeu por que sempre estão ali 
Por isso a presença não deve ser constante 
Hoje acordei com síndrome pugilista e vim para bater 
No ritmo Mohamed Ali 
Decisões precisas e repetidas 
Hoje nem preciso mais escrever 
É só sentar e assistir 
Toda essa magoa pelas paredes descer 
Daqui pra frente é assim que vai ser 

Enquanto todos buscam encontrar uma razão 
Eu só quero um pouco mais de bares 24h 
Sou viajante de balcão 
Levo comigo quase sempre as sujeiras dos lugares que frequento 
Sem lamento 
Sem sofrimento 
Enquanto ali na esquina vejo pessoas tentarem entender o que não foi feito pra entender 
Minha compreensão é limitada 
Eu só quero mais uma pitada 
E que dure bem mais esse ultimo trago 
Ir sempre na contra-mão de qualquer tipo de sentimento 
Até que chegue o meu momento 
Liberdade antes que tardia 
Escrevo em letras de mão nesse espelho imundo 
Enquanto contemplo essa minha face arredia 

E nas trilhas desse dia que nunca termina 
Desenhei minha melhor forma 
Desenhei minha vida como sempre sonhei 
Desde então nunca me arrependi 
E nunca irei 
Eu não acertei 
Eu não errei 
Por que não existe certo ou errado 
As coisas são o que são 
No final estamos todos ferrados 
E o término brindará um copo quebrado no chão 
O cenário ideal para mais uma experiência sem igual 
Ou tudo igual 
Quebraram-se as amarras do meu varal 

E até que chegue o que tem que chegar 
Vou desbravando esse caminho virgem 
Com minhas armas sempre a mão 
E a cada nova luz que se apresenta 
Sinto brilhar o castanho claro dos meus olhos 
Como faz um filme, uma nova canção 
O que me cativa pelo riso 
Pelo riso que se mostra em meu rosto 
Não no oposto 

Atillas Felipe Pires 
25/11/2014 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Rio de Janeiro

Morena linda, morena bela
Nela trás consigo tudo que é belo, tudo que eu quero
Morena do Rio
Morena que do nada sorrio
Minha moça mais linda, praia e sol, seu nome é Ana a Bela
Morena linda, morena bela
Que na subida do morro faz parar toda a favela
É quem eu quero é quem eu amo
Vem pra cá, Morena Bela

Malandro que é malandro não paga de mané
Chapéu de lado, sobe no jeito, não perde o rebolado
Não esquece o ponto certo, não desajeita o samba no pé
Anda só no passo devagarinho sem muita pressa
Camisa da seleção, alô alô time canarinho
Jamais se estressa
No peito o brasão rubro-negro na tatuagem gritante
O Maracanã sempre lotado
Oxalá sempre na estante

Só no sapatinho quem tem fé sabe o que quer
E no Rio tem mais de uma
Tem a capela, tem o terreiro, eu tenho a fé de um guerreiro
Eu tenho ali, logo na esquina
O samba maroto, eu sou Salgueiro

Quem não gosta não conhece
Quem conhece e não gosta não sabe do que gosta e nem conhece
O pulsar desse coração bate no som desse pandeiro
Pode vir que a roda não tem preconceito
Vem o negro, vem mulata, vem padre, vem boleiro
Tem o gari, tem a sambista, tem seu José, Dona Maria
Tem o advogado, Amarildo, tem Pedro Paulo, tem pedreiro

E nas cores dessa escada vou subir sem desistir
Eis aqui minha homenagem
Para o Rio meu belo Rio
Nunca mais só pela televisão vou te assistir

Atillas Felipe Pires
18/11/2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Seção Menina Mulher - Primeiro ato: Aquele Sorriso

"Quando vejo aquele sorriso eu perco o chão
Fico flutuando..
Quando vejo aquele sorriso tenho a sensação de que tudo dará certo
Enquanto aquele sorriso continuar sorrindo para mim - MSG"

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Rua de ouro..caminho lameado

Quem dera ter a vida que se teve no passado
Quem dera ter a vida que se busca no futuro
E lembrar que entre o ontem e o amanha
O tempo nos é dado de presente
Entre o céu e o inferno de cada dia
E a som que me cerca não produz em mim nenhuma poesia
Enquanto as cinzas da rotina cinza me cobre em pó pesado
Sinto o peso do mundo em meu eu poético
E esqueço totalmente dos objetivos da arte que me foi dada
Sinto o pulsar da bomba atômica bater em meu peito
A convivência entre prédios e asfaltos, a subalterna alegria
Distante da que originalmente me foi dada

Meus desenhos mal-traçados pelo tempo que se esgota rápido
Minhas falsas melodias em assobios até a próxima porta automática
Minha tatuagem que não foi feita
E meu estilo pragmático de levar meus relacionamentos ao fim já inicialmente programado
Enquanto me desvencilho da máscara de menino bom
De menino bem amado
Meu ar demoníaco que te alcança como som de trombetas angelicais
Corações conquistados em rebeliões sentimentais
Nada menos, nada mais
Para todas que chegam e que vão, um fim que se reproduz num uníssono "tanto faz"

Um exército formado pelos mesmo motivos
Igualitárias desconhecidas
Sentimentais absolvidas para o purgatório que eu mesmo criei
E meu castelo no lado norte, o lado mais quente da parte de baixo
Já esta quase completo, idêntico ao que imaginei

Entre os falsetes melodramáticos do meu tom convincente
Não me toco no meu próprio ser interior
Minha arte que me pede um pouco mais de exposição
Que roga pela vida que só eu posso lhe dar
Todos os papéis em branco que cercam minha mente
Uma mera ideia que deixei passar, a falta de regar a semente
Enquanto isso é só seguir sem pensar
E quem poderá dizer onde essa estrada sinuosa vai me levar
Na vala comum dos empalados na curva da rotina?
No distorcido universo paralelo dos artistas incompreendidos?
Uma estrela, um pop-star
Ou a tristeza fria dos degraus da igreja que me levaram ao altar
Proferir promessas mentirosas para toda a vida
Não lavar e não remediar, apenas tapar a ferida
Ter uma vida comum
Ir a piknicks numa tarde de domingo
Chorar num filme triste
Comemorar sete de setembro
Ir ao parque brincar com os pombos, jogar alpiste
Sinceramente eu acho que não foi para isso que o homem veio ao mundo
Não ao mundo que venero
A mesa suja de um bar com letreiro  piscante falhando
Ou o som da vitrola chiado no fim do vinil
Apenas mais um jovem viril
Que esteve deste e do outro lado
Santo e safado
Rua de ouro e caminho lameado

E pra onde vou de onde venho
Minha rua é a mesma
Meu paradeiro nunca muda
Minha ideia é muda

Atillas Felipe Pires
24/09/2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Carros velhos também contam histórias

Violino nas costas e um maço de cigarro pelo meio
Uma highway inter-estadual com um carro quebrado
Sentado no capô, sem medo e sem dor
Sentido o cheiro da fumaça que sai do motor
Até que me agrada
O sol e a estrada

Dando graças pela bateria que não pifou
Escutando o som com o ruído chiado da minha fita preferida
Vai e volta, Bob Dylan entre a morte e a vida
Meu jeans batido e rasgado na barra esquerda
E toda essa minha fala que remexe meu passado
Mas uma história de idas e vindas, mas uma viagem com poucos trocados
Com minhas botas velhas e meus cadarços desamarrados


E na bolsa levo comigo minha alma solitária
Meus amuletos sem sorte e minhas pulseiras de nó eterno
Enquanto agradeço pelo sol e pelo dia
Pelo calor interno que em mim se fez cada dia mais fraterno
Minhas respiração sadia
Eu levo comigo uma porção de magia num saco embalado
E quando reviro meus olhos não há ninguém ao lado
Mas nunca estou sozinho
Eu ando comigo e sou a melhor companhia que poderia ter
Sou minha principal fonte de prazer
Sou minha principal fonte de prazer

E assim vou vivendo, flutuando como quem não tem raízes
Alcançando o céu e tocando as estrelas sem me desprender do chão
Afogando sem pensar as mágoas do coração
E conhecendo quase sempre uma nova canção
Que fale de coisas da vida
De mim e te ti
De um cara tão sentimental
No domingo de sol, minhas roupas no varal
Cada dia num lugar
E vou como uma pena, seguindo o sentido do vento
Vou pra onde a vida me levar

Atillas Felipe Pires
05/09/2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Pacta sunt servanda

E se eu achar meu caminho na direção de uma cordilheira
Que em queda livre me leve para dentro do seu coração
Assim seja
Assim seja a vida dessa minha alma guerreira

Dos seus olhos castanhos claros cortados pela sombras dos seus cílios
Onde quero ver minha imagem
Num vislumbre ou num martírio
E que sua saliva me atinja como faria um rio
Sua correnteza me levando para o meu profundo eu
Se tudo isso eu encontrar
E deixar rolar, dar trela ao sonho
Fudeu!

Atillas Felipe Pires

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Ele

    Naquela manhã o sol bateu forte como todos os outros dias, socou a janela, brilhou no retrovisor do ônibus que pára sempre no mesmo horário no mesmo ponto. Provavelmente o padeiro já estava parando para a hora do almoço, o carteiro já havia passado, já se ouvia as crianças voltando da escola. Era mais um belo dia, um dia que nasceu, nenhum ataque terrorista nos jornais, nenhuma morte de famoso pelo excesso do uso de drogas, não havia nada de novo naquele dia, era apenas mais um dia, pelo qual muitos religiosos já haviam feito suas orações de agradecimento.

    Ele levantou, olhou em volta, viu suas meias jogadas no tapete da sala, e uma garrafa vazia rolando na parte do piso frio. Ele não quis continuar levantando, se jogou para trás e ficou olhando para o teto, parecia uma tarefa extremamente difícil, mas já estava incomodado com àquela situação, finalmente levantou, não podia continuar daquele jeito. Foi até a janela e fechou aquela miserável fresta que deixava um fio fino de sol atingir-lhe bem o rosto em cheio, que maldita situação que o incomodava, o fez, voltou para a cama e se deitou novamente, resolveu o problema, e dormiu novamente, sentindo o cheiro do seu próprio hálito bêbado.

    Já passará das 15h daquele mesmo dia, ele abriu novamente os olhos, o corpo estava dolorido, e sua dor de cabeça matinal o lembrava da noite anterior. Seu dia começava sempre entre as 15h e as 16h, nunca antes, as vezes depois, abriu uma garrafa de cerveja, estava um pouco quente, mas era apenas para matar o tempo enquanto procurava alguma coisa para comer. Andou até a cozinha, olhou em volta, pensou em como as coisas parecem bem mais interessantes durante a noite, pensou que o dia era para o tipo de pessoas que vivem em busca de dinheiro para viver a vida a noite, ele nunca gostou do dia, nunca se adaptou ao dia, a luz o incomodava. A visão da sua cozinha o fez perder a fome, abriu outra cerveja e voltou para o sofá, sentou encima do seu maço de cigarro, ficou feliz em ver que ainda tinha dois, ascendeu um, deu um trago fundo. Bebeu e fumou, os únicos prazeres que se alcança durante a estadia do sol ao seu mundo.

    A vida estava passando rápido demais, desde seu último grande sucesso de vendas, já havia passado quase dois anos, e o dinheiro estava acabando. No ritmo que estava indo suas finanças acabariam em nove, talvez dez meses, pensou que talvez fosse a hora de começar a escrever novamente. Ascendeu o segundo cigarro, ficou puto em lembrar que era o último, a ideia de ter que sair de casa para comprar mais o tirava um pouco do humor, que sempre era ruim. Levantou e quase caiu, havia se tornado comum essas tonturas depois de um ou dois cigarros, alguma coisa estava fora do normal, depois de tantos anos fumando seguidos cigarros em seguidos dias, seu corpo já não era o mesmo.

    Vestiu seu roupão xadrez e uma pantufa que achou por perto, desceu até o bar do hotel que vivia, comprou dois maços de cigarro, e mais três fardos de haineeken quente que era mais barata, e duas separadas geladas para ir bebendo até que os fardos gelassem, escutou a musica do elevador, olhando para o espelho e contemplando sua face que um dia forá motivo de amores diversos, hoje apenas o lembrava que não escovou os dentes e já era quase 18h da tarde.

    A noite estava chegando, quase 19h, e ele estava se animando. A noite torna as cores mais vivas, o brilho dos letreiros são mais interessantes que pássaros cantando, os bêbados no auge da loucura do dia deixa tudo mais vibrante e a vida se torna como que num mundo paralelo, como se a noite fosse a parte boa do dia. Ele abriu a janela do 16o andar, olhou para o mais longe que conseguiu, abriu um dos maços de cigarro ascendeu mais um e deixou a fumaça ir quase que sem tragar, apenas pelo prazer de imaginar as imagens que se formam no alucinante movimento daquela névoa branca, cavalos cavalgando em sua volta. Ficou feliz por um momento em estar ali sozinho contemplando o céu e a fumaça indo fazia seus poucos problemas desaparecerem.

    Deixou a janela aberta e voltou para a geladeira, abriu outra cerveja, agora já geladas, olhou para a cozinha e gostou do ambiente, o jornal do dia anterior aberto na mezinha de jantar, a taça de vinho com o fundo ainda vermelho da sua ultima refeição acompanhado ainda no mesmo lugar, os lembretes que foram esquecidos presos na porta do armário, e todas as coisas inúteis daquele sagrado e inutilizado local. Gostou da sua vida, gostou de ser um desajustado noturno!

    Voltou para a janela e o céu continuava lá, ficou pensando no possível personagem de seu próximo livro, tomou mais um gole, jogou o cigarro fora, ascendeu outro e deu, como de praxe, um trago forte, olhou a fumaça e pensou mais uma vez nos cavalos que a forma como ela se vai formam em sua volta, ele realmente se sentia bem com àquilo, pensou que talvez pudesse falar de cavalos de fumaça. Realmente aquilo lhe pareceu uma ótima ideia, cavalos de fumaça parecei um bom título, poderia quem sabe se desprender das histórias da vida real e escrever sobre o mundo da fumaça que sai da ponta do cigarro de um fumante solitário. Deu mais um trago, bebeu mais um gole, pensou em que poderia escrever, qual poderia ser o personagem do seu próximo livro, soltou mais uma vez fumaça, viu seus cavalos, pensou que talvez pudesse falar da vida de um pai de família que perdia o dinheiro da família apostando em cavalos. Ele se esqueceu da primeira ideia depois da quinta garrafa, talvez não lembrasse mais nem da segunda, nunca mais teria a mesma ideia. Fumou e olhou para a noite!

    Voltou o olhar para dentro do seu apartamento, incrível como esses hotéis de luxo te fazem sentir em casa, o sofá estava ainda desarrumado, assim como sua cara, voltou para a cozinha para pegar outra cerveja, a quinta ou sexta ou terceira, quem vai saber, parou na entrada da porta, que visão incrível, tudo estava bem mais interessante, pensou que poderia escrever um livro sobre sua cozinha, um livro sobre um cara que vivia numa cozinha, que tinha seu colchão embaixo da pia e que a goteira que o incomodava era por causa da louça que ele nunca lavava, deu risada sozinho, mas continuou mirabolante naquela loucura, imagina só, um cara que vive numa cozinha, seria ótimo, geladeira com cerveja, armário com uísque, e seu colchão velho embaixo da pia, puta que pariu que viagem. Pegou outra cerveja e voltou para a janela.

    Até hoje ele não entende por que resolveu sair de casa naquela noite, seus pensamentos eram o bastante para o entreter até o amanhecer, mas naquele dia resolveu sair atoa. Foi até o suas caixas de papelão e procurou alguma roupa aceitável, foi por exclusão e pegou a qual estava menos amarrotada, uma camisa de botões com as mangas largas e uma calça jeans levis com a borda rasgada. Pegou outra cerveja na geladeira e passou pelo cara que dormia embaixo da pia, riu sozinho novamente, ascendeu outro cigarro..disse tchau aos cavalos e ao pai de família viciado e entrou no elevador. Sua face no espelho estava amável.

    Apesar da época fria a noite estava boa, o vento batia mais batia leve, ou talvez a sensibilidade da sua pele já não era a mesma. Eis aí a resposta para a sobrevivência dos moradores de rua, ele pensou, riu novamente, seu humor era sempre bom. Andou na avenida do hotel, tinha alguns bares no caminho, escolheu o letreiro mais interessante, gostou de um que dizia "Seu lugar não é aqui". Entrou!

    Foi direto em direção ao balcão, sentou e pediu um uísque com água, ascendeu um cigarro, o garçom veio e lhe disse que não era permitido fumar lá dentro, realmente fazia tempo que ele não saia de casa. Apagou o cigarro na língua olhando fundo nos olhos do garçom com a expressão mais demoníaca possível e respondeu lentamente, OK! Pegou seu uísque e tomou todo de uma vez só, pediu outro, agora sem água, aprovou a qualidade da madeira, ficou por um tempo bebendo e olhando para seu uísque, analisando o movimento maluco daquele liquido marrom enquanto o balança, o reflexo nas laterais do copo parecia uma história a ser contada, tipo, um bando de sereias bêbadas loucas para fazer sexo com você, imaginou um monte de sereias bêbadas cantando desafinadas, sorriu sozinho, pensou que talvez pudesse escrever sobre aquilo, sereias bêbadas era um bom título.

HEY! Aquela voz fina o tirou da sua viagem das sereias!

Aí já era demais pra ele, contato social feminino? Resolveu voltar para seu quarto de hotel.

    Abriu a geladeira da sua cozinha interessante com taça de vinho amanhecida, leu a noticia de três dias atrás, falou para o cara que dorme embaixo da pia de como o mundo é uma merda, abriu outra cerveja, ascendeu outro cigarro falou com os cavalos aconselhou o viciado em corridas, abriu a janela e olhou para o mais longe possível, começou a ver os primeiros raios do sol, fechou a janela, dessa vez amarrou bem a cortina, e foi dormir, esperando acordar com hálito bêbado lá pelas 15h ou 16h.


Atillas Felipe Pires
14/08/2014

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

30%

Hoje acordei meio que 30%
Me movi em passos lentos
Meio com o senso de humor embolorado
No meio fio do banheiro cambaleante
Como ando enquanto estou embriagado
No espelho até gosto dos meus olhos
Mas a profundidade que alcança meu pensamento fica podre meus órgãos
Minha beleza ainda me mantém vivo
Esconde meu solitário sofrimento
Hoje mais do que nunca eu te quis aqui
No fundo dos meus olhos você é o único brilho fraco que eu encontro
E as sombras dos meus cílios te ofuscam
Quase sem querer mudam as cores da minha alma que te buscam
Mudam a direção do meu viver
Ou mal viver
Eu volto pro banheiro
E demoro no chuveiro
Porque não quero o começo do meu dia
Minha rotina engomada
Sempre erro o nó da gravata
Hoje eu acordei 30%
Me peguei pensando em todos os meus envolvimentos
Perguntas do tipo: para onde vai meus relacionamentos
Sem resposta pronta, apenas mais um dia quem diria
Enquanto isso eu sou sucesso
O caso lembrado, o cara bem falado
Superfícies de flores plantadas em terra de moribundo
Não é exagero
No autodespreso mergulho fundo
As vezes do nada desenho um paralelo mundo
Hoje acordei 30%
Welcome to my life
Fuja do meu mundo
Atillas Felipe Pires
06/08/2014

terça-feira, 5 de agosto de 2014

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Cúmulo da Saudade

Depois que eu vim pra cá
Quase todos me esqueceram
Eu sei que é uma história sem fim
Ainda mais pra mim
Mano da rua que aprendeu morrer por ela
Se eu pudesse voltar no tempo
Não tinha pego àquela arma
Não tinha a imagem de sangue escorrendo na viela
Não faria uma família ascender mensalmente uma vela

Mas eu me perdi, não sei por onde
Quando penso nos motivos não encontro a solução
E de carros em carros, carreiras em carreiras
A vida me levou pra onde eu nunca imaginei
Eu me deixei seguir e ser seduzido pelo brilho dourado da corrente
Esquecendo tudo que aprendi
Deixando de lado tudo que sonhei

Hoje estou aqui e meu sol não é redondo
A imagem do outro mundo me parece o paraíso
Onde a vida é ditada pela sirene que serve de relógio
Eu não nasci pra isso
O tempo é rei, meu pai já me dizia
Meu filho seja forte
Esconda a faca e feche o corte
E quando a noite chega e os gritos do pátio interno me assustam
Eu debruço em sofrimento
E meu soluço acorda mais de um detento

E de cigarro em cigarro lembranças meus olhos embaça
A liberdade dignidade são conquistadas na marra
E a saudade invade na velocidade do tempo que passa
E ai pode crer um dia vou estar com vocês

Nessa carta vão sentimentos e lágrimas
Saudade do tempo que passou e que não volta mais
Quando das noites e altas madrugadas
Me lembro dos carros e das cervejas gelada
 É nessa hora que a saudade me mata
A preocupação daqui é outra parada
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês
O futebol de domingo e aos altas risadas
Das minas que ficaram no tempo
De repente meus dias se tornam negros
E é só sofrimento
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês

E de cigarro em cigarro lembranças meus olhos embaça
A liberdade dignidade são conquistadas na marra
E a saudade invade na velocidade do tempo que passa
E ai pode crer um dia vou estar com vocês

Peço desculpas pela caneta falhada
Pela borda da folha que não foi tirada
Mas por aqui eu não encontro outro meio de dizer o que sinto minha rapaziada
Mas uma hora que passa, uma hora a mais de vida
Aqui o relógio conta três em um
Eu sonho um dia em poder dizer que o tempo esta passando depressa
Do inicio ao fim da festa quando as horas voavam
Por aqui o dia dura mais de um mês
E a saudade aperta
Quem sabe um dia eu ainda possa estar com vocês

Não quero me estender, espero que estejam todos bem
Quero que lembrem que a vida é curta e que as decisões importantes
Melhor o calor da lareira da sala que o frio do beco cortante
E que todos alcancem a mais profunda paz
No frio gélido da noite que não acaba
Deixo meus sentimentos aos que se foram
Minhas letra vai ficando ruim
Aqui as 20:h a luz se apaga.

Atillas Felipe Pires
30/07/2014

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Oração

Que eu tenha coragem de ousar
Por que em algum lugar escondido na rotina
Em algum canto que foge do esquadro da minha retina
O meu melhor lado eu sei que vou encontrar
Minha parte mais reluzente
Que não só na mostra dos dentes        
Mas também por dentro
Eu esteja verdadeiramente
Verdadeiramente contente

E que meu pesar seja pela dor do cansaço pelo excesso de vida
Meu amor nas pessoas que me cativaram no decorrer do envelhecimento
Que eu alcance a perfeição e a contradição juntas no mesmo lugar
E da minha arte expire meu próprio reconhecimento
Que minha riqueza seja de amizades
E minha crise de saudades

Peço que minhas lágrimas venham da formatura
Da formatura de uma filha
E meu cansaço do futebol de domingo
Ou de aprender de cor a cartilha
Do ensino fundamental novamente
Para criar em minha vida
Eu mesmo no meu descendente

Que eu encontre o meu lugar
E que no final da minha vida
Eu esteja deitado no campo
Como que eu um altar
Olhando para o céu feliz por tudo que fiz
E que meus arrependimentos sejam pelo o que não fiz
Que meus erros tenham formado meus anticorpos
E que dessa para a outra vida eu parta
Eu parta feliz
Feliz

Que assim seja
Enquanto for
Que seu olhar divino me encontre, vém
A Deus e a todos os santos
Amém!

Atillas Felipe Pires
28/07/2014
 

SELE

Ele já não se reconhece em suas roupas
Ela já esqueceu por quem se apaixonou
Ele deixou de usar estiletes para tirar mangas e fazer coletes
Ela já não recebe desenhos de caveiras e vespas
Ele deixou de correr atrás do vento sem sentido
Ela percebe que a cada dia sua vida e ideologia esta diminuindo
Ele esqueceu da tatuagem que planejou fazer
Ela já não encontra prazer em sentar na laje a noite para beber
Ele já não conta histórias indigenas sobre as estrelas
Ela já não lembra mais dos poemas ciganos que se viciou em ler
Ele já deixou de lado sua tinta óleo e suas telas
Ela sente falta da paisagem colorida nas paredes
Ele parou de fumar
Ela parou de tragar
Ele não se embriaga e causa brigas
Ela sente falta do antigo idiota
Ele despregou o apanhador de sonhos da porta
Ela passou a ter pesadelos
Ele já não sente arrepio ao toque em seus pelos
Ela encontra na cômoda todas as pulseiras de linha e couro
Ele comprou um relógio de ouro
Ela não vai mais aos sábados a feira
Ele só vive de segunda a sexta-feira
Ela espana a poeira dos cds de rock´n roll
Ele perde tempo na tv vendo talk show
Ela procura no espelho o reflexo das calças rasgadas
Ele pegou apreço por baladas
Ela achou que seu estilo hippie rap hard core beat era eterno
Ele se rendeu ao trabalho e como Pedro usa sempre o mesmo terno
Ela achou que o pensamento under e as palavras rápidas eram de verdade
Ele deixou de ler Bukowiski abandonou na estrada Jack Kerouak
Ela tem na gaveta On The Road e Misto Quente
Ele esqueceu dos seus livros favoritos
Ela sonha com o dia que ele vai perguntar dos seus livros já lidos
Ele chegou ao pior ponto da vida
Ela sabe que o perdeu
Ele não sabe onde se perdeu
Ela tenta resgatá-lo
Ele já a esqueceu
Ela nunca deixou de amar seu plebeu
Ele dormiu sem dizer boa noite
Ela sonhou com aquele que um dia foi seu
Ele sonhou com seu passado que não é mais seu
Ela dormiu sem vontade de acordar
Ele dormiu sem vontade de acordar
Eles tiveram esse único momento em comum
Eles são um casal comum

Atilllas Felipe Pires
28/07/2014 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Corvo

As vezes sinto o peso sombrio em meus ombros
Desse corvo invisível que insiste em me acompanhar
Que de todas as coisas boas faz força e medita alto
Só afim de me privar
Meu próprio eu em dualismo
Meu suicídio emocional
Minha parte irracional
O cara que não pensa,  banhado e bem cortido
Perdido no alcoolismo
Só mais um pedido
Por favor, pare com isso
Que esse corvo voe
Que eu construa meu altruísmo

Me cansei das ruas que frequentei
Dos lugares que meu coração partido me convida a visitar
Hoje sou alguém sem sentido
Sem fé,  sem calor
Sem amor
Sem ninguém para amar
Eu ainda sou um garoto
Que cresceu mas esqueceu de amadurecer as veias fortes do coração
E lá se foi mais um pouco do meu mel
Meu último suspiro
Minha libertação
Meu ritmo de me sacrificar
No meu próprio altar

E do alto desse muro eu vejo minha vida passar
Enquanto esse corvo invisível é quem me faz companhia
Vem de longe, me aterrorizar

Atillas Felipe Pires

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Era uma vez..felizes para sempre

Eu provei do céu e do inferno
Flutuei na luz e beijei a cruz
Queimei e me reformulei
Eu cheguei tão baixo que do ponto onde estive só era possível subir
Eu subi, hoje caminho na luz
Na luz utópica do olhar distante de quem não existe
Porcelanas na minha estante
Não,  não foi o que eu disse
Me dê mais cinco minutos
Pode ser o bastante
O bastante para o desenho de toda uma vida
Ou uma ferida
Que assim seja enquanto for
Alma minha
Minha alma ferida
O desenho da minha vida
Um preâmbulo em letras fáceis
Um desarranjo em desabafo
O enrosco da casca da ferida
De quem vive num bote sem direção
Na correnteza sem destino
A falta de alinhamento que torna sem destino o meu destino
E ainda assim sou feliz
Ainda sim vou indo
De noite a noite ganhando um só salário
Que de tanto que sobra, falta e me torna precário
Fazendo a cada dia o nó da gravata
O teatro e a farda
O uniforme de otario
E todos os dias vamos para os mesmos lugares
Exibindo meu sorriso, expondo meu sucesso e minha beleza
Maquiando a cada dia minha fortaleza
Até esquecer de vez
Tudo que de bom meu dedo polegar já fez
E escrever quem sabe uma bela história de era uma vez
Que termine em felicidade
Eterna felicidade
Que carrego desde o ventre
E poder dizer
Felizes para sempre

Atillas Felipe Pires
14/07/2014

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Um suspiro rápido e cortante

Apago a luz do meu mistério
E sinto o cheiro desse tédio
Eu completo o copo e viro e sopro
Apenas mais trago
Garganta corta e pulmão arde
Sou meu labirinto
Me perco sem alarde

E tudo que falei enquanto sonhei
Foi reflexo do meu dia sem nexo
Minha obra numérica sem cor
De complemento exato tão complexo
E na minha retina ainda mora a sua imagem
Que corre marginal em mim
Que desenha minha margem

Não sou tão sério
Não sou noturno nem diurno
Nem clássico,  nem da libertinagem
Eu sou o meu próprio labirinto
Me perco sem alarde

Atillas Felipe Pires
03/06/2014

quinta-feira, 12 de junho de 2014

É óbvio

As vezes me sinto meio que dormindo
Mas mesmo assim acho engraçado
Eu acho engraçado você sorrindo
Dizendo que eu não penso
Quando na verdade estou apenas disperso
Disperso nesse devaneio
Que de verão me mostra
Que nada no mundo é como foi
Ou é como veio
Nesse mundo
O seu
O meu mundo
Nada mais é
Que um mero
Um mero
Devaneio

Atillas Felipe Pires
12. 06.2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Anjos

Ouvi dizer que viemos da evolução
E que anjos são apenas personagens
Personagens fruto da imaginação
Me disseram que seres mágicos são histórias pra dormir

Aprendi que tem anjos bem aqui
Aprendi vivendo eu não ouvi dizer
Personagens de um filme real
Que surgem do céu como luz na escuridão
A minha fé não vou me abalar
Tem sim anjos aqui na terra
Anjos humanos para nos guiar
Aprendi vivendo,  eu não ouvi falar

Hoje eu vejo que todas as orações diárias da infância
Me alcançam em cheio
E me aperta o peito saber
Que hoje eu sei, eu não ouvi dizer
Que os anjos existem
E esta acordado comigo na noite que não quer terminar
Anjos que surgem do nada apenas para me amparar
Acordados ao meu lado na noite que não quer acabar
Na minha fé nunca mais vou me abalar

Eu menciono um ar de resposta
Que me quer a toda hora
Apenas para dizer
Aos anjos
Que quero levitar e sambar de mãos dadas
Nas noites estreladas
Estrela da noite
Anjo da sorte

Atillas Felipe Pires
10/06/2014

Na noite que não quer acabar

Caminhante

Um caminhante ouvinte de blues
Que curti um James Brown
Fã de Bob Dylan, Janis Joplin
Lulu Santos etc e tal
Apenas mais um sobrevivente
Que caminha sem destino nesse mundo cercado de espelho
Que insistem em refletir bem mais que o que queremos
Um milhão de reflexo comovente
Difícil demais para um artista de rua
Com a mente nua e crua
Apenas mais um sobrevivente
E nessas ruas de paralelepípedos molhados
O reflexo laranja das luzes públicas
Me apresenta formas que abrem minha mente
Um caminhante noturno
Escreve o que sente
Escreve o que te mentem
Um caminhante ouvinte de blues
Que curte um James Brown
Fã de Bob Dylan, Janis Joplin
Lulu Santos etc e tal
Vou me esforçando pra manter a fé
Manter a fé até o final.
Atillas Felipe Pires
09/06/2014

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Esquinas

As vezes me surpreendo com o conteúdo das esquinas que frequento
Das surpresas que encontro em cada curva da minha estrada
Das caminhadas ao relento
Um mendigo,  um ladrão,  uma fada, uma amada
Me pego a cada temporada escrevendo os relatos de uma nova história, um novo lugar, um novo lar
Me assusta perceber
Que o fim delas quase sempre é só copiar e colar
Essa cores diversas que preenchem o meu novo ser
Que de colorido e cinza
Quase sempre se esquece do que quer ser
Uma folha preenchida por retalhos distribuídos
Pelos amores e sabores que me esbarro na trilha dos amores (das dores)
Meu amor é isso o que compartilho
Quando apenas me debruço em seu corpo
E tento desprender seu espartilho
Atuando em sua mente
Com fala sábia
De um nobre que nunca mente
Até que chegue o meu ponto final
O meu ponto final
.

Atillas Felipe Pires
29/05/2014

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Você esta bêbado cara?

Bêbado, eu, um trabalhador e exemplar cidadão dessa estupenda nação em constante evolução tecnológica e social? Por obséquio não conhece ao certo este que vos fala!? Meu jovem, jamais eu - do alto dos meus 2 2 anos - me prestaria a esse papel nefásto de comparecer a um ambiente profissional com meu estado de racíocinio alterado por quaisquer gênero de substância intorpecênte. Obviamente, conforme exposto acima, não estou de forma alguma sob este estado que você comulmente expos: "bêbado". Obrigado pela atenção e compreensão.

Atillas Felipe Pires
26/05/2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Nós somos uma geração de idiotas,  telefones inteligentes e pessoas burras!

Volte

Eu to voltando pra casa
Depois de uma temporada entre asfalto e concreto cinza
Eu estou colorindo meu mundo
Fazendo meu chá com calma
Como faz na sala de visitas o velho ranzinsa
Preocupado apenas com o alimento da alma
Gestos lentos milímetros pensados
Paciência que transborda
Não bata em uma parede
Esperando abrir a porta
Não tente
Faça!

Atillas Felipe Pires
23/05/2014

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O brilho em meu olhar

Eu quero fascinar as pessoas de riso fácil
Que entendam de cór o meu prefácio
As pessoas de alma reluzente
Que me encantam a distância
Que estrangule meu bloqueio ou ao menos tente
Que pelo prazer de dar prazer esteja pronta para amar
Por que eu sei que olhando no olho da pessoa certa
O reflexo em minha retina
Pode ser o eterno brilho do meu olhar
Quem me vê talvez não acredite
Mas minha maneira desajustada esconde a verdade de um ser
Que nas nuvens do tédio busca esse olhar, busca esse jeito de amar
Esquecendo ao relento o que o passado escreveu uma vez
Procurando no vácuo da noite algum ato de acalento
Delineando linhas tortas pelas vidas que frequento
Nem amizade, nem afinidade
Ao final repitido, sempre a cópia de um mesmo momento
Um ponto final sem abraço
O nó cego no laço
Minha trilha é me embriagar de sensatez
Agir na contra-mão do filósofo
Que surrando me diz: que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez
Uma vez!
Atillas Felipe Pires
19/05/2014

terça-feira, 6 de maio de 2014

Os bobos

Era uma casa muito engraçada
Na rua esgoto na mesa nada
No sol na casa ninguém ficava não
Porque a casa era de latão
Ninguém podia dormir na rede
Por que a policia descia o cacete
Ninguém podia fazer pipi
Por que o esgoto passava ali
Mas era feita com muito esmero
País dos bobo
Na conta zero

Atillas Felipe Pires
Vinicius de Moraes

06/05/2014

Tão colorido

Diga hey diga rol novo personagem pro Chico Anysio show
Ele passa
Ele olha
Ele encara
Ele trola
Nova geração perdida e é droga toda hora
Do alto da minha janela vejo pessoas coloridas
Nova função da sociedade imaculada
Sem trilha sem caminho, sem futuro parados na estrada
Pessoas perdidas

Exército vencido por cérebro atrofiado
Ele veleja num rio de mijo e ainda se afoga
Ele passa
Ele vem e vai
Ele engoli sem mastigar
Ele fuma
Ele cheira
Ele quer mais cola
Ele não quer parar
Se vangloriar é a cota do malandro
Hey gatinha escrevo "to nu fluxo"
Evandro, Alexandreson, Kleberson, Alecsandro
Somos todos iguais
Olhem todos para mim
Eu sou foda, eu to na moda
Eu saí da escola
Minha estupidez é sem fim
E é droga toda hora

Verde, amarelo, azul claro, azul escuro, vermelho sangue
Tem de todas as cores
Escolha seu aparelho dentário pra otario e entre para nossa gangue

Pigmentos variados num asfalto cinza
O contraste perfeito entre o frio e o perdido
E a idéia principal esta num novo drink de energético bull power com vodka barata
E quem sabe um troço de merda bem diluido
Foda-se a qualidade o importante é manter a briza
Ficou louco bateu na namorada
Filha da puta, vadia, estuprada
E assim vai indo
E é droga toda hora

Minha opinião é que muito busto ainda vai pegar fogo
Mas não pela ideologia
Quem sabe pelo excesso
Desse povo que não sabe as regras do jogo
Beijos em três,  sexo deturpado
Agora é minha vez, juventude regada a lança perfume e pó branco cheirado
Ele vem de casa já ereto
Naturalmente um tarado
E que haja orgia
Eu por outro lado
Me sinto grato
Nunca fui de me perder com as vadia
Junt a little be
Do you understand me

E enquanto houver auto-destruição gratuitamente
Não evolui esse povo que vive ao pé de quem mente
Levemente alterado
Altamente prejudicado
Infinitamente manipulado
Enquanto isso chora pela mente
E o único brilhos dos olhos é o vermelho do baseado

Atillas Felipe Pires
06/05/2014

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Profissão perigo

Era uma mesa de mógno
Atrás a figura gorda de um homem grande
Espalhado pelo chão se via copos descartáveis
O café daquele bule ainda estava morno
Ele contava os ossos de setenta vezes sete miseráveis

Um prédio escuro numa ala nobre
Era uma parede grande de mármore
Atrás a figura de um quadro caro
Arte vendida sem valor mas cara
Espalhado pelo chão um tapete persa
O wisky que me ofereceram ainda estava forte
Vamos em frente é o que me resta
Já não sou o que fui em outra era
A triste história de um rei moderno
Diretor da casa da moeda num país
Num país onde a morte por fome impera

Esse podia ser meu último trabalho
Mas ainda sentia prazer naquilo
Minha desert eagle tremeu em meu coutre
Vendi minha alma a tanto tempo que já não me importo
Já que vou pro inferno vou deixar meu corpo podre
Mais um trago
Fiz mira e disparei
Mais um que embalei no sono eterno
Contrato pago
A música do elavador é sempre a mesma
Desci com calma
Mais um trago
Caminhei sozinho pelas ruas
Fiz minhas contas
Me vi por aí
Contando em cada paralelepípedo da rua as almas que já levei
Setenta vezes sete eu contei
Agora estou vago
Entre em contato
Dei mais um trago

Atillas Felipe Pires
06/05/2014

sábado, 3 de maio de 2014

BR 140

No fundo o que eu preciso é de um banho de chuva
Encontrar uma cachoeira que lave minha alma
O que eu preciso é de um novo som
Pegar a BR 140 às três da manhã
Sentir o asfalto ficando pra trás
Indo com calma
O barulho leve dos pneus me levando embora
Tratando com calma a minha alma
Sentir meus olhos marejados
Água salgada carregada de sentimentos
Hoje quase do nada minha beleza chora
Quero cheiro, amores, louveres, momentos

Pegar a BR 140 às três da manhã
Sentir o asfalto ficando pra trás
Indo com calma
O barulho leve dos pneus me levando embora.

Atillas Felipe Pires
03/05/2014

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Beco molhado

Eu lembro que era um beco
Lembro de um chão molhado
Acho até que haviam olhos na minha direção
Olhos brilhantes,  eram magros gatos
Criaturas noturnas
Eu estava sendo observado

Saí de uma porta dos fundos
E me vi ali
Tinha ainda na mão direita uma garrafa
Lembro que era vinho
Coisa de classe, não era meu estilo
Não sei de onde saiu aquilo
Perdi meu conhaque
Acho que roubei na cozinha daquele bar
Na correria da fuga
Quando percebi que não tinha um puto no bolso
Um soco no segurança,  eu saí sem pagar

Por décadas essa foi minha vida
Era minha insana distração
Minha sede alcoólica desenfreada
Caminhando na noite de bar em bar
Levando a vida sem pudor até a próxima parada
Sempre tive minha lei interna
Fui meu rei, meu Deus, minha própria autoridade
Fui tudo o que tive que ser
Minha retina mira o mesmo alvo
Meu próprio prazer
Causei minha vitória e minha calamidade
Minha regra é viver

Quando olhei pra cima vi as longas paredes dos prédios que formavam aquela viela
Beco molhado
Lá no alto alguns fios se cruzavam e cortavam minha visão do céu
Eu vi a lua distante uma luz pequena como a chama de uma vela
Lembrei dos tempos dos meus vinte e poucos anos
Naquele tempo minha visão turva pelo wisky não diminuía a lua
Talvez essas décadas me transformaram
Mas ainda hoje eu penso nela

Lembrei de repente do vinho de classe
Tomei um trago
Desceu doce e fácil
Tinha me esquecido do gosto suave das bebidas sociais
Me acostumei com o tempo, a góles baratos cercado de trapaceiros de balcão em conversões  tão banais
Olhei pra frente e vi a rua deserta logo ali
E pensei comigo e com meu próprio deus, já se foram quantos carnavais?
Apenas caminhei
Afundei o pé esquerdo numa poça
Estive por muito tempo um trapo
Nem liguei

Aqui estava a vida que eu sempre sonhei
Tudo que eu engoli não me matou, me fortaleceu
Eu sorri, corri, cai,  apanhei eu chorei
E tudo que eu fiz me fez mais forte
Fui habitante do beco e da côrte
No espelho do quarto dos que viveram eu me vi

Essa noite estava fria e o chão molhado dava um ar de inverno
Mas era verão
Parecia uma eternidade desde a hora que sai daquele bar
O beco molhado era o meu habitat natural
Que bom que demorou, eu vi pessoas na rua
Eu só gostava das pessoas que me cativavam pela assinatura no final dos seus textos
Por tanto tempo eu vaguei sem sentido fugindo dos contatos
Sem fé sem amor, vivendo de pretexto
(E de texto)

Hoje me desejo paz
Hoje me desejo amor
Com ou sem dor
Hoje eu quero minha paz
Mas a quero com amor

Atillas Felipe Pires
23/04/2014

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ir ver o mar

Tem lá no alto um lugar guardado
Que só pode ser visto daqui numa noite sem nuvens
Num céu estrelado
Há lá no alto uma mensagem gravada
Uma promessa de amor, de pra sempre estar lado a lado
E na lua cheia seu coração se abala e lembra
E sempre vem a tona todas as brilhantes lembranças do passado
Coisas que as coloridas luzes da sua nova noite nunca apaga
Sua noite abaixo de tetos cada dia mais vibrantes
E sua visão bêbada fica turva nas luzes da balada
Parecem te deixar cada dia menos completo, cada dia menos confiante
Em si mesmo, em alguém, em algo que lhe mostre um mundo mais além
Que te de forças para no único campo faltante da sua vida ir adiante
Qual será o dia que voltará a lustrar o seu mais belo diamante

Hoje ele sai sempre depois da faculdade
Lacrou seu coração partiu pra perdição
Manteve a humildade, conheceu outra cidade, fez nova tatuagem
Acelerou a rotação desenhou sua geração
E a cada nova segunda-feira lhe vem o mesmo pensamento
O que fazer com o próximo passo da minha idade?
E lhe vem a resposta: É só deixar rolar!
Manter o movimento, nunca correr sempre caminhar
Pedras rolantes não criam musgos
Partir para o próximo bar ou deixar tudo e ir ver o mar

Atillas Felipe Pires
11/04/2014

EU VOU SAIR DAQUI

Eu vou seguir para o outro lado da cidade
Sem um puto no bolso
Gasolina no cheiro, e algumas latas de cerveja
Esbanjar minha atrativa vaidade
Eu vou sozinho com meu santo no pescoço
Eu vou partir daqui
Eu vou seguir meu sonho de ser artista
Mais uma noite em que coloco minha fantasia
Meus ídolos de Sparrow a Charlie Sheen
De palhaço a malabarista
A noite quase sempre me anestesia
Eu vou atrás do vento sem direção
Ou quem sabe, vou apenas atrás da próxima perdição
Atração, oração, rendição ou uma simples e vulgar ereção
Eu vou sair daqui

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Ao vivo sem coreetor as 02:34 no Posto

Acordei coloquei a porra da cara amarrada na janela, tava sol! Sol forte..acordei tarde, outra vez e bêbado outra vez. Já passará do meio dia então eu já podia beber, abri uma cerveja e vi que só tinha mais duas na geladeira. ..pensei em sair pra comprar mais..precisava de algo pra passar aquela tarde comum de terça feira, fiquei com preguiça e preferi terminar primeiro as que tinham na geladeira. .estavam geladas, bebi todas, escondi a ressaca dentro das garrafas vazias que foram se acumulando. Quando eu vi já era noite, eu estava bêbado e com a cara amarrada, pensando no que fazer naquela sexta feira comum. O tempo passou!

quinta-feira, 20 de março de 2014

De tempos em tempos, de pessoa em pessoa. Vida em doses!


Amor acorde, amor acorde, levante

Pegue seus cds e vá embora

A porta esta aberta para você passar

Deixei bastante espaço no corredor

Não se importe comigo

Já aprendi a conviver com a dor

Apenas pegue seus cds e vá embora

Seus lançamentos dos anos 80

E algumas dessas poesias velhas, leve tudo que sobrou

Eu não me importo mais com elas

Não quero esbarrar nesses livros de páginas amarelas

Aproveite que o insenso se apagou

Eu não quero ver seu reflexo turvo no meu espelho

Manchando minha dignidade e atrasando minha idade

Amor acorde, amor acorde, levante

Pegue seus cds e vá embora

Já virei minha ampulheta

Você tem pouco menos de uma hora

Até que entre a próxima em seu lugar

Amor acorde, amor acorde, levante

Pegue seus cds e vá embora

Eu não quero ser um cara mal, eu não quero te magoar

Apenas levante e saia
 

Atillas Felipe Pires

20/03/2014

sexta-feira, 14 de março de 2014

Senta aqui neste banco
Pertinho de Mim, vamos conversar
Será que você tem coragem
De olhar nos meus olhos e Me encarar?
Agora chegou sua hora
Chegou sua vez, você vai pagar
Eu sou a própria verdade, chegou o momento
Eu vou te julgar
Pedi pra você não matar nem para roubar
Roubou e matou
Pedi pra você agasalhar a quem tem frio
Você não agasalhou
Pedi para não levantar falso testemunho
Você levantou
A vida de muitos coitados você destruiu
Você arrasou
Meu Pai lhe deu inteligência para salvar vidas,
Você não salvou
Em vez de curar os enfermos,
Armas nucleares você fabricou
Usando sua capacidade
Você destruiu, você se condenou
A sua ganância foi tanta
Que a você mesmo você exterminou
O avião que você inventou
Foi para levar a paz e a esperança
Não pra matar seus irmãos
Nem para jogar bombas nas minhas crianças
Foi você quem causou essa guerra
Destruiu a terra de seus ancestrais
Você é chamado de homem
Mas é o pior dos animais
Agora que está acabado pra sempre
Vou ver se você é culpado ou inocente
Você é um monstro covarde e profano
É um grão de areia frente ao oceano
Seu ouro falou alto, você tudo comprou
Pisou nos Mandamentos que a Lei Santa ensinou
A Mim você não compra com o dinheiro seu
Eu sou Jesus Cristo, o filho de Deus

quinta-feira, 13 de março de 2014

Sabores e flores saudades dos meu (s) amor (res)

Em uma curva da estrada que seguimos pode haver uma placa apagada pelo tempo
Nessa mesma estrada que te leva ao rumo certo por deslize você pode se perder
Essa mesma placa que te indica o caminho, por estar apagada te leva para ares distantes
Lugares que você nunca quis conhecer

E essa mesma estrada que te mostrou a luz do sol no horizonte logo a frente
Fez você se perder, e hoje nem luz, nem ar, nem amor você consegue ver
No caminho oposto se encontra, levanta e anda, mas esta sempre no mesmo lugar
Por que essa estrada se tornou um circulo

Que te prendeu no passado e que te fez trancar o coração pra o sol atrás da cortina
Coração transborda em olhares pujantes, nada mais que distante, que não vê em tempos
Mas no fundo do sua alma, ainda constam as imagens, intacta retina
Sabores e amores

Imagem tão linda incomparável, da felicidade em cores e maestria poética
Aquela já empoeirada rotina, que mesmo encoberta te desperta para o mundo das flores
Sabores e amores

Aquela já empoeirada rotina, que mesmo encoberta te desperta para o mundo das flores
Sabores e amores

Atillas Felipe Pires

13/03/2014

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Eis o formato

Súbito
ótima
príncipe
próxima
óculos
vírgulas
ácido
máximo
ásperos
fôlego
trôpegos
rápido
álibis
lépida
pânico
lívida
ínfimo
dádiva
súdito
trágica
apático
cálida
tímida
vítima
rápido
tétricos
épico
cínico
típica
mínimo
clínico
rúbrica

épico, cínico!